Certo, mas isso já mete caixa à mistura, o ppais até diz que a maior aceleração é conseguida no regime de binário máximo. Claro que se meteres uma abaixo vais ter mais aceleração, mas fruto da menor desmultiplicação da caixa na relação inferior (que passa maior binário à roda, mas mantém o mesmo binário no motor).
Na mesma relação de caixa é no regime de binário máximo que a aceleração é maior, e não no regime de potência máxima, certo?
Obviamente qualquer carro tem mais aceleração em primeira do que em quinta, mas isso não tem a ver com a questão inicial do tópico, certo?
A ver se fico a perceber alguma coisa disto.
A questão é que os carros têm caixa de velocidades!
Por causa da caixa de velocidades é possível num regime de binário mais baixo no motor ter mais binário nas rodas.
É a potência que indicia o binário que é possível ter nas rodas.
Daí a questão do tópico!
Repara:
A aceleração é dada pela força a dividir pela massa.
A força é o binário nas rodas a dividir pelo raio das rodas.
O binário nas rodas é o binário do motor vezes a relação da transmissão.
No final ficas com esta equação:
E aqui vês que o problema de olhar apenas para o valor do binário do motor é que a aceleração vai também de outras variáveis, relacionadas com a transmissão e o raio das rodas.
Por outro lado tens esta equação:
Que é mais directa e intuitiva. Permite-te melhores comparações porque não tens de ter em conta a relação da transmissão nem o raio das rodas.
É claro que para uma dada relação num determinado carro, a segunda fracção da primeira equação é constante, por isso aí é possível experienciares maior aceleração onde tiveres maior binário.
Isto é explicado também porque numa mesma relação mais rpm significa maior velocidade, e na segunda equação podemos perceber que quanto maior a velocidade mais potência necessitamos para acelerar.
O problema é quem não compreende todos estes conceitos facilmente cai no erro de generalizar aquilo que observa numa dada mudança e concluir "maior binário = mais aceleração", o que já concluímos que não é verdade a partir do momento em que podemos engrenar mudanças com relações diferentes e assim aumentar o binário
nas rodas.
Resumindo, o binário nas rodas "é o que interessa", e o binário do motor só tem relação directa com o binário nas rodas numa mudança específica. A partir do momento em que temos várias mudanças disponíveis, nós vamos conseguir maior binário nas rodas naquela em que consigamos meter o motor em regime de maior potência.
Desculpem o quote mal amanhado, mas esta frase correta não poderia ser:
Se eu quero maximizar a aceleração, subir mais facilmente uma subida, ou transportar facilmente uma carga, eu vou querer manter-me nas rpm e relação de caixa em que o binário à roda é superior.
Estou correto?
Sim, a não ser que algo me esteja a escapar as frases são equivalentes visto que:
Nós vamos conseguir maior binário nas rodas naquela em que consigamos meter o motor em regime de maior potência.
No 1º post, segundo percebi, dizes que a aceleração entre 100 e 120 é menor que entre 80 e 100 devido à variação da energia cinética. Isto mantendo a "força" actuante. Foi isto que eu considerei errado.
Por favor não metas palavras na minha boca.
O que digo na 1.ª citação é unicamente que é necessário ganhar mais energia cinética dos 100 aos 120 do que dos 80 aos 100.
Na 2.ª citação explico então que a evolução da aceleração depende de como a potência e a velocidade evoluam.
Se queres tirar conclusões estás à vontade, mas independentemente de essas conclusões estarem correctas ou erradas por favor não digas que fui eu que as disse.
Quanto à última polémica: é óbvio que, para uma determinada velocidade, a aceleração será máxima se for usada a potência máxima.
Eu bem que mencionei que o papel da caixa de velocidades estava a ser esquecido por muita gente...
Touché. Mas acho que algumas pessoas já começaram a perceber isso.
Este tópico só tem reforçado ainda mais que deveríamos falar mais de potências do que de binário.
Não que uma seja mais importante que a outra, como tu dizes, são a face da mesma moeda.
É mais porque a potência permite de forma mais directa tirar certas conclusões, e muita gente simplesmente confunde o binário com a potência.