De facto foi um argumento infeliz! O meu fiesta de 2003 faz exactamente isso com os puxadores.
De qualquer forma uma citação da Top Gear via facebook:
"We drive VW’s anticipated Up. It’s good. Very good. Good enough to give the entire city car class a real shake up."
Tenho lido diversos relatos no mesmo sentido.
Sim, o carro perdeu metade da piada quando decidiram transformá-lo num tudo à frente, e o minimalismo não cai propriamente na preferência de toda a gente (apesar de ler comparações da estética minimalista e monocromática do interior com objectos de culto como o iphone).
Mas no que toca a execução, é 100% VW. Existe rigor.
Dentro do segmento nada tem melhor qualidade e também é o mais refinado, com niveis de insonorização acima da média, segundo os primeiros relatos.
Não é perfeito, alguns pormenores deixam a desejar, e aparentemente, mesmo a versão de 75cv é algo pachorrenta, com um motor que apenas acorda verdadeiramente às 3000 (aqui o Twinair do Panda vai trucidá-lo).
Não reinventa a roda, mas, a um nivel essencial/estrutural, até está muito bem esgalhado, com pequenas soluções que permitiram reaproveitar muito bem o pouco espaço disponivel (só os trigémeos são mais curtos)
Por exemplo, o radiador não se encontra directamente à frente do motor, tendo sido deslocado para um dos lados, o que permitiu "encolher" o compartimento do motor em 5cm. E se repararmos, este carro tem as rodas bastante perto dos extremos da carroçaria, o que num tudo à frente hoje em dia, é bastante complicado, sobretudo devido às normas de segurança).
A distância entre-eixos, desta forma, é apenas 4cm mais curta que a do VW Polo, mas o Polo é mais comprido 40cm. Permite um muito melhor aproveitamento do espaço interior. E a capacidade de bagageira entre os 2 difere apenas em 30 litros. Bom packaging, sem dúvida.
O Panda, por exemplo, tem distância entre-eixos mais curta em 12cm (2.3m) e é à volta de 10cm mais comprido (também não existem dados sobre os ganhos no habitáculo com o comprimento extra relativo ao Panda actual, mas dado recorrerem à mesma base, também não me parece que haja ganhos significativos nesse sentido)
O Up não apresenta uma panóplia de soluções inovadoras como o iQ da Toyota na questão do packaging (como gostaria de ver um verdadeiro 4 lugares a partir da base do iQ e com bagageira digna), mas mesmo assim, faz muito bom uso daquilo que usa.
E o facto de se distanciar da estética brinquedo ou "fofinho" até pode ser uma vantagem no que toca a percepção e credibilidade.
E pelos primeiros contactos, aquele écran no topo do tablier, chamado Portable Infotainment Device, condensa multiplas funcionalidades com funcionamento semelhante aos smartphones e tablets actuais. Tendo em conta o target mais jovem a que estes carros se costumam dirigir, pode ser um chamariz importante.
Acho, que essencialmente, acertaram na receita.
Poderá perder alguma piada, com a diluição do impacto inicial, devido aos clones Skoda e Seat, mas não lhe retira mérito. Será sem dúvida, um rival sério para este segmento.