Acontece que está provado que o haxixe é potenciador de psicoses e outras patologias do foro psiquiátrico, e já se sabe também que quem não as tem, às psicoses, pode mesmo vir a desenvolvê-las se abusar do consumo de haxixe. Isso para mim é mais do que suficiente para que a sua legalização não vá para a frente.
Está provado? Ora bolas, dessa não sabia. Então como é que se explica que 99% dos consumidores crónicos e pesados, ou seja, que consomem muito durante muitos anos, não cheguem a padecer de tal patologia? Será porque os outros 1% efectivamente já tinham predisposição para tal? Ou estamos a falar de magia e os tais 99% estão imunes "porque sim"?
Se o leite provoca intolerância em 5% de quem o consome, vamos dizer que "mesmo quem não tem intolerância ao leite pode mesmo vir a desenvolvê-la se abusar do seu consumo" só porque alguns a desenvolveram? Ou será algo inerente à fisiologia de cada um?
Ou será que os 95% de consumidores crónicos que nunca desenvolvem psicoses e outras patologias do foro psicológico efectivamente não as desenvolvem porque não têm predisposição para tal?
International Association for Cannabis as Medicine
International Association for Cannabis as Medicine
Então e agora porque o pessoal anda a consumir haxixe, derivado geralmente de má qualidade da canábis que surje "nas ruas" em função da situação de ilegalidade da canábis, vamos deixar de legalizar a planta que, em si, é muito menos prejudicial que o haxixe "de rua"?
É que eu até concordo contigo, o haxixe conforme o conhecemos deveria ser ilegal pois leva misturas de produtos que podem ser bastante nocivos. Já a canábis...
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Agora falando um pouco mais a sério e com bases científicas.
A canábis efectivamente possui um "princípio activo" (se assim lhe quiserem chamar) denominado por THC. Este THC efectivamente tem "o poder" de provocar estados alterados de consciência (nunca ao nível de alucinógeneos, mas enfim) e estes estados alterados, em quem não está preparado para lidar com eles, podem induzir certas patologias menos agradáveis. Porém, a própria canábis, também contém uma certa % de CBD (cannabidiol) e este CBD é conhecido científicamente por ser ansiolítico e anti-psicótico. Ora, é precisamente o equilíbrio entre os 2, entre o THC e o CBD que vai determinar a perigosidade de cada variedade de canábis. E há milhares de variedades de canábis.
Logo, num cenário legal, o consumidor tem a liberdade de escolher entre milhares de variedades, podendo optar por uma em que a % de CBD lhe garanta segurança relativamente à % de THC na medida em que o proteja contra possíveis efeitos secundários menos desejados.
Aliás, num cenário de legalização, poderiam até existir "laboratórios" que determinassem a perigosidade de cada variedade, podendo até determinar que certas variedades não possam ser comercializadas.
Num cenário como o que temos hoje em dia o consumidor nem sabe o que é THC ou CBD, quanto mais ter a opção de escolher uma variedade mais segura? O consumidor compra esse haxixe de rua que é veneno e que nasceu nas entranhas da proibição. É essa a diferença.
Num cenário legal, quem quisesse consumir poderia ter que, antes, conseguir uma licença, um "cartão de consumidor" e para isso teria que antes se apresentar nos actuais IDT's para uma consulta com um médico e com um psicólogo. Agora digam-me lá, para alguém que nunca consumiu, ir a uma consulta com um médico e um psicólogo para poder consumir faz algum sentido? Ou é por si só factor dissuador? Será que se a heroína fosse legal nós íamos ao médico e psicólogo para saber se podemos consumir? Claro que não... Achar que sim é considerar que o ser humano não tem cabeça para pensar por ele próprio.
Vá, agora continuem lá com as piadas sobre entorpecimento canábico. Acho hilariante que pessoal que não faz a minima ideia acerca dos efeitos da canábis se dedique a basear as suas piadas em suposições de que a canábis efectivamente entorpece ao ponto de as pessoas ficarem burras, esquecidas e alucinadas, quando no fundo é precisamente o contrário que acontece.
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