Violencia ou educacao ?

A minha família é praticamente toda composta por docentes. Desde educadores de infância até professores catedráticos...
Todos se queixam do mesmo (mesmo os catedráticos): falta de educação e formação em casa.
Este é o principal problema.
Levei algumas reguadas e canadas na primária e apenas na primária. Os colegas iam contar aos meus pais e ainda mais repreendido em casa. A partir do meu 5º ano, os meus pais NUNCA receberam uma queixa que fosse acerca de mim. Quer dos meus professores, quer de qualquer pessoa.

Enquanto os "papás" e as "mamãs" protegerem excessivamente os "fifis" vamos continuar a ter indisciplina dentro e fora das escolas, horizontes fechados, faltas de respeito, desresponsabilização, comodismo, "deixa andar", "oh tio, oh tio", etc.

A sociedade forma-se na família.
 
Boa tarde

Boa tarde

Também sou do tempo em que era permitido aos professores utilizarem a palmatória para punir os alunos. Apanhei algumas vezes, a maioria das quais, injustamente.
Diz-se que, nesse tempo, havia mais respeito pelos professores. Seria respeito ou medo? Eu tinha medo da minha professora primária e, simultaneamente, muito respeito pelos meus pais. Ou seja, quando apanhava calava-me, não fosse a dose aumentar se me queixasse em casa.

Nesse tempo, os pais respeitavam os professores e transmitiam aos filhos a ideia de que em casa mandavam eles e na sala de aula mandava o professor. E, da mesma forma que se aceitava como comum os correctivos físicos por parte dos pais, caso houvesse motivo para tal, também se esperava do professor o mesmo comedimento no uso da palmatória.

Algumas das recordações positivas que guardei desse período da minha infância foram:
- O silêncio na sala de aula, apenas interrompido pela professora quando ensinava. Todos trabalhávamos em silêncio e só nos atrevíamos a abrir a boca quando questionados por ela.
- Cantar em coro a tabuada,
- Aprender a resolver problemas de aritmética que, na maioria dos casos, envolviam duas contas para se chegar ao resultado.

Alguns aspectos negativos de que me recordo:
- Com tanto silêncio, fui algumas vezes “apanhada” a falar com a colega do lado e pronto, lá ia eu “saborear” a palmatória.
- Saber a tabuada de cor e salteado foi extremamente útil.
- A existência na sala de aula de uma terceira fila chamada “fila dos burros”.
- Quando era chamada para ir ao quadro, tremia como varas verdes e bloqueava. Resultado: Apanhava umas reguadas que era para estar atenta da próxima vez e ainda levava com a ameaça: vê lá se queres ir para a fila dos burros.
- Na 3ª classe fui parar à fila dos burros e chumbei. Mudei de professora e durante 2 anos não senti a palmatória. No exame da 4ª classe, adivinhem quem me fez o exame? Sim, essa bruxa! Passei com distinção e nunca mais pus os olhos em semelhante criatura.

(continua)
 
Continuação

Continuação

Por ironia do destino hoje sou eu a professora. Bater num aluno? Os pais que o façam. Uma vez por outra, lá deixei escorregar a mão, mas mal ouvi ”Ai” caí em mim e brinquei com a situação: “foi para matar um piolho que tinhas aí”.

- Será que estou preparada para manter a disciplina na minha sala de aula sem recorrer à violência? Sem dúvida. Utilizo imensas estratégias de motivação com os meus alunos e comecei a utilizar recentemente as assembleias de turma com enorme sucesso.

- Será que estou preparada para lidar com crianças delinquentes, que se recusam a aceitar as regras de funcionamento na sala de aula e quando são contrariadas reagem com insultos à professora e pontapés a tudo o que estiver à sua frente? Não, não me sinto preparada para isso.

Já me aconteceu e deixou marcas a nível da minha auto-estima. Ser professora para sofrer humilhações como já aconteceu, não. Ponderei na altura desistir do ensino. Aguentei porque também sou do género”antes quebrar que torcer”. Mas vou evitar concorrer para escolas onde é comum acontecerem situações dessas. Aprendi a defender-me desta forma.

A escola não está preparada para dar resposta a situações extremas. Chamar os pais, participar dos alunos, contatar a Comissão de Proteção de Menores, chamar a Escola Segura…Tudo isto leva o seu tempo que não se compadece com a necessidade de restabelecer de imediato a situação na sala de aula, após a ocorrência de situações graves. O Regulamento Interno da Escola e o Estatudo do aluno são instrumentos importantes mas insuficientes porque não tem efeitos imediatos. Até serem cumpridos todos os requisitos legais, o professor sente-se impotente e humilhado e o aluno ainda goza com a sua impunidade.

A expulsão da sala de aula de alunos com comportamentos impróprios devia ser permitida. Depois, até havia tempo de recorrer a todos os outros procedimentos formais, mas pelo menos assim, as aulas continuavam a decorrer com normalidade sem prejuízo para os restantes alunos e o professor tinha tempo para se acalmar e ponderar sobre aquilo que deveria fazer.

A responsabilização dos Encarregados de Educação pelo comportamento dos seus filhos deveria assumir um carácter punitivo. Só com conversas não vamos lá.

Desculpem o testamento

Cumprimentos
 
A responsabilização dos Encarregados de Educação pelo comportamento dos seus filhos deveria assumir um carácter punitivo. Só com conversas não vamos lá.

Exacto!
Basicamente concordo com um pouco de tudo o que entretanto foi dito.

A pessoa defender-se é uma coisa, bater para validar autoridade é outra.

Acho que está a dar a definição de uma coisa de uma forma muito geral. Se fosse professor e um aluno o agredisse “porque sim”, com murros e pontapés a meio de uma aula, provavelmente a reacção seria defender-se (como? – agarrar-lhe os braços, as pernas, tentando pará-lo – que é o que faço numa situação dessas, e só se vir que não resulta, lá vai “disto”. Mas: em último caso). Não estou aqui a defender, e penso que ninguém, agressão gratuita, por o aluno se portar mal ou mesmo porque me bateu. É o último dos recursos. E aqui, defendo sim, por uma questão de dignidade. Então se a criança / adolescente, depois de várias tentativas, conversa para o chamarmos à razão, acalmá-lo, pará-lo etc, etc, não pára, não acham que revolta o suficiente para levar não qualquer troco? Não pensem que as crianças não sabem ser mazinhas e que muitas vezes fazem porque sabem que não há troco! Ou porque é que geralmente batem nos mais fracos? Nos maiores que eles e com mais altura e massa corporal não se metem eles. Porque será? :/
E também acho que já todos percebemos que ninguém aqui está a defender o professor ter “direito” a bater, como algo normal, como acessório da educação, tal como na geração dos nossos pais, ou mesmo na geração de alguns de nós. Também me recordo de ter levado umas reguadas por não ter acabado o trabalho antes da ida ao recreio. Se tínhamos mais medo do que respeito? Concordo. Lembro-me perfeitamente de o meu pai me contar as peripécias do tempo dele, das filas do bons, dos médios e dos burros, das orelhas de burro, e isso, pura e simplesmente é uma marca da educação tradicional. O professor de hoje em dia tem uma formação completamente diferente, em que não só não são (tão) valorizadas as competências do “decorar”, as cantilenas, etc., mas mais o pensar por si próprio, o sentido crítico, etc, e esses estigmas do burro, etc, etc, são vistos como algo antiquado, péssimo para a auto-estima da criança e altamente reprovável.


E eu acho graça alguém achar graça a quem defende que a agressão não ensina a não agredir tendo no parágrafo anterior dado um exemplo próprio em que não precisou de bater para validar autoridade!

E não preciso. Eu não defendo a agressão para assumir a autoridade de um professor. Não gostaria que os meus alunos tivessem medo de mim. Respeitam-me e sabem quais os limites. Gostando de mim é muito mais fácil “controlá-los” e é desta forma que melhor funcionam as coisas. Mas acho, sim, que um professor tem de zelar pela sua autoridade, afinal de contas, se pensarem bem, uma criança é muito diferente de um adulto. Tem maior dificuldade de concentração e a autoridade (bem como a capacidade de motivá-los) é uma das principais ferramentas para cumprirmos o nosso papel.

Enquanto os "papás" e as "mamãs" protegerem excessivamente os "fifis" vamos continuar a ter indisciplina dentro e fora das escolas, horizontes fechados, faltas de respeito, desresponsabilização, comodismo, "deixa andar", "oh tio, oh tio", etc.

A sociedade forma-se na família.

Concordo plenamente! Acho que é um dos grandes problemas da sociedade de hoje.


Na educacao da crianca, deve ser posta de parte a flexibilizacao. Devem perceber desde o primeiro momento o conceito de educacao e respeito pelos outros. E a forma mais eficaz de educacao, e', no meu ponto de vista, a chamada "terapia de choque".

Quando uma crianca em casa "pisa o risco" deve de sofrer imediatamente as consequencias disso, em vez de passar a vida a ouvir por parte dos pais, apenas protestos, que ele comeca a perceber que nao tem qualquer efeito.


Ora...nem mais... terapia de choque é para ser usada em casos extremos (não por regra). Quantos de nós já ouvimos em locais públicos a criança a esticar a corda e a mãe constantemente "pára, pára senão levas, pára, senão ficas de castigo" , vezes sem conta. A certo ponto que a criança já se ri, porque afinal de contas "cão que ladra não morde". costumo dizer, se não bateu à 1ª, já não bate. Por isso defendo: uma boa palmada na hora certa faz milagres. E se em casa família essa tão dificil tarefa de educar fosse cumprida, não era sequer necessário estarmos a discutir se o professsor deve ou pode defender-se em casos de agressão e indisciplina.

Edit: desculpem também o testamento. Cumprimentos a todos ;)
 
Última edição:
A ultima vez que bati numa professora, fiquei rotulado de esquizofrénico (1986, tinha 6 anos), a tipa não batia do baralho, até que um dia um ciganito lhe cegou os olhos, mas claro que eu como era santinho, ela nada fez com o cigano.
 
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