TAP Portugal

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Com uma coisa concordo, LIS não serve só Lisboa.

No sítio em que vivo agora, tenho dois aeroportos mais próximos que LIS mas é a LIS que recorro em 100% dos meus voos.

Aliás, LIS serve todo o país abaixo de Coimbra, talvez. Nem Faro, resolve toda as necessidades dos Algarvios, que também recorrem muito a Lisboa e a Sevilha.

Por acaso uma coisa que não sei, as pessoas de Coimbra quando querem ir a Londres ou Paris, a maioria vai pelo Porto?
 
É privatizar a sério e a TAP, como empresa privada, que tome as decisões que quiser... mas se for ao charco não venha chorar...

Ou é assim tão importante ter uma companhia de bandeira?

Sinceramente acho que não. Era privatizar totalmente a TAP, deixar que seja um poleiro para políticos em fim de vida.
Vejo estes políticos a falar da TAP esquecendo-se que quando a TAP era totalmente do estado sempre deu prejuízo e nunca investiram em aviões novos, rotas novas... Sinceramente farto de ver os palhaços do costume a falarem como se soubesse gerir uma companhia aérea, quando até os seus partidos estão na falência técnica.
 
Quem está longe de Lisboa ou Porto, que remédio ir aonde há voos para o destino que pretende. Mesmo quem é do Porto, se só tiver voos para o destino que quer em Lisboa, que remédio senão ir apanhar o avião a Lisboa.
Portanto não é uma questão de escolha, não é como ir ao mercado comprar batatas, nisto dos Aeroportos vai-se aonde houver e mais nada.

Se a TAP quer voar só para Lisboa, por mim tudo bem, de certeza que o Porto atrai outras companhias, como já acontecia antes. A única coisa que está mal é o estado andar a injectar dinheiro na TAP, nada mais do que isso.

Agora, eu continuo a achar que esta estratégia da TAP de tentar concentrar em Lisboa é apenas para justificar um novo Aeroporto. A TAP quer mandar os concorrentes fora do Aeroporto de Lisboa para um mais longe e ficar com a vantagem competitiva de estar no centro de Lisboa. Já no Porto como nunca haverá 2 aeroportos, estará sempre a competir de igual para igual com outras companhias, e ai sabe que é dificil ter hipóteses de ser competitiva.
E os corruptos do governo e dos partidos também querem o novo aeroporto de Lisboa, porque podem ganhar alcavalas com isso. Portanto, junta-se a fome com a vontade de comer, tanto a TAP com o governo têm interesse em encher o máximo possivel o atual aeroporto de Lisboa, para justificar a construção do novo.

Estas palavras do Costa sobre o plano da TAP é só para distrair, ele é especialista nisso, na dissimulação. Porque este plano da TAP é bem o que ele pretende, está-se a borrifar para o Porto, só quer mesmo é fazer o novo Aeroporto no Montijo. [8b][8b]
 
Última edição:
Não discuto lógica de quem nada percebe do mercado de aviação e de quem acha que uma companhia área se gere na lógica das camionetas para a terrinha e paragens em todas as estações e apeadeiros [:p] [:D]

Meter mais aviões no Porto é afundar mais a TAP.

Portanto, exigir que a TAP seja ainda mais um buraco porque receberá ajuda é uma lógica da batata que só mesmo quando não percebemos nada sobre o que estamos a falar...achamos que é justificável ou tem qualquer racional.

Já a posição de deixar afundar a TAP dado que pouco serve ao Norte, é uma posição bem mais defensável.

Mas agora já são também os o Algarve, daqui a pouco é o da Madeira e depois o dos Açores!

TAP «não serve o Algarve». Turismo do Algarve e AMAL contestam plano de retoma da companhia

Por Ana Rita Rebelo 14:58, 27 Mai 2020


O plano de retoma da operação da TAP, que na passada segunda-feira anunciou que iria reiniciar dezenas de voos semanais, já a partir de Junho, «não serve o Algarve, nem segue o exemplo das congéneres aéreas mundiais, que anunciaram uma retoma mais robusta da operação para a região», consideram o presidente do Turismo do Algarve e o presidente da Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL).
«Antes da pandemia, a suposta companhia aérea de bandeira do país assegurava apenas três voos diários de Lisboa a Faro, numa tímida ponte aérea com o hub nacional», apontam João Fernandes e António Miguel Pina, citados em comunicado. Quando a pandemia eclodiu na Europa, defendem que «a TAP foi expedita a suprir as já reduzidas ligações ao Aeroporto Internacional de Faro e, de acordo com o plano agora apresentado, o reatar da actividade para o Algarve será muito lento, com apenas duas ligações diárias em Julho»
Mas, «felizmente, o Algarve tem-se destacado pelo interesse que gera em companhias aéreas e operadores turísticos além-fronteiras», sublinham, apontando para o caso da Lufthansa, que vai retomar os voos para 20 destinos mundiais a partir de meados de Junho, entre os quais Faro. Ainda assim, isso não «invalida o facto de a companhia aérea que se diz nacional continuar a desconsiderar o Algarve nos seus planos, quando este é o maior destino de férias do país».



Em declarações à “Lusa”, o primeiro-ministro, António Costa, recomendou à TAP uma «gestão prudente», considerando que o plano de rotas «não tem credibilidade» sem informação sobre a estratégia de reabertura de fronteiras de Portugal.



https://executivedigest.sapo.pt/tap...-amal-contestam-plano-de-retoma-da-companhia/

É o mal de ter políticos a querem mandar, daqui a dias é a rebaldaria total!

E já agora que estão numa de reestruturações, acabem com a Azores Airlines (não a SATA que voa inter-ilhas) que também só serve para enterrar dinheiro para transportar os senhores emigrantes e pseudo turistas (todos subsidiados em alojamentos e transporte) a preços da chuva e quem paga são os contribuintes.
 
O debate sobre a TAP é esquizofrénico.

Ao mesmo tempo que se quer uma boa gestão e que não dependa do dinheiro do contribuinte, quer-se uma rede sem viabilidade e que as rotas sejam "serviço público" ao sabor de decisões políticas.

Não esquecendo o primarismo e provincianismo regional que é achar que se os voos forem para Lisboa, só servem Lisboa.

É uma equação impossível de resolver porque o que se quer da TAP ninguém está disposto a pagar.


A melhor forma de ajudar a TAP a afundar-se mais depressa é deixar que seja o Governo a definir as suas rotas, como o Tweet do 1º ministro de hoje, e a gritaria da esquerda assim o deixou a entender.

Que é que o governo sabe de rotas, de rentabilidade delas e da gestão da sua frota?

O Governo só tem que decidir se participa na recapitalização, ou não. Ponto!
 
A melhor forma de ajudar a TAP a afundar-se mais depressa é deixar que seja o Governo a definir as suas rotas, como o Tweet do 1º ministro de hoje, e a gritaria da esquerda assim o deixou a entender.

Que é que o governo sabe de rotas, de rentabilidade delas e da gestão da sua frota?

O Governo só tem que decidir se participa na recapitalização, ou não. Ponto!
Se não percebe nada de nada, mas vale não entrar. É que ter um sócio que não percebe nada só estorva...
 
O Governo alemão vai meter perto de 10 mil milhões no grupo Lufthansa. A Lufthansa tem hub em Frankfurt e Munique. Não vejo a Lufthansa a ter 100 voos por dia a partir de Leipzig. A partir de Berlim. A partir de Bremen.

O Governo francês vai meter 6 mil milhões na Air France. A Air France tem hub em Paris. Não vejo a Air France a ter 100 voos por dia a partir de Toulouse. A partir de Nice. A partir de Brest.

O Governo holandês vai meter perto de 3 mil milhões na KLM. A KLM tem hub em Amesterdão. Não vejo a KLM a ter 100 voos por dia a partir de Eindhoven. A partir de Roterdão.

A decisão de abrir, ou não, rotas não é "Olha, ali vivem pessoas". Um hub requer passageiros virem de longo curso para alimentarem o médio curso, ou vice-versa. Requer companhias com as quais se tem codeshare voarem para o nosso hub.

A TAP como está já faz prejuízo. Tal não iria melhorar, bem pelo contrário, se as rotas fossem decididas por politiquices e pela demografia do país. As rotas são decididas de acordo com a estratégia da companhia. Daqui a pouco temos o Presidente da Câmara de Viseu a pedir um Viseu -> Nova Iorque, porque há esse voo a partir de Lisboa. Pouco depois vem o de Portimão pedir um Portimão -> Londres. E que tal um Corvo -> São Francisco?

Tenho a certeza que quem trabalha no departamento de planeamento da TAP não anda a lançar um dado que tem Lisboa escrito em 5 faces e Porto numa para decidir onde abrem a próxima rota. Analisam os dados que têm à frente, incluindo números de passageiros em trânsito, para decidir se é rentável abrir um Porto -> X, ou se seria preferível continuar a ter Lisboa -> X e depois voos Porto -> Lisboa. De que serve a TAP voar 1 vez de Lisboa para o Luxemburgo 1 e vez do Porto para Luxemburgo se só consegue encher 45% de cada voo? Mais vale praticamente encher um voo a partir de Lisboa, e levar os interessados do Porto para Lisboa.

Claro que gritar injustiça dá tempo de antena, ainda para mais com quem não percebe muito da poda, mas facto é que os hubs têm funções e razões de existir, e nem sempre é compatível focar-se a atenção em todo o país. Aliás, dêem-me um exemplo de uma companhia que tem uma relação nº de voos/população igual para todas as cidades do país. Não é só a TAP a focar-se numa cidade, e a ter uma operação mais reduzida noutra. É assim que a aviação funciona.
 
O Governo alemão vai meter perto de 10 mil milhões no grupo Lufthansa. A Lufthansa tem hub em Frankfurt e Munique. Não vejo a Lufthansa a ter 100 voos por dia a partir de Leipzig. A partir de Berlim. A partir de Bremen.

O Governo francês vai meter 6 mil milhões na Air France. A Air France tem hub em Paris. Não vejo a Air France a ter 100 voos por dia a partir de Toulouse. A partir de Nice. A partir de Brest.

O Governo holandês vai meter perto de 3 mil milhões na KLM. A KLM tem hub em Amesterdão. Não vejo a KLM a ter 100 voos por dia a partir de Eindhoven. A partir de Roterdão.

A decisão de abrir, ou não, rotas não é "Olha, ali vivem pessoas". Um hub requer passageiros virem de longo curso para alimentarem o médio curso, ou vice-versa. Requer companhias com as quais se tem codeshare voarem para o nosso hub.

A TAP como está já faz prejuízo. Tal não iria melhorar, bem pelo contrário, se as rotas fossem decididas por politiquices e pela demografia do país. As rotas são decididas de acordo com a estratégia da companhia. Daqui a pouco temos o Presidente da Câmara de Viseu a pedir um Viseu -> Nova Iorque, porque há esse voo a partir de Lisboa. Pouco depois vem o de Portimão pedir um Portimão -> Londres. E que tal um Corvo -> São Francisco?

Tenho a certeza que quem trabalha no departamento de planeamento da TAP não anda a lançar um dado que tem Lisboa escrito em 5 faces e Porto numa para decidir onde abrem a próxima rota. Analisam os dados que têm à frente, incluindo números de passageiros em trânsito, para decidir se é rentável abrir um Porto -> X, ou se seria preferível continuar a ter Lisboa -> X e depois voos Porto -> Lisboa. De que serve a TAP voar 1 vez de Lisboa para o Luxemburgo 1 e vez do Porto para Luxemburgo se só consegue encher 45% de cada voo? Mais vale praticamente encher um voo a partir de Lisboa, e levar os interessados do Porto para Lisboa.

Claro que gritar injustiça dá tempo de antena, ainda para mais com quem não percebe muito da poda, mas facto é que os hubs têm funções e razões de existir, e nem sempre é compatível focar-se a atenção em todo o país. Aliás, dêem-me um exemplo de uma companhia que tem uma relação nº de voos/população igual para todas as cidades do país. Não é só a TAP a focar-se numa cidade, e a ter uma operação mais reduzida noutra. É assim que a aviação funciona.

As companhias abrem as rotas que são rentáveis. Não foram critérios económicos que estiveram presentes no encerramento das rotas a partir do Porto. E a prova é que n companhias (que não as lowcost) vieram explorar essas mesmas rotas. As rotas foram fechadas com o objetivo de sobrecarregar a Portela para construir um novo aeroporto. Mais nada. Não vale a pena vir com tretas de hubs e mais não sei quê.
 
Não digo que não tenha sido verdade há uns anos quando houve uma grande redução no Porto, e quando os slots em Lisboa começaram a escassear. Mas agora fechar rotas do Porto não aumenta os slots da TAP em Lisboa. Nem vai sobrecarregar coisa alguma, porque vai continuar com bastante menos voos do que tinha antes.

Tens razão quando dizes que várias companhias não low cost voavam para o Porto, provavelmente de forma lucrativa, mas a maioria delas tinham hubs do seu lado. A Emirates conseguir fazer lucrativamente Porto - Dubai não significa que a TAP o consiga fazer, simplesmente porque não tem hub no Dubai para levar os passageiros dali para outros destinos da região.

Uma companhia aérea não consegue investir em todos os aeroportos do seu país de igual forma. Não há nenhuma grande Europeia a fazê-lo. Para além de demonstrar ignorância é irresponsável pedi-lo.

Agora dizerem que não querem contribuir para um possível resgate da TAP, por não terem nenhuma mais valia com isso? Nada contra, esse argumento aceito (aliás, a meu ver nenhuma companhia devia ter recebido/vir a receber dinheiro, mas isso já é outra história). Mas quererem voos só porque Lisboa os tem? Não me faz o mínimo sentido.
 
Gostava de perguntar ao Rui Moreira o que ele acha que restantes cidades que nao tem TAP ou aerporto de todo e sempre tiveram que se deslocar e pagar os aeroportos/pontos/metros etc acham do seu racional (e nao estou a falar de Matosinhos mas sim de Viseu, Guarda, Castelo Branco, Coimbra, etc) [:D]

Faz parte da nossa geografia, dimensao e dispersao geografica.
Nao podemos ter um aeroporto e uma companhia a voar para cada cidade separada por 200km (olhemos para Beja...)
 
(Dados de antes da pandemia)

Destinos da TAP, a partir do Porto:
Amesterdão, Bruxelas, Funchal, Genebra, Lisboa, Londres, Luxemburgo, Madrid, Milão, Munique, Newark, Paris, Ponta Delgada, Rio de Janeiro, São Paulo e Zurique.

16 destinos.

Destinos a partir de Berlim da Lufthansa:
Frankfurt e Munique.
se quiserem adicionar a Germanwings, que faz parte do grupo Lufthansa, destinos:
Colónia, Dusseldorf, Estugarda, Palma de Maiorca e Salzburgo. Isto são as rotas que tem durante todo o ano.

7 destinos.

Querem ver Barcelona? Vamos.

Destinos a partir de Barcelona pela Iberia:
Madrid

Iberia Express:
Badajoz, Burgos, Leão, Valência

5 destinos.

A British Airways a partir de Manchester:
Billund, Londres

2 destinos.

Podia continuar com a Air France a ter 2 destinos a partir de Marselha, ou a Alitalia a ter 2 destinos a partir de Nápoles, e mais alguns exemplos pela Europa fora, mas não vale a pena.

Garantidamente que Berlim, Barcelona, e Manchester têm menos população que o Porto. A única forma de justificar não terem centenas de voos a partir de lá, se a Lufthansa, Iberia, e BA os têm a partir de Frankfurt, Madrid e Londres.

Mania do complexo de inferioridade.
 
fico com a sensação que a TAP afinal não serve ninguém[:D]

Claro que serve, quem recebe os prêmios chorudos de uma companhia que não dá lucro:sh), esses são bem servidos, o estado está a agir muito mal, passo a explicar, o dinheiro que já deram (e vão continuar a dar) a TAP, bancos, etc...., mais valia não dar e no lugar distribuíam esse dinheiro por todos os Portugueses, bem dividido dava a volta de um milhão de euros para cada um, acho que seria muito melhor, isso é que era[:D]

Cumps
 
fico com a sensação que a TAP afinal não serve ninguém[:D]

O interesse público da TAP é questionável.

É questionável se formos restritos a entender o interesse público como algo que deva ser a prestação de serviço público por uma empresa pública dado que, por natureza, é deficitário. Ao estilo de um Metro de Lisboa ou Metro do Porto.

Mas não é questionável se entendermos o interesse público como interesse económico resultante do que se entende para qualquer outra empresa que é útil à economia. Isto é, se não entendermos a missão da TAP e o seu interesse público como prestação de um serviço público deficitário (que numa companhia aérea é voar para onde ninguém o faria) mas por potenciar o turismo e negócios no seu todo.

Discussões ideológicas à parte (que não interessam para nada e só causam entropia na discussão) em Portugal há meia dúzia de ligações áreas que poderão ser classificadas como interesse público para a manutenção da integralidade do território nacional e/ou regional (caso dos Açores), ie, em que o serviço aéreo tem que existir mesmo que seja deficitário. Caso das ligações às ilhas (onde tanto a TAP como a Sata participam, bem como privadas easyJet e Ryanair); e entre as ilhas dos Açores (Sata).

Se, por sua vez, formos ver os fluxos de turismo a Portugal, vemos essencialmente 3 tipos de movimentos de entrada/saída no país:

1. O turismo directo para o Algarve/Faro (a TAP não participa nele, já o fez nos anos 90 com a Air Atlantis e com resultados financeiros desastrosos). Há décadas que esse turismo é servido por operadoras charters especializadas. E nos últimos 10-15 anos pelas lowcosts regulares (ryanair, easyJet...). Esse tipo de turismo é o turismo muito "dirigido", ie, não costuma passar pelo resto do país. Vai especificamente para um local e não tende a circular pelo resto do país.

A TAP não serve.

2. O turismo que entra em Lisboa. Aqui uma parte fica só em Lisboa. Outra parte é redistribuído pelo resto do país por meio rodoviário ou ferroviário (muito raramente aéreo dadas as características geográficas e de dimensão do nosso território).

É aqui o core business da TAP (e do aeroporto de Lisboa). Sem a TAP (ou outra empresa que funcione numa lógica hub a partir de Lisboa), teremos menos voos intercontinentais directos a Portugal e estaremos mais dependentes do turismo europeu que vem directamente ao Porto ou a Lisboa (que vai ser quase exclusivamente ligação ponto-a-ponto em voo de médio curso a partir da Europa).

Porque sem ligações intercontinentais os visitantes extra-europeus só chegam a Portugal a partir de outro país europeu e isso, inevitavelmente, reduz o número global. Isso é o que acontece numa Chéquia/CSA airlines ou numa Croácia/Croatia Airlines. Esses país acabam a depender de companhias hubs externas para as suas ligações intercontinentais o que, no global, reduzem o turismo extra-europeu.

Se por sua vez existirem menos voos intercontinentais, a rede europeia da TAP a partir de Lisboa é necessariamente mais pequena (menos destinos e menos frequências) pois muito tráfego da TAP está a "girar" em Lisboa (e não chega a sair).
Por sua vez, se menos ligações à Europa, menos passageiros de oportunidade acabam a vir a Lisboa/Portugal porque só vinham porque os preços são mais baixos dada a maior oferta de ligações consequente ao volume gerado pelas ligações/voos que apenas têm viabilidade porque servem a plataforma giratória do hub Lisboa.

Exemplo simples de perceber: ao invés de 4 ligações a Copenhaga por dia, o tráfego ponto-a-ponto só vai conseguir encher 2 ligações por dia.

Aqui a TAP serve.

3. E o turismo que entra directamente pelo Porto. A maioria desse turismo fica pelo região norte e só uma pequena parte é redistribuída. Essencialmente pelo tipo de ligação aérea ponto-a-ponto que é a natureza base do aeroporto. E aqui, a TAP tem uma participação pequena nesse tráfego (comparativamente à Ryanair).

De tudo isto, podemos ter várias perspectivas sobre o assunto.

A que eu chamaria de provinciana em que exigimos que a TAP, porque é pública tenha de funcionar numa lógica de prestação de serviço público deficitário (mesmo em ligações não-essenciais e que podem ser feitas, numa lógica de mercado, pelas lowcosts). Aliás, que não só podem, como até são mais facilmente executadas pela própria natureza das redes das grandes lowcosts europeias.

Exemplo fácil de perceber:

A Ryanair no Porto tem aviões baseados no aeroporto do Porto. Isto quer dizer que ao longo do dia cada um desses aviões vai partir do Porto e fazer percursos que podem ser:

a. Porto - cidade X - Porto - cidade Y - Porto - cidade W - Porto
b. Porto - cidade A - cidade B - cidade C - cidade D - Porto.

Por sua vez, aviões da Ryanair baseados noutras cidades (europeias) servirão também o Porto numa lógica semelhante ao exemplo a e ao b com a diferença de começarem o dia nesse outra cidade onde estão baseados.

O resultado disto é que se gera com maior rentabilidade mais voos que passam pelo Porto. Quer com aviões baseados no Porto, quer com aviões baseados noutras cidades.

Isto será sempre mais económico/rentável que um avião da TAP baseado no Porto e que, à excepção de Lisboa, tenha sempre que regressar ao Porto a cada duas rotações (dado que a TAP não vai fazer Porto - cidade europeia a - cidade europeia b - cidade europeia c - Porto). Nenhuma companhia de bandeira o faz.

Ou podemos ver as coisas de forma racional e entender que, mesmo voando fundamentalmente para Lisboa, o facto de isso tornar Lisboa uma porta de entrada intercontinental acaba a beneficiar todo o país, incluindo o Porto. Nomeadamente no turismo extra-europeu que nunca chegará ao Porto se não entrar por Lisboa.

Por último, outra discussão diferente é saber quanto estamos dispostos a pagar para este tipo de serviço de interesse económico que a TAP providencia. Ou se conseguimos que ela (ou outra empresa) funcione sem a ajuda dos contribuintes e produza na economia um resultado idêntico ou semelhante (mas sem custos para os contribuintes).

A discussão não é, ou não deve ser. vamos espetar mais aviões no Porto porque só assim se presta serviço público numa lógica de a cada 10 voos em Lisboa, tem que haver x no Porto. O Andre3567 mostrou já aqui que a TAP até tem servido o Porto bastante mais que a Air France serve Marselha ou Lyon, ou Lufthansa serve Berlim ou Hamburgo. Aliás, os maus resultados também se devem a isso: cada avião baseado no Porto gera menos que um avião em Lisboa pois Portugal não tem dimensão para conseguir gerar 2 hubs. Na Europa, só a Alemanha o consegue fazer e, mesmo ela, com dificuldades (munique tem fraca rentabilidade).
 
Última edição:
A TAP não cria valor para 99% dos contribuintes, não faz qualquer sentido que estes 99% tenham de pagar para salvar uma empresa insolvente, vezes sem conta...

É deixar cair e outra há de vir e fazer as mesmas rotas, e se nenhuma fizer, Madrid é já ali e o custo médio de um voo deve andar no mesmo preço que um bilhete do alfa pendular comprado no dia anterior.

Eu não acredito na teoria que a TAP contribui assim tanto para o turismo em Portugal. Aliás, não tenho grandes duvidas que se esta companhia deixasse de operar, viria outra no lugar dela fazer o mesmo. A pouca diferença que sinto entre a Ryanair (que me serve mais frequentemente nos voos europeus) e a TAP, são os atrasos. A TAP atrasa-se quase sempre.

É deixar cair
 
O interesse público da TAP é questionável.

É questionável se formos restritos a entender o interesse público como algo que deva ser a prestação de serviço público por uma empresa pública dado que, por natureza, é deficitário. Ao estilo de um Metro de Lisboa ou Metro do Porto.

Mas não é questionável se entendermos o interesse público como interesse económico resultante do que se entende para qualquer outra empresa que é útil à economia. Isto é, se não entendermos a missão da TAP e o seu interesse público como prestação de um serviço público deficitário (que numa companhia aérea é voar para onde ninguém o faria) mas por potenciar o turismo e negócios no seu todo.

Discussões ideológicas à parte (que não interessam para nada e só causam entropia na discussão) em Portugal há meia dúzia de ligações áreas que poderão ser classificadas como interesse público para a manutenção da integralidade do território nacional e/ou regional (caso dos Açores), ie, em que o serviço aéreo tem que existir mesmo que seja deficitário. Caso das ligações às ilhas (onde tanto a TAP como a Sata participam, bem como privadas easyJet e Ryanair); e entre as ilhas dos Açores (Sata).

(...)

A discussão não é, ou não deve ser. vamos espetar mais aviões no Porto porque só assim se presta serviço público numa lógica de a cada 10 voos em Lisboa, tem que haver x no Porto. O Andre3567 mostrou já aqui que a TAP até tem servido o Porto bastante mais que a Air France serve Marselha ou Lyon, ou Lufthansa serve Berlim ou Hamburgo. Aliás, os maus resultados também se devem a isso: cada avião baseado no Porto gera menos que um avião em Lisboa pois Portugal não tem dimensão para conseguir gerar 2 hubs. Na Europa, só a Alemanha o consegue fazer e, mesmo ela, com dificuldades (munique tem fraca rentabilidade).

Boa análise.

A coisa está-se a compor para acabarmos com o pior de dois mundos: dinheiro enterrado e uma posterior gestão política... :sh)

Eu espero bem que este teatro nos últimos dias não passe disso - o Rui Moreira está a fazer o seu papel e eu espero bem que Costa também esteja apenas a fazer o papel habitual, caso contrário ainda vamos acabar com voos Bragança-Paris... A diferença entre todo este processo e o pacote de ajuda delineado para a Lufthansa espelha bem a diferença entre o debate político e planeamento português/alemão.


Já agora, o que é que vocês acham das contrapartidas exigidas a Air France/KLM (estou a falar da eliminação/redução de voos nacionais de curta duração onde existe alternativa ferroviária)? A mim nao me parece uma boa ideia, se os voos existem por alguma razão será, mas esta ideia parece bastante popular em França.
 
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