Japão Caça Baleias

Portugal quer ser visto como exemplo na protecção das baleias
11.02.2009
Lusa


O comissário de Portugal na Comissão Baleeira Internacional, Jorge Palmeirim, defendeu hoje que Portugal tem de ser visto, cada vez mais, como um exemplo na conservação e protecção das baleias nos oceanos.

"Há muito que em Portugal se passou da era da caça à baleia para a era da exploração não letal das baleias, através da observação e protecção, e aqui o país assume um papel muito importante", disse Jorge Palmeirim à margem do último dia do encontro daquela comissão (IWC, na sigla em inglês), que decorre em Lisboa.

Além disso, "queremos que os restantes países do mundo nos vejam como exemplo e vejam que é possível transformar uma indústria letal numa indústria altamente lucrativa, que não envolve a morte das baleias", acrescentou.

A reunião decorreu durante dois dias com o objectivo de discutir o futuro da Comissão Baleeira Internacional, bem como a caça às baleias e os problemas que dela decorrem.

Neste último dia, os participantes concluíram que é preciso que as forças políticas actuem em uníssono, para que seja resolvido o impasse na caça às baleias em todo o mundo.

"É preciso que os poderes políticos exerçam mais força para que a questão seja mais rapidamente solucionada", disse Peter Bridgewater, o presidente da Comissão Internacional.

Um dos problemas mais graves discutidos na organização, que precisa de uma solução imediata, tem a ver com a caça japonesa às baleias, que se tem intensificado no Oceano Antárctico e a norte do Oceano Pacífico.

Há negociações em curso com o Japão, segundo Peter Bridgewater, e já foram recomendadas uma série de opções e passos para se acabar com este problema.

"É preciso rever as medidas que foram assumidas na Convenção Internacional para a Regulação da Actividade Baleeira, em 1946, porque esse tratado não resolve os problemas do século XXI", concluiu.

Em Junho deste ano, Portugal receberá a 61ª reunião anual da Comissão Baleeira Internacional, que terá lugar na ilha da Madeira.

"Na Madeira esperamos ter um momento de viragem para que a Comissão consiga retomar o papel extremamente positivo que teve no passado, de conservação e de boa gestão das baleias nos oceanos", afirmou Jorge Palmeirim.

Em http://ecosfera.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1364781
 
Ui... Isto é mais grave do que eu pensava. [:D]

Tu por acaso viste as imagens do princípio do tópico?

Quando comes orelha de porco o que é que fazem com o resto da carne? Mandam fora né? Não vá apanhar bixo...

E também comes o pêlo das focas?

Olha aqui esta carne toda do link aqui em baixo... A ver se vou alí ao pingo doce arranjar meio quilo de foca para dar ao meu mainovo.

http://3.bp.blogspot.com/_9W89CNRUlRw/SJqTyw0D1rI/AAAAAAAAC40/2GSm8CAWNn0/s400/foca8.jpg

Ah... E andar a matar animais em vias de extinção então... [:blush:] Muito inteligente.

PS: Quanto às perguntas... São retóricas.


Não sei se reparaste, estava a referir-me às baleias e ao vídeo que estava imediatamente antes:sh)

Não me referi a focas, pinguins nem porcos a andar de bicicleta[:)]
 
Há vários tipos de baleia em risco de extinção.

Vejam aqui

Endangered Species Whale

Alterem os critérios de pesquisa no campo correspondente e fiquem surpreendidos pela negativa

[s)]

Diversas espécies.

Paris, 03 Jul (Lusa) - Algumas espécies de seres vivos estão expostas a um risco de extinção claramente superior ao que até hoje era admitido, segundo um estudo hoje publicado na revista Nature.

Ao negligenciar as diferenças entre indivíduos numa dada população, as pesquisas efectuadas até agora subestimaram os perigos para a fauna e a flora, afirmam Brett Melbourne, professor na Universidade do Colorado e os seus colegas.

"As populações bastante grandes, consideradas anteriormente como relativamente protegidas da extinção, podem estar em perigo", segundo afirma Melbourne.

Segundo a União Mundial para a Natureza (UICN), mais de 16.000 espécies encontram-se em vias de extinção.

Um em cada quatro mamíferos, um pássaro em cada oito e um terço dos anfíbios foram colocados pela UICN na "lista vermelha" da organização.

Mas, segundo um estudo publicado pela Nature, os modelos que servem para estabelecer este género de classificação apenas consideram dois tipos de riscos.

O primeiro é o risco de morte de alguns indivíduos de uma espécie rara, que pode pôr em perigo a sua sobrevivência, como é o caso em algumas espécies de baleias que contam actualmente menos de 400 indivíduos, ou para os tigres, cujo número de indivíduos em liberdade não passa dos 4.000.

O segundo factor tem em conta as condições ambientais, como a desflorestação, assim como as alterações de temperatura ou de precipitação, ligadas às mudanças climáticas.

No entanto, segundo Melbourne e Alan HStings, da Universidade da Califórnia, o ratio de machos-fêmeas, assim como as variações das taxas de fecundidade e de mortalidade no seio de uma população devem também ser levados em conta.

A combinação de todos estes factores permite determinar se uma espécie é capaz de ultrapassar uma quebra demográfica súbita ou se existe um risco de extinção.
ALF.

Em http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/358127&sctx=2:10:baleias
 
Não sei se em Portugal já se faz turismo de mergulho com baleias mas se não se faz, era boa altura no seguimento da intenção de "ser um exemplo" e da reunião da Madeira.
 
Não sei se em Portugal já se faz turismo de mergulho com baleias mas se não se faz, era boa altura no seguimento da intenção de "ser um exemplo" e da reunião da Madeira.
[modo tuga on]-Este campo é para quê?

-Para semear batata.

-Este campo para batata? Isto não dá batata, nunca deu.

-Mas porquê, tem algum problema este campo?

-Não, este campo não tem nenhum problema.

-Mas as que semearam nunca vingaram?

-Semear?[modo tuga of]
 
[FONT=Arial, Helvetica, sans-serif]Um mergulho no Atlântico[/FONT]
[FONT=Arial, Helvetica, sans-serif]Nos Açores, além de paisagens de beleza estonteante, é o mar que nos lança o maior apelo. Um dos melhores locais do mundo para observar cetáceos e uma experiência única, a não perder, também em Portugal[/FONT]


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[FONT=Arial, Helvetica, sans-serif]Texto e Fotos de Luís Quinta[/FONT]​

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[FONT=Arial, Helvetica, sans-serif][FONT=Arial, Helvetica, sans-serif]http://javascript<b></b>:MM_openBrWindow('a04-00-46.shtml','','width=410,height=325')[/FONT]Em pleno coração do Atlântico, o arquipélago dos Açores é considerado um dos melhores locais do mundo para a observação de cetáceos. Esta classificação deve-se à conjugação de vários factores que só ali se verificam, nomeadamente: a existência de cerca de duas dezenas de espécies comuns naquelas águas e de várias empresas a realizar saídas de whale watching; a observação ser realizada perto da costa; e as águas serem tépidas e cristalinas. É claro que em diversos locais do globo também é possível encontrar baleias e golfinhos, mas o que acontece em vários casos é que apenas se podem observar uma ou duas espécies de cetáceos, o clima não ajuda e, por vezes, as observações são feitas em zonas distantes da costa, obrigando a mais horas de percursos náuticos.

[FONT=Arial, Helvetica, sans-serif]http://javascript<b></b>:MM_openBrWindow('a04-00-47.shtml','','width=410,height=325')[/FONT]Mas regressemos aos Açores. Embora seja possível encontrar cetáceos em todo o arquipélago, apenas três ilhas – S. Miguel, Pico e Faial – se dedicam seriamente e com caracter regular à actividade da observação de baleias e golfinhos. As saídas para o mar podem ser realizadas de várias formas, em barcos semi-rígidos de vários tamanhos ou em barcos cabinados de maior porte e conforto. Ambas as modalidades de embarcações tem vantagens e desvantagens, pelo que a escolha será uma questão de gosto pessoal. Uma saída típica de whale watching é constituída por uma apresentação do que se vai passar no mar, além de algumas noções [FONT=Arial, Helvetica, sans-serif][/FONT]sobre biologia, ecologia e conservação das espécies. Normalmente, antes desta palestra já existiu um contacto com os vigias, que nas encostas das ilhas controlam com binóculos as movimentações das baleias, porém, é com a saída para o mar que começam as emoções fortes. Além das baleias e golfinhos que caracterizam tão bem este arquipélago, num passeio típico também se observam várias espécies de aves marinhas, como o *****ro, as tartarugas, os peixes voadores e as medusas, entre outros animais marinhos.

[FONT=Arial, Helvetica, sans-serif][/FONT]Aventura mesmo é nadar com os golfinhos, mas esta é uma actividade apenas para quem estiver à vontade dentro de água, e possui um enquadramento especial, quer em termos de preço, quer em termos de regulamentos. Por sua vez, entrar na água com baleias por perto só é possível mediante uma autorização especial, que terá de ser pedida com dois meses de antecedência.

As espécies
[FONT=Arial, Helvetica, sans-serif][/FONT]O animal mais carismático dos Açores é, sem dúvida, o grande cachalote. Além de existir em grande quantidade nos mares açorianos, foi a baleia mais capturada e que dava mais rentabilidade durante a época áurea da tradição baleeira. O cachalote – o único destes grandes mamíferos que depois de morto fica a boiar e assim facilmente transportado para terra – assumiu o protagonismo desta velha história sobre o poder da natureza contra o homem (ou vice-versa), tomando o lugar de personagem principal em lendas, actos heróicos, festividades e em toda uma variada cultura e indústria ainda hoje bem visível nas localidades costeiras.

[FONT=Arial, Helvetica, sans-serif][/FONT]Com a chegada da Primavera e de uma habitual “explosão” biológica, várias espécies de baleias de barbas começam a ser observadas em meados de Abril. Desde a grande baleia azul à baleia sardinheira, passando pela enorme baleia comum ou mesmo a baleia de bossas, todas tem passagem obrigatória por estas águas. De salientar, que a baleia azul é o maior animal que até hoje habitou a Terra, ultrapassando largamente o maior dinossauro até hoje encontrado – uma baleia-[FONT=Arial, Helvetica, sans-serif][/FONT]azul pode ultrapassar os 30 metros de comprimento e pesar mais de 170 toneladas!

A época das baleias de barbas pode estender-se até Junho. A partir do Verão chegam mais cachalotes, essencialmente fêmeas que vem dar à luz, e várias espécies de outros cetáceos, como por exemplo a baleia-piloto, a falsa -orca e o golfinho pintado. Em finais de Junho e, com alguma sorte, é possível observar sete a oito espécies de cetáceos diferentes, entre baleias e golfinhos.




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[FONT=Arial, Helvetica, sans-serif]Contactos: Norberto Diver, Horta, [/FONT]

[FONT=Arial, Helvetica, sans-serif]Fonte: http://www.rotas.xl.pt/0903/a04-03-00.shtml[/FONT]


 
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Saúde & Tecnologia
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14 de maio, 2003 - Publicado às 20h01 GMTExtinção ameaça espécies de baleias e golfinhos
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Espécies de golfinhos podem não durar mais 10 anos

Algumas espécies de baleias, golfinhos e botos estão tão ameaçadas que podem estar extintas em dez anos, segundo cientistas.

O aviso partiu de especialistas em cetáceos da entidade Organização Mundial de Presevação (ICUN).

Os especialistas publicaram o aviso no livro Dolphins, Whales and Porpoises: 2002-2010 Conservation Act Plan for the World's Cetaceans (Golfinhos, Baleias e Botos: 2002-2010 Plano de Conservação para os Cetáceos do Mundo).

Trata-se da terceira obra publicada pelos especialistas em cetáceos da entidade nos últimos 15 anos. A obra lista 86 tipos de cetáceos – desde as baleias do alto mar até as cada vez mais raras espécies de água doce, encontradas no sul da Ásia e na América Latina.

Ação do homem

"Algumas das grandes baleias, como a azul, a corcunda, a caxalote, a beluga e baleia-franca costumam receber muita atenção de preservacionistas", afirma o cientista Randall Reeves, um dos responsáveis pelo livro publicado pela ICUN.

"São, sem dúvida, animais magníficios, mas nós nos concentramos mais em espécies menores, menos conhecidas e presentes principalmente em países em desenvolvimento, onde a ameaça de extinção é realçada", acrescenta.

Segundo a ICUN, até o momento o homem não foi o responsável pela extinção de nenhuma espécie de cetáceo. Mas a entidade acredita que esse quadro pode mudar.

William Perrin, que já chefiou a divisão de cetáceos da ICUN, disse ser improvável que o "golfinho baiji ainda exista quando formularmos nosso próximo plano de conservação, dentro de oito ou dez anos".

O baiji, um golfinho de água doce que agora só existe no principal canal do rio Yang Tsé, na China, é considerado o cetáceo mais ameaçado de extinção.

Estudos realizados entre 1985 e 1986 davam conta de que havia uma população da espécie de cerca de 300 espécimes. Entre 1997 e 1999, só haviam entre 21 e 23 golfinhos baiji ainda vivos.

A drástica redução no número desta e de outras espécies se deve à ação de pescadores que ou pescam esses cetáceos ou que os matam deliberadamente para assegurar a abundância de seus cardumes de peixes.

Tipos ameaçados

Os cetáceos também morrem ao ser presos em redes de pesca ou ao colidirem com embarcações.

Outros espécimes ameaçados são a baleia-franca – presente no hemisfério norte –, a baleia-azul, a baleia bicuda de Hector e os golfinhos dos rios Ganges e Indo, na Índia.

Mas a divisão de cetáceos da ICUN diz que ainda restam esperanças. "Diversas populações da baleia-franca austral, de baleias-corcundas em diversas áreas e da baleia-cinzenta em áreas dos Oceanos Pacífico e Atlântico têm mostrado sinais de recuperação", afirma o estudo.

O plano de conservação propõe mudanças em métodos de pesca para evitar a extinção de espécies como o baiji, a vaquista e a baleia bicuda de Hector.
fonte:http://www.bbc.co.uk/portuguese/ciencia/030514_baleiabg.shtml
 
Coitadinhos,...[:vm)]

Os chineses também não comem cão ou gato?


E nós, não comemos animais que outras "civilizações" não percebem ou tratam esses animais como de estimação?

Tem a haver com o habito de cada um. Não significa que um povo seja mais ou menos desenvolvido por comer isto ou aquilo. É assim e pronto!
 
Os chineses também não comem cão ou gato?!

Comem,...vou já cortar os pulsos com um X-ato.

On:

Mas o que é que os cães e gatos têm a ver com as baleias,...
A questão das baleias, é porque estão em vias de desaparecerem,...pelo pouco número que já existe.

Ninguém está aqui a tecer juízos de valor, sobre os hábitos alimentares dos japoneses, chineses, por mim até podem comer trampa, é lá com eles,...


E nós, não comemos animais que outras "civilizações" não percebem ou tratam esses animais como de estimação?!

Esta questão não é uma critica ao cardápio, dos diversos povos,...a questão não é essa,...por mim até podem comer minhocas esmagadas, com melão aos quadradinhos, acompanhado, com chichi de cão,...

Tem a haver com o habito de cada um. Não significa que um povo seja mais ou menos desenvolvido por comer isto ou aquilo. É assim e pronto!

Ninguém está aqui a falar do desenvolvimento, do povo, que é bem mais desenvolvido que o povo Português por exemplo, a questão é que as Baleias estão em vias de extinção, isto é desaparecerem, ou seja acabarem com a espécie, desaparecerem todas!!!
 
257541


17-02-2009 16:16:00
Justiça pelas baleias
Um activista da organização ecologista internacional Greenpeace coloca hoje uma mensagem contra a caça à baleia em frente à embaixada do Japão em Atenas, Grécia. O protesto surge em solidariedade com dois activistas da Greenpeace detidos pela polícia japonesa em Junho de 2008, por suspeitas de roubo depois de terem admitido que levaram uma caixa com carne de baleia como prova do que dizem ser um crime pelos baleeiros japoneses. Foto: John Kolesidis/Reuters​

 
Baleias à espera de fumo branco na reunião da Comissão Baleeira na Madeira
22.02.2009
Ana Fernandes


De científica, a caça japonesa à baleia nada tem. Ninguém tem dúvidas, mas esta desculpa é a única legal que resta ao Estado nipónico para continuar aquilo que alega ser uma tradição. Mas será? Em algumas comunidades costeiras, assim é. Mas, como nação, as raízes culturais da caça e consumo de carne de baleia remontam apenas até ao fim da Segunda Guerra Mundial, quando, perante a falta de alimentos, os americanos sugeriram aos japoneses que comessem carne de baleia, como também aconteceu no Reino Unido na mesma altura.

Hoje, esta prática persiste. Contra ventos e marés, sobretudo contra grande parte da opinião pública internacional. Porquê a teimosia? A explicação avançada pelos especialistas envolvidos na Comissão Baleeira Internacional (CBI) é apenas uma: orgulho.

Restos da II Guerra?

"A opinião pública japonesa não é necessariamente a favor da caça, mas é antes profundamente contra aqueles que se opõem a ela", avança uma opinião, ouvida numa recente reunião em Lisboa sobre o futuro da CBI. E quem são aqueles que se opõem? "Os que os derrotaram na Grande Guerra, por isso é que é tudo tão complicado", adianta outro.

De facto, são os Estados Unidos - de uma forma até agora algo suave -, mas sobretudo o Reino Unido, a Austrália e a Nova Zelândia que mais têm batalhado para contrariar a prática japonesa.

No seio da CBI, criada há 60 anos, as posições têm-se extremado a tal ponto que as discussões já não sobem do nível do insulto. Daí muitos começarem a questionar-se sobre as possibilidades de sobrevivência deste organismo internacional. Mas, sem ele, o futuro dos grandes cetáceos poderá não ser brilhante.

Em Junho deste ano, na Madeira, a CBI chega a uma encruzilhada. Na reunião portuguesa discutir-se-á um relatório sobre os possíveis caminhos que a Comissão poderá trilhar. O momento é fulcral e um fracasso pode custar caro. Daí que, na reunião da Comissão para as Baleias da Fundação Pew - um grupo de influência com grande peso junto dos decisores políticos -, que decorreu na semana passada em Lisboa, na Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, se tenha insistido que, desta vez, os políticos têm mesmo de se envolver.

As discussões da CBI estão sobretudo nas mãos dos comissários. Alguns países levam ministros - sobretudo os mais empenhados -, mas muitos não se fazem representar ao mais alto nível. O que possibilita que, quando o assunto é mais polémico, os comissários se escudem na desculpa de terem de falar com os seus superiores para não tomarem logo uma posição.

O caminho em frente

A falta de resultados nas negociações da CBI, assim como o susto que alguns países apanharam depois de, há dois anos, os japoneses terem quase conseguido reunir votos suficientes para acabar com a moratória da caça comercial à baleia, em vigor há 22 anos, levou a que se reequacionasse a comissão.

Para o fazer, foi criado um "pequeno grupo de trabalho", liderado por Álvaro de Soto, um diplomata das Nações Unidas, que, no início do mês, apresentou o seu relatório sobre o futuro da CBI. A manutenção e o reforço do seu comité científico e o seu papel na regulação de actividades não lesivas, como a observação de baleias, são as questões pacíficas, que todos acarinharam.

Mas são os grandes pedregulhos que urge estilhaçar. E o maior de todos é a caça japonesa.

Note-se que há outros países baleeiros. Por ano, matam-se entre 2000 a 3000 baleias no mundo, a maior parte devido à acção do Japão e da Noruega. A Islândia e pequenas comunidades indígenas na América do Norte caçam as restantes , ao abrigo da excepção que permite a caça autóctone de subsistência.

O caso da Noruega, embora seja criticado por muitos, é diferente do japonês, porque não assinou a moratória que bane a caça comercial às baleias. Ao contrário de Tóquio, que acabou por encontrar uma fuga legal num artigo da convenção que permite a caça para fins científicos.

A cláusula de escapatória

Face à contestação, por que não sai o Japão da CBI? Porque isso o tornaria num pirata dos mares, respondem os especialistas contactados pelo PÚBLICO durante o encontro na FLAD. Mas a insistência de caçar ao abrigo de uma cláusula que todos sabem não passar de um escudo tem minado as relações na Comissão.

Os países mais não fazem do que contar espingardas. Entram na CBI membros que nada têm a ver com a caça às baleias só para alinhar com as posições opostas. Há países cujo voto foi comprado pelos japoneses, como admitiu o representante de uma destas nações na reunião da Pew em Lisboa.

Para tentar tirar a CBI deste coma, o relatório de Soto propõe algumas moedas de troca para dar aos japoneses uma saída airosa desta encruzilhada.

Assim, seria permitido ao Japão fazer caça costeira e propõe-se que seja dado um prazo de cinco anos, ao fim dos quais os baleeiros nipónicos se retirariam do oceano Antárctico. Esta última proposta tem várias opções, desde a retirada total até ao estabelecimento de uma quota "sustentável" de abate de baleias. Algo que os comissários terão de decidir na Madeira.

Mas a permissão de caça costeira encerra alguns perigos, como a abertura de um precedente que poderia ser seguido por outros países. "O que interessa é conseguir encontrar uma solução que faça com que a CBI volte a funcionar. Tornando-se uma instituição funcional - coisa que não é agora -, poderá assumir melhor as suas funções e regular melhor as actividades, com base em conhecimento científico", responde Peter Bridgewater, presidente da reunião da Pew.

Em contrapartida, os países defensores das baleias conseguiriam atingir um objectivo que perseguem há anos, sempre bloqueado pelos japoneses e seus apoiantes: criar um santuário para as espécies que passam pelo Atlântico Sul.

Os países baleeiros anunciam quantas baleias caçam por ano. Mas o número de mortes é muito superior e a discrepância não vem apenas de abates ilegais. O problema chama-se bycatch, isto é, a apanha involuntária de espécies nas artes de pesca. Segundo os especialistas reunidos em Lisboa, os números de cetáceos mortos por esta via tem vindo a aumentar. Na Coreia, entram o dobro de baleias no mercado do que é declarado . Desde que entraram em vigor novos regulamentos para verificar o bycatch, provou-se que é pelo menos quatro vezes superior ao declarado. Este é um dos problemas a que a Comissão das Baleias da Pew considera que a CBI tem de dar mais atenção. Assim como à elevada mortandade que os grandes navios que cruzam os oceanos causam nestes seres. Mas, para tal, o organismo tem de ter poder para actuar, algo que lhe falta neste momento.

Em http://ecosfera.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1366241

:rolleyes:
 
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