[Sociedade] O tabu do tu!

Também costumo tratar por tu aqueles desconhecidos com quem interajo na estrada. Dá-me mais jeito dizer: "qué que queres pá?! vai pró car*****, oh cab***!". Por você já não soa tão bem. [:D]
 
Concordo que por vezes existam exageros na forma de tratar determinadas pessoas, contudo costumo recorrer a esses termos para evitar situações menos positivas. Já me aconteceu lidar com pessoas que dizem que fazem questão de ser tratadas por tu e nem meia hora depois estão furiosos porque alguém os tratou por tu e não por Sr. Dr. Vá se lá entender esta gente...
 
O que nunca acontecia era alguém tratar-se a si próprio por "Dr." como hoje acontece com o célebre "daqui fala o Dr. fulano de tal" ou "Eng. fulano de tal"... Isso sim, é de um pretensiosismo aflitivo. [:D]

Sintomas de uma sociedade de grandes valores..

A moda de colocar "prefixos" no cartão de crédito é outra que me transcende. Isto terá paralelismo com algum outro lugar no mundo? Desconheço.
 
Posição e grau de conhecimento da pessoa. Eu não vou à padaria e digo "vende-me 6 pães". Pessoas que não conheço de lado nenhum nunca trato por tu, salvo excepções como estar num grupo de pessoal que faz a mesma coisa, como num passeio motociclista, num fórum, como participante num evento desportivo...

Ok, entre "Bom dia, podes vender-me 6 pães por favor?" ou "Bom dia, pode vender-me 6 pães por favor?"

Em qual das frases estou a faltar ao respeito ás pessoas que atenderam? Resposta: nenhuma...
 
As formas de tratamento dependem sobretudo dos interlocutores.

Entre colegas do mesmo ofício ou profissão trata-mo-nos por tu.

Já com subordinados ou subalternos o tratamento é mais formal, justamente para assinalar essa diferença de estatuto, e o tratamento é o Sr. a Sra. D. , a menina, etc.

Pessoas de reconhecido estatuto ou mérito também têm direito a tratamento formal como, por exemplo, Sr. Professor, Sr. Doutor, etc.

Estas formas de tratamento são, sobretudo, convenções sociais entendidas como regras de boa educação. Cá existem estas, nos outros países existirão outras.

Como alguém já disse, intitular-se a si próprio eng. ou dr. é que é possidónio até dizer chega.
 
Não pude deixar de rir perante algumas respostas... que denotam alguma ignorância do que se passa "lá fora".

Os espanhóis não tratam todos por "tu"! Usam muito o "usted" para pessoas a quem devem maior respeito, sim, porque a diferenciação no tratamento tem a ver com o respeito!

Com os ingleses é igual, não usam o você e o tu (é tudo you) mas quando devem respeito a alguém lá vem o "Sir" no final!

Estes casos são bem claros e não vou falar nos outros países que não conheço os seus costumes, mas nem sempre aquilo que parece, é! Fala-se aqui muito de cor...

Tratar por "você" não implica que se diga "você ouviu o que eu disse?" que até é deselegante, e sim "o(a) Senhor(a) ouviu o que eu disse?". É mais uma dica que distingue a educação das pessoas...

Cumprimentos,
 
Ok, entre "Bom dia, podes vender-me 6 pães por favor?" ou "Bom dia, pode vender-me 6 pães por favor?"

Em qual das frases estou a faltar ao respeito ás pessoas que atenderam? Resposta: nenhuma...

Errado. Segundo os nossos padrões culturais estás a faltar ao respeito.

Se vou a um estabelecimento e me começam a tratar por tu, fico logo de pé atrás e só não respondo de imediato "desculpe, mas não nos conhecemos, pois não?" para não criar mau ambiente.
 
Mais: publicidade tipo yorn, telepizza e afins em que toda a comunicação é feita na segunda pessoa, é meio caminho andado para percepcionar mal aquela marca.

Há cerca de um ano recebi um inquérito da Telepizza em que me apresentavam dois slogans publicitários, com o mesmo conteúdo. A única diferença é que num o tratamento era por tu e noutro por você. Perguntavam-me qual preferia, respondi "você". Algumas semanas depois, recebi no mail publicidade da Telepizza a dizerem-me "Compra duas pizzas, paga uma". Sabes quantas encomendei? [:D][;)]
 
Ok, entre "Bom dia, podes vender-me 6 pães por favor?" ou "Bom dia, pode vender-me 6 pães por favor?"

Em qual das frases estou a faltar ao respeito ás pessoas que atenderam? Resposta: nenhuma...
No meu caso se usasse a primeira estaria a ser desrespeitoso. Porquê? Passo então a explicar.[;)]

Tenho 50 anos e normalmente as pessoas tratam-me com deferência (a idade tem estas e outras consequência), portanto dificilmente a pessoas que vende o pão se sentira confortável a tratar-me por tu. Logoo que acabaria por acontecer seria ela a tratar-me por Sr. enquanto eu de forma indelicada estaria a trata-la por tu... E deixar isso acontecer é foleiro da minha parte.

Faz-me lembrar o que acontece com a minha mulher. Ela tem muito mau feitio e sempre que um médico a trata por tu (não sei porquê os médicos têm essa mania) ela responde usando o mesmo tratamento por tu. E olha que o efeito no médico não é despiciendo, já gerou algumas situações bem interessantes de observar. [:D]

edit: Pelo contrário, eu que sou um tipo muito mais cordato, aceito pacificamente tratar o médico por Dr. "fulano de tal" enquanto ele me trata apenas pelo meu primeiro nome. [:D]
 
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Ora cá está algo que não entendo.

Tanto prurido com os títulos e depois..."ah e tal Dr. é o médico".[:)]

Porquê?

Porque é aquela área na qual nos abstemos de mandar um bitaite, uma vez que percebemos zero da mesma.

Isto é realmente um case study e no meio laboral é o pão nosso de cada dia.

Vejamos: qualquer gajo que tenha assentado um tijolo uma vez na vida, sabe tanto ou mais que um Engenheiro Civil, a ponto de sistematicamente não concordar e fazê-lo de de forma mordaz, uma vez que o "engenhocas" só sabe é "teoria". Um pedreiro com 20 anos de experiência não aceitará que um "gajo dos livros" lhe recomende uma alteração na forma de trabalho, com base em anos de estudos de dinâmica de estruturas e betão armado.

Um qualquer "zé do telhado" que tenha apertado um parafuso, é capaz de refutar opiniões, fundamentadas na hidráulica e na pneumática, de um Engenheiro Mecânico. E pelo meio ainda consegue mandar às malvas Boyle, Pascal, Bernoulli e tantos outros.

Todo aquele que já tenha trocado um "espelho" de um interruptor lá de casa, consegue discutir em pé de igualdade ou mesmo "em pé de superioridade", com um Electrotécnico sobre campos electromagnéticos.

E por aí fora...isto tudo porque só sabem a teoria, blá, blá, blá....na universidade é só livros...os professores sabem menos ainda que os alunos...e outras barbaridades...

Mas já trata um médico maçarico por doutor e segue as recomendações que este lhe dá sem pestanejar, ainda que sejam disparatadas...[:D][:)]

Podem fechar os cursos todos, o único que não se aprende pela experiência, segundo os nossos operários, é mesmo Medicina...

Todos os outros são afinal, dispensáveis...
 
Podem fechar os cursos todos, o único que não se aprende pela experiência, segundo os nossos operários, é mesmo Medicina...

Todos os outros são afinal, dispensáveis...
clap clap clap.

apesar de ser OT. mas esta mania de dr ser ou médico ou advogado...
mas em abono da verdade, há por aí muito licenciado que enfim...
 
Só acrescentar que os bancos de livre vontade acrescentam títulos aos cartões de debito e credito quando sabem que se trata de um Dr. ou Eng.
 
Acho ridículo que qualquer licenciado seja tratado por Dr., mas ao contrário do que já disseram aqui penso ser uma moda em desuso e que hoje em dia, provavelmente devido à enorme quantidade de licenciados, já raramente se vê, nas gerações mais novas pelo menos. Para mim Dr. é o médico de família, ou o dentista p.e. e Doutor (extenso) é alguém que fez um doutoramento na sua área, seja medicina ou não.

A quantas entrevistas fui em que "a gaja" dos RH é anunciada por Dra. [8b] acho simplesmente desrespeitoso para quem de facto fez por esse título.
 
No Brasil, basta ter alguns reais no bolso, ou aparentar ter, para ser chamado de "Doutô"! [:D]

Como vêm, ao contrário do que alguns pretendem fazer crer, não é um assunto exclusivo de Portugal e nem sequer Portugal serve de (mau) exemplo para o caso.
 
Nas empresas com que lido em Espanha, iniciam logo a conversa com o tu. E senao iniciarem logo, passado uns minutos ja o fazem.
A bold, a formalidade exagerada e a vaidade dos titulos nao deve fazer parte da cultura, e se faz, convem evoluir, como tantas outras coisas.

Sao essas pequenas coisas que dao a imagem do Portugues de um povo sério, cinzento, pessimista e algo conservador.

Não acho de todo que estes aspectos sejam um travão ao nosso desenvolvimento.
Até chegarmos ao ponto de estes serem importantes já teríamos que ser um povo mais rigoroso, com superior noção de colectivo, com mais focus no futuro e mais honesto para que estivéssemos nessa fase.
 
Ok, entre "Bom dia, podes vender-me 6 pães por favor?" ou "Bom dia, pode vender-me 6 pães por favor?"

Em qual das frases estou a faltar ao respeito ás pessoas que atenderam? Resposta: nenhuma...

Para ti nenhuma, para mim "tu" é falta de respeito. As ciganas tratam os empregados dos supermercados por tu, do género "dá-me aí um quilo de bife". Isso já vi eu, e não os conhecem de nenhum lado. Lá está, má educação.

Sobre esse tratamento relato um episódio curioso, estava eu a estacionar e pelos vistos um casal estava à espera à mais tempo, vi-os mas como estavam sem pisca não imaginei que quisessem estacionar. A rapariga sai do carro toda lançada, sotaque lisboeta mas assim um bocado estranho, e começa a disparatar "TU não viste que estávamos ali?" e mais umas coisas. Resposta: "OLHE, em primeiro lugar não lhe admito que me trate por tu porque que eu saiba não andei consigo na escola. Em segundo lugar, quando se quer estacionar dá-se o pisca que é para isso que ele serve. Agora, como eu sou mais educado do que a senhora, vou sair do lugar para que possam estacionar, se estavam à espera tudo bem, façam favor." Ficou boquiaberta e vermelha, calou-se e acabou a discussão por ali. Fui estacionar 20m mais à frente...

Portanto, tratas "toda" a gente por tu, arricas-te a duas coisas, dependendo do interlocutor: ou te acham um porreiraço ou te acham um mal educado. Qual é que arriscas?
 
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Por norma trato todos por "você" quer tenham 60 anos ou 20... A não ser que façam parte do meu circulo de amizades/conhecimentos e haja confianças para isso.

Se me vierem com o "tu" levam com o mesmo tratamento mesmo que seja o médico.

Acho que o "você" é sinónimo de educação e se noutras linguas não o fazem é por não diferenciarem o tu do você como no Inglês.

Outra coisa que me recuso a fazer é tratar as pessoas pelos titulos (ou pseudo titulos).
 
Só acrescentar que os bancos de livre vontade acrescentam títulos aos cartões de debito e credito quando sabem que se trata de um Dr. ou Eng.

E mesmo não se tratando, adicionam na mesma... depois lá têm de emitir um cartão novo, sem título, 3 dias depois do 1º ter chegado a casa, se quisessem lá manter o cliente.... [:D][:D][:D]


Se me vierem com o "tu" levam com o mesmo tratamento mesmo que seja o médico.

O meu médico, que me conhece desde bebé, trata-me por "tu", e eu sempre o tratei por Dr. Nome, e não me vejo a fazê-lo de outra forma.

Já o meu dentista, que é da minha idade mais coisa menos coisa, na 1ª consulta perguntou "Posso trata-lo por "tu"?", e eu respondi "Podes." [:D][:D][:D] A questão é que quando lá vou, como é espaçado no tempo, ele trata-me pelo nome e eu como Dr. Nome [:D]
 
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Ser tratado por você é desagradável?:confused:

Têm ao menos a noção de que "você" é a evolução do arcaico "vossa mercê"? Ou seja, você é uma forma respeitosa de tratar outra pessoa. Sempre pensei assim desde que me lembro, tu chama-se aos amigos e colegas, você usa-se com os mais velhos, superiores hierárquicos, etc Como é que alguém pode achar desagradável?
 
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