Viva,
Para elucidar alguns colegas de forma a demonstrar a ambiguidade na definição da lista de cães perigosos, deixo aqui a lista de cães considerados perigosos (segundo Decreto-Lei n.º 312/2003, de 17 de Dezembro 2º artigo):
- Cão de Fila Brasileiro;
- Dogue Argentino;
- Pit Bull Terrier;
- Rottweiler;
- Staffordshire Terrier Americano;
- Staffordshire Bul Terrier;
- Tosa Inu;
Das 7 raças apresentadas, as mais conhecidas das pessoas são o Rottweiler, o American Staffordshire Terrier e o Pit Bull Terrier.
E os restantes? Serão assim tão perigosos? Por exemplo, uma raça portuguesa que não está na lista mas que é bastante intimidante e possante, possuindo um mordida bastante forte é o Cão de Fila de S. Miguel, que se insere no grupo do Cão de Fila Brasileiro (apesar de este ser muito maior).
O Tosa Inu, nos últimos anos, só foram registados no
CPC (Clube Português de Canicultura) 3 exemplares (1 em 2006 e 2 em 2005), ou seja, estatisticamente será este cão muito perigoso? Fará sentido este animal estar na lista? Eu penso que não, o legislador demonstrou, neste caso, desconhecer completamente a realidade do munda canino em Portugal.
Pelo contrário, o Rottweiler, foram registados, 2780, 2375, 2033, 1458 e 1201, respectivamente em 2002, 2003, 2004, 2005 e 2006, mostra um declínio dos registos de animais nos últimos anos, que invariavelmente, é uma consequência desta lei. Será mau para a raça? Eu penso que não e vejo aqui uma consequência positiva, os bons criadores, acabarão por demonstrar as excelentes aptidões que este animal tem e poderão desenvolver linhagens que não trarão surpresas a nível de personalidade.
Falamos de aproximadamente 8000 nascimentos registados (não contámos com os cães que nascem e não são registados, com o número de animais bem superiores aos registados) e felizmente não se ouve falar assim tanto de ataques de estes animais.
Por outro lado, a Itália na sua lista de cães perigosos inseriu a Cão Serra da Estrela e o Cão Rafeiro Alentejano, curiosamente são duas raças muito raras em Itália e que em Portugal vivem/viveram no limiar da extinção
Portanto, na minha opinião, qualquer lista de cães perigosos não tem qualquer cabimento por não se basear em critérios estatísticos/cientifico ou qualquer outra de forma a incluir uma raça e não outra.
Todos os cães, independentemente do seu tamanho e raça são potencialmente perigosos, conheço uma história de um pequeno rafeiro de aproximadamente 3 kg que arrancou o nariz à dona, o que poderia ele fazer a um bebé?
A forma como tratamos os cães (ou outros animais de estimação) também reflecte o nível evolução da nossa sociedade, e nesse aspecto, a sociedade portuguesa ainda tem muito que evoluir.
Por fim, um cão (com as devidas distâncias) é um reflexo do dono.