É interessante como existe um sentimento de saudosismo e como esse sentimento gosta que tudo seja sempre igual ao que foi bom.
Cada vez que a Peugeot (neste caso) lança um seg. B lá vem as memórias dos seus antecessores, o 205 isto o 206 aquilo mas todos se esquecem que todos os produtos têm uma razão de ser de certa forma e com certas características. Há todo um contexto e é preciso ver em que contexto cada produto se destaca, há situações e oportunidades que não se repetem porque quando fazemos alguma coisa que se destaca os nossos colegas da concorrência tomam posições para anularem o efeito de destaque do nosso produto e vice versa.
Querer fazer do 208 o que foi o 205 no seu tempo em termos de chassis ou o 206 em termos de design é injusto porque hoje as condicionantes são diferentes e as prioridades estão noutras áreas.
Basta ver que é mais fácil fazer reproduções a escalas diferentes dos mesmos moldes que lançar ousadamente linhas novas, formas novas e que saiam do vicio do aspecto robusto e "gordo". A meu ver foi esta trajectória que prejudicou num geral o design, mais numas linguagens que noutras é certo. Nesta "guerra" perde-se a noção do que era melhor seguir.
Não será tarefa fácil lançar um 208 que incorpore num corpo pequeno e alto o estilo de um SR1 e que se veja nele formas tão atraentes, o perigo dos concept é darem também uma ilusão demasiado boa sobre o que vai ser o modelo de serie inspirado em si.
Se estivéssemos a falar num cabrio ou coupe de 2 portas seria mais seguro esperar algo mais fiel, agora estamos a falar num utilitário que tem menos margem de manobra para ser trabalhado, que tem de passar por regras e que tem maiores controlos de custos.
Eu aponto mais para um ao género do HR1 como foi o 206 Escapade.