Ser professor de EMRC

Isso passa...[:cool:]

Mas não te esqueças que estamos em Fevereiro. Mais uns dias e anda tudo a berrar pelo Omega: "atão deduz ou não deduz? O prazo acaba quando? E se o reembolso...etc e tal "

Nota: não é por antever seja o que for que respondo ao Omega. Simplesmente quem está sempre disponível merece resposta rápida.

Bom, e agora tirem lá os pontos à MH. [:D]

Também, ...se não ficar sem as penalizações,...sempre existe alternativa,...para o marido da Maria Helena,... [:cool:]


http://www.youtube.com/watch?v=GDTiM8UA8ns&NR=1

Gosto muito do feitio desta senhora,...[:blush:]
 
Isso passa...[:cool:]

Mas não te esqueças que estamos em Fevereiro. Mais uns dias e anda tudo a berrar pelo Omega: "atão deduz ou não deduz? O prazo acaba quando? E se o reembolso...etc e tal "

Nota: não é por antever seja o que for que respondo ao Omega. Simplesmente quem está sempre disponível merece resposta rápida.

Bom, e agora tirem lá os pontos à MH. [:D]

Mesmo sem resposta rápida eu respondo rapidamente se puder, souber e estiver por cá .....[;)][:D]
 
Li o tópico na diagonal, vou apenas responder à questão inicial c/bastante conhecimento de causa...

Os meus pais (sim, ambos) são licenciados em Teologia.
É uma licenciatura como outra qualquer... C/as suas devidas especificações!
Está "ao alcance" de qualquer pessoa q disponha das habilitações mínimas p/concorrer a ela...

A disciplina chama-se Educação Moral e Religiosa Católica.

O concurso tem q passar pela diocese a q pertença a escola.

A ideia q esta disciplina é leccionada por padres ou religiosas é já mto antiquada...

Qq outra questão, façam favor!
 
Não é preciso, pelo menos de início, ser-se licenciado numa área ligada à Teologia ou afins.

Tive amigos meus a leccionarem EMRC com licenciaturas em Matemática ou Biologia, por exemplo.

No entanto, essas pessoas tinham ampla experiência em assuntos de voluntariado, pastoral e outros. Sim, a "aprovação" depende normalmente do Bispo da Diocese.
 
Nunca percebi o porquê da existência dessa disciplina, nem conheço ninguém que a tenha frequentado.

No meu 10º ano surgiu uma disciplina que era "Desenvolvimento Pessoal e Social" que abordava temas de cidadania, vizinhança, relacionamento interpessoal, etc, que era suposto ser a alternativa para quem não tinha escolhido EMRC.

Sendo o ensino público um ensino laico, não era mais simples haver apenas uma disciplina como esta que mencionei, que abrange todos os alunos, de todos os credos e deixar o ensino da Moral e Religião Católica para as paróquias e para os colégios católicos?
 
Nunca percebi o porquê da existência dessa disciplina, nem conheço ninguém que a tenha frequentado.

Sério? :confused:


Eu tinha amigos que se declaravam abertamente ateus/agnósticos e frequentavam informalmente a disciplina (i.e., sem matrícula) porque gostavam dos assuntos e do debate.
 
Nunca percebi o porquê da existência dessa disciplina, nem conheço ninguém que a tenha frequentado.

Eu tive a disciplina do 5º ano até ao 12º ano com um padre. Raramente se falava de religião católica. Os temas eram quase sempre ligados aos problemas dos jovens ( drogas, sexo, alcool, exclusão social , pobreza etc) visionamento de filmes sobre estes temas.

Lembro-me de estudarmos outras religiões que não a católica numa perspectiva educativa. E contrariamente ao que se pensa, os padres conhecem bastante bem outras religiões.

Mas só posso falar da minha experiência...
 
Sério? :confused:


Eu tinha amigos que se declaravam abertamente ateus/agnósticos e frequentavam informalmente a disciplina (i.e., sem matrícula) porque gostavam dos assuntos e do debate.

Sério. Daí nunca ter percebido qual o interesse ou mais valia que a disciplina teria. Acho que o meu irmão, p. ex., na mesma escola, teve apenas dois ou três colegas que a frequentavam.

Recordo-me que, do meu 5ª ao 9ª ano, a pessoa que ministrava essas aulas era uma freira. Depois mudei de escola e no Liceu era uma outra senhora cuja formação não me recordo mas tenho a ideia de não ser ligada à religião.

Ahhhh agora me recordo!! Tive um colega que as frequentava... quando andei no Liceu em Leiria, tinha um colega de turma que estudava no Seminário (ali mesmo ao lado) e ele sim, ia às aulas.
 
Eu tive a disciplina do 5º ano até ao 12º ano com um padre. Raramente se falava de religião católica. Os temas eram quase sempre ligados aos problemas dos jovens ( drogas, sexo, alcool, exclusão social , pobreza etc) visionamento de filmes sobre estes temas.

Lembro-me de estudarmos outras religiões que não a católica numa perspectiva educativa. E contrariamente ao que se pensa, os padres conhecem bastante bem outras religiões.

Mas só posso falar da minha experiência...

A minha experiência é tal e qual como a tua (excepto que no meu caso os professores não eram padres, mas sim leigos).
 
Eu tive a disciplina do 5º ano até ao 12º ano com um padre. Raramente se falava de religião católica. Os temas eram quase sempre ligados aos problemas dos jovens ( drogas, sexo, alcool, exclusão social , pobreza etc) visionamento de filmes sobre estes temas.

Lembro-me de estudarmos outras religiões que não a católica numa perspectiva educativa. E contrariamente ao que se pensa, os padres conhecem bastante bem outras religiões.

Mas só posso falar da minha experiência...

Eu não coloco em causa a validade dos ensinamentos transmitidos nessas aulas. Posso reformular o que disse ao colocar a questão de outra forma... porquê especificamente Educação Moral e Religião Católica? Porquê fazer esta sectarização? Não seria mais proveitoso ter uma disciplina mais abrangente, laica, que versasse sobre os diversos aspectos da cidadania, valores sociais, relacionamentos interpessoais, etc, etc, e que conseguisse alcançar toda a população estudantil?

Já agora, aproveito para dizer que algumas das pessoas mais cultas e com quem mais gostei de conversar eram padres ou cuja formação foi maioritariamente feita num seminário.
 
Última edição:
Eu não coloco em causa a validade dos ensinamentos transmitidos nessas aulas. Posso reformular o que disse ao colocar a questão de outra forma... porquê especificamente Educação Moral e Religião Católica? Porquê fazer esta sectarização? Não seria mais proveitoso ter uma disciplina mais abrangente, laica, que versasse sobre os diversos aspectos da cidadania, valores sociais, relacionamentos interpessoais, etc, etc, e que conseguisse alcançar toda a população estudantil?

Já agora, aproveito para dizer que algumas das pessoas mais cultas e com quem mais gostei de conversar eram padres ou cuja formação foi maioritariamente feita num seminário.

Ñ quero entrar em discussões, mas eu acho a disciplina bastante importante, desde q os professores façam 1 bom trabalho.

A ideia de que Educação Moral e Religiosa Católica é uma simples extensão da doutrina é 1 erro comum, embora hj em dia esta ideia esteja felizmente a ser desmentida.

A entrada de pessoas ñ-religiosas no ensino desta disciplina p/mto contribuiu.

Como se depreenderá facilmente, eu tive do 5º ao 12º, tive bons e maus professores, tanto padres como ñ-religiosos. As pessoas + antigas sim, gostavam de fazer ali uma certa extensão da catequese.
Já as pessoas + novas tentavam precisamente fazer esse debate da cidadania e valores.
Desta forma, alturas houve em q acho desnecessário ir a estas aulas e ia por pressão familiar.
Da mesma forma em q estive bastante interessado noutras alturas, precisamente qdo os temas tocavam a turma ou a mim em especial.

Aliás, é pouco frequente, mas existe a total possibilidade de serem leccionadas disciplinas de fé islâmica ou judaica, desde q haja alunos interessados, no lugar q normalmente é ocupado por EMRC.
 
Eu não coloco em causa a validade dos ensinamentos transmitidos nessas aulas. Posso reformular o que disse ao colocar a questão de outra forma... porquê especificamente Educação Moral e Religião Católica? Porquê fazer esta sectarização? Não seria mais proveitoso ter uma disciplina mais abrangente, laica, que versasse sobre os diversos aspectos da cidadania, valores sociais, relacionamentos interpessoais, etc etc?


A resposta a esta pergunta não é muito fácil.

Por um lado, parece-me que a disciplina existe por uma questão de tradição (do género "sempre houve, não se vai acabar agora...").

Depois há outras nuances: como seriam os valores de uma disciplina completamente laica? Poderá tal coisa sequer existir?

Não nos é possível identificar um conjunto de valores puramente laicos - as noções que temos de "certo", de "errado" e de "assim-assim" fazem parte de uma tradição e de uma herança de conceitos que, estando em permanente mutação, não podem ser desligados com uma ruptura brusca do passado.

Ora, muitos dos valores que temos connosco (atenção!!! eu NÃO disse que eram TODOS, apenas MUITOS) são valores que nos chegaram pela tradição cristã (particularmente católica). Isto não quer dizer que tenhamos que ser todos cristãos, muito menos católicos, e até os que o sejam tenham de aceitar pacatamente - temos um cérebro e é para usar.

Como se interpretará, por mero exemplo, o conceito de "tolerância" de forma laica?

O nosso conceito de tolerância estará dissociado da nossa tradição?
O nosso conceito de tolerância poderia ser puramente laico?
Como transmitir o mesmo conceito, tolerância, num país muçulamano?
Será razoável que a nossa noção de tolerância coincida com a deles?
Ou podemos sacudir-nos dizendo que a religião deles é que tem um conceito de tolerância sui generis, embora a nossa, encapodamente, também nos tenha chegado por tradição religiosa?
 
Educação Moral e Religião Católica? Porquê fazer esta sectarização?

Sempre se chamou assim pois era uma forma de influência da igreja no sistema educativo. No entanto, o objectivo não era ensinar religião católica. À partida quem tinha essa disciplina tb andava na catequese ( o meu caso).

Muitas pessoas pensavam que a disciplina era tipo catequese mas na verdade não era.
 
A resposta a esta pergunta não é muito fácil.

Por um lado, parece-me que a disciplina existe por uma questão de tradição (do género "sempre houve, não se vai acabar agora...").

Depois há outras nuances: como seriam os valores de uma disciplina completamente laica? Poderá tal coisa sequer existir?

Não nos é possível identificar um conjunto de valores puramente laicos - as noções que temos de "certo", de "errado" e de "assim-assim" fazem parte de uma tradição e de uma herança de conceitos que, estando em permanente mutação, não podem ser desligados com uma ruptura brusca do passado.

Ora, muitos dos valores que temos connosco (atenção!!! eu NÃO disse que eram TODOS, apenas MUITOS) são valores que nos chegaram pela tradição cristã (particularmente católica). Isto não quer dizer que tenhamos que ser todos cristãos, muito menos católicos, e até os que o sejam tenham de aceitar pacatamente - temos um cérebro e é para usar.

Como se interpretará, por mero exemplo, o conceito de "tolerância" de forma laica?

O nosso conceito de tolerância estará dissociado da nossa tradição?
O nosso conceito de tolerância poderia ser puramente laico?
Como transmitir o mesmo conceito, tolerância, num país muçulamano?
Será razoável que a nossa noção de tolerância coincida com a deles?
Ou podemos sacudir-nos dizendo que a religião deles é que tem um conceito de tolerância sui generis, embora a nossa, encapodamente, também nos tenha chegado por tradição religiosa?

Há valores universais. Poderia partir-se destes.
Fora isso, julgo que seria impossível ter um "plano curricular" para uma disciplina destas. Acho que teria que ser o próprio professor a delinear o plano de estudos/actividades, mediante a panóplia de estudantes que teria à sua frente. A própria diversidade de crenças ou origens poderia constituir um ponto de partida para uma partilha dos restantes valores.

Acredito que seria mais proveitosa esta troca de conhecimentos e ideias do que teres, numa turma de 20 alunos, 4 com EMRC, 4 com EMR Islâmica, 4 com EMR Judaica, 2 com EMR Hindu, 2 com EMR Budista e os restantes, que não se identificaram com nenhuma das disciplinas, irem para o bar da escola passar o tempo.
 
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