[Sociedade] O tabu do tu!

Ora cá está algo que não entendo.

Tanto prurido com os títulos e depois..."ah e tal Dr. é o médico".[:)]

Porquê?

Porque é aquela área na qual nos abstemos de mandar um bitaite, uma vez que percebemos zero da mesma.

Isto é realmente um case study e no meio laboral é o pão nosso de cada dia.

Vejamos: qualquer gajo que tenha assentado um tijolo uma vez na vida, sabe tanto ou mais que um Engenheiro Civil, a ponto de sistematicamente não concordar e fazê-lo de de forma mordaz, uma vez que o "engenhocas" só sabe é "teoria". Um pedreiro com 20 anos de experiência não aceitará que um "gajo dos livros" lhe recomende uma alteração na forma de trabalho, com base em anos de estudos de dinâmica de estruturas e betão armado.

Um qualquer "zé do telhado" que tenha apertado um parafuso, é capaz de refutar opiniões, fundamentadas na hidráulica e na pneumática, de um Engenheiro Mecânico. E pelo meio ainda consegue mandar às malvas Boyle, Pascal, Bernoulli e tantos outros.

Todo aquele que já tenha trocado um "espelho" de um interruptor lá de casa, consegue discutir em pé de igualdade ou mesmo "em pé de superioridade", com um Electrotécnico sobre campos electromagnéticos.

E por aí fora...isto tudo porque só sabem a teoria, blá, blá, blá....na universidade é só livros...os professores sabem menos ainda que os alunos...e outras barbaridades...

Mas já trata um médico maçarico por doutor e segue as recomendações que este lhe dá sem pestanejar, ainda que sejam disparatadas...[:D][:)]

Podem fechar os cursos todos, o único que não se aprende pela experiência, segundo os nossos operários, é mesmo Medicina...

Todos os outros são afinal, dispensáveis...

[:)][:)][:)]

Muito bom!

Subscrevo na totalidade.

Aliás, quase. Não substimes a capacidade da malta do FAHO dar bitaites no ramo da medicina... [:D]
 
Não me choca particularmente essa diferenciação entre o tu e o você, e não é por uma questão de atraso cultural ou civilizacional, é uma questão puramente linguística. Os alemães também não se tratam todos por tu (du), usam muito o formal você (sie).

Parvo mesmo é dizer "o dr isto", "a dra aquilo", "como está sr. engenheiro?" e pior ainda, transpor isso para os cartões MB[:)]

Permite-me apenas que corrija.

Em alemão (du) é "tu" em português.
Já (sie) é "ela" em alemão.
E finalmente (Sie), com S maiúsculo significa então, "você" em alemão.
 
Permite-me apenas que corrija.

Em alemão (du) é "tu" em português.
Já (sie) é "ela" em alemão.
E finalmente (Sie), com S maiúsculo significa então, "você" em alemão.

Genau!

(uma das poucas coisas que me lembro do "curso" de alemão! Eu respondia e a prof dizia "Genau"!)
 
Não pude deixar de rir perante algumas respostas... que denotam alguma ignorância do que se passa "lá fora".

Os espanhóis não tratam todos por "tu"! Usam muito o "usted" para pessoas a quem devem maior respeito, sim, porque a diferenciação no tratamento tem a ver com o respeito!

Com os ingleses é igual, não usam o você e o tu (é tudo you) mas quando devem respeito a alguém lá vem o "Sir" no final!

Estes casos são bem claros e não vou falar nos outros países que não conheço os seus costumes, mas nem sempre aquilo que parece, é! Fala-se aqui muito de cor...

Tratar por "você" não implica que se diga "você ouviu o que eu disse?" que até é deselegante, e sim "o(a) Senhor(a) ouviu o que eu disse?". É mais uma dica que distingue a educação das pessoas...

Cumprimentos,

A bold, errado. O Sir é raramente utilizado aqui em Londres. Ouve-se mais em hoteis e alguns restaurantes e mesmo assim...
Alias, cada vez mais o Sir é utilizado no gozo, ou de modo irónico.

Aqui, 95% da interação é pelo proprio nome ou you. O call centre de algum serviço quando te liga, trata-te pelo primeiro nome. O Managing director da empresa onde trabalho, que tem doutoramentos, toda a gente trata-lhe por Michael.
 
As formas de tratamento dependem sobretudo dos interlocutores.

Entre colegas do mesmo ofício ou profissão trata-mo-nos por tu.

Já com subordinados ou subalternos o tratamento é mais formal, justamente para assinalar essa diferença de estatuto, e o tratamento é o Sr. a Sra. D. , a menina, etc.

Pessoas de reconhecido estatuto ou mérito também têm direito a tratamento formal como, por exemplo, Sr. Professor, Sr. Doutor, etc.

Estas formas de tratamento são, sobretudo, convenções sociais entendidas como regras de boa educação. Cá existem estas, nos outros países existirão outras.

Como alguém já disse, intitular-se a si próprio eng. ou dr. é que é possidónio até dizer chega.

A bold, os cargos que se ocupam, já por si, cria uma diferenca de estatuto. Não é preciso recorrer ao Dr, ou Eng para mostrar quem manda ou quem ocupa cargo X.

Aliás, o que é isso de estatuto? O contabilista ou o CEO de uma empresa são todos importantes e parte da mesma equipa e parte do mesmo projecto.

O CEO não deixa de ser o CEO se lhe chamar Manuel, Joaquim, Sr, Dr ou o raio que o parta.
 
Última edição:
Não noto que em Espanha exista grande diferença de formalismo. O usted é muito usado.

A mim, tal como já o disse por aqui muitas vezes, faz-me confusão é porque tanto discutimos isto! Faz parte da nossa cultura, ninguém se magoa por isso, siga.

Não digo cultura, mas sim mentalidade. E é lógico que temos de acabar com essa mentalidade, pois está directamente ligada a outros comportamentos que nada favorecem as relações profissionais e o próprio desempenho como um todo das empresas.

Ao fim de anos ainda trato o meu chefe pelo título, mas fico feliz por ver que nos encontros da empresa o próprio Presidente e restante CA se começam a tratar formalmente pelo primeiro nome. É sinal que há vontade de mudar a mentalidade.
 
Este tópico parece o tópico "porque se compra tantos premiums em pt". Querer Ser tratado pelo título é alguém que se está a armar em bom e estatuto é uma coisa má porque o ceo é igual ao contabilista. You wish.
 
Última edição:
Para ti nenhuma, para mim "tu" é falta de respeito. As ciganas tratam os empregados dos supermercados por tu, do género "dá-me aí um quilo de bife". Isso já vi eu, e não os conhecem de nenhum lado. Lá está, má educação.

Sobre esse tratamento relato um episódio curioso, estava eu a estacionar e pelos vistos um casal estava à espera à mais tempo, vi-os mas como estavam sem pisca não imaginei que quisessem estacionar. A rapariga sai do carro toda lançada, sotaque lisboeta mas assim um bocado estranho, e começa a disparatar "TU não viste que estávamos ali?" e mais umas coisas. Resposta: "OLHE, em primeiro lugar não lhe admito que me trate por tu porque que eu saiba não andei consigo na escola. Em segundo lugar, quando se quer estacionar dá-se o pisca que é para isso que ele serve. Agora, como eu sou mais educado do que a senhora, vou sair do lugar para que possam estacionar, se estavam à espera tudo bem, façam favor." Ficou boquiaberta e vermelha, calou-se e acabou a discussão por ali. Fui estacionar 20m mais à frente...

Portanto, tratas "toda" a gente por tu, arricas-te a duas coisas, dependendo do interlocutor: ou te acham um porreiraço ou te acham um mal educado. Qual é que arriscas?



Às pessoas que trato por você, nunca uso a dita palavra.
 
Genau!

(uma das poucas coisas que me lembro do "curso" de alemão! Eu respondia e a prof dizia "Genau"!)


Quer dizer: exactamente, nós aqui falando luxemburguês e alemão, são parecidos em muitas palavras, e no caso do luxemburguês, diz se da mesma maneira que em alemão!
 
A bold, errado. O Sir é raramente utilizado aqui em Londres. Ouve-se mais em hoteis e alguns restaurantes e mesmo assim...
Tenho de admitir que é uma das coisas a que acho piada em Londres, no hotel o matinal e articulado com pronuncia snob "Good morning sir". [:cool:]

Um gajo até se sente como fazendo parte de "A Família Bellamy". [:D]
 
Eu gosto imenso destes formalismos na cama.

Do tipo "Sra. Dra. chupe-me aqui isto", "Sra. Engª vou-lhe por o dedinho no ku" etc.

Confesso que me dá imensa pica, assim como manter certas peças de vestuário no acto [:D]
 
Eu quanto à forma de tratamento tu vs você ou sr/sra não tenho grandes pruridos, e também não acho que em Portugal sejamos especialmente mais conservadores que outros países. Falou-se aí muito do tratamento em inglês, mas convém não esquecer, como já alguém disse no início do tópico, que "you" traduz literalmente para "vós", seja por uso no singular seja no plural. Eu por exemplo venho de uma família em que se usava muito o você entre familiares muito chegados, e os mais velhos eram tratados por vocemessê (vossa mercê), e isso nunca nos impediu de ser unidos e de gostarmos tantos uns dos outros quanto outras famílias quaisquer.
O que já me chateia muito são os títulos académicos. Já é suficientemente mau em contexto profissional, mas quando os títulos são transportados para contextos extra-profissionais tornam-se totalmente ridículos e bem demonstrativos da cultura de subserviência deste nosso Portugal
 
Ser tratado por você é desagradável?:confused:

Têm ao menos a noção de que "você" é a evolução do arcaico "vossa mercê"? Ou seja, você é uma forma respeitosa de tratar outra pessoa. Sempre pensei assim desde que me lembro, tu chama-se aos amigos e colegas, você usa-se com os mais velhos, superiores hierárquicos, etc Como é que alguém pode achar desagradável?


Ciberdúvidas...
http://www.ciberduvidas.com/pergunta.php?id=31926
 
A bold, errado. O Sir é raramente utilizado aqui em Londres. Ouve-se mais em hoteis e alguns restaurantes e mesmo assim...
Alias, cada vez mais o Sir é utilizado no gozo, ou de modo irónico.

Aqui, 95% da interação é pelo proprio nome ou you. O call centre de algum serviço quando te liga, trata-te pelo primeiro nome. O Managing director da empresa onde trabalho, que tem doutoramentos, toda a gente trata-lhe por Michael.

Deve ter mudado nos últimos 2 anos, que foi a última vez que lá estive... porque nunca constatei o uso do "Sir" de forma irónica, desde o rent-a-car ao supermercado, que o usavam regularmente. Mas como estive um pouco afastado de Londres, pode estar aí a diferença; tal como cá, em Lisboa e em outras cidades mais cosmopolitas, há alguma "cagança" por parte de alguns residentes...

Mas vou, no próximo mês, constatar se de facto essa particularidade está em desuso.

Para contrabalançar, tenho um fornecedor, português, que tinha o hábito de tratar as pessoas pelo primeiro nome e sem ser precedido pelo "Sr." da praxe. Entretanto mudou de política... e era, de facto, desagradável e até abusivo.

Os hábitos devem ser para respeitar e são esses mesmos hábitos que distinguem uma cultura e um Povo. Se os outros fazem de forma diferente não significa que devamos ir atrás. Já chega termos importado o dia das bruxas e outras coisas semelhantes que nada nos dizem nem fazem parte do nosso universo cultural!
 
Ciberdúvidas...
Ser tratado por você é desagradável?:confused:

Têm ao menos a noção de que "você" é a evolução do arcaico "vossa mercê"? Ou seja, você é uma forma respeitosa de tratar outra pessoa. Sempre pensei assim desde que me lembro, tu chama-se aos amigos e colegas, você usa-se com os mais velhos, superiores hierárquicos, etc Como é que alguém pode achar desagradável?

http://www.ciberduvidas.com/pergunta.php?id=31926

[...]

Tratar por "você" não implica que se diga "você ouviu o que eu disse?" que até é deselegante, e sim "o(a) Senhor(a) ouviu o que eu disse?". É mais uma dica que distingue a educação das pessoas...

Cumprimentos,

É mais por aqui... por isso a questão do "você é estrebaria".
 
Lá está, eu trato o jardineiro por "Sr. António", não por "você"

É "Sr. António, não se esqueça daquele canteiro", não é "Você não se esqueça daquele canteiro".
 
Mais: publicidade tipo yorn, telepizza e afins em que toda a comunicação é feita na segunda pessoa, é meio caminho andado para percepcionar mal aquela marca.

Há cerca de um ano recebi um inquérito da Telepizza em que me apresentavam dois slogans publicitários, com o mesmo conteúdo. A única diferença é que num o tratamento era por tu e noutro por você. Perguntavam-me qual preferia, respondi "você". Algumas semanas depois, recebi no mail publicidade da Telepizza a dizerem-me "Compra duas pizzas, paga uma". Sabes quantas encomendei? [:D][;)]

Só fica mal percepcionado com o tratamento informal dado em tarifários como a Yorn, Moche, WTF etc, quem não entende que são tarifários feitos para apelar sobretudo a um público alvo mais jovem. [;)] Porque de resto as operadoras tratam sempre os clientes por você, seja qual for a situação.
 
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