Traje e Praxe

Aproveitando o tópico.

Eeste ando tenho a benção das pastas, gostava de ir porque vai etar a malta toda com quem fiz o curso...

O "problema" é que não tenho traje e está-me a custar ir dar 130€ por um traje só para usar uma vez, quando posso ir com um simples fato.


Nesta coisa da benção costuma estar tudo de traje ou aparece muita gente de fato? É que não me apetecer ser u unico "urso" de fato... [:)]

LOL

eu diria que era melhor nao![:D]
 
Nada melhor do que perguntares aos teus colegas de curso, mais entendidos na matéria.

[;)]


Se fosse em Coimbra eu nem perguntava isso, mas sendo em Lisboa e ainda por cima numa faculdade em que o es+irito académico nem é assi muito grande nem sei que que faça..

A quem me diga que sim, há quem me diga que não.. [:D]
 
Hoje em dia, a praxe é um treta e falo hoje em dia porque não sei como era antigamente.
O facto é que a praxe é boa para os bêbados, para os que gostam de dar nas vistas e para os que têm o seu ego ferido (neste caso, os "doutores") que gostam muito de ser mandões e fazer dos outros coitados, escravos.
Escravos não, perdão.
Eles vão lá porque querem, salvo meia dúzia de excepções que vão porque têm medo de represálias. Depois vêm fazer queixa e lamentar-se a mim e a outros que não frequentam a praxe, dizendo que não têm tempo para nada senão para a praxe, que não estudam mais porque às tardes tiveram que ir beber umas jolas e rebolar na lama, etc etc.
Outro ponto deplorável, é o facto de, supostamente, não se poder usar traje sem ter sido praxado.
Mas que porra é esta?
Por acaso os individuos que fizeram estas regrinhas (leia-se, associações académicas) sabem a razão da existência do traje académico?
O traje nasceu para que todos os estudantes fossem iguais uns aos outros.
O traje serivia, na medida em que eram todos iguais, para não haver descriminações entre alunos. Todos são iguais, independentemente da religião, posses monetárias etc.
Portanto, quem quiser usar traje no 1º Semestre do 1º ano é livre de o fazer.
Quando entrei no curso, fui logo com a ideia de que não iria á praxe, mas lá fui uma vez.
Detestei.
Logo a primeira a que fui, foi vê-los a falar de pilas, de gajas, etc etc etc.
Rebolar no chão, chamar nobríssimos nomes às excelências de preto e responder a perguntas de treta.
Abandonei o grupo mal me enchi daquela porcaria.
Estávamos todos sentados no chão nessa altura, a dizer ámens a um tipo qualquer (possivelmente veterano), que nos dizia que só falávamos quando ele assim o quisésse.
A minha ideia de praxe, seria um género de recepção ao caloiro, onde se faria uma visita guiada à escola e quem sabe, passar bons momentos a fazer jogos lúdicos.
Esta é a minha opinião.


apr:)Pessoa decidida, gostei. E não digam que não experimentaste, pois viste com os teus próprios olhos.

E há um monte de coisas que se dizem entre grupos sociais, não só na praxe portanto, que no meu perfeito estado não diria nem aprovaria por simples motivos de crenças e princípios morais. Ninguém merece fazer sorriso amarelo e aprovar certas situações para estar em grupo. Fico até confusa por exemplo em saber que o pessoal duma congregação, amigos meus que não cantariam nem diriam certo tipo de coisas, entram na praxe (ou outros ambientes) e continuam lá até ao fim, cantando e dizendo coisas com as quais sempre achei que não concordariam, parecendo assim terem 2 facetas... e ainda ficam surpreendidos por eu não me juntar!

Não vou dizer se acho bem ou mal, só me interrogo: como é que fazem para abafar a consciência, o que é que tomam...? Também queria umas gotas disso... LOL. Como é que fazem para não terem depois crises de identidade ao final do dia, quando se lembram do que tiveram que cantar e dizer com os seus "camaradas" de curso? A menos que se esgotem ao ponto de chegar a casa, jogarem-se na cama e ZzzzZzzzzZzzzZZZ...

Acima de tudo deve ser questão de sabermos quem somos na nossa verdadeira essência e sabermos o que andamos a fazer... a quem teme represálias, só desejo que nunca tenha que se sentir moído pela própria consciência, pois quando nem nós mesmos aprovamos o que estamos a fazer ou a dizer, é a pior sensação que existe, pior do que qualquer tipo de represália por parte dos outros. Digo por experiência própria...

Mas a maioria penso que não faz as coisas de arma apontada à cabeça nem hipnotizada, portanto a priori devem responsabilizar-se pelas suas escolhas.

Congratulo-te pela sinceridade no teu post. [:cool:]
 
Ora bem, que melhor dia o de hoje que pela primeira vez trajei para responder a isto.

Primeiro que tudo, é triste ver pessoas associar Praxe às palhaçadas de muito "boa" gente faz quando está trajada. Praxe não é só rebolar na lama, não é só cantar caralh**as.
Eu fui praxado e adorei. Sim, enchi bastante, fiz e disse coisas que fariam um marinheiro à antiga corar, mas fiz tanta coisa engraçada. Lembro-me de episódios como recriar o fiel ou infiel, o titanic (com barco de cartão), fazer rally com carrinhos de cartão roubados do ecoponto, criar letras engraçadas para cantar, concursos e palhaçadas com senso de gente que nos divertiam. Lembro-me de um doutor meu levar o curso todo numa visita guiada pela cidade a mostrar-nos a sua História (criou até na praxe de 24h uma espécie de peddy-paper em que tínhamos de visitar x monumentos em y tempo). Coisas construtivas.
Agora, ver como vejo aí gente mal trajada, a não cumprir o Código de Praxe e a não fazer nada a não ser mandar encher, isso não é Praxe! Mas pronto.

Quanto ao Traje, acredito e já reparei perante a experiência que é algo único Trajar bem, sim, porque Trajar não é só enfarpelar-me naquele tecido preto e pensar que estou Trajado. Há determinadas regras que têm de ser respeitadas...nada de adereços por exemplo, os Trajados têm de ser iguais (ou quase).

Ainda hoje assisti a uma das coisas que acho mais belas e interessantes das lides académicas. A Serenata. Fui à Serenata à Cidade de Braga organizada e interpretada pela Tuna Universitária de Braga e devo dizer que foi muito bonito. Pena a fraca afluência, mas deu para ver alguns tricórnios no ar em vez das comuns palmas! Gostei sobretudo dos espanhóis turistas que por lá passavam e ficaram deliciados com aquelas trovas ao luar. Até pediam para tirarmos fotos com eles e tudo! [:cool:]

No fundo, a Praxe nunca irá ser um assunto consensual, mas não partamos para as generalizações apressadas nem julguemos que todos são iguais, ou até comparem Academias. Cada Academia tem a sua forma de viver e intra-cultura bastante afincada. Não queiram entender isso sem lá viverem ou conhecimento de causa.


PS: A Praxe também é sinónimo de integração, pelo menos aqui na U.Minho. Os Caloiros de todos os cursos são convidados nos primeiros dias, (1, 2 e 3) a conhecer a universidade, são-lhes apresentados os presidentes de departamentos que lhes interessem e até havia a actividade de plantarem uma árvore.
Eu ainda me lembro que no 1º dia nos reunimos numa roda e nos conhecemos todos. Ainda hoje toda a gente sabe o 1º e último nome de cada um, a terra de onde vêm e onde moram. [;)]
 
Ora bem, que melhor dia o de hoje que pela primeira vez trajei para responder a isto.

Primeiro que tudo, é triste ver pessoas associar Praxe às palhaçadas de muito "boa" gente faz quando está trajada. Praxe não é só rebolar na lama, não é só cantar caralh**as.
Eu fui praxado e adorei. Sim, enchi bastante, fiz e disse coisas que fariam um marinheiro à antiga corar, mas fiz tanta coisa engraçada. Lembro-me de episódios como recriar o fiel ou infiel, o titanic (com barco de cartão), fazer rally com carrinhos de cartão roubados do ecoponto, criar letras engraçadas para cantar, concursos e palhaçadas com senso de gente que nos divertiam. Lembro-me de um doutor meu levar o curso todo numa visita guiada pela cidade a mostrar-nos a sua História (criou até na praxe de 24h uma espécie de peddy-paper em que tínhamos de visitar x monumentos em y tempo). Coisas construtivas.
Agora, ver como vejo aí gente mal trajada, a não cumprir o Código de Praxe e a não fazer nada a não ser mandar encher, isso não é Praxe! Mas pronto.

Quanto ao Traje, acredito e já reparei perante a experiência que é algo único Trajar bem, sim, porque Trajar não é só enfarpelar-me naquele tecido preto e pensar que estou Trajado. Há determinadas regras que têm de ser respeitadas...nada de adereços por exemplo, os Trajados têm de ser iguais (ou quase).

Ainda hoje assisti a uma das coisas que acho mais belas e interessantes das lides académicas. A Serenata. Fui à Serenata à Cidade de Braga organizada e interpretada pela Tuna Universitária de Braga e devo dizer que foi muito bonito. Pena a fraca afluência, mas deu para ver alguns tricórnios no ar em vez das comuns palmas! Gostei sobretudo dos espanhóis turistas que por lá passavam e ficaram deliciados com aquelas trovas ao luar. Até pediam para tirarmos fotos com eles e tudo! [:cool:]

No fundo, a Praxe nunca irá ser um assunto consensual, mas não partamos para as generalizações apressadas nem julguemos que todos são iguais, ou até comparem Academias. Cada Academia tem a sua forma de viver e intra-cultura bastante afincada. Não queiram entender isso sem lá viverem ou conhecimento de causa.


PS: A Praxe também é sinónimo de integração, pelo menos aqui na U.Minho. Os Caloiros de todos os cursos são convidados nos primeiros dias, (1, 2 e 3) a conhecer a universidade, são-lhes apresentados os presidentes de departamentos que lhes interessem e até havia a actividade de plantarem uma árvore.
Eu ainda me lembro que no 1º dia nos reunimos numa roda e nos conhecemos todos. Ainda hoje toda a gente sabe o 1º e último nome de cada um, a terra de onde vêm e onde moram. [;)]


Considera a tua experiência abençoada.
Digamos que a primeira vez que fui abordada, foi por alguém bastante arrogante: "Tuuuudo o que sei da vida aprendi na praxe! Vais morrer estúpida.". Cheguei a questionar se essa pessoa tinha família, amigos pessoais, enfim, uma vida.
Simpatia total, portanto... adorei. Senti-me um número. [8b]
Quanto aos amigos que felizmente fizeste com todas essas actividades, espero que tenham tido tempo suficiente para saber muito mais do que isso. Falo dum exemplo nada a ver com a praxe: tenho um melhor amigo dentro dessas actividades, estando eu fora, e diz ele que a praxe do nosso instituto podia ser bem melhor... além disso conta-me muitas outras coisas, bem como eu a ele, sobre as nossas vidas, segredos dos mais íntimos, e nada disso começou por frequentarmos as mesmas festas, praticarmos as mesmas actividades ou sabermos o primeiro e último nome e onde cada um morava. Sabermos essas informações foi apenas consequência.

Não nego que é bonito teres todas essas actividades edificantes para recordar, e se fizeste amigos mesmo amigos, óptimo.[:cool:]

Só defendo desde o meu primeiro post neste forum que as pessoas se questionem primeiro... é preciso ver se é a pessoa que vive a tradição, ou a tradição que vive a pessoa.
Quando a tradição vive a pessoa, muitas vezes o resultado é o que existe por aí, acerca dessa "boa" gente a que tu também te referes, que faz todo o tipo de fantochada em nome da tradição que deve ter as costas largas...:confused:
É isso que revolta uma pessoa... se revolta algumas pessoas dentro de actividades praxísticas, mais ainda quem vê de fora e vê tanta diferença entre o que se diz e o que se faz.
Ainda quero ver a figura de algumas pessoas que vão trajar sem pertencerem à praxe. Eu teria coragem de o fazer mesmo se quisesse, mas não deixo de ficar curiosa: será que por terem sido tratados como se estivessem dentro da praxe safam-se de serem xingados...?! :confused:
 
Enfim... se levassem a praxe mais na brincadeira e não tivessem tanto orgulho em vocês próprios talvez não tivessem essas opiniões nem esse tipo de reacções para com a praxe...
 
Enfim... se levassem a praxe mais na brincadeira e não tivessem tanto orgulho em vocês próprios talvez não tivessem essas opiniões nem esse tipo de reacções para com a praxe...


E dizes muito bem! Orgulho.
Eu sou cheia disso, and I love it! xD

Não digo que é tudo muito fácil estar no lugar duma pessoa orgulhosa também, por vezes parece uma prisão, mas pronto, custa descer do "altar", pelo menos para mim... e isso é em qualquer situação de grupo em que as pessoas às vezes parecem ser uma coisa quando estão sozinhas, e ser outra totalmente diferente num grupo grande.
 
Já foi à muitos anos... 10 para ser preciso.

Fui praxado e praxei. E só posso dizer o seguinte... ainda na sexta fui a um jantar com 11 amigos criados na praxe. Uns engs. na altura, outros caloiros.

Curiosamente serei padrinho de casamento de uma caloira que praxei com um eng. que me praxou. Engraçado não?

Sou pró praxe, pró traje, porque foi dos melhores momentos da minha vida.

Não vou deixar de gostar de carros por haver uns quantos anormais que são assassinos na estrada! Da mesma forma que continuarei a ser um tradicionalista da praxe e traje, e não deixarei de ser por alguns anormais que naõ sabem praxar e trajar.

E já agora, sou orgulhoso e não gosto de ser mal tratado, mas sei bem aceitar uma brincadeira com humor.
Há quem não o tenha, e não é por isso que é mais feliz...
 
Há muita gente que ainda tem que aprender muito na vida.....
Tudo depende de como enfrentamos certas situações, e o orgulho nada tem a ver com isso, pois de orgulho tenho pra dar e vender, mas sim o modo como se levam as brincadeiras. Se existem abusos?? Sim é natural como em tudo na vida, tem é que se saber lidar com isso.
Subscrevo tudo o que o Taveirada escreveu, pois encaro a praxe da mesma forma e fiz amizades que certamente continuarão até ao final dos meus dias, o que não quer dizer que se não haveria se não fosse praxado, mas com a praxe proporcionou-se isso.
 
O que é que ser extrovertido tem a ver com isso?

Também não brincavas quando eras puto?

A praxe é das melhores coisas para a integraçaõ das pessoas... quem me dera voltar 10 anos atrás!
 
O que é que ser extrovertido tem a ver com isso?

Também não brincavas quando eras puto?

A praxe é das melhores coisas para a integraçaõ das pessoas... quem me dera voltar 10 anos atrás!
Uma pessoa introvertida é automaticamente "saco de pancada".

Porque não quer fazer isto, ou aquilo, ou porque não se sente muito à vontade.

E essa pessoa obviamente não vai continuar a querer ir à praxe.
 
O que é que ser extrovertido tem a ver com isso?

Também não brincavas quando eras puto?

A praxe é das melhores coisas para a integraçaõ das pessoas... quem me dera voltar 10 anos atrás!

Dependa das universidades.
Na minha até não foi bera... Foi até cómico.
Mas há universidades que lhes dão mesmo para a estupidez.
 
Eu também sou muito introvertido (sóbrio) e na Praxe era onde mais me soltava. Não porque era obrigado mas sim porque era engraçado fazer o que me apetecia sem pudores e sem julgamentos.
Ser caloiro é quase como ser criança. As pessoas passam por nós e não nos julgam macacos ou malucos da cabeça, mas sim, sabem que como as crianças nos estamos a divertir e ainda sorriem e ainda se juntam à brincadeira.

Experimentem fazer uma serenata a uma qualquer senhora numa rua qualquer assim do nada e vejam o que ela vos diz. O mais provável é fugir dali com vergonha e medo do que possam ser. Agora eu quando caloiro ainda me lembro dessa mesmo qualquer senhora ter feito ouvidos moucos à minha péssima aptidão para o canto e me ter dado dois beijos e apresentado a filha enquanto lhe falava de que queria que ela entrasse para a universidade para poder fazer aquilo também!

Ou então as duas praxes pela beneficência que fizemos no meu ano de caloiro. Ambas pegámos nas nossas guitarras, criámos entre nós algumas músicas e andámos pela cidade a cantar e a vender algumas peças de artesanato para ajudar umas instituições de caridade que agora não me recordo. Claro que grande parte das pessoas nos acusava e berrava connosco a dizer que nos estavam a explorar, mas depois de nos ouvirem ficaram com outra ideia da Praxe. Mas claro, tudo isso dependeu dos nossos Doutores (Praxantes) que sempre nos ensinaram que a Praxe não era encher e que também na Praxe poderíamos ajudar quem precisava!
 
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