Japão Caça Baleias


O Ministro das Reservas Naturais russo, Yuri Trutnev, proibiu hoje a caça a focas bebés na Rússia. O ministro classificou esta prática como um "massacre" e acrescentou que este era um passo importante para a "protecção da biodiversidade na Federação Russa".

A pele das focas é usada para o fabrico de casacos e a carne faz parte da alimentação dos habitantes da costa do Oceano Árctico.Cerca de 80% desta indústria na Rússia era financiada por empresas norueguesas.

Durante esta semana, protestos contra esta prática ocorreram em 20 cidades russas.

A proibição já era esperada desde 26 de Fevereiro deste ano, quando o primeiro-ministro russo Vladmir Putin, numa reunião com Trutnev, descreveu a prática como "sangrenta". Na mesma reunião, Putin assegurou que os caçadores iriam ser compensados pelas suas perdas.

"Irão ser tomadas medidas para assegurar o emprego e a subsistência de quem trabalhou nesta indústria", afirmou.

Países como o Canadá, Noruega e Gronelândia continuam a permitir esta actividade.

Em http://ecosfera.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1369741

:rolleyes:
 
260402


15-03-2009 12:49:00
Contra a caça às focas
Um activista do Fundo Internacional para o Bem-Estar Animal (IFAW) participa hoje num protesto contra a caça comercial às focas, em Moscovo. Também em Madrid se protestou contra esta matança. Uma centena de pessoas despiu-se e manifestou-se no centro da cidade espanhola contra o "massacre" das focas no Canadá. Foto: Sergei Karpukhin/Reuters ​

 
Pelo menos no canadá, aproveita-se tudo das focas, o que não se come serve para fazer roupa ou artefactos, é um dos recursos mais bem aproveitados, deve ser o animal em que há menos disperdicio.
Se queremos banir a caça às focas temos que banir antes o uso de especies em que o disperdicio é maior, perdizes, vacas, porco, frango, peixes, cavalo, coelho...
 
Pelo menos no canadá, aproveita-se tudo das focas, o que não se come serve para fazer roupa ou artefactos, é um dos recursos mais bem aproveitados, deve ser o animal em que há menos disperdicio.
Se queremos banir a caça às focas temos que banir antes o uso de especies em que o disperdicio é maior, perdizes, vacas, porco, frango, peixes, cavalo, coelho...

Qual é o problema de acabar com o massare da caça às focas?
Já agora, de uma vaca também tudo se aproveita.
Já o cavalo é outro exemplo de pura gula humana.
 
Se as baleias estão em via de extinção, então ok.. concordo que não haja caça. Mas não me venham com a treta de que não se pode matá-las por serem mamíferos e não simples peixes... por essa lógica, então porque razão comemos por exemplo coelhos? Sim, até se pode encontrar grelhado na churrasqueira da esquina.
Moralmente é tão condenável matar uma baleia ou um coelho, pelo menos na minha opinião.
 
Esqueces-te que um coelho podemos sempre reproduzi-los em cativeiro, e uma baleia? Faço-me entender?! Acho que não é possível ainda fazer o mesmo com as baleias. Não à risco de coelhos entrarem em vias de extinção! [:D] Mesmo assim, mesmo sendo dois seres vivos, não compares por favor um coelho com uma baleia! :rolleyes: São seres extraordinários.
 
Pelo menos no canadá, aproveita-se tudo das focas, o que não se come serve para fazer roupa ou artefactos, é um dos recursos mais bem aproveitados, deve ser o animal em que há menos disperdicio.
Se queremos banir a caça às focas temos que banir antes o uso de especies em que o disperdicio é maior, perdizes, vacas, porco, frango, peixes, cavalo, coelho...
Não percebi a relevância de um maior aproveitamento do animal?

Isso quer dizer que depois podemos juntar tudo num montinho e ressuscitar as espécies quando elas se extinguirem?

É que, apesar de algumas variedades domesticadas, mais rústicas, estarem ameaçadas, dificilmente podemos comparar as duas situações.
 
O que eu penso que é errado é forçar os povos que comem focas a trocar por outros alimentos muito mais prejudiciais ao meio ambiente.
Quanto à carne que o mundo "civilizado" come, só em raros casos, em zonas limitadas se aproveita alguns órgãos internos e nunca se aproveita os ossos, e quanto à criação industrial de animais, ela é a principal causa da extinção de espécies, na medida em que é a principal causa da desflorestação de florestas tropicais e sub-tropicais para fazer cultivo de forragem durante 10 ou 20 anos, tempo em que aquela parcela de terreno demora a tornar-se estéril e necessitar de outra nova.
Isso sem falar nos dejectos e dos líquidos corporais do abate, deitados nos esgotos que são um dos piores poluentes para os rios, e que (só no caso dos paises mais desenvolvidos é que são tratados).
 
O que eu penso que é errado é forçar os povos que comem focas a trocar por outros alimentos muito mais prejudiciais ao meio ambiente.
Se as focas fossem mortas pela comida dos povos dessas regiões... A maior parte delas são mortas simplesmente pela pele. São esfoladas e o resto do corpo fica todo no local. É pura carnificina para determinada gentinha passear "de pele".

Quanto à carne que o mundo "civilizado" come, só em raros casos, em zonas limitadas se aproveita alguns órgãos internos e nunca se aproveita os ossos, e quanto à criação industrial de animais, ela é a principal causa da extinção de espécies, na medida em que é a principal causa da desflorestação de florestas tropicais e sub-tropicais para fazer cultivo de forragem durante 10 ou 20 anos, tempo em que aquela parcela de terreno demora a tornar-se estéril e necessitar de outra nova.
Isso sem falar nos dejectos e dos líquidos corporais do abate, deitados nos esgotos que são um dos piores poluentes para os rios, e que (só no caso dos paises mais desenvolvidos é que são tratados)
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É a verdade. Convenceu-se o mundo que comer muita carne é que é bom (porque dá dinheiro a quem cria e vende) e com isso piora-se a saúde das pessoas e destroem-se florestas e ecossistemas.
 
O que eu penso que é errado é forçar os povos que comem focas a trocar por outros alimentos muito mais prejudiciais ao meio ambiente.
Quanto à carne que o mundo "civilizado" come, só em raros casos, em zonas limitadas se aproveita alguns órgãos internos e nunca se aproveita os ossos, e quanto à criação industrial de animais, ela é a principal causa da extinção de espécies, na medida em que é a principal causa da desflorestação de florestas tropicais e sub-tropicais para fazer cultivo de forragem durante 10 ou 20 anos, tempo em que aquela parcela de terreno demora a tornar-se estéril e necessitar de outra nova.
Isso sem falar nos dejectos e dos líquidos corporais do abate, deitados nos esgotos que são um dos piores poluentes para os rios, e que (só no caso dos paises mais desenvolvidos é que são tratados).
Concordo com o que está a negrito mas continuo a não ver a relevância, é verdade que a sustentabilidade não é o forte da cultura ocidental, especialmente no que diz respeito à exploração de recursos do terceiro mundo, mas isso não é argumento quando estamos a falar da caça a espécies ameaçadas.


Two wrongs don't make a right
 
Se as focas fossem mortas pela comida dos povos dessas regiões... A maior parte delas são mortas simplesmente pela pele. São esfoladas e o resto do corpo fica todo no local. É pura carnificina para determinada gentinha passear "de pele".



É a verdade. Convenceu-se o mundo que comer muita carne é que é bom (porque dá dinheiro a quem cria e vende) e com isso piora-se a saúde das pessoas e destroem-se florestas e ecossistemas.
Sabes o que os esquimós comem? Focas, morças, peixe e coisas do género, e é a base da dieta deles, na zona onde moram é impossível ter vegetais, ou montar uma criação de animais, só podem comer o que caçam e pescam e só podem caçar e pescar especies ameaçadas.


Concordo com o que está a negrito mas continuo a não ver a relevância, é verdade que a sustentabilidade não é o forte da cultura ocidental, especialmente no que diz respeito à exploração de recursos do terceiro mundo, mas isso não é argumento quando estamos a falar da caça a espécies ameaçadas.


Two wrongs don't make a right
Two wrongs don't make a right, mas a impossibilidade de fazer melhor que isto já torna, estes povos onde moram só podem caçar e pescar espécies protegidas, é a única fonte de alimento disponível, não podemos pedir que aproveitem melhor estes recursos quando o desperdício é quase 0 ou mesmo 0...
Talvez nós sejamos mais prejudiciais às focas, somos os principais rivais no alimento, é por nossa causa que os cardumes de peixes de água fria estão cada vez mais longe de terra e nós sim temos alternativa ninguém morrerá por comer menos bacalhau, temos outras hipóteses, mas às focas morrem por falta de bacalhau
 
Sabes o que os esquimós comem? Focas, morças, peixe e coisas do género, e é a base da dieta deles, na zona onde moram é impossível ter vegetais, ou montar uma criação de animais, só podem comer o que caçam e pescam e só podem caçar e pescar especies ameaçadas.



Two wrongs don't make a right, mas a impossibilidade de fazer melhor que isto já torna, estes povos onde moram só podem caçar e pescar espécies protegidas, é a única fonte de alimento disponível, não podemos pedir que aproveitem melhor estes recursos quando o desperdício é quase 0 ou mesmo 0...
Talvez nós sejamos mais prejudiciais às focas, somos os principais rivais no alimento, é por nossa causa que os cardumes de peixes de água fria estão cada vez mais longe de terra e nós sim temos alternativa ninguém morrerá por comer menos bacalhau, temos outras hipóteses, mas às focas morrem por falta de bacalhau

Acho que estás a confundir as coisas. Eu sei a dieta dos esquimós. E precisamente por não ser só foca, não passariam fome. Continuariam a poder pescar peixe, por exemplo. E já nem deve haver muitos esquimós. De qualquer forma, lê bem: acho que ninguém quer proibir os esquimós de comer. O que se quer impedir é a caça comercial por parte do ocidente ( e não só). Pela pele.
 
(...) é verdade que a sustentabilidade não é o forte da cultura ocidental, especialmente no que diz respeito à exploração de recursos do terceiro mundo, mas isso não é argumento quando estamos a falar da caça a espécies ameaçadas.
(...)

Consequência directa!, e argumento demagógio para outras culturas, povos, localizações geográficas com relação diferente com o meio-ambiente que os rodeia.
 
Acho que estás a confundir as coisas. Eu sei a dieta dos esquimós. E precisamente por não ser só foca, não passariam fome. Continuariam a poder pescar peixe, por exemplo. E já nem deve haver muitos esquimós. De qualquer forma, lê bem: acho que ninguém quer proibir os esquimós de comer. O que se quer impedir é a caça comercial por parte do ocidente ( e não só). Pela pele.
Mas cada vez mais os esquimós estão mais dependentes das focas, morsas e animais ameaçados do género, eles não usam barcos para nada, o que os impede de pescar fora do gelo e os peixes devido à pesca industrial de longo alcance estão cada vez mais longe do gelo.
E caso não saibas as peles que aparecem no ocidente são vendidas por esquimós
 
Mas cada vez mais os esquimós estão mais dependentes das focas, morsas e animais ameaçados do género, eles não usam barcos para nada, o que os impede de pescar fora do gelo e os peixes devido à pesca industrial de longo alcance estão cada vez mais longe do gelo.
E caso não saibas as peles que aparecem no ocidente são vendidas por esquimós

Então, se o "Ocidente" não puder matar focas pela pele, sobram mais focas para os cada vez menos esquimós. Acho que é claro, isto.

Acredito que sim, que algumas sejam vendidas pelos esquimós, mas isso deve ser uma percentagem muito pequena comparando com a que é obtida através do massacre. E lá está, um esquimó mata para comer e aproveita para vender a pele. É diferente.
Quem negoceia peles, mata pela pele e deixa o resto do animal no local. É simplesmente um massacre criado pelo capricho, pela ganância, crueldade e luxúria de certo tipo de gentinha.
 
bem isto para ser resolvido tinham de acabar com os limites de costa em todos os países com mar , só assim se poderia vir a criar algum tipo de lei universal onde houvesse leis claras contra as capturas de qualquer tipo de espécie em vias de extinção . só assim se poderia realmente incriminar alguém e fazer pagar pelo desrespeito a essas mesmas leis.
como isso é de todo impossível deparamos com um entrave que se chama costa marítima (ou lá que raio se chama) cada país com mar tem o x de mar que é dele se nao estou em erro (corrijam se tiver mal pois nao pesco mesmo nada disso) se ele pescar dentro desse limite de costa por muita razao que se tenha ninguem pode realmente tentar travar ou punir que caça essas especies em extinçao pois iria trazer problemas diplomaticos com todos os incovenientes que isso traz .
por isso só nos resta a ir vendo mais uns quantos animais a entrar na lista de extinto.
:(
 
Observação de baleias rende 1500 milhões de euros no mundo e 15 milhões em Portugal
24.06.2009
Ricardo Garcia


A observação de baleias e de outros cetáceos gera até 15 milhões de euros por ano em Portugal e 1500 milhões de euros em todo o mundo, segundo um estudo apresentado na reunião da Comissão Baleeira Internacional, que decorre até sexta-feira no Funchal. Um segundo estudo aponta, porém, para a necessidade de uma regulamentação efectiva da actividade, sob o risco de comprometer seriamente os animais.

Uma avaliação do Fundo Internacional para o Bem-estar Animal (IFAW, na sigla em inglês) indica que o rendimento proveniente da observação de cetáceos a nível mundial duplicou nos últimos dez anos. Em 1998, a actividade atraía nove milhões de turistas, em 87 países, movimentando 700 milhões de euros em receitas directas e indirectas.

Em 2008, o rendimento disparou para 1500 milhões de euros. Há pelo menos 3300 empresas dedicadas à actividade, em 119 países, com 13.200 empregados e 13 milhões de clientes. O sector tem crescido 3,7 por cento ao ano, em média.

"Os resultados (...) confirmam que a protecção das baleias no seu ambiente natural trouxe o benefício secundário de uma significativa actividade económica a milhares de comunidades em todo o mundo", conclui o relatório da IFAW.

O estudo estima que a observação de cetáceos em Portugal gerou receitas directas e indirectas no valor total de 15 milhões de euros em 2008 - nos Açores, Madeira e Continente.

Um outro estudo também apresentado na reunião da CBI - liderado pela bióloga Marina Sequeira, do Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade, em conjunto com outros investigadores portugueses e espanhóis - apresenta valores que somam 2,9 milhões de euros em rendimento directo (só venda de bilhetes), apenas nos Açores e Madeira.

Em 1993, havia duas empresas com esse tipo de oferta turística nos Açores. Agora, 23 estão licenciadas. Na Madeira, há uma empresa exclusivamente dedicada à actividade e sete que a integram em passeios turísticos de barco.

A observação de baleias tem sido apresentada como uma alternativa económica à caça, que está suspensa por uma moratória mundial desde 1986. Mas a actividade também tem riscos. "Se não for gerida e regulada adequadamente, essa indústria pode ter impactos severos sobre a população de cetáceos, assim como sobre os seus habitats", alerta o estudo sobre a situação em Portugal, Canárias e estreito de Gibraltar.

Em Portugal, a actividade está regulamentada no Continente e nos Açores. Entre as medidas de salvaguarda, estão distâncias mínimas de aproximação aos cetáceos e a proibição de se nadar com os animais. Na Madeira, a Assembleia Regional está a discutir uma proposta de regulamento obrigatório que deverá ser aprovado ainda este ano.

Em http://ecosfera.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1388316

Valores muito interessantes!
 
Caçar ou não caçar baleias
22.06.2009
Ricardo Garcia


Um tiro de arpão. Um granada que explode. Uma baleia que é morta. Por que é que este acto - que, na forma, não é muito diferente de abater um javali num domingo de caça - divide tanto os países? Aproximar as posições pró e contra a caça comercial à baleia tem sido uma tarefa quase impossível. A cisão mantém-se, de tal forma que a reunião anual da Comissão Baleeira Internacional - que inicia hoje, no Funchal, a sua parte "política" - dificilmente chegará a uma solução para a crise em que a instituição está mergulhada há anos.

Num aspecto estão todos de acordo: a corrida descontrolada às baleias, no passado, foi desastrosa. Iniciou-se de forma artesanal, com embarcações a remos e arpões manuais - o que fazia da baleia-franca, a mais fácil de apanhar, a vítima principal. Barcos mais rápidos, armas modernas e navios-fábrica elevaram a exploração a níveis extremos.

Quando, em 1931, se tentou adoptar um tratado internacional para a caça à baleia, já se abatiam cerca de 40 mil animais por ano - sobretudo por frotas da Noruega, Reino Unido e países da Commonwealth, como Austrália e África do Sul.

Um acordo foi finalmente aprovado em 1946 - a Convenção para a Regulação da Caça à Baleia. Dele nasceu a Comissão Baleeira Internacional (CBI), com o objectivo de zelar pela preservação dos stocks, de modo a manter a actividade da caça. Mas, salvo um declínio temporário durante a II Guerra Mundial, os números continuaram a subir. Em 1962, atingiu-se o recorde de 66 mil baleias mortas - a maior parte, agora, pelo Japão, Rússia e Noruega.

Estes três países estão entre os que mais criticam o facto de a CBI alegadamente se ter afastado da sua missão original, dedicando-se agora simplesmente a proteger as baleias.

A comissão não tem poupado em medidas de conservação - de quotas de caça à criação de santuários. Em 1982, adoptou uma moratória à caça comercial, ainda em vigor.

Poucos duvidam de que estas medidas evitaram o desaparecimento de algumas espécies. "A baleia-azul chegou quase à extinção", afirma a especialista em cetáceos Marina Sequeira, do Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade.

Argumentos éticos

Ainda há dez anos, data da última estimativa da CBI, não havia mais do que 2300 baleias-azuis em todo o Hemisfério Sul. Da baleia-franca no Atlântico Norte há apenas três centenas de indivíduos.

Os países pró-caça defendem que, apesar de haver espécies em perigo, há outras mais abundantes. O próprio comité científico da CBI o reconhece. "Actualmente, já se admite que algumas populações suportam alguma caça", afirma Marina Sequeira.

As baleias-anãs contam-se às centenas de milhares. O último cálculo da CBI, de 1989, apontava para 760 mil no Hemisfério Sul. É sobretudo lá, nos mares da Antárctida, que o Japão caça algumas centenas por ano, para um programa científico contestado por ambientalistas. No ano passado, foram mortas 759, ou seja, apenas 0,1 por cento do stock conhecido.

A carne das baleias mortas para fins científicos acaba nos talhos e supermercados. Mas o Japão tem argumentado que a própria convenção da caça à baleia obriga a que o animal, quando é necessário matá-lo, seja aproveitado ao máximo.

O que o Japão pretende há anos, porém, é voltar a caçar baleias comercialmente - algo que a Noruega já faz, porque nunca subscreveu a moratória. Para isso seria necessário que a CBI conseguisse pôr em prática os mecanismos que propôs para gerir os stocks e para controlar a caça. Ambos não saíram ainda do papel, por falta de consenso.

"As nações baleeiras não aceitam uma supervisão independente", afirma o biólogo Manuel Eduardo dos Santos, do Instituto Superior de Psicologia Aplicada. E mesmo que aceitassem, diz, isso não seria suficiente: "Pode-se ver pela história que não existem mecanismos de regulação eficazes."

O debate estende-se aos argumentos éticos. Especula-se que, por terem um sistema nervoso mais complexo, as baleias possam estar sujeitas a maior sofrimento. Além disso, os cetáceos têm estruturas sociais igualmente mais elaboradas. "Uma baleia morta pode fazer falta às que ficam", afirma Leonor Galhardo, bióloga especializada em bem-estar animal.

Sabe-se, no entanto, ainda muito pouco sobre o comportamento das baleias, um animal difícil de observar. "As nossas suspeitas de uma cognição elaborada [das baleias] obriga-nos filosoficamente a ser prudentes", opina, porém, Manuel Eduardo dos Santos.

Com a evolução técnica, uma baleia hoje pode ser morta quase instantaneamente. Um estudo do princípio dos anos 90 - citado pela High North Alliance, que representa os interesses baleeiros na Noruega - indicava, em contrapartida, que apenas 18 por cento dos alces caçados no país morriam logo depois de alvejados.

Mas a tese da morte imediata é contestada por muitos. A Whale and Dolphin Conservation Society, uma organização com sede em Londres, sustenta que as nações baleeiras não divulgam dados detalhados que permitam corroborar a inocuidade do modo de abate dos cetáceos. Já Manuel Eduardo dos Santos é definitivo: "Não há método garantidamente humano."

Em http://ecosfera.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1387902

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