Smartshops - Drogas legais

E eu pergunto: porque raio é que uma pessoa normal e minimamente inteligente, consome drogas??? Qual é a utilidade prática da coisa??

Pronto, correcção... drogas ILEGAIS![;)]


Então no caso das legais o motivo é tão óbvio e aceitável que nem estás interessada em perguntar "porquê", ainda que só tabaco, alcool e drogas de farmácia matem todos os anos mais de 50 mil portugueses.

E queres saber porque é que uma normal e minimamente inteligente consome uma substância que mata 0 (zero) portugueses por ano, que permite relaxar, olhar a vida desde uma perspectiva diferente, abrindo horizontes e estimulando a criatividade ao mesmo tempo que permite atenuar preocupações por vezes injustificadas e exacerbadas com as quais o ser humano tende a ter que lidar.

Pois obviamente que há excepções e são essas excepções que saltam à vista, mas julgo que é precisamente o facto de se ser minimamente inteligente que pode levar alguém a consumir canábis (sumidades floridas) em estado puro, cultivadas biologicamente e na proporção CBD/THC ideal.

Talvez seja menos inteligente consumir tabaco. Que faz mal, sabe mal e não bate. Mas mesmo assim é tão viciante que anda aí meio Portugal agarrado.
 
Fazendo de conta que se legalizava o haxixe. Que medidas e regras imporiam?
A venda ser só a maiores e em locais específicos?
Aos traficantes de esquina, o que fariam? Permitiriam esse tipo de venda ou criminalizava-se, prendiam-se? É que conheço pessoas da opinião de que só se deveria vender em locais próprios e outras que para eles legalizar era "anarquizar" e vender e fumar onde se quisesse.
E impostos? De certeza que depois haveria quem se queixasse de que o estado era mau e que só queria dinheiro e que a droga ficava mais cara.
E quem é que a plantava? O estado ou empresas autorizadas por ele?

Olá diogo!

Se me permites vou responder às tuas perguntas com a minha opinião. Sem acritude, ãh? [;)]

Fazendo de conta que se legalizava o haxixe. Que medidas e regras imporiam?
A venda ser só a maiores e em locais específicos?

Teria que se estudar muito bem, mas assim à primeira vista:

- Clubes canábicos onde só poderiam entrar clientes com cartão de sócio;
- Para ser sócio é necessário ser-se maior de 18 anos e obter certificado médico assinado por especialista de medicina geral e por um psicólogo alegando que o indíviduo em causa é saudável e não padece de nenuma patologia incompatível com o consumo. Do ponto de vista psicológico seria interessante que o requerente conseguisse justificar o consumo;
- Não permitir a venda de alcool nestes estabelecimentos, nem o seu consumo, nem a entrada a pessoas visivelmente alcoolizadas e/ou com aparente perturbação mental;
- Os clubes seríam geridos pelo Estado que empregaría pessoas a troco de um ordenado, sendo que todo o lucro advente do negócio entraria directamente nos cofres do Estado, ou seja, nos nossos bolsos em vez de nos bolsos de grupos mafiosos.

Aos traficantes de esquina, o que fariam?

Se um consumidor puder comprar as sumidades floridas da planta em estado natural, convenientemente secas e curadas e com garantias de que não levou misturas manhosas, quem é que vai comprar ao traficante de esquina? Tu ias comprar uma garrafa de vinho tinto a um gajo na rua só por custar metade do preço e sabendo que geralmente o vinho "da rua" é adulterado com contaminantes? Niguém o faria... penso eu.

E quem é que a plantava? O estado ou empresas autorizadas por ele?

Aqui vamos por pontos:

1 - Dizem os últimos relatórios sobre droga e toxicodependência em Portugal que 4% dos portugueses consomem canábis ou derivados de canábis. O consumo médio de cada consumidor é de 0,7gr por dia. Ora, 400 mil pessoas a consumir cada uma 0,7gr por dia abre uma necessidade no mercado de cerca de 280kg diários (400.000 x 0,007kg = 280). Vamos arredondar e assumir que se consomem 300kg por dia;

2 - Segundo se diz é possível conseguir colher 500gr a cada 3 meses num espaço de 1 metro quadrado. Logo, por mês, arredondando desta vez por baixo, é possível conseguir colher 150gr de sumidades floridas de canábis por mês em 1 metro quadrado. Ora, 150gr deste produto, a preço médio de coffeshop holandesa (entre 7 e 15 euros, vamos fazer a 10) podem valer na venda ao público uma quantia na ordem dos 1500 euros. Certo? Seguimos...

3 - Uma pessoa, que use 1 metro quadrado para cultivar, consegue uma rentabilidade mensal de 150gr, que valem 1500 euros num hipotético clube. Se vender a metade desse preço, 7,5€ o grama, o cultivador faz 750 euros mensais e dá outros tantos 750 euros a ganhar ao clube, ou se preferirem, ao Estado, a todos nós;

4 - Ora, 150gr por mês equivale a 5gr por dia. Para conseguir os tais 300kg diários de que falei atrás, que será o consumo médio em Portugal com base nos últimos relatórios oficiais, seriam necessárias 60.000 pessoas a fornecer os seus 5gr de produção diária;

5 - Portanto podemos ter 60.000 pessoas que hoje estão desempregadas com licença para cultivar 1m2 de canábis num espaço de cultivo que, uma vez optimizado, lhes permite um salário mensal de 750 euros ao mesmo tempo que dão a ganhar 750 euros ao Estado através da venda num estabelecimento em que o próprio Estado também emprega mais pessoas.

Portanto, estou a falar de 60.000 postos de trabalho directos, só na produção.

E estou a falar de 300kg ao dia que, a 10 euros o grama, representam MIL milhões de euros anuais.


Mas para os que vão aparecer a dizer que estou a fazer as contas por alto, reduzo isto para metade, não vá o relatório oficial estar errado ou os 0,7gr diários que assumi ser um valor demasiado elevado.

Portanto: 500 Milhões de euros anuais que em vez de estarem a entrar nos cofres do estado estão a ir para redes que funcionam em pirâmide em cujo topo estão redes criminosas com as quais gastamos milhões e milhões em policiamento, investigação e segurança.


Vamos lá pessoal... dizia o Passos Coelho que por cada feriado que nos "rouba" o estado (nós, o país) ganha 35 milhões de euros. Assumindo que ao menos nisto não nos enganou, a legalização pode dar 2 semanas de férias a cada português, para além dos beneficios que abordei nos meus 2 anteriores posts deste tópico.

E impostos? De certeza que depois haveria quem se queixasse de que o estado era mau e que só queria dinheiro e que a droga ficava mais cara.
No sistema que proponho esta questão não se coloca pois todo o lucro é do Estado desde o primeiro momento. Porém sim, quem cultiva e ganha 750€ mensais também paga impostos, também desconta, também compra com IVA a 23%, logo tudo reverte para o Estado, ao invés de sair do país para as mãos de grupos criminosos organizados.

Além disso se há quem cultive, há quem compre sementes e material de cultivo (vasos, terra, fertilizantes, iluminação se cultivar indoor, etc).

Em Espanha, em 2011, os cerca de 80 bancos de sementes existentes facturaram em conjunto 120 milhões de euros. Estes 120 milhões de euros, taxados a 30%, rendem mais 36 milhões de euros ao Estado. Estes cerca de 80 bancos de sementes espanhóis empregam cerca de 1200 pessoas neste momento. Mais postos de trabalho.

Em Espanha há neste momento 900 lojas de cultivo relacionadas com a planta. Estas lojas empregam cerca de 4 mil pessoas e pagam impostos.

Tanto as lojas, como os bancos de sementes, como as marcas de fertilizantes, de terra, etc, empregam mais uma catrefada de gente e pagam a advogados, designers, especialistas em publicidade e marketing, contabilistas, mulheres de limpeza, carpinteiros, etc, etc...

Hoje todo este dinheiro vai para as mãos de poucos mas perigosos. E a substância em si continua disponível para todos e adulterada com químicos e outros produtos nocivos.

Defender a actual realidade? Qual o argumento? Porque faz mal? O tabaco se o tornarem ilegal não deixa de fazer mal e quem está viciado continuará a consumir, mesmo que seja adulterado e 3 vezes mais caro.

Em tempo de crise deitar este dinheiro para o lixo é de muito pouca inteligência. Deitá-lo não para o lixo mas para mãos de gente perigosa que existe aumento da despesa para minimizar perigos não é só de pouca inteligência, é de quem tem reais interesses obscuros.

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Jack47, tens o meu apoio para redigir uma proposta e apresentá-la ao Governo sobre a legalização do consumo de "drogas leves".

Só não gostei dessa ideia dos clubes serem do Estado. Nestas coisas, a livre concorrência só trás benefícios.

Quanto ao impacto na economia duma medida destas, tens de acrescer os valores que iriam resultar do novo turismo que iria surgir como consequência natural de uma medida destas. [;)]
 
Não são precisos clubes do estado, não é preciso inventar tanto. Criem se regras como o consumo do tabaco e deixem vender quem quiser vender.
Tanta invenção com uma coisa tão simples. As pessoas tambem lidam todas de maneiras diferentes com o álcool e ninguém cria regras extra para o proibir.
 
Não são precisos clubes do estado, não é preciso inventar tanto. Criem se regras como o consumo do tabaco e deixem vender quem quiser vender.
Tanta invenção com uma coisa tão simples. As pessoas tambem lidam todas de maneiras diferentes com o álcool e ninguém cria regras extra para o proibir.

Tabacarias, cafés, quiosques?

Edit: tirei "uma pessoa numa esquina" das opções porque achei que estava a mais, não se enquadrava na parte "Criem se regras como o consumo do tabaco" já que o tabaco não se vende nas esquinas (a não ser se for contrafeito ou desviado)
 
Última edição:
Jack47, tens o meu apoio para redigir uma proposta e apresentá-la ao Governo sobre a legalização do consumo de "drogas leves".

Só não gostei dessa ideia dos clubes serem do Estado. Nestas coisas, a livre concorrência só trás benefícios.

Quanto ao impacto na economia duma medida destas, tens de acrescer os valores que iriam resultar do novo turismo que iria surgir como consequência natural de uma medida destas. [;)]

Obrigado pela consideração [;)]

Claro que não precisam de ser do estado, mas se forem é capaz de ser mais fácil de convencer tanto o governo como os contribuintes. Só por isso optei por este exemplo.

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Não são precisos clubes do estado, não é preciso inventar tanto. Criem se regras como o consumo do tabaco e deixem vender quem quiser vender.
Tanta invenção com uma coisa tão simples. As pessoas tambem lidam todas de maneiras diferentes com o álcool e ninguém cria regras extra para o proibir.

E eu de acordo ;)

O mais positivo de tudo isto é que o exemplo que eu dei é apenas um de muitos exemplos possíveis, em que os números envolvidos acabam por ser mais ou menos os mesmos.

Se quiserem escrevo outro post com a mesma dimensão e com uma proposta totalmente diferente mas igualmente viável e com semelhante impacto a nível económico e de segurança/saúde pública.

Um problema com inúmeras soluções mas que ninguém quer resolver. A guerra às drogas não é boa para ninguém, não rende e tem falhado ano após ano desde há meio século. Para quê insistir no erro quando há alternativas?

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faça se como se faz com o tabaco e álcool.

Já não era mau, mas repara que no exemplo que dou acima existe a vantagem de empregar mais de 60.000 pessoas e de um ganho extra para o Estado. Tão "extra" que pode significar o lucro do estado para 15 dias de trabalho, ou seja, 2 semanas de férias "extra" para cada português.

Se fizeres como o tabaco uma só empresa vai produzir em larga escala e em vez de repartires o dinheiro gerado por 60.000 portugueses vais ter apenas meia dúzia de pessoas a encher os bolsos à custa disto. Além de que a qualidade do produto se torna "standard", pois é muito diferente o produto saído de um cultivo com 4 hectares de plantas e o cultivo saído da mão de um cultivador caseiro que sabe que só tem 1 metro quadrado para dar o seu melhor, já que consoante a qualidade que conseguisse obter mais poderia lucrar com o produto e os 750€ de que falo são meramente indicativos e poderiam superar-se em função da qualidade do produto obtido. Assim se garantía também mais qualidade para o "cliente" final.

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Quanto ao impacto na economia duma medida destas, tens de acrescer os valores que iriam resultar do novo turismo que iria surgir como consequência natural de uma medida destas. [;)]

Claro, isso e muitos outros factores que deixei para outra altura, senão o post assumia uma dimensão que ia afastar ainda mais gente, hehe...

Por exemplo a Inglaterra e a Alemanha são países muito "canábicos", gostam muito, talvez até mais que o português... E também adoram o nosso país, o nosso clima, as nossas praias. Poder vir ao Algarve fazer praia num cenário de legalização ia atrair muito mais turismo.

Mas pronto, o pessoal por cá pensa que seriam turistas com aspecto de arrumadores de carros [:D] Medo... muito medo... :sh)

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Já não era mau, mas repara que no exemplo que dou acima existe a vantagem de empregar mais de 60.000 pessoas e de um ganho extra para o Estado. Tão "extra" que pode significar o lucro do estado para 15 dias de trabalho, ou seja, 2 semanas de férias "extra" para cada português.

Se fizeres como o tabaco uma só empresa vai produzir em larga escala e em vez de repartires o dinheiro gerado por 60.000 portugueses vais ter apenas meia dúzia de pessoas a encher os bolsos à custa disto. Além de que a qualidade do produto se torna "standard", pois é muito diferente o produto saído de um cultivo com 4 hectares de plantas e o cultivo saído da mão de um cultivador caseiro que sabe que só tem 1 metro quadrado para dar o seu melhor, já que consoante a qualidade que conseguisse obter mais poderia lucrar com o produto e os 750€ de que falo são meramente indicativos e poderiam superar-se em função da qualidade do produto obtido. Assim se garantía também mais qualidade para o "cliente" final.

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Não concordo. Primeiro porque as pessoas a empregar são iguais, só se partirmos do principio que o estado emprega mais porque é menos eficiente. Segundo, os impostos iam ser uma boa receita para o estado sem ter de investir quase nada e em terceiro a qualidade ia variar como varia no álcool, onde existem garrafas de whisky desde dez euros até onde se quiser, quase.
 
A questão do turismo que ia atrair é algo que me preocupa, mas essa questão só existe porque não é uma maioria de países adoptar a legalização.
 
A questão do turismo que ia atrair é algo que me preocupa, mas essa questão só existe porque não é uma maioria de países adoptar a legalização.
A meu ver, não é qualquer jagunço que consegue dar-se ao luxo de fazer esse tipo de turismo.

E aos turistas abusadores que cá vêm, só lhes ia fazer bem fumar umas cenas para ver se acalmavam aquela testosterona que o álcool lhes desperta em todas as noites de verão em Albufeira.
 
Somos um país de mentalidades retrógradas, se o governo legalizasse a cannabis haveria muitas manifestações das mamãs e das vóvós.
São essas mesmas mentes retrógradas que trouxeram o país à situação em que o mesmo se encontra.

Acho que esta é uma optima altura para começarem a ouvir novas ideias.
 
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