Confesso que não aprecio debates, sempre fui alguém reservada, e tal como as cordas se tocam pelas pontas, nunca apreciei qualquer tipo de extremismo, faz com que os extremos se tornem pura e simplesmente iguais e tangentes. Mas se for uma questão de pura e simplesmente desabafar o que sinto ou desacorrentar uma série de pensamentos, eu escrevo aqui então o que penso.
Parece que o ser humano é um ser que tanto pode pensar pela sua cabeça, como pode ser facilmente programado apenas pelas próprias palavras possam que têm algum tipo de "peso" sobre si. A teoria é que o traje, de alguma forma, através de alguém ou alguma tradição, foi associado à praxe.
Podemos aí fazer a nossa escolha: entre questionar, e deixar-se levar (sem ser necessariamente no sentido triste de deixar-se manipular, mas no sentido de não duvidar e não tentar fazer brainstorming em torno da teoria "imposta"). Depende bastante do peso que a própria palavra "tradição" tem sobre as pessoas... se é um dogma inquestionável ou se é apenas mais um pensamento que pode ser questionado, duvidado e até alterado com o passar dos tempos.
Na dimensão social, já temos que conhecer os objectivos que temos e ser firmes (digo eu)... porque se alguém quer trajar sem conhecer tudo o que a tradição impõe no uso do traje, essa pessoa terá que ver se realmente se importa com a tradição e se esta pesa na sua vida e nos seus princípios morais. Há quem seja controverso e goste, e tenha o objectivo de ultrapassar certos limites, e fique simplesmente contente e orgulhoso de o fazer ("Sou arrogante, yup, it's my pride and joy!"). Há também quem não seja praxado oficialmente e a todo o custo tente conhecer toda a gente, as suas posições e suas categorias, acabando por se integrar; para mim, essa pessoa é uma alma praxada, e cumprir o resto da tradição é consequência. Há também quem não seja contra a praxe mas contra o "ser mais um", e que a praxe pode não ser uma coisa que nos torna directamente "mais um", mas para alguém a praxe pode ter essa componente de fazer de alguém mais um nome de praxe, mais um código de barras... esse tipo de pessoa pode não ser anti-praxe, mas sim ser anti-aquilo-aonde-a-praxe-também-pode-levar. E dentro do mundo da praxe há sempre quem esteja dentro mas não seja dentro: isso pode revelar-se na rebelião dentro da praxe, ou no não saber praxar mais tarde, pois no seu íntimo sabe que esse não é o seu meio.
Só posso dizer que, a meu ver, muita coisa que fazemos ou deixamos de fazer é devido ao peso da tradição que foi "programada" no nosso sangue. A quem tiver mesmo compromisso com a tradição: força nisso.
A quem não considerou isso: considere analisar se quer mesmo ser condicionado pela tradição, questionar-se, questionar a tradição, e depois tomar uma decisão. Há tradições impostas por seres humanos que, se virmos bem, eram pessoas iguais a tantas outras que podiam (ou não) estar erradas.
A quem for totalmente despido de pudores: é como eu. Cuidado é com os limites. Tenha fé acima de tudo.
Mais uma vez, só digo isto porque penso demais e gosto de usar o cérebro, levar mais tempo a tomar decisões acertadas sobre a minha vida. Deverá a tradição ser a causa? Ou a consequência?
Desculpem o testamento... posso apreciar pouco debates e discussões, mas até gosto de filosofar e escrever.
P.S.: Eu se quisesse, trajava como bem entendesse (não quer dizer que o faça, porque até agora nem pensei nisso e a Queima 2008 aproxima-se), já que pessoalmente tou fora do mundo da praxe... palavra essa não me diz nada. Nem tradição nem meia tradição. Niente. Zilch. (Totally nihilist!). E não me posso considerar anti-praxe, porque não se pode ser anti-algo-que-para-mim-passa-ao-lado. Não é nada que me movimente. Se isso se tratar de vaidade ou orgulho pessoal... que o seja então.