O Fiat Croma é a carrinha mais vendida em Itália. Vendeu mais de 20000 unidades o ano passado.
Mesmo que a Fiat abandonasse a sua venda no resto da Euroland, não tendo mais que algumas vendas residuais, o Croma poderia sobreviver sem dar prejuizo, só vendendo lá.
Mas é precisamente esse o objectivo do Croma. É uma questão de projecções e de objectivos. É isso que define o que é um "flop" ou não.
Tu percebes isso, mas para quem ainda não percebeu, eu vou voltar a dar um exemplo que já dei aqui, com base numa coisa de que todos gostamos - a música.
Vou tomar por base a indústria discográfica, nomeadamente, no mais mainstream da indústria (ou seja, nos exemplos mais comerciais e populares da indústria), onde é mais fácil aplicar exemplos práticos.
Madonna...
O "American Life" (2003) vendeu 5,5M de cópias. Em 2003 a indústria discográfica já dava sinais da ruína em que está hoje. Mas se tivermos em conta que os antecessores "Music" (2000) e "Ray Of Light" (1998) venderam +/- 15M de cópias, e que o sucessor "Confessions On A Dancefloor" (2005) vendeu 10M, pode considerar-se que o "American Life" é um fiasco comercial porque as previsões de vendas apontariam, muito provavelmente, para o dobro do que vendeu.
Coldplay...
Os três primeiros álbuns (2000, 2002 e 2005) venderam todos +/- 10M de cópias cada um. O último disco "Viva La Vida..." vendeu metade (!), apenas 5M de cópias.
No entanto, não é nenhum fiasco - bem pelo contrário - e por duas razões muito simples: em primeiro lugar, porque apesar do número miserável, foi o disco mais vendido de 2008 e, em segundo lugar, porque é um sinal óbvio da ruína absoluta da indústria discográfica. A EMI sabia, de certeza absoluta, que ao lançar um álbum em 2008, por muito sucesso que tivesse, nunca iria chegar aos valores dos antecessores.
U2...
O "Achtung Baby" (1991) vendeu até hoje cerca de 17M de cópias (é o segundo mais vendido da banda).
A Universal tinha para o "Pop" (1997) uma previsão de vendas de cerca de 12M de cópias. O álbum vendeu o mesmo do que os dois seguintes no resto do mundo, mas como foi um fiasco nos Estados Unidos (1,5M por lá - os dois álbuns seguintes venderam 4M e 3M respectivamente por lá), o valor ficou abaixo das expectativas. É um fiasco parcial, apenas no mercado mais importante.
Os U2 vão lançar em Março um novo álbum. O primeiro single entrou directamente (só com as pré-vendas e sem estar disponível ainda) para o Top 40 americano. Acham que, em 2009, com o actual estado da indústria, que a Universal prevê que o álbum venda 10M de cópias como o "How To Dismantle An Atomic Bomb"? Claro que não, as editoras sabem disso, por isso, as projecções de vendas são mais baixas. Se a projecção for de 7M e se o álbum vender 7M, mesmo que fique abaixo dos últimos discos, não é um fiasco, porque a projecção é essa.
Ainda assim, tal com o sucesso de um álbum não se mede pelo número de vendas ou pelas posições nas tabelas de airplay e de singles, o sucesso comercial de um automóvel não se mede exclusivamente pelo número de unidades que vendeu ou pelo número de unidades que avistámos na zona por onde andamos.
A Renault tinha para o Laguna, uma previsão de cerca de 180 000 unidades/ano (corrijam-me se estiver errado). Ora, com crise ou sem crise, o Laguna está a vender metade das projecções. É um fiasco comercial.
Supondo que a Fiat tem para o Croma previsões de 40 000 unidades/ano, e supondo que o Croma vende nacional/internacionalmente 30 ou 40 000 unidades/ano, por muito baixo que o valor seja em relação à media do segmento, não há qualquer fiasco, porque o estipulado foi isto.