TAP Portugal

  • Iniciador de tópicos Iniciador de tópicos MrGrieves
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...

1. O turismo directo para o Algarve/Faro
...

A TAP não serve.

2. O turismo que entra em Lisboa

...
Aqui a TAP serve.

3. E o turismo que entra directamente pelo Porto

...

A que eu chamaria de provinciana

...

[:)][:)]

Muito bom. O centralismo provinciano em acção.
 
(Dados de antes da pandemia)

Destinos da TAP, a partir do Porto:
Amesterdão, Bruxelas, Funchal, Genebra, Lisboa, Londres, Luxemburgo, Madrid, Milão, Munique, Newark, Paris, Ponta Delgada, Rio de Janeiro, São Paulo e Zurique.

16 destinos.

Destinos a partir de Berlim da Lufthansa:
Frankfurt e Munique.
se quiserem adicionar a Germanwings, que faz parte do grupo Lufthansa, destinos:
Colónia, Dusseldorf, Estugarda, Palma de Maiorca e Salzburgo. Isto são as rotas que tem durante todo o ano.

7 destinos.

Querem ver Barcelona? Vamos.

Destinos a partir de Barcelona pela Iberia:
Madrid

Iberia Express:
Badajoz, Burgos, Leão, Valência

5 destinos.

A British Airways a partir de Manchester:
Billund, Londres

2 destinos.

Podia continuar com a Air France a ter 2 destinos a partir de Marselha, ou a Alitalia a ter 2 destinos a partir de Nápoles, e mais alguns exemplos pela Europa fora, mas não vale a pena.

Garantidamente que Berlim, Barcelona, e Manchester têm menos população que o Porto. A única forma de justificar não terem centenas de voos a partir de lá, se a Lufthansa, Iberia, e BA os têm a partir de Frankfurt, Madrid e Londres.

Mania do complexo de inferioridade.


Estra comparação faz pouco sentido, porque são cenários completamente distintos em cada caso que mencionaste.

Em alguns sítios porque não são de forma alguma destinos turísticos de grande relevo, em outros porque o cenário das empresas que operam nos aeroportos que mencionaste é completamente distinto do Porto.

Só como exemplo, disseste e bem que a Iberia só tem meia dúzia de voos a partir de Barcelona. Esqueceste foi de dizer que a Vueling, que pertence ao mesmo grupo da Iberia (IAG), tem centenas de destinos a partir desse mesmo aeroporto. Não fosse a existência da Vueling, e certamente a Iberia também teria.
 
Boa análise.

A coisa está-se a compor para acabarmos com o pior de dois mundos: dinheiro enterrado e uma posterior gestão política... :sh)

Eu espero bem que este teatro nos últimos dias não passe disso - o Rui Moreira está a fazer o seu papel e eu espero bem que Costa também esteja apenas a fazer o papel habitual, caso contrário ainda vamos acabar com voos Bragança-Paris... A diferença entre todo este processo e o pacote de ajuda delineado para a Lufthansa espelha bem a diferença entre o debate político e planeamento português/alemão.


Já agora, o que é que vocês acham das contrapartidas exigidas a Air France/KLM (estou a falar da eliminação/redução de voos nacionais de curta duração onde existe alternativa ferroviária)? A mim nao me parece uma boa ideia, se os voos existem por alguma razão será, mas esta ideia parece bastante popular em França.

Não tenho pachorra para teatros.

Toda a palhaçada vai seguindo o seu curso, para contento da ignorância generalizada que olha para isto como para o futebol na base da racionalidade de sentimentos testiculares sobre negócios que não fazem puto de ideia como funcionam.

Relativamente à AF/KLM, eu não sei até que ponto não será útil à AF livra-se disso porque:
A rede doméstica (maioria exercida pela Hop!) perde dinheiro há muito.
A única rota que dá dinheiro é a ponte aérea Marselha-Paris.
Há uma guerra interna dentro da própria AF/KLM em que os sindicatos têm conseguido -com as greves sucessivas- manter a pressão para evitar o crescimento da Transavia France.
Racionalmente a única forma de tornar viável boa parte da rede doméstica é se fosse a Transavia France a operá-la e eu não sei se não será por aqui que boa parte desses destinos operados pela AF ou Hop!...vai no futuro ser feito [;)] O problema é que a Transavia France só voa para Orly e só contribui para CDG via navette Orly-CDG (não é eficaz). Há muito que se diz que devia haver uma ligação expresso rápida entre Orly e o CDG...

Depois, pelas informações que saíram, a AF só se comprometeu a terminar as rotas em que existe ligação por ferrovia/TGV em até 2h30 e/ou que não prejudiquem o hub de Charles de Gaulle. Isto dá muito lastro depois na hora H para terminar, ou não, uma rota [;)]

De qualquer maneira fala-se em 40% da rede doméstica a fechar à pala disto...resta saber se a Transavia repesca alguma coisa pois tecnicamente não é AF/KLM e/ou se lhe dão acesso a CDG.

E não podemos esquecer que a AF já tem uma simbiose simpática com a SNFC e o programa "TGV Air", isto é, rotas onde o comboio já funciona como um voo doméstico para o hub CDG com check-in e entrega das bagagens na gare e conexão dado que o CDG é intermodal e foi já pensado para isto. Estrasburgo é o melhor/mais conhecido exemplo mas a coisa já funciona numa série de cidades:

  • Angers Saint-Laud
  • Avignon TGV
  • Champagne-Ardenne TGV
  • Le Mans
  • Lille Europe
  • Lorraine TGV
  • Lyon Part-Dieu
  • Nantes
  • Nîmes
  • Poitiers
  • Rennes
  • Saint-Pierre-des-Corps
  • Strasbourg
  • Valence TGV
 
Última edição:
Depois, ainda em relação à TAP/Porto há sempre diferentes formas de ver as coisas e olhar para o copo meio-cheio ou meio-vazio.

Quando a TAP reduziu frequências e destinos no Porto foi o escândalo. Mas isto foi feito com um aumentou enorme das frequências para Lisboa na chamada ponte aérea. O efeito prático disto é que o Porto, que terá sempre que ir a um hub para se conectar a um destino intercontinental (seja Lisboa, Madrid ou outro qualquer como Dubai) pois não consegue alimentar grande longo-curso em tráfego ponto-a-ponto*...

...viu os tempos de conexão muito reduzidos. E isso não é de menosprezar, é um activo para a cidade/região Norte.

Exemplo simples: demorar 8 ou 9h de trânsito a chegar a Washington é um activo face a demorar 15 ou 16h via Madrid ou até via Lisboa se não houver uma ponte área de facto.

O mercado é o que é mas continuamos a discutir isto de um ponto de vista muito infantil e de guerrilha parva regionalista/centralista/whatever como lhe queiram chamar.

Depois olhando para o pré-covid, a realidade era o que era e o futuro próximo será muito duro pois a procura vai ser menor para todos. Mas ainda mais para as rotas que já não tinham grande yield (rentabilidade por lugar).

*A Emirates adicionou um 2º voo diário para Lisboa antes de sequer voar para o Porto. Por alguma razão será. Será que a Emirates tem algo contra o Porto?

Se olharmos para as ligações intercontinentais do Porto, só uma americana (United) o ligava a Newark...sazonalmente. Por alguma razão será. Mas será que a United e as companhias americanas têm alguma coisa contra o Porto?

O único destino para o Canadá todo o ano era pela lowcost Air Transat (Toronto) e pela nacional Azores Airlines. Sazonalmente a Air Canada metia o seu braço lowcost (Air Canada Rouge) a voar para Montreal. Terão as companhias canadianas alguma coisa contra o Porto?

Mais, já em 2019 pré-covid, a TAP voava para mais destinos a partir do Porto do que alguma vez voou antes da redução, ie, quando implantou a ponte aérea. Isto é um claro exemplo de que, muitas vezes, é preciso dar um passo atrás para conseguir dar dois à frente.

Acresce ainda que com o A321LR (que é um avião muito barato de operar, que tem muito menos lugares que um avião de longo curso tradicional e que já tem uma autonomia para fazer ligações intercontinentais à costa Leste da América do Norte e/ou ao Norte do Brasil), mais o Porto poderá -num cenário de regresso à normalidade e de tráfego recuperado do Covid- ter ainda mais ligações que antes não eram eficientes e que passam a sê-lo. Queremos mesmo que a TAP em plena crise de tráfego vá espatifar ainda mais milhões a voar vazia do Porto só para manter o orgulho e porque é pública e deve prestar "serviço público"?

Agora, se gostamos de encarar isto como um Porto vs Lisboa apenas porque é a única coisa que conseguimos contribuir...bem...isso já é outra conversa. E nessa, não me meto.
 
Última edição:
Não tenho pachorra para teatros.

Toda a palhaçada vai seguindo o seu curso, para contento da ignorância generalizada que olha para isto como para o futebol na base da racionalidade de sentimentos testiculares sobre negócios que não fazem puto de ideia como funcionam.

Relativamente à AF/KLM, eu não sei até que ponto não será útil à AF livra-se disso porque:
A rede doméstica (maioria exercida pela Hop!) perde dinheiro há muito.
A única rota que dá dinheiro é a ponte aérea Marselha-Paris.
Há uma guerra interna dentro da própria AF/KLM em que os sindicatos têm conseguido -com as greves sucessivas- manter a pressão para evitar o crescimento da Transavia France.
Racionalmente a única forma de tornar viável boa parte da rede doméstica é se fosse a Transavia France a operá-la e eu não sei se não será por aqui que boa parte desses destinos operados pela AF ou Hop!...vai no futuro ser feito [;)] O problema é que a Transavia France só voa para Orly e só contribui para CDG via navette Orly-CDG (não é eficaz). Há muito que se diz que devia haver uma ligação expresso rápida entre Orly e o CDG...

Depois, pelas informações que saíram, a AF só se comprometeu a terminar as rotas em que existe ligação por ferrovia/TGV em até 2h30 e/ou que não prejudiquem o hub de Charles de Gaulle. Isto dá muito lastro depois na hora H para terminar, ou não, uma rota [;)]

De qualquer maneira fala-se em 40% da rede doméstica a fechar à pala disto...resta saber se a Transavia repesca alguma coisa pois tecnicamente não é AF/KLM e/ou se lhe dão acesso a CDG.

E não podemos esquecer que a AF já tem uma simbiose simpática com a SNFC e o programa "TGV Air", isto é, rotas onde o comboio já funciona como um voo doméstico para o hub CDG com check-in e entrega das bagagens na gare e conexão dado que o CDG é intermodal e foi já pensado para isto. Estrasburgo é o melhor/mais conhecido exemplo mas a coisa já funciona numa série de cidades:

  • Angers Saint-Laud
  • Avignon TGV
  • Champagne-Ardenne TGV
  • Le Mans
  • Lille Europe
  • Lorraine TGV
  • Lyon Part-Dieu
  • Nantes
  • Nîmes
  • Poitiers
  • Rennes
  • Saint-Pierre-des-Corps
  • Strasbourg
  • Valence TGV

Nesse caso a ideia seria utilizar as subsidiárias low-cost para alimentar os hubs, o que faz todo o sentido. Sendo assim a coisa pode resultar.

O meu receio com esta história das ajudas estatais é o "dedo" político, como vemos na TAP. As empresas nao tendo alternativa aceitam as condicoes (aka medidas populistas) dos governos e a médio-longo prazo tornam-se ainda menos sustentáveis.

Outro sector que vai (está) a sofrer é o transporte urbano colectivo. As receitas colapsaram e é provável que se mantenham em baixa durante muito tempo - o trabalho remoto vai dar um salto e as indicacoes que me chegam da China vao no sentido de um aumento do uso do automóvel particular em detrimento dos transportes.
 
O interesse público da TAP é questionável.

É questionável se formos restritos a entender o interesse público como algo que deva ser a prestação de serviço público por uma empresa pública dado que, por natureza, é deficitário. Ao estilo de um Metro de Lisboa ou Metro do Porto.

Mas não é questionável se entendermos o interesse público como interesse económico resultante do que se entende para qualquer outra empresa que é útil à economia. Isto é, se não entendermos a missão da TAP e o seu interesse público como prestação de um serviço público deficitário (que numa companhia aérea é voar para onde ninguém o faria) mas por potenciar o turismo e negócios no seu todo.

Discussões ideológicas à parte (que não interessam para nada e só causam entropia na discussão) em Portugal há meia dúzia de ligações áreas que poderão ser classificadas como interesse público para a manutenção da integralidade do território nacional e/ou regional (caso dos Açores), ie, em que o serviço aéreo tem que existir mesmo que seja deficitário. Caso das ligações às ilhas (onde tanto a TAP como a Sata participam, bem como privadas easyJet e Ryanair); e entre as ilhas dos Açores (Sata).

Se, por sua vez, formos ver os fluxos de turismo a Portugal, vemos essencialmente 3 tipos de movimentos de entrada/saída no país:

1. O turismo directo para o Algarve/Faro (a TAP não participa nele, já o fez nos anos 90 com a Air Atlantis e com resultados financeiros desastrosos). Há décadas que esse turismo é servido por operadoras charters especializadas. E nos últimos 10-15 anos pelas lowcosts regulares (ryanair, easyJet...). Esse tipo de turismo é o turismo muito "dirigido", ie, não costuma passar pelo resto do país. Vai especificamente para um local e não tende a circular pelo resto do país.

A TAP não serve.

2. O turismo que entra em Lisboa. Aqui uma parte fica só em Lisboa. Outra parte é redistribuído pelo resto do país por meio rodoviário ou ferroviário (muito raramente aéreo dadas as características geográficas e de dimensão do nosso território).

É aqui o core business da TAP (e do aeroporto de Lisboa). Sem a TAP (ou outra empresa que funcione numa lógica hub a partir de Lisboa), teremos menos voos intercontinentais directos a Portugal e estaremos mais dependentes do turismo europeu que vem directamente ao Porto ou a Lisboa (que vai ser quase exclusivamente ligação ponto-a-ponto em voo de médio curso a partir da Europa).

Porque sem ligações intercontinentais os visitantes extra-europeus só chegam a Portugal a partir de outro país europeu e isso, inevitavelmente, reduz o número global. Isso é o que acontece numa Chéquia/CSA airlines ou numa Croácia/Croatia Airlines. Esses país acabam a depender de companhias hubs externas para as suas ligações intercontinentais o que, no global, reduzem o turismo extra-europeu.

Se por sua vez existirem menos voos intercontinentais, a rede europeia da TAP a partir de Lisboa é necessariamente mais pequena (menos destinos e menos frequências) pois muito tráfego da TAP está a "girar" em Lisboa (e não chega a sair).
Por sua vez, se menos ligações à Europa, menos passageiros de oportunidade acabam a vir a Lisboa/Portugal porque só vinham porque os preços são mais baixos dada a maior oferta de ligações consequente ao volume gerado pelas ligações/voos que apenas têm viabilidade porque servem a plataforma giratória do hub Lisboa.

Exemplo simples de perceber: ao invés de 4 ligações a Copenhaga por dia, o tráfego ponto-a-ponto só vai conseguir encher 2 ligações por dia.

Aqui a TAP serve.

3. E o turismo que entra directamente pelo Porto. A maioria desse turismo fica pelo região norte e só uma pequena parte é redistribuída. Essencialmente pelo tipo de ligação aérea ponto-a-ponto que é a natureza base do aeroporto. E aqui, a TAP tem uma participação pequena nesse tráfego (comparativamente à Ryanair).

De tudo isto, podemos ter várias perspectivas sobre o assunto.

A que eu chamaria de provinciana em que exigimos que a TAP, porque é pública tenha de funcionar numa lógica de prestação de serviço público deficitário (mesmo em ligações não-essenciais e que podem ser feitas, numa lógica de mercado, pelas lowcosts). Aliás, que não só podem, como até são mais facilmente executadas pela própria natureza das redes das grandes lowcosts europeias.

Exemplo fácil de perceber:

A Ryanair no Porto tem aviões baseados no aeroporto do Porto. Isto quer dizer que ao longo do dia cada um desses aviões vai partir do Porto e fazer percursos que podem ser:

a. Porto - cidade X - Porto - cidade Y - Porto - cidade W - Porto
b. Porto - cidade A - cidade B - cidade C - cidade D - Porto.

Por sua vez, aviões da Ryanair baseados noutras cidades (europeias) servirão também o Porto numa lógica semelhante ao exemplo a e ao b com a diferença de começarem o dia nesse outra cidade onde estão baseados.

O resultado disto é que se gera com maior rentabilidade mais voos que passam pelo Porto. Quer com aviões baseados no Porto, quer com aviões baseados noutras cidades.

Isto será sempre mais económico/rentável que um avião da TAP baseado no Porto e que, à excepção de Lisboa, tenha sempre que regressar ao Porto a cada duas rotações (dado que a TAP não vai fazer Porto - cidade europeia a - cidade europeia b - cidade europeia c - Porto). Nenhuma companhia de bandeira o faz.

Ou podemos ver as coisas de forma racional e entender que, mesmo voando fundamentalmente para Lisboa, o facto de isso tornar Lisboa uma porta de entrada intercontinental acaba a beneficiar todo o país, incluindo o Porto. Nomeadamente no turismo extra-europeu que nunca chegará ao Porto se não entrar por Lisboa.

Por último, outra discussão diferente é saber quanto estamos dispostos a pagar para este tipo de serviço de interesse económico que a TAP providencia. Ou se conseguimos que ela (ou outra empresa) funcione sem a ajuda dos contribuintes e produza na economia um resultado idêntico ou semelhante (mas sem custos para os contribuintes).

A discussão não é, ou não deve ser. vamos espetar mais aviões no Porto porque só assim se presta serviço público numa lógica de a cada 10 voos em Lisboa, tem que haver x no Porto. O Andre3567 mostrou já aqui que a TAP até tem servido o Porto bastante mais que a Air France serve Marselha ou Lyon, ou Lufthansa serve Berlim ou Hamburgo. Aliás, os maus resultados também se devem a isso: cada avião baseado no Porto gera menos que um avião em Lisboa pois Portugal não tem dimensão para conseguir gerar 2 hubs. Na Europa, só a Alemanha o consegue fazer e, mesmo ela, com dificuldades (munique tem fraca rentabilidade).

Do ponto de vista operacional acredito que seja o que escreveste. (não conheço as particularidades do negócio a fundo)

Mas o problema da TAP é sobretudo de governance e politico.
Assim, toda a gente manda palpites, e no fim todos pagamos a conta. Eu tenho dúvidas que esse trabalho do HUB em Lisboa seja compensado pelos prejuizos anuais.

Além dos atrasos, claro. e dos bancos...e das batatas fritas[:D]
 
Boa análise.

A coisa está-se a compor para acabarmos com o pior de dois mundos: dinheiro enterrado e uma posterior gestão política... :sh)

Eu espero bem que este teatro nos últimos dias não passe disso - o Rui Moreira está a fazer o seu papel e eu espero bem que Costa também esteja apenas a fazer o papel habitual, caso contrário ainda vamos acabar com voos Bragança-Paris... A diferença entre todo este processo e o pacote de ajuda delineado para a Lufthansa espelha bem a diferença entre o debate político e planeamento português/alemão.


Já agora, o que é que vocês acham das contrapartidas exigidas a Air France/KLM (estou a falar da eliminação/redução de voos nacionais de curta duração onde existe alternativa ferroviária)? A mim nao me parece uma boa ideia, se os voos existem por alguma razão será, mas esta ideia parece bastante popular em França.

Creio ser um frete do Macron aos sindicatos ferroviários, numa velha guerra que mantém.
 
Obviamente que a interferência política só pode dar merd1m pois se adicionas decisões políticas irracionais, aumentas a inviabilidade destas empresas.

O acordo da Lufthansa continua a estar longe de finalizado. A última é que a CE quer exigir uma redução de slots em Frankfurt para diminuir a dominância da Lufthansa no aeroporto.

Obviamente que a Lufthansa lhes deu um manguito [:D] Qualquer pessoa que perceba como a Lufthansa gere o seu negócio percebe que isso é o princípio de uma morte anunciada.

Mas a TAP não tem a situação financeira da Lufthansa.

Portanto corremos o sério risco da TAP se tornar, efectivamente, um sorvedouro anual nos próximos tempos para os contribuintes portugueses ao estilo do BES/Novo Banco.

E de deitar fora o bebé juntamente com a água do banho.

Só para manter a opinião pública e as péssimas elites que nos governam "contentes" e de peito cheio sobre a prestação de "serviço público" da TAP.

São escolhas.

Curiosamente os portugueses são tão irracionais que ao mesmo tempo que criticam o buraco que a TAP é, ainda o querem aumentar.

Nunca vi gente que para poupar dinheiro gasta ainda mais. Mas somos assim.

E por isso não saímos da cepa torta nunca.
 
A minha teoria é que isto é um resgate aos:

1. Boys do PS no conselho de administracao

2. Credores (bancos) da TAP

... custe o que custar. O governo está-se a marimbar para a sustentabilidade da empresa e quanto mais teatro populista, melhor. É que assim as perguntas incómodas ficam sem tempo de antena.
 
Última edição:
O interesse público da TAP é questionável.

É questionável se formos restritos a entender o interesse público como algo que deva ser a prestação de serviço público por uma empresa pública dado que, por natureza, é deficitário. Ao estilo de um Metro de Lisboa ou Metro do Porto.

Mas não é questionável se entendermos o interesse público como interesse económico resultante do que se entende para qualquer outra empresa que é útil à economia. Isto é, se não entendermos a missão da TAP e o seu interesse público como prestação de um serviço público deficitário (que numa companhia aérea é voar para onde ninguém o faria) mas por potenciar o turismo e negócios no seu todo.

Discussões ideológicas à parte (que não interessam para nada e só causam entropia na discussão) em Portugal há meia dúzia de ligações áreas que poderão ser classificadas como interesse público para a manutenção da integralidade do território nacional e/ou regional (caso dos Açores), ie, em que o serviço aéreo tem que existir mesmo que seja deficitário. Caso das ligações às ilhas (onde tanto a TAP como a Sata participam, bem como privadas easyJet e Ryanair); e entre as ilhas dos Açores (Sata).

Se, por sua vez, formos ver os fluxos de turismo a Portugal, vemos essencialmente 3 tipos de movimentos de entrada/saída no país:

1. O turismo directo para o Algarve/Faro (a TAP não participa nele, já o fez nos anos 90 com a Air Atlantis e com resultados financeiros desastrosos). Há décadas que esse turismo é servido por operadoras charters especializadas. E nos últimos 10-15 anos pelas lowcosts regulares (ryanair, easyJet...). Esse tipo de turismo é o turismo muito "dirigido", ie, não costuma passar pelo resto do país. Vai especificamente para um local e não tende a circular pelo resto do país.

A TAP não serve.

2. O turismo que entra em Lisboa. Aqui uma parte fica só em Lisboa. Outra parte é redistribuído pelo resto do país por meio rodoviário ou ferroviário (muito raramente aéreo dadas as características geográficas e de dimensão do nosso território).

É aqui o core business da TAP (e do aeroporto de Lisboa). Sem a TAP (ou outra empresa que funcione numa lógica hub a partir de Lisboa), teremos menos voos intercontinentais directos a Portugal e estaremos mais dependentes do turismo europeu que vem directamente ao Porto ou a Lisboa (que vai ser quase exclusivamente ligação ponto-a-ponto em voo de médio curso a partir da Europa).

Porque sem ligações intercontinentais os visitantes extra-europeus só chegam a Portugal a partir de outro país europeu e isso, inevitavelmente, reduz o número global. Isso é o que acontece numa Chéquia/CSA airlines ou numa Croácia/Croatia Airlines. Esses país acabam a depender de companhias hubs externas para as suas ligações intercontinentais o que, no global, reduzem o turismo extra-europeu.

Se por sua vez existirem menos voos intercontinentais, a rede europeia da TAP a partir de Lisboa é necessariamente mais pequena (menos destinos e menos frequências) pois muito tráfego da TAP está a "girar" em Lisboa (e não chega a sair).
Por sua vez, se menos ligações à Europa, menos passageiros de oportunidade acabam a vir a Lisboa/Portugal porque só vinham porque os preços são mais baixos dada a maior oferta de ligações consequente ao volume gerado pelas ligações/voos que apenas têm viabilidade porque servem a plataforma giratória do hub Lisboa.

Exemplo simples de perceber: ao invés de 4 ligações a Copenhaga por dia, o tráfego ponto-a-ponto só vai conseguir encher 2 ligações por dia.

Aqui a TAP serve.

3. E o turismo que entra directamente pelo Porto. A maioria desse turismo fica pelo região norte e só uma pequena parte é redistribuída. Essencialmente pelo tipo de ligação aérea ponto-a-ponto que é a natureza base do aeroporto. E aqui, a TAP tem uma participação pequena nesse tráfego (comparativamente à Ryanair).

De tudo isto, podemos ter várias perspectivas sobre o assunto.

A que eu chamaria de provinciana em que exigimos que a TAP, porque é pública tenha de funcionar numa lógica de prestação de serviço público deficitário (mesmo em ligações não-essenciais e que podem ser feitas, numa lógica de mercado, pelas lowcosts). Aliás, que não só podem, como até são mais facilmente executadas pela própria natureza das redes das grandes lowcosts europeias.

Exemplo fácil de perceber:

A Ryanair no Porto tem aviões baseados no aeroporto do Porto. Isto quer dizer que ao longo do dia cada um desses aviões vai partir do Porto e fazer percursos que podem ser:

a. Porto - cidade X - Porto - cidade Y - Porto - cidade W - Porto
b. Porto - cidade A - cidade B - cidade C - cidade D - Porto.

Por sua vez, aviões da Ryanair baseados noutras cidades (europeias) servirão também o Porto numa lógica semelhante ao exemplo a e ao b com a diferença de começarem o dia nesse outra cidade onde estão baseados.

O resultado disto é que se gera com maior rentabilidade mais voos que passam pelo Porto. Quer com aviões baseados no Porto, quer com aviões baseados noutras cidades.

Isto será sempre mais económico/rentável que um avião da TAP baseado no Porto e que, à excepção de Lisboa, tenha sempre que regressar ao Porto a cada duas rotações (dado que a TAP não vai fazer Porto - cidade europeia a - cidade europeia b - cidade europeia c - Porto). Nenhuma companhia de bandeira o faz.

Ou podemos ver as coisas de forma racional e entender que, mesmo voando fundamentalmente para Lisboa, o facto de isso tornar Lisboa uma porta de entrada intercontinental acaba a beneficiar todo o país, incluindo o Porto. Nomeadamente no turismo extra-europeu que nunca chegará ao Porto se não entrar por Lisboa.

Por último, outra discussão diferente é saber quanto estamos dispostos a pagar para este tipo de serviço de interesse económico que a TAP providencia. Ou se conseguimos que ela (ou outra empresa) funcione sem a ajuda dos contribuintes e produza na economia um resultado idêntico ou semelhante (mas sem custos para os contribuintes).

A discussão não é, ou não deve ser. vamos espetar mais aviões no Porto porque só assim se presta serviço público numa lógica de a cada 10 voos em Lisboa, tem que haver x no Porto. O Andre3567 mostrou já aqui que a TAP até tem servido o Porto bastante mais que a Air France serve Marselha ou Lyon, ou Lufthansa serve Berlim ou Hamburgo. Aliás, os maus resultados também se devem a isso: cada avião baseado no Porto gera menos que um avião em Lisboa pois Portugal não tem dimensão para conseguir gerar 2 hubs. Na Europa, só a Alemanha o consegue fazer e, mesmo ela, com dificuldades (munique tem fraca rentabilidade).

Boa análise, André!

Acho que nos intervalos da medicina fazes uma perninha na aviação comercial, certo? [:D]
 
Curiosamente os portugueses são tão irracionais que ao mesmo tempo que criticam o buraco que a TAP é, ainda o querem aumentar.

Nunca vi gente que para poupar dinheiro gasta ainda mais. Mas somos assim.

E por isso não saímos da cepa torta nunca.

Há uns que pensam que por contribuírem têm de ver o problema à frente e com os próprios olhos . O caso TAP no Porto é um bom exemplo disso. [;)]
 
Sim, o PS é o PS e será sempre o PS.

A preocupação número 1 é aumentar a boyada na TAP e, indirectamente, o polvo tentacular de influências e poder que vai dominando todos os cantos da sociedade e fazendo crescer o poder pela existência de poder.

A preocupação número 2 é proteger os interesses das corporações que alimentam o PS, seja a aristocracia operária da TAP seja os bancos expostos à TAP. Uma mão lava a outra.

A preocupação número 3 é garantir que as preocupações anteriores mantenham a sequência, em loop, para efeito máximo e de longo-prazo da instituição desta máfia generalizada.
 
Última edição:
Acho que nos intervalos da medicina fazes uma perninha na aviação comercial, certo? [:D]

Sempre gostei de automóveis, comboios e aviões :sh) E sempre gostei de conhecer a parte técnica e económica destas indústrias.

Automóveis foi-se mantendo alguma coisa, comboios perdi bastante e o interesse na aviação comercial cresceu muito nomeadamente quando comecei a viajar e a organizar as minhas viagens.

Não é difícil, basta ires lendo umas coisas (o fórum airliners.net é uma enciclopédia) e pagando do teu bolso muitos voos para perceber como o mundo se organiza nesta indústria. Felizmente sou a geração em que o tráfego lowcost possibilitou muita coisa a nível destas viagens de 2-3h ou até mesmo intercontinentais pelo efeito da concorrência.

Como tenho feito sempre muito turismo maximizando os custos de transportes, muito avião já fui apanhar a Madrid, Paris ou Frankfurt para ir para outro sítio.

Daí achar um ridículo inacreditável este ódio de ir apanhar um avião a Lisboa e achar que os aviões funcionam como a camioneta da rodoviária.

Grow-up and a get real [:D]
 
Sempre gostei de automóveis, comboios e aviões :sh) E sempre gostei de conhecer a parte técnica e económica destas indústrias.

Automóveis foi-se mantendo alguma coisa, comboios perdi bastante e o interesse na aviação comercial cresceu muito nomeadamente quando comecei a viajar e a organizar as minhas viagens.

Não é difícil, basta ires lendo umas coisas (o fórum airliners.net é uma enciclopédia) e pagando do teu bolso muitos voos para perceber como o mundo se organiza nesta indústria. Felizmente sou a geração em que o tráfego lowcost possibilitou muita coisa a nível destas viagens de 2-3h ou até mesmo intercontinentais pelo efeito da concorrência.

Como tenho feito sempre muito turismo maximizando os custos de transportes, muito avião já fui apanhar a Madrid, Paris ou Frankfurt para ir para outro sítio.

Daí achar um ridículo inacreditável este ódio de ir apanhar um avião a Lisboa e achar que os aviões funcionam como a camioneta da rodoviária.

Grow-up and a get real [:D]


Claro, mas é preciso gostar da área económica da aviação comercial, e pelos vistos tu gostas. [;)]

Eu tambem viajo muito e sempre que tenho esta opção, em Low Coast, e as viagens e férias são sempre desenhadas cá em casa, mas nem por isso me interessei, ou tenho interessado muito pela arquitectura económica das companhias e rotas.

Talvez porque é nessa altura que desligo a ficha da actividade enconómica...
 
Sempre gostei de automóveis, comboios e aviões :sh) E sempre gostei de conhecer a parte técnica e económica destas indústrias.

Automóveis foi-se mantendo alguma coisa, comboios perdi bastante e o interesse na aviação comercial cresceu muito nomeadamente quando comecei a viajar e a organizar as minhas viagens.

Não é difícil, basta ires lendo umas coisas (o fórum airliners.net é uma enciclopédia) e pagando do teu bolso muitos voos para perceber como o mundo se organiza nesta indústria. Felizmente sou a geração em que o tráfego lowcost possibilitou muita coisa a nível destas viagens de 2-3h ou até mesmo intercontinentais pelo efeito da concorrência.

Como tenho feito sempre muito turismo maximizando os custos de transportes, muito avião já fui apanhar a Madrid, Paris ou Frankfurt para ir para outro sítio.

Daí achar um ridículo inacreditável este ódio de ir apanhar um avião a Lisboa e achar que os aviões funcionam como a camioneta da rodoviária.

Grow-up and a get real [:D]

Nem toda a gente a viajar de avião vai a passear.

Ir do Porto (Braga, Barcelos, Aveiro, Viana, etc.) a Milão e vir no mesmo dia só é possível se tiveres voos diretos. Se tiveres que ir a Lisboa lá se foi mais um dia de trabalho. Eu percebo que por Lisboa mais um dia a coça-los à custa do contribuinte é igual ao litro mas por aqui não.

Grow-up and get real. [;)]

A vida não é só viagenzinhas de férias para por fotos no Insta. [:D]
 
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A melhor forma de ajudar a TAP a afundar-se mais depressa é deixar que seja o Governo a definir as suas rotas, como o Tweet do 1º ministro de hoje, e a gritaria da esquerda assim o deixou a entender.

Que é que o governo sabe de rotas, de rentabilidade delas e da gestão da sua frota?


O Governo só tem que decidir se participa na recapitalização, ou não. Ponto!


O que é que a administração da TAP, o seu conselho executivo e de supervisão percebem de rotas e de gestão de frotas?

Zero. Vais ver o CV daquela gente e nenhum deles tem experiência profissional na área da aviação antes de terem entrado na TAP.

Um exemplo flangrante, o chairman da TAP. Experiência profissional antes de entrar para a TAP: politico e banqueiro ( https://www.linkedin.com/in/miguel-frasquilho-038892120/?originalSubdomain=pt )
 
Já agora, o que é que vocês acham das contrapartidas exigidas a Air France/KLM (estou a falar da eliminação/redução de voos nacionais de curta duração onde existe alternativa ferroviária)? A mim nao me parece uma boa ideia, se os voos existem por alguma razão será, mas esta ideia parece bastante popular em França.


Sou 100% a favor dessa medida.
O avião é o meio de transporte que provaca mais poluição ambiental e o comboio é o que provoca menos.

Acho que um Estado soberano faz muitíssimo bem em regular esses cenários. Assinámos o acordo de Paris. Temos de chegar a 2050 com neutralidade carbónica.
 
fico com a sensação que a TAP afinal não serve ninguém[:D]
Serve para viagens como qualquer outra empresa, salvo raríssimas excepções de interesse público.
Tenho mais de 100 viagens, acho que fiz 2 pela TAP, mas nunca comprados diretamente a eles. Isto saindo em 98% deles do Porto.
Voos continentais a maior parte, mas incluindo alguns para outros continentes.

Dito isto percebo perfeitamente o que a TAP faz com Lisboa para voos intercontinentais, faz todo sentido. Perdes 2 ou 3 horas num voo de 8,9, 10horas.
Agora perder mais 2 ou 3 horas num voo de 1h30 é uma aberração, demoras 5 ou 6 horas para chegar a Madrid ou Paris. E aqui estou apenas a falar de rotas que são rentáveis para a TAP mesmo saindo do Porto.
 
Nem toda a gente a viajar de avião vai a passear.

Ir do Porto (Braga, Barcelos, Aveiro, Viana, etc.) a Milão e vir no mesmo dia só é possível se tiveres voos diretos. Se tiveres que ir a Lisboa lá se foi mais um dia de trabalho. Eu percebo que por Lisboa mais um dia a coça-los à custa do contribuinte é igual ao litro mas por aqui não.

Grow-up and get real. [;)]

A vida não é só viagenzinhas de férias para por fotos no Insta. [:D]
j

é simples, o mercado vai dar-te os mesmos voos, com melhores preços, pois a estrutura de custos de uma ryanair ou easyjet fá-las muito mais competitivas que a tap para esse tipo de rotas.

E se o mercado não o fizer, e se é tão importante para a região (uma contradição de termos mas siga, nem o porto nem milão são ultraperiféricos para tal), a forma mais custo-eficiente é subsidiares uma determinada companhia para o fazer.

Abres um concurso e vence a que o fizer com menos custos. Pode ser a tap como pode ser outra.

não é preciso inventar a roda.
 
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