Uma das grandes medidas para combater a crise seria criar um imposto para a ignorância. Não ganhavas para o que pagavas, de certeza.
Nenhum professor tem reuniões nos três dias, dizes tu. Verdade. Só esta semana, tenho quatro dias com reuniões de avaliação e as reuniões, como é óbvio PARA QUEM TRABALHA, são muitas mais para além destas. Trabalho a realizar, até às férias: sabendo que me esquecerei de algo, mas cá seguem alguns exemplos - articulação horizontal interdisciplinar; articulação vertical a discutir no grupo disciplinar; balanço de avaliação; avaliação dos projectos e apresentação dos resultados; balanço do trabalho realizado pelos clubes; balanço do Desporto Escolar; preparação e planificação dos projectos a implementar para o próximo ano lectivo; avaliação do Plano Anual de Actividades; análise dos critérios de avaliação; análise do sucesso do Projecto Educativo; propostas de alteração ao Regulamento Interno; estabelecimento de critérios para definição de actividades e visitas de estudo no próximo ano lectivo; seminários de formação (eu tenho dois marcados, sendo que no último sábado, estive envolvido em mais um); distribuição de níveis a leccionar; elaboração de turmas; planificação de CEF's e Cursos Profissionais a iniciar; elaboração do Plano de Ocupação de Tempos Livres; matrículas dos alunos e pedido das diversas autorizações necessárias ao início do próximo ano; apresentação aos EE dos resultados avaliativos e da análise feita nas reuniões de avaliação; apresentação ao Conselho Pedagógico e ao Conselho Geral dos diversos balanços; preenchimento das plataformas de monitorização da DGIDC no final da ano lectivo; vigilância de exames; correcção de exames, que implica a deslocação à sede distrital para recolher os exames, a que se juntam duas reuniões para análise dos critérios de avaliação e um outro dia para entrega das provas; exames de equivalência à frequência, com realização de orais, quando necessárias; elaboração do relatório de autoavaliação e do portefólio relativo à avaliação docente do último biénio; entrevista com o relator, se solicitada; reuniões para aferição dos mecanismos de avaliação; realização dos horários; ponderação do número de horários permitidos a funcionar e da distribuição dos docentes; reuniões de departamento para se efectuar o balanço deste ano lectivo e a preparação do próximo; término e apresentação do trabalho realizado pela equipa de Avaliação Interna; apresentação do balanço da assiduidade docente; planificação das necessidades de transporte escolar no próximo ano lectivo; inventário do material nos laboratórios e noutros espaços; solicitação de material, reagentes e equipamento necessários, após análise em grupo; análise dos resultados dos instrumentos de avaliação externos; etc, etc, etc... PODIA ESTAR A CITAR TRABALHO A FAZER MAIS UM BOM BOCADO! Tarefas de cacaracá (ou será caracacá, cara(o) Farang)... só para quem não sabe o que diz.
No início de Julho está tudo despachado... dizes tu, de novo. COMO É RIDÍCULO! Na minha escola, fomos autorizados a marcar férias após 28 de Julho, graças aos exames (se calhar pensavas que eram os funcionários que tratavam disso, não?) e quem os for corrigir não terá possibilidade de gozar todos os dias de férias a que tem direito pois o período de correcção e revisão das provas termina bem dentro de Agosto. Início de Julho, dizias tu?
Escolas vazias, até Agosto, só na tua mente formatada pelo RESSENTIMENTO. Vazias de alunos que não de professores, nem funcionários, nem de administrativos. Quem pensa que o trabalho de um professor se esgota nas aulas e na sua preparação não vive neste século, nem no anterior. Ainda funciona a carvão e precisa de se actualizar. Ou parar de dizer asneiras... também não é má ideia.