Violencia ou educacao ?

Esta argumentação da NaoInteressa costuma ser a que se ouve de pais que sabem MUITO BEM a educação (ou falta dela) que os seus filhos têm e que, naturalmente, não pretendem que a escola e os professores cometam o crime de pensar sequer em não ter tais criaturas na sala de aula.

Só mudam de perspectiva quando os problemas em casa começam a tomar proporções mais complicadas para eles próprios (vide desrespeito e violência) e, nessa altura, costuma já ser tarde demais. É o momento de chegar à escola e pedir aos professores que deitem a mão aos seus sempre irresponsabilizados e negligenciados filhos.

Os outros, os alunos educados e seus pais, saturam-se desta gente, poucos imaginando o real impacto que esta indisciplina e falta de exigência terá na sua evolução e percurso escolar, sempre nivelado pela mediocridade dos alunos mais fracos, desinteressados e pior comportados de cada turma.

Enquanto o nosso país não perceber que o problema da educação não se situa nas escolas mas nas casas de muitos pais, a quem tem que se começar a exigir responsabilização pecuniária pelos actos dos seus filhos, como em países ditos mais civilizados, respeitadores dos direitos humanos mas sem lirismos e complexos com a autoridade.
 
Claro que existem, mas tem de ser tolerados?

Foi isso que tu disseste, que um professor tem de saber que tem de aturar esses miúdos.
Primeiro dizem que não á violência porque educação é em casa, logo de seguida o professor tem de ensinar e aturar má educação.
Não faz qualquer sentido.

Eu sou a favor de faltas disciplinares, expulsão da aula e posteriormente da escola.


Porque é que a escola tem de ser inclusiva e nunca pode expulsar os alunos, mesmo que façam 30 por uma linha vezes sem conta?

A começar na escola a transmitir os valores da impunidade vai-se longe não haja dúvida.

Ensinar não é aturar putos mal educados, é sim transmitir conhecimento, quem não os quer adquirir andamento de lá para fora.

Tolerados têm de ser todos. Pensamos à partida que todas as crianças têm o direito de andar na escola.

Eu também acho que as expulsões poderão ser uma medida, quando falamos em alunos mais velhos. Pelo menos é a mais fácil e é frequente isso acontecer nas escolas privadas e têm todo o seu direito (sabemos à partida que os alunos irão para estatais). Mas é uma alternativa correcta? Privar um adolescente ao ensino? Se uma pessoa não tiver a escolaridade obrigatória o mais certo é ir para a má vida... Porque nem o 9º ano tem para ir trabalhar para o MacDonalds e muitos deles nem dinheiro têm para abrir um próprio negócio... Logo o mais certo é irem roubar ou traficar droga, não achas?[:D]
 
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Esta argumentação da NaoInteressa costuma ser a que se ouve de pais que sabem MUITO BEM a educação (ou falta dela) que os seus filhos têm e que, naturalmente, não pretendem que a escola e os professores cometam o crime de pensar sequer em não ter tais criaturas na sala de aula.

Só mudam de perspectiva quando os problemas em casa começam a tomar proporções mais complicadas para eles próprios (vide desrespeito e violência) e, nessa altura, costuma já ser tarde demais. É o momento de chegar à escola e pedir aos professores que deitem a mão aos seus sempre irresponsabilizados e negligenciados filhos.

Os outros, os alunos educados e seus pais, saturam-se desta gente, poucos imaginando o real impacto que esta indisciplina e falta de exigência terá na sua evolução e percurso escolar, sempre nivelado pela mediocridade dos alunos mais fracos, desinteressados e pior comportados de cada turma.

Enquanto o nosso país não perceber que o problema da educação não se situa nas escolas mas nas casas de muitos pais, a quem tem que se começar a exigir responsabilização pecuniária pelos actos dos seus filhos, como em países ditos mais civilizados, respeitadores dos direitos humanos mas sem lirismos e complexos com a autoridade.

A minha argumentação, senhor professor, é contra a violência dos professores aos alunos nas salas de aulas. É esse o tema do tópico. Preferia sim mil vezes que um professor me telefonasse a relatar o que o meu filho fez (e então eu aí tratava-lhe da saúde em casa) do que dar-lhe um estalo. A educação tem de vir dos pais.

O que acontece é que existem muitos pais que pensam os filhos são uns santos e não dão importância às queixas do professor. E depois sim, com o tempo vão ver o que o filho é realmente. Mas isso é outra história, não confundas a minha ideia de ser contra a violência aos alunos com a burrice de certos pais.

Já agora elucida-me... Nesses tais países ditos mais civilizados que referes usam a reguada e o estalo como repreensão?
 
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A minha argumentação, senhor professor, é contra a violência dos professores aos alunos nas salas de aulas. É esse o tema do tópico. Preferia sim mil vezes que um professor me telefonasse a relatar o que o meu filho fez (e então eu aí tratava-lhe da saúde em casa) do que dar-lhe um estalo. A educação tem de vir dos pais.

O que acontece é que existem muitos pais que pensam os filhos são uns santos e não dão importância às queixas do professor. E depois sim, com o tempo vão ver o que o filho é realmente. Mas isso é outra história, não confundas a minha ideia de ser contra a violência aos alunos com a burrice de certos pais.

Já agora elucida-me... Nesses tais países ditos mais civilizados que referes usam a reguada e o estalo como repreensão?

A minha argumentação, senhora encarregada de educação, nada se relaciona com o uso de castigos corporais por parte dos professores que, aliás, considero desnecessários mas com a sua aceitação tácita da indisciplina, desrespeito e mau comportamento por parte dos alunos quando afirma que os professores têm que estar preparados para aturar todo o tipo de comportamento que lhes entre pela sala dentro e que alunos manifestando tais atitudes devem continuar a ser punidos com extrema benevolência na escola pública.

Eu defendo a responsabilização forte de quem esbanja dinheiros públicos gastos na sua educação (e na dos seus colegas) através de comportamentos inadmissíveis. Mais, defendo a responsabilização dos pais através da carteira, única maneira de chegar ao entendimento de certa casta que nada liga a obrigações sociais. Defendo ainda a escolha compulsiva da via de ensino apropriada ao percurso escolar vivido por cada aluno até ao momento dessa escolha (e que surja cedo - no final do sexto ano, por exemplo), exactamente como acontece em muitos países da Europa, como a Alemanha, onde a liberdade total de inscrição em qualquer escola pública é uma miragem.

Exemplo de responsabilização financeira dos encarregados de educação, face ao comportamento dos seus educandos: http://www.guardian.co.uk/education/2009/apr/14/pupil-misbehaviour-lesson-wasted
 
Tolerados têm de ser todos. Pensamos à partida que todas as crianças têm o direito de andar na escola.

Eu também acho que as expulsões poderão ser uma medida, quando falamos em alunos mais velhos. Pelo menos é a mais fácil e é frequente isso acontecer nas escolas privadas e têm todo o seu direito (sabemos à partida que os alunos irão para estatais). Mas é uma alternativa correcta? Privar um adolescente ao ensino? Se uma pessoa não tiver a escolaridade obrigatória o mais certo é ir para a má vida... Porque nem o 9º ano tem para ir trabalhar para o MacDonalds e muitos deles nem dinheiro têm para abrir um próprio negócio... Logo o mais certo é irem roubar ou traficar droga, não achas?[:D]

Sim é o que lhe pode acontecer, e depois?

Não foi a escolha dele? só tem de arcar com as consequências da sua escolha!

Não temos nada de tolerar, assim passas a imagem de impunidade ás crianças.

Todas as crianças tem o direito de andar na escola, para aprender, não para desestabilizar o ambiente escolar, se não querem aprender, andamento.

A escola é para aprender, e não um depósito de putos mal educados, enquanto não compreenderes isso, vais andar com paninhos quentes e a tolerar tudo.

Privar um adolescente do ensino?tás a gozar comigo lol, então se ele é expulso é porque não andava na escola a aprender, ele só é privado de desestabilizar o ambiente escolar[;)]


PS:Já agora, qual é a diferença de um puto que é expulso, e de um que é tolerado e chegam ao 12º e não sabe nada.
A diferença é que não andou a incomodar os outros.
 
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A minha argumentação, senhora encarregada de educação, nada se relaciona com o uso de castigos corporais por parte dos professores que, aliás, considero desnecessários mas com a sua aceitação tácita da indisciplina, desrespeito e mau comportamento por parte dos alunos quando afirma que os professores têm que estar preparados para aturar todo o tipo de comportamento que lhes entre pela sala dentro e que alunos manifestando tais atitudes devem continuar a ser punidos com extrema benevolência na escola pública.

Eu defendo a responsabilização forte de quem esbanja dinheiros públicos gastos na sua educação (e na dos seus colegas) através de comportamentos inadmissíveis. Mais, defendo a responsabilização dos pais através da carteira, única maneira de chegar ao entendimento de certa casta que nada liga a obrigações sociais. Defendo ainda a escolha compulsiva da via de ensino apropriada ao percurso escolar vivido por cada aluno até ao momento dessa escolha (e que surja cedo - no final do sexto ano, por exemplo), exactamente como acontece em muitos países da Europa, como a Alemanha, onde a liberdade total de inscrição em qualquer escola pública é uma miragem.

Exemplo de responsabilização financeira dos encarregados de educação, face ao comportamento dos seus educandos: http://www.guardian.co.uk/education/2009/apr/14/pupil-misbehaviour-lesson-wasted

Completamente de acordo, senhor professor.

É uma alternativa inteligente para pais que têm "alguma coisa". Agora falta a outra alternativa para pais que recebem abonos altos, rendimentos mínimos ou desempregados. Não têm direito à educação?
 
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Sim é o que lhe pode acontecer, e depois?

Não foi a escolha dele? só tem de arcar com as consequências da sua escolha!

Não temos nada de tolerar, assim passas a imagem de impunidade ás crianças.

Todas as crianças tem o direito de andar na escola, para aprender, não para desestabilizar o ambiente escolar, se não querem aprender, andamento.

A escola é para aprender, e não um depósito de putos mal educados, enquanto não compreenderes isso, vais andar com paninhos quentes e a tolerar tudo.

Privar um adolescente do ensino?tás a gozar comigo lol, então se ele é expulso é porque não andava na escola a aprender, ele só é privado de desestabilizar o ambiente escolar[;)]

Sim, privar um adolescente ao ensino. Israel, sabes o que acontece... Eu andei no básico onde os meus colegas (não de turma porque esses alunos eram especiais) que tinham 18 anos e ainda estavam no 7º ano. Uma coisa é certa... Muitos deles têm agora o 9º ano, nem que tenha sido dado praticamente. [:D] Ao menos já podem trabalhar numa loja de shopping!
 
Sim, privar um adolescente ao ensino. Israel, sabes o que acontece... Eu andei no básico onde os meus colegas (não de turma porque esses alunos eram especiais) que tinham 18 anos e ainda estavam no 7º ano. Uma coisa é certa... Muitos deles têm agora o 9º ano, nem que tenha sido dado praticamente. [:D] Ao menos já podem trabalhar numa loja de shopping!

Para meteres esses com o 9 ano sem saberem nada, obrigas aos que querem estudar e aprender a levar com esses desestabilizadores, tudo em nome da inclusão[8b]

Aí já é justo, andarem os outros a levar com eles, só para lhes dar um diploma e eles continuarem a saber nada.
 
Completamente de acordo, senhor professor.

É uma alternativa inteligente para país que têm "alguma coisa". Agora falta a outra alternativa para pais que recebem abonos altos, rendimentos mínimos ou desempregados. Não têm direito à educação?

Quem é subsidiado pelo estado mais facilmente deveria ser controlado no sentido de incutir nos filhos qual o quadro comportamental adequado ao privilégio de lhe pagarem a educação. Com pouca flexibilidade, ao contrário da que agora existe para beneficiários do RSI, que têm já obrigações envolvendo a educação dos seus filhos mas que pouco funcionam dada a incrível tolerância no nosso país para com a falta de rigor e disciplina.

O direito à educação, sempre presente no discurso politicamente correcto do eduquês, tem que ter a contrapartida inflexível do não desperdício. E isso significa tolerância zero à indisciplina, falta de exigência e de empenho. Especialmente num país com o nosso atraso estrutural. Quem não conseguir perceber atempadamente esta filosofia, deveria entrar mais cedo no mercado de trabalho, sujeito a procurar quem não precise de pessoal qualificado.
 
Para meteres esses com o 9 ano sem saberem nada, obrigas aos que querem estudar e aprender a levar com esses desestabilizadores, tudo em nome da inclusão[8b]

Aí já é justo, andarem os outros a levar com eles, só para lhes dar um diploma e eles continuarem a saber nada.

Estes alunos tinham turmas específicas. Muitos deles se calhar estavam em cursos profissionais. Estou a falar dos casos mais graves... E aí o problema não era nas aulas mas sim nos intervalos e fora da escola.
 
Estes alunos tinham turmas específicas. Muitos deles se calhar estavam em cursos profissionais. Estou a falar dos casos mais graves... E aí o problema não era nas aulas mas sim nos intervalos e fora da escola.

Isso acontece, porque se dá espaço, não são expulsos, tem turmas especiais, tem tudo e mais alguma coisa.

Não há castigos, não há exigência, não há punição(seja ela de que forma for), não há nada.

Achas que vão ser cidadãos exemplares, educados na impunidade?
 
Isso acontece, porque se dá espaço, não são expulsos, tem turmas especiais, tem tudo e mais alguma coisa.

Não há castigos, não há exigência, não há punição(seja ela de que forma for), não há nada.

Achas que vão ser cidadãos exemplares, educados na impunidade?

Não há sim, em muitos casos. Na minha escola havia um aluno que já tinha sido expulso de outra escola!

E um dos manfias lá da escola está agora a trabalhar no MacDonalds... Outro agora é pasteleiro. Cresceram [;)] Parece que a escola, apesar de tudo, lhes fez bem.
 
Estive a ler o tópico e ainda tenho alguma dificuldade em defenior a minha posição, mas para os pais tenho um conselho: tirar play stations, computadores, jogos e telemovel não é a solução para problemas disciplinares. É muito melhor que se dê uma bofetada logo e tudo se resolve rápidamente do que estar a proibir de faser outras coisas pois passado um bocado a criança já esqueceu a bofetada e já está tudo bem enquanto com as proibições a criança guarda rancor e fica frustrada portando-se aida pior e sente-se mais humilhada, para além de muitas veses eles arranjam maneira de fugir às proibições (ou pedem aos amigos, ou descobrem onde está escondido o telemovel, etc.).
 
Não há sim, em muitos casos. Na minha escola havia um aluno que já tinha sido expulso de outra escola!

E um dos manfias lá da escola está agora a trabalhar no MacDonalds... Outro agora é pasteleiro. Cresceram [;)] Parece que a escola, apesar de tudo, lhes fez bem.

Não podes provar que foi a escola, pode ter sido a necessidade económica[;)]

Além disso, expulsão não é transferência[:D][:)]

Expulsão era ficares um mínimo de 3 anos sem te poderes inscrever em que escola for, pública ou privada, passados 3 anos voltas a inscrever-te voltas a ser expulso, nunca mais pode frequentar uma escola.
Agora és expulso duma, na semana a seguir estás noutra, que rica expulsão[:D][:D][:D]

Olha agora vais desta escola, para uma a 2km's daqui, para aprenderes[:)][:)]

Se depois precisar de subsidio de desemprego não tem direito, não tivesse sido manfio[;)]
 
Acho que a maioria das crianças de hoje até desejaria que na hora certa alguém tivesse presente para lhe dar dois berros, porque a falta de atenção por parte dos pais para com eles é tremenda. A maioria continua a ser orfã de pais vivos a habitar debaixo do mesmo teto.

Não considero legítimo nem da competência de um professor dar uma bofetada a um aluno, a menos que seja agredido.
Violência gera violência, embora uma palmada na hora certa por vezes faça milagres.

Sou contra a violência, a qual nunca usei para educar, mas sou apologista dos castigos ou restrições de regalias, porque doem mais do que uma palmada que as crianças logo esquecem.

Tirem-lhes o PC, a net, os jogos, o telemóvel ou a televisão e vejam se eles não sentem muito mais.

Mas sem meios, os professores hoje em dia vêem-se desarmados e sem soluções para educar aquilo que não foi educado em casa. As escolas tornaram-se no prolongamento da deseducação dada em casa. As escolas deixaram de ser o modelo a seguir e no qual os alunos teriam de se enquadrar, para terem de ser a sescolas a enquadrarem-se e nivelarem por baixo de acordo com as exigências dos pais e alunos que são quem agora manda no ensino.
 
Boa noite

Boa noite

Actualmente, lecionar em algumas escolas do ensino público do nosso país é uma profissão de risco. Por princípio, não utilizo a violência para impor respeito aos meus alunos. Mas já fui confrontada com algumas situações em que tive de me controlar muito bem, dizendo qualquer coisa do género: “Se fosses meu filho dava-te uma tareia tão grande que ficavas com o rabo todo marcado sem te poderes sentar…”

Há uns anos fiquei colocada numa escola pública da Zona Ocidental de Lisboa como professora titular.
- Turma com alunos do 3º e 4º Anos de Escolaridade e com 2 alunos com NEE de caráter permanente.
- Resumo da situação: No primeiro dia de aulas quando cheguei à sala (a fechadura da porta estava avariada) os alunos já lá se encontravam. Uns sentados no seu lugar, outros de pé e outros sentados em cima das mesas. O barulho era ensurdecedor. Ignoraram a minha presença. Tentei pôr ordem na sala. Um dos alunos virou-se para mim e disse:
- O que é que tu queres ó p**a? Sento-me se eu quiser. Vai mas é para o c*****o!. - Um grupo de alunos começou às gargalhadas de apoio ao colega. Os outros aguardavam a minha reação. Ignorei-o e continuei a tentar manter a ordem. Ao intervalo fui falar com a diretora da Escola que tentou desculpar os alunos pelo seu comportamento (que, pelos vistos era habitual) e demover-me de participar dos alunos junto da direção do Agrupamento.

Procurei adaptar-me a à nova realidade. Consegui isolar os alunos delinquentes. Todos os dias me preparava para lecionar como se me dirigisse para uma guerra. Tinha um Plano de Aula para cumprir. Conseguia dar metade da matéria. As coisas pioraram. Tinha medo de ficar de costas voltadas para os alunos. A quantidade de peripécias que ocorreram na sala de aula, eram suficientes para eu escrever um manual sobre indisciplina na sala de aula.

Participei, por escrito, de alguns alunos (eram sempre os mesmos) junto da direção do Agrupamento. Quando veio a resposta nem quis acreditar. Iria falar com a psicóloga do Agrupamento pois precisava de ajuda. Solicitei uma reunião com a direção e disse quais eram as minhas condições para me manter naquela escola e, caso não fossem aceites, denunciaria o meu contrato de trabalho. Soube naquele momento que a colega que eu fora substituir tinha denunciado o contrato (por que seria?). Aceitaram as minhas condições e transferiram os dois alunos delinquentes para duas outras turmas da escola.

Remédio santo para mim (os problemas com esses alunos continuaram). As condições para poder exercer a minha profissão passaram de impossíveis a toleráveis. Não voltei a ser insultada e o ano lectivo decorreu com relativa normalidade até ao fim.

Foi um ano em que fiquei feliz por ser professora contratada. Não voltei àquela escola nem a mesma me deixou saudades. Os anos seguintes foram mais calmos. Quando me diziam que tinha uma turma muito problemática sorria e pensava para com os meus botões: “Pior do que aquela que já tive é impossível”. Consegui transformar aquilo que poderia ter sido uma experiência traumática em algo que me permitiu relativizar situações posteriores de indisciplina. Ganhei calo, mas não desejo a nenhum colega uma experiência idêntica.

Só quis deixar o meu testemunho e termino dizendo que, se os pais souberem educar os seus rebentos, estes saberão respeitar a figura do professor.

Cumprimentos
 
Actualmente, lecionar em algumas escolas do ensino público do nosso país é uma profissão de risco. Por princípio, não utilizo a violência para impor respeito aos meus alunos. Mas já fui confrontada com algumas situações em que tive de me controlar muito bem, dizendo qualquer coisa do género: “Se fosses meu filho dava-te uma tareia tão grande que ficavas com o rabo todo marcado sem te poderes sentar…”

Há uns anos fiquei colocada numa escola pública da Zona Ocidental de Lisboa como professora titular.
- Turma com alunos do 3º e 4º Anos de Escolaridade e com 2 alunos com NEE de caráter permanente.
- Resumo da situação: No primeiro dia de aulas quando cheguei à sala (a fechadura da porta estava avariada) os alunos já lá se encontravam. Uns sentados no seu lugar, outros de pé e outros sentados em cima das mesas. O barulho era ensurdecedor. Ignoraram a minha presença. Tentei pôr ordem na sala. Um dos alunos virou-se para mim e disse:
- O que é que tu queres ó p**a? Sento-me se eu quiser. Vai mas é para o c*****o!. - Um grupo de alunos começou às gargalhadas de apoio ao colega. Os outros aguardavam a minha reação. Ignorei-o e continuei a tentar manter a ordem. Ao intervalo fui falar com a diretora da Escola que tentou desculpar os alunos pelo seu comportamento (que, pelos vistos era habitual) e demover-me de participar dos alunos junto da direção do Agrupamento.

Procurei adaptar-me a à nova realidade. Consegui isolar os alunos delinquentes. Todos os dias me preparava para lecionar como se me dirigisse para uma guerra. Tinha um Plano de Aula para cumprir. Conseguia dar metade da matéria. As coisas pioraram. Tinha medo de ficar de costas voltadas para os alunos. A quantidade de peripécias que ocorreram na sala de aula, eram suficientes para eu escrever um manual sobre indisciplina na sala de aula.

Participei, por escrito, de alguns alunos (eram sempre os mesmos) junto da direção do Agrupamento. Quando veio a resposta nem quis acreditar. Iria falar com a psicóloga do Agrupamento pois precisava de ajuda. Solicitei uma reunião com a direção e disse quais eram as minhas condições para me manter naquela escola e, caso não fossem aceites, denunciaria o meu contrato de trabalho. Soube naquele momento que a colega que eu fora substituir tinha denunciado o contrato (por que seria?). Aceitaram as minhas condições e transferiram os dois alunos delinquentes para duas outras turmas da escola.

Remédio santo para mim (os problemas com esses alunos continuaram). As condições para poder exercer a minha profissão passaram de impossíveis a toleráveis. Não voltei a ser insultada e o ano lectivo decorreu com relativa normalidade até ao fim.

Foi um ano em que fiquei feliz por ser professora contratada. Não voltei àquela escola nem a mesma me deixou saudades. Os anos seguintes foram mais calmos. Quando me diziam que tinha uma turma muito problemática sorria e pensava para com os meus botões: “Pior do que aquela que já tive é impossível”. Consegui transformar aquilo que poderia ter sido uma experiência traumática em algo que me permitiu relativizar situações posteriores de indisciplina. Ganhei calo, mas não desejo a nenhum colega uma experiência idêntica.

Só quis deixar o meu testemunho e termino dizendo que, se os pais souberem educar os seus rebentos, estes saberão respeitar a figura do professor.

Cumprimentos

Obrigado pelo testemunho[;)]

É este o papel de um professor?
E ainda há quem desculpe isto:sh)
 
Obrigado pelo testemunho[;)]

É este o papel de um professor?
E ainda há quem desculpe isto:sh)


Israel

Às vezes custa-me ler alguns posts, mas prefiro falar daquilo que conheço, por experiência própria, do que responder a essas pessoas. Achei as suas intervenções muito oportunas.

Cumprimentos
 
Vou dar a minha opinião de pai de várias crianças em varias fases de ensino.

Vou começar pelo fim: em relação á aplicação de uma palmada ou de um puxão de orelhas, para meter um miudo no lugar, não me parece que lhe vá provocar grande dano psicológico ou de desenvolvimento. Mas também não julgo que, num contexto escolar, vá ter qualquer efeito pedagógico (reinar pelo temor, pela força ou respeito á força do medo não me parecem bons principios) que não seja afirmar o poder do professor, dando o exemplo.

Como pai, preferia que não ofizessem com os meus filhos, porque eu apenas o faço/fiz em situações muito circunstanciais, especificas e comprovadamente de falta de respeito e nessa situação teria sempre que confiar cegamente na razão/decisão do professor. E se há muitos excelentes profissionais, em outros não coloco as mãos no fogo...como em todas as areas.

Quando era miudo, se levasse uma reguada e os meus pais fossem informados de alhuma situação de mau comportamento meu, a resposta deles era que a professoar me devia ter dados umas mais...e provavelmente, ao chegar a casa, não quereiam saber o que se tinha passado efectivamente. Certamente levaria mais, sem contemplações.
Convenhamos que era uma estupidez e não foi certamente isso que "fez de mim homem" ou me levou para o "lado bom da força"[:p].
Se os pais cairam agora no extremo contrario, desresponsabilizando, deseducando os seus filhos? Talvez, nao sei. Não tenho dados sociológicos que suportem essa afirmação mas pelo que se ouve nas noticias, julgo que sim. A noção que tenho é que o cidadão português tipico prefere delegar ou transferir para os outros as responsabilidades que são suas. Seja na saúde,seja na educação...


Os meus filhos são educados segundo principios muito coerentes, que eu tento que sejam justos e sempre com a necessidade de lhes explicar porque e como vão ficar de castigo. Mas vê-se de tudo, é verdade.

Por outro lado, durante o meu percurso escolar de bom aluno (reconheco[:D]) tive desde professores altamente empenhados e interessados, que sabiam motivar a sala de aula até professores que eram meios veiculos de transmissão de materia, a outros onde a sala era apenas o seu jugo feudal e onde passeavam a sua altivez, distanciamento e supremacia e outros que simplesmente nem se incomodavam.

E por isso é que regularmente vou falar com os professores dos meus filhos, sempre que eles se mostram disponiveis, para perceber onde tenho que intervir junto dos miudos mas tambem para conhecer os professores. E as reuniões periodicas, com os pais, não sao suficientes para isso, entendo eu.

Já agora deixo um caso que tenho em mãos, que nao tem mto haver com com a violência mas sim com educação.



http://forum.autohoje.com/showthread.php?89153-Caso-quot-basico-quot-de-ensino-basico&highlight=
 
Hhahahah touché.

Por falar em generalização, actualmente os professores não têm autoridade nenhuma e as crianças fazem o que querem. Se há crianças boas e bem comportadas no meio escolar mesmo não havendo reguadas? Há... mas são muuuuuuuito pouquinhas.

Qual a tua solução, Sr. "General"?


E essas pouquinhas devem ser aquelas que levam os correctivos em casa.

Porque quem não autoriza correctivos na escola, presumo que também os evite em casa... (ou então são do tipo: eu sou contra a violência física nas crianças, mas se for eu já não há problema).

Além de que a violência física é muito melhor assimilada e muitas vezes menos traumatizante que outros tipos de violência. Sim, porque se pensarmos bem um castigo é uma violência psicológica.
 
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