Aí é que está a questão, quem for professor de crianças pequenas sabe bem ( e alguns pais também saberão) que as crianças sabem bem distinguir com quem podem e não podem agir de determinada forma. Tive uma criança que fazia "gato-sapato" do pai. Connosco, na escola, bastava um olhar fulminante e controlava-se logo, e nunca lhe toquei num fio de cabelo. Tem a ver com autoridade. E por autoridade também entendo defender-me com um empurrão ou um bom "abanãozinho" se estiver a ser pontapeada / agredida. Eu própria, em criança, dava por mim e tinha plena consciência de que podia dar certas respostas tortas aos meus avós, que não daria certamente ao meu pai.
Acho engraçado, isso sim, defenderem com unhas e dentes que não sabem "se alguém aprende a não agredir, sendo agredido". Aprender, na verdadeira acepção, provavelmente não aprende, mas aprende a distinguir a quem pode e não pode agredir.
E é claro que estamos a falar na confirmação da autoridade do professor. Ou já não é importante?
Eu não defendo uma palmada a um aluno que se porta mal. Até porque o "portal mal" é relativo. O que eu defendo é que um professor não é um saco de pancada. E se leva uma bofetada de uma menina mimada "só" porque lhe tirou o telemóvel enquanto mandava sms no meio de uma aula, deve dar-lhe outra, com o dobro da força, para que se lembre bem que não está a lidar com os paizinhos. E se isto acontecesse sem que o professor fosse penalizado da forma que é, se o fizer, tenho uma certa ideia de que talvez as coisas fossem um pouco diferentes.
Continuo na minha, tenho e já tive verdadeiras pestinhas (não psicopatas, crianças traquinas, apenas) cujos pais se admiravam como tinham "tão bom comportamento na escola". É simples. não têm connosco a confiança que têm no seio familiar, logo, há menos "abusos". Na escola há certas regras bem definidas e não é permitido fazerem determinadas coisas que podem fazer em casa. Não porque não quiséssemos que as fizessem (até seria divertido), mas pelo número de crianças numa sala, pelas prioridades de trabalho, barulho, etc,etc, não é possível. E muitas vezes crianças cujos pais se queixam do seu comportamento em casa, na escola são autênticos "anjinhos". Por isso, não, não vão ser umas palmadas ou puxões de orelhas que vão levar o miudo que não tem uma boa estruturação em casa, no seio da família para uma criança normalíssima, bem comportada e educadíssima. Mas vai contribuir a longo prazo para um comportamento mais aceitável na sala de aula, mais que não seja, para saber como não pode agir ("se der um estalo, levo outro com o dobro da força, que até ando de lado..." se calhar pensa duas vezes). Aliás, e a propósito, ja leu sobre a teoria do condidionamento operante, de Skinner? Basicamente, refere-se a um procedimento através do qual é modelada uma resposta através de reforços e aproximações sucessivas. A resposta gera uma consequência e esta consequência afecta a sua probabilidade de ocorrer novamente, ou seja, se a consequência for reforçadora, aumenta a probabilidade de ocorrer, se for punitiva, vai diminuindo a probabilidade de voltar a acontecer.
O mesmo pode ser aplicado a si, caro manucas. Li um post seu e admiro-o pela sua perseverança e altruísmo com aquelas crianças. Mas se fosse professor, talvez compreendesse melhor aquilo por que passamos e o nosso papel. Um dia serei mãe e poderei comprovar aquilo em que já acredito. Um bom pai/mãe não precisa de dar "tareias" aos filhos para os educar. Uma criança bem educada não precisa disso. Muito menos de um castigo desses vindo de um professor. Pense, sim, é naqueles que convivem diariamente com as crianças dos outros, que têm de se sujeitar a "levar", e conviver diariamente com a iminência de levar um sopapo, com a desobediência e o desrespeito, pondo a sua autoridade constantemente em causa. Talvez os pais de que fala, se passassem pelo papel de professor, entendessem algumas coisas que só poderiam entender se passassem por elas.