Tópico da teoria

Sei! [;)]

Dei isso no 10º ano, [:cool:]

Eu sempre pensei que o peso apenas influenciasse a rapidez com que um carro chegasse à sua velocidade máxima...[;)]

Mas de facto metendo ao barulho as forças de atrito, faz sentido. [;)]

Influencia quer na velocidade máxima, quer na rapidez com que acelera.

E estive a pensar melhor sobre o assunto e realmente a reacção normal entra para o cálculo de ambos os atritos.

O que varia são os respectivos coeficientes.[;)]
 
Será que mesmo assim o motor possa ter sido beneficiado pela maior entrada de ar?

Pelo que percebi existe a tal limitação, mas tb pode acontecer o facto de a tubagem ainda poder permitir a entrada de mais ar...até pq as grelhas ao pé do símbolo só de metade para cima deixam entrar ar

Acho que não.

E à partida todas as condutas estão devidamente dimensionadas.

Por outro lado o motor também está limitado pela injecção de combustível.

O normalmente melhora é uma temperatura inferior. À noite por exemplo.
Com o ar mais denso, entra maior quantidade de oxigenio por volume de ar. Aí sim terás mais vantagens. Agora essa grelha deslocada, à partida apenas poderá fazer uma melhor ventilação do motor. [;)]


Mas não percebo isto....quando nos referimos a estar esticado, referimos a usar o motor, toda a faixa de rotações na sua plenitude, certo? [;)]

Mas de que forma é que usar toda a faixa de rotação vai aumentar possivelmente a potência do mesmo? [:cool:]

Deduzindo que tem a ver com o que postaste acima, terá a ver com um melhor acoplamento de todas as peças entre si, porque estão "habituadas" a "trabalhar" em todas as rotações? [;)]

O que eu entendo por esticado, é puxado, esprimido, utilizado de forma intensa, utilização de altos regimes, levá-lo ao corte....

Respondendo à outra questão: já deves ter visto por aqui pelo fórum, gráficos de potência. Há uma linha, normalmente a vermelho, pois é uma potência que não nos interessa, que é a potência dissipada. É a potência que o motor vai perdendo ao longo da sua velocidade (rotação). Normalmente essa linha vai crescendo de uma forma gradual. Mesmo que no ponto de potência máxima, a potência dissipada seja o valor definido pelo fabricante (tal implica que a potência máxima seja precisamente a declarada) não quer dizer que ao longo de toda a rotação não se processe de outra forma. O que aliás acontece com alguma frequência. Se na potência máxima, não existem grandes diferenças (quer no regime, quer no valor) já em termos de binário, normalmente as diferenças são mais significativas (em regime e valor). O mesmo se passa para todos os outros valores.

Ou seja, um motor bem rodado (e aqui tem muita influência a rodagem inicial do carro), pode até ter a mesma potência máxima, mas apresentar valores de dissipação de potência inferiores para os restantes regimes. E assim terá um ligeiro maior binário e consequentemente mais potência (mas inferior à pontência máxima, obviamente). O que resultará num melhor andamento.

Isto é consequência de uma melhor adaptação de todas as peças móveis do motor, que originam menos atrito. Daqui resultam também melhores consumos. Melhor rendimento = melhor consumo.

Eu no Astra, depois dos primeiros quilómetros iniciais, não me coibi de o levar a regimes intensos e ao corte. Por breves instantes, mas de uma forma intensa. Cá por casa tem-se feito sempre assim e os carros ficam bem rodados e com bons andamentos e consumos. Quer dizer, cada coisa de cada vez. [;)] [:p]
 
Acho que não.

E à partida todas as condutas estão devidamente dimensionadas.

Por outro lado o motor também está limitado pela injecção de combustível.

O normalmente melhora é uma temperatura inferior. À noite por exemplo.
Com o ar mais denso, entra maior quantidade de oxigenio por volume de ar. Aí sim terás mais vantagens. Agora essa grelha deslocada, à partida apenas poderá fazer uma melhor ventilação do motor.

Ok. Então não foi isso que influenciou o facto de o carro ter chegado aos 190 km/h [;)]


O que eu entendo por esticado, é puxado, esprimido, utilizado de forma intensa, utilização de altos regimes, levá-lo ao corte....

Respondendo à outra questão: já deves ter visto por aqui pelo fórum, gráficos de potência. Há uma linha, normalmente a vermelho, pois é uma potência que não nos interessa, que é a potência dissipada. É a potência que o motor vai perdendo ao longo da sua velocidade (rotação). Normalmente essa linha vai crescendo de uma forma gradual. Mesmo que no ponto de potência máxima, a potência dissipada seja o valor definido pelo fabricante (tal implica que a potência máxima seja precisamente a declarada) não quer dizer que ao longo de toda a rotação não se processe de outra forma. O que aliás acontece com alguma frequência. Se na potência máxima, não existem grandes diferenças (quer no regime, quer no valor) já em termos de binário, normalmente as diferenças são mais significativas (em regime e valor). O mesmo se passa para todos os outros valores.

Ou seja, um motor bem rodado (e aqui tem muita influência a rodagem inicial do carro), pode até ter a mesma potência máxima, mas apresentar valores de dissipação de potência inferiores para os restantes regimes. E assim terá um ligeiro maior binário e consequentemente mais potência (mas inferior à pontência máxima, obviamente). O que resultará num melhor andamento.

Isto é consequência de uma melhor adaptação de todas as peças móveis do motor, que originam menos atrito. Daqui resultam também melhores consumos. Melhor rendimento = melhor consumo.

Eu no Astra, depois dos primeiros quilómetros iniciais, não me coibi de o levar a regimes intensos e ao corte. Por breves instantes, mas de uma forma intensa. Cá por casa tem-se feito sempre assim e os carros ficam bem rodados e com bons andamentos e consumos. Quer dizer, cada coisa de cada vez.

Hum...exacto [:cool:]

O que acontece é que o carro levou uma rodagem algo puxada...[;)]

Logo nos 1ºs km andou a 3500-4000 rpm com alguma frequência. Como não foi exagerado, creio que só lhe fez bem [:cool:]

A média de consumo passados 10 000 km baixou 1 l/100 km e o carro ficou bem vivo.

Acontece que dado o relevo daqui, o carácter do motor e dos meus paizinhos,o carro é puxado praticamente todos os dias [:D]

Foi apenas duas vezes ao corte, mas anda com alguma frequência acima das 4000 rpm. Nesta viagem andou bastante entre as 5000 e 6000, fruto do andamento na A24...[;)]

Contudo isto junto a revisão feita à 6000 km, óleo de boa qualidade, não puxar a frio, etc etc deve ter levado a que exista a tal menor dissipação de potência...e devido a isso ele está um pouco mais rápido que o normal [;)]

Isto tb explica o porquê de, andando devagar, serem até possíveis consumos na casa dos 5 l/100 km...e em plano em 5ª a 80 km/h faz facilmente 4,8...[:cool:]

Bom, acho que já percebi.

Claro que eu acabo por ter o meu carro por exemplo, mas tudo isto que é dito serve para qualquer um...[;)]

Existe um user deste fórum cujo clio 1.2 apenas anda em cidade e ainda está na rodagem, e quando o levou para a AE ele não passava dos 160...

(espero não estar errado)
 
Bom tópico. Pena é já andarem aí uns Renaults arrastadeiras armados aos "cucos". [:p] [:D]

Já agora aproveito para deixar uma questão: dinâmica de pneus. Conforme a pressão dos pneus podemos alterar muito ligeiramente o comportamento do carro, como?

A ideia que eu tenho é que um pneu muito cheio não se vai deformar tanto, logo o ângulo entre a direcção do seu piso e a direcção onde o carro se desloca será pequeno. Já num pneu mais vazio, a deformação vai fazer aumentar esse ângulo.

Ora isso resulta que um pneu mais vazio na traseira vai ter o tal ângulo maior, querendo dirigir-se numa direcção diferente do carro, para o exterior da curva, tornando o carro sobrevirador. Já um pneu mais cheio na traseira vai ter o tal ângulo mais pequeno, e o pneu terá maior tendência a seguir na direcção do carro, tornando-o mais subvirador.

Analogamente, na frente, um pneu mais vazio tornará o carro mais subvirador e um pneu mais cheio tornará o carro mais sobrevirador.

Confirma-se isto?

P.S.: A imagem não é das melhores mas creio que dá para identificar o ângulo. Queremos que o carro se dirija numa direcção mas a superfície de contacto deforma-se e há um certo ângulo que surge como diferencial.

tyrebasics.gif
 
E já agora, antes de me deitar, queria falar um pouco sobre suspensões, para introduzir o tema e espicaçar a malta a falar de dinâmica automóvel. [;)]

Muita gente não faz ideia da quantidades de compromissos que existem num esquema de suspensões num carro moderno. As suspensões têm que deixar subir e descer as rodas, a certas velocidades e dentro de certos limites, e sob diferentes cargas. E nalguns casos têm de deixar as rodas girar sobre si mesmas.

Vou usar umas imagens engraçadas da Wikipedia para ilustrar o que se passa debaixo dos carros.

Vejam este esquema de suspensões. É um eixo rigido: as duas rodas estão ligadas entre si e qualquer vertical numa delas afecta a outra. Reparem que os ângulos verticais das rodas mudam conforme a estrada.

400px-Solid_Axle_Diagram.svg.png


Este esquema é algo básico. Do ponto de vista dinâmico permite muito poucas regulações: os engenheiros determinam que as rodas têm um certo câmber (ver abaixo), mas este varia constantemente conforme os movimentos verticais na outra roda. Também não mudam durante uma curva ou quando o carro transporta mais carga, o que pode nem ser tão benéfico quanto isso.

Camber_angle.jpg


Porquê? Bem, imaginemos que estamos a construir um carro e estamos a configurar a suspensão traseira. Temos de definir um certo ângulo de câmber (e para simplificar vamos só falar em câmber e esquecer caster e o toe). Ora convêm que o câmber seja ligeiramente positivo para que nas curvas o pneu toque no chão de forma uniforme, mas nas rectas o câmber ideal é aproxima-se de 0.

Dado o esquema da suspensão, o câmber não se altera conforme a carga do veículo nem a velocidade e ângulo com que curva, pelo que é impossível variar o câmber conforme o carro curva ou segue em recta. E para piorar, como o movimento vertical da outra roda afecta o movimento vertical e transversal da outra, o ângulo de câmber varia mesmo quando não queremos, o que está longe do ideal.

Portanto seria bom encontrarmos outro esquema de suspensão que permita variar o câmber conforme sigamos em curva ou recta, e independentemente da outra roda. Um exemplo de uma suspensão simples e fácil de compreender é o de uma suspensão independente de braços triangulares com "offset". Um dos modelos que usou este esquema foi o BMW E30, na traseira. Esta imagem foi retirada de um site sobre o E30 M3.

standard_roll-center.jpg

A imagem de cima é uma vista de topo, a de baixo uma vista de traseira.

Reparem como os braços triangulares têm um ligeiro ângulo relativamente ao chassis. Não estão direitos. Posto isto, quero que visualizem em 3D a roda a subir ligeiramente, presa a um dos vértices desse triângulo. Visualizem-na de trás, e vejam que, dado o ângulo do triângulo, a roda começa a ficar torta. Ou seja, o câmber da roda está a ser alterado conforme a posição vertical do triângulo.

Como aproveitar este fenómeno? Simples. Colocam-se molas e amortecedores na suspensão, e com o peso DIN do carro (condutor, depósito com gasolina) afina-se um certo câmber, não muito positivo. Quando o carro começar a curvar o câmber vai-se tornar ainda mais positivo na roda exterior à curva, pois o triângulo vai subir (ou aproximar-se da carroçaria), e graças ao tal ângulo que o triângulo faz com a carroçaria, a roda entorta, ganha câmber mais positivo.

Fantástico, não é? Assim temos uma suspensão que se adapta às condições de uso. A direito tem um câmber pouco positivo, poupando pneus. Nas curvas o câmber torna-se mais positivo, permitindo manter o pneu direito ao mesmo tempo que a carroçaria adorna e as molas e amortecedores comprimem. E isto sem interferência da outra roda.

Claro que, jogando com o ângulo dos triângulos com a carroçaria, os tamanhos e geometria dos triângulos e com o câmber da roda relativamente ao triângulo se podem arranjar diversos setups. Também conforme a altura da suspensão e a sua dureza, se podem obter diversas combinações para diferentes situações de carga. As possibilidades são muitas.

Usei estes esquemas pois parecem-me fáceis de perceber (e explicar). Hoje em dia há muitas soluções nestes domínios, como as suspensões multilink (que teoricamente permitem uma infinidade de afinações segundo vários parâmetros e ângulos), mas a ideia fundamental é a de perceber que hoje em dia há múltiplas arquitecturas de suspensões e múltiplas maneiras de as configurar. Daí comportamentos tão díspares em carros que nas revistas são semelhantes.
 
Conforme tinha referido ao Carrega-lhe achei que se devia abordar também esta questão.


.................. .Pi x d2
cilindrada = ---------- x L x n
.......................4

Em que d é o dimetro do cilindro
L é o curso do êmbolo
e n é o número de cilindros

Se se entrar com todas as unidas (diametro e curso) em cm, a unidade final será o cm3.[;)]


Tinha ideia que a cilindrada ainda se dividia por 2, por, espero nao dizer nenhuma barbaridade, Apenas metade desse volume existe pois os pistoes nunca estao todos na mesma posiçao, fiz-me entender?

P.S. Bom topico
 
Bom tópico. Pena é já andarem aí uns Renaults arrastadeiras armados aos "cucos". [:p] [:D]

Já agora aproveito para deixar uma questão: dinâmica de pneus. Conforme a pressão dos pneus podemos alterar muito ligeiramente o comportamento do carro, como?

A ideia que eu tenho é que um pneu muito cheio não se vai deformar tanto, logo o ângulo entre a direcção do seu piso e a direcção onde o carro se desloca será pequeno. Já num pneu mais vazio, a deformação vai fazer aumentar esse ângulo.

Ora isso resulta que um pneu mais vazio na traseira vai ter o tal ângulo maior, querendo dirigir-se numa direcção diferente do carro, para o exterior da curva, tornando o carro sobrevirador. Já um pneu mais cheio na traseira vai ter o tal ângulo mais pequeno, e o pneu terá maior tendência a seguir na direcção do carro, tornando-o mais subvirador.

Analogamente, na frente, um pneu mais vazio tornará o carro mais subvirador e um pneu mais cheio tornará o carro mais sobrevirador.

Confirma-se isto?

P.S.: A imagem não é das melhores mas creio que dá para identificar o ângulo. Queremos que o carro se dirija numa direcção mas a superfície de contacto deforma-se e há um certo ângulo que surge como diferencial.


Acho que já demonstraste esses principios por aqui pelo fórum a propósito de outros assuntos! [:D]

Uma coisa é certa, muitas vezes as pessoas são claramente influenciadas pelos números bonitos que os motores actuais conseguem alcançar. São os Diesel a atingir níveis de potência que há 10 - 15 anos atrás ninguém acreditava e a resposta dos Otto promete ser à altura.

E ninguém liga ao que está por baixo. [;)]

Mas na generalidade a evolução dos chassis também não foi assim tão significativa. Pelo menos é o meu ponto de visto. Se calhar o amigo Nitrofurano não vai concordar comigo. Se calhar vai buscar exemplos mais elaborados e aí até concordo que tenha havido evoluções significativas. O problema é que por questões económicas, essas evoluções nunca se tornaram acessíveis à generalidade dos automóveis. Ao contrário do que aconteceu com as motorizações. Daí pensar desta forma.

Bom voltando ao tema que foi agora lançado, acho só que antes de se lançarem alguns termos mais complexos se devam primeiramente dar uma explicação do que cada um deles retrata. [;)]

Assim ficamos todos em pé de igualdade e conseguimos entender todos. Só depois de entender-mos os princípios básicos é que se pode partir para os mais elaborados.

Vou tentar arranjar umas fotos que representem cada um desses termos, o camber, o toe e o castor. Eu gosto mais em português o camber = sopé, toe = convergência / divergência, castor = ângulo de avanço.

Estes são os princípais afinações que se fazem nos diversos ângulos que as rodas fazem com a estrada. Há outros, mas estes são os principais.

Vou tentar arranjar umas fotos para melhor mostrar o que cada um destes angulos representam.

Seria útil uma explicação teórica dos efeitos que cada uma destas afinações provoca.

Se o Nitrofurano der uma ajuda.... [;)]
 
Este é o ângulo de sopé, ou camber.


sopuk7.gif



Em termos ideais o sopé deveria ser nulo, ou seja ângulo zero. Mas tal implica elevados esforços na direcção. Nesta posição as rodas adoptariam uma perpendicularidade com uma estrada.

Considera-se sopé negativo quando está numa posição igual à da imagem, ou seja, maior distanciamento entre a zona inferior das rodas.

Conforme o Nitrofurano referiu a grande vantagem das suspensões independentes é a variação deste ângulo em função do curso da suspensão.

Normalmente um carro com um sopé positivo apresenta melhor direccionabilidade. O contrário proporciona maior estabilidade.

Essa é a grande vantagem das suspensões independentes, quando pouco solicitadas, têm boa direccionabilidade, quando levadas ao extremo, apresentam melhor estabilidade. Fazem variar essa situação, nudando de positivo, para negativo.


Este é a convergência / divergência das rodas, ou o toe


convergenciadc9.gif



Esta afinação tem normalemente repercussões ao nível da sobre e subviragem. Normalmente os carros de tracçao dianteira, apresentam tendência para a subviragem, pelo que apresentam uma divergência do angulo entre as rodas para compensar essa situação. Rodas abertas (ao contrário do exemplo).

Os carros de tracção traseira, são normalmente convergentes, por forma a terem uma melhor direccionabilidade e compensarem as situações de sobreviragem de que são característicos.


E o avanço, ou castor


avanoph1.gif




Normalmente representa a facilidade de o carro manter a direcção direita e/ou retomar ao ponto central. É o que faz sentir-mos um "peso elástico" para cada um dos lados que se gira o volante.

Para explicar melhor, é aquilo que o Megane não tem! [:D]
 
E o avanço, ou castor


avanoph1.gif




Normalmente representa a facilidade de o carro manter a direcção direita e/ou retomar ao ponto central. É o que faz sentir-mos um "peso elástico" para cada um dos lados que se gira o volante.

Para explicar melhor, é aquilo que o Megane não tem! [:D]


Nem mais
 
Mais uma perguntinha [:D]

O que é, ao certo, uma embraiagem? Qual a sua função? de que forma funciona?

(tenho uma vaga ideia, mas...[;)])


Ora cá estamos outra vez. [:p]

A embraiagem... Esse pedal tão incompreendido! [:D]
Um é para acelerar, o outro é para travar....
Então e este, para que serve? O que vai fazer?

Já reparaste que quando o carro está desligado, consegues engrenar as velocidades e quanto está a trabalhar, tal já só acontece se carregares na embraiagem? Porque será? :confused:

Porque a embraiagem é o dispositivo que vai interromper o movimento do motor, à caixa de velocidades.

Repara: quando o carro está em andamento (sem ser em ponto morto) existe passagem de movimento desde o motor até à caixa de velocidades. Ou seja, tanto o motor como a caixa estão em movimento solidário.

A caixa de velocidades é constituida por diversos carretos (rodas dentadas) e existem vários segundo as velocidades em que o carro está engrenado. Como é que conseguirias engrenar um diferente carreto se o movimento proveniente do motor, não fosse interrompido? Não conseguias! Daí a necessidade da embraiagem.

Na caixa de velocidades existe um veio principal (veio primário) que é aquele que traz o movimento do motor. Depois este movimento é desmultiplicado na caixa, através de carretos de diferentes tamanhos (que é o que faz a desmultiplicação).

Ora para interessa-nos "parar" este veio primário, para fazer o engrenamento das velocidades. É o que acontece quando o carro está parado e desligado e nós conseguimos engrenar as velocidades.

Para tal entra a embraiagem no jogo. Como é que a embraiagem faz esta comutação dos movimentos?

Bem antes de tudo a embraiagem propriamente dita é constituida por 3 peças: o disco, o prato e o rolamento de encosto. O disco é o elemento que vai sofrer maior desgaste e é o elemento mais importante. O prato é uma peça que vai execer forte pressão no disco. O disco vai ser pressionado contra um outro elemento, que embora já não pertença à embraigem, vai ter um papel importante que é o volante do motor. Ou seja, o disco vai ficar "ensanduichado" entre o volante do motor e o prato da embraigem. Estando assim pressionado, o movimento do motor é solidário com a caixa de velocidades. O carro encontra-se engrenado. Depois há o tal outro elemento de que falta falar, o rolamento. Quando tu carregas na embraiagem, vais aliviar o movimento do prato da embraiagem. Deslocando-o e aliviando o disco. Este pára. O movimento motor-caixa é interrompido e tu podes engrenar um velocidade.

Agora como se processa este alívio do prato?

Existem 2 tipos de embraiagens, que diferem no funcionamento no tipo de prato que têm. Umas são de molas (acho que também se chamam de martelos) e as mais recentes e usuais, as de diafragma.

As de molas, possuem uma carrada de molas helicoidais que fazem essa pressão no disco. São muito, mas muito, mais pesadas do que as de diafragma e precisam de mais força de pressão. Já há muitos anos que não têm aplicação nos automóveis, mas ainda se utilizavam, até há poucos anos, nos camiões. Nem imaginas o peso de uma coisita destas.

As de diafragma são mais leves, mais simples no mecanismo de libertação do movimento, têm menos peças (não têm aquela catrefada de molas) e são mais leves para a sua utilização.

Em ambos os tipos sempre que carregas na embraiagem movimentas um rolamento que depois irá aliviar o prato da embraiagem. Nisso não diferem.

Agora sobre o disco.

O disco é o orgão mais importante. Ele vai estar a ser "esborrachado" contra o volante do motor, onde são produzidos binários intensos. Essa força terá dois pontos de aplicação de intensidades iguais (quando não há patinagem). Do lado do motor (uma das faces do disco) e do lado do prato da embraiagem. Quando o disco se desloca à mesma velocidade do conjunto prato + volante do motor, não existe patinagem. Ou seja a totalidade do movimento do motor é absorvida pela caixa. Quando o disco começa a ficar gasto, começa a não conseguir passar essa totalidade de velocidade à caixa. Existem patinagem.

Por estar sujeito a movimentos de fricção, o material de que é composto, é idêntico aos materiais utilizados nas pastilhas de travão. Antigamente ambos estas peças, utilizavam amianto, para resistirem melhor à temperatura. Agora foi proibido a sua aplicação, devido a ter implicações cancerígenas.

O disco está ligado ao tal veio primário da caixa, pelo que sempre que é parado, possibilita a movimentação da caixa de velocidades. Quando está a rodar solidário, o carro está engrenado e em movimento. [;)]

Mais? [:p]
 
Pronto, já percebi [:D]

Mas não há mal em engrenar velocidades (com o carro desligado) sem usar o pedal da embraiagem? :confused:

Já agora, o que é o volante do motor? [:D]
 
Pronto, já percebi [:D]

Mas não há mal em engrenar velocidades (com o carro desligado) sem usar o pedal da embraiagem? :confused:

Já agora, o que é o volante do motor? [:D]

Não, não tem mal em engrenar as velocidades com o carro parado e desligado.

O volante do motor é uma roda dentada grande (onde vai ligar, por exemplo, o motor de arranque) que para além dessa função, tem como missão equilibrar o motor também. O volante é onde vai acabar o movimento do motor. É a última fase do movimento do motor. É onde termina a cambota.

Tem uma função muito importante que é equilibrar o motor. Onde se nota bem o efeito do volante do motor, é num motor monocilindrico a 4 tempos. Ou seja, por exemplo, uma mota de 1 cilindro a 4 tempos. Este motor é francamente desequilibrado. Em cada 2 volta que ele faz, só em meia volta é que ele produz movimento (trabalho). Daí que parte deste movimento (energia) tenha que ser armazenada.

O volante é uma "roda" quase maciça e pesada precisamente para armazenar movimento. É o que aguenta (no caso dos motores monocilindricos das motos) os tempos motores não úteis.

Outra das funções é transmitir o movimento à embraiagem pelo processo que te referi.

Depois a toda a volta leva uma cremalheira por forma a ir ligar à roda dentada do mortor de arranque. Quando este é solicitado é assim que vai colocar o motor principal em movimento.
 
Não, não tem mal em engrenar as velocidades com o carro parado e desligado.

O volante do motor é uma roda dentada grande (onde vai ligar, por exemplo, o motor de arranque) que para além dessa função, tem como missão equilibrar o motor também. O volante é onde vai acabar o movimento do motor. É a última fase do movimento do motor. É onde termina a cambota.

Tem uma função muito importante que é equilibrar o motor. Onde se nota bem o efeito do volante do motor, é num motor monocilindrico a 4 tempos. Ou seja, por exemplo, uma mota de 1 cilindro a 4 tempos. Este motor é francamente desequilibrado. Em cada 2 volta que ele faz, só em meia volta é que ele produz movimento (trabalho). Daí que parte deste movimento (energia) tenha que ser armazenada.

O volante é uma "roda" quase maciça e pesada precisamente para armazenar movimento. É o que aguenta (no caso dos motores monocilindricos das motos) os tempos motores não úteis.

Outra das funções é transmitir o movimento à embraiagem pelo processo que te referi.

Depois a toda a volta leva uma cremalheira por forma a ir ligar à roda dentada do mortor de arranque. Quando este é solicitado é assim que vai colocar o motor principal em movimento.

Depois destes post todos... És instrutora e dás mecânica?[:p]
É com cada explicação que até fico a andar de banda apr:)
 
Mais uma pergunta...de que forma relações de caixa mais curta possibilitam uma maior rapidez de subida de rotação num carro? :confused:

(se é que mesmo isto que escrevi está correcto...[;)])
 
Não posso deixar de congratular o monicamelo pelas excelentes explicações com que nos tem vindo a brindar apr:) Por paixão, fiz mecânotecnia há já muitos anos, e por razões diversas, não voltei a fazer uso dessa matéria. Foi com um enorme prazer que devorei avidamente todo o tópico, absorvido, relembrando muito do passado e aprendendo muito do presente!

Tens de facto uma forma de apresentação das matérias que apenas são possíveis graças ao teu domínio da situação.

Um grande abraço [;)]

http://forum.autohoje.com/member.php?u=14264
 
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