Crítica do
Diário Digital
Optimus Alive! 10 (Dia 3): Sub-21 goleiam séniores
T: Davide Pinheiro e Marco Moutinho F: Duarte Pinto Coelho
Em noite de despedidas, os LCD Soundsystem deixaram mais saudades que uns Pearl Jam estafados, em modo U2 sem pirotecnia. Eddie Vedder anunciou uma pausa que, pelo que se viu este sábado, se deseja prolongada.
Num festival sem grande surpresas musicais, a vitória dos LCD Soundsystem acabou por ser natural. Da última noite do festival sobraram ainda duas boas notícias: por um lado, James Murphy anunciou o regresso do colectivo lá mais para o final do ano. Por outro, Eddie Vedder revelou que os Pearl Jam se vão retirar por tempo indeterminado.
A saída da cena dos resistentes de Seattle é uma óptima notícia, tendo em conta o concerto sem chama do Optimus Alive! 10. Foi, muito provavelmente, a passagem mais infeliz dos Pearl Jam por Portugal, a lembrar a gestão de conta dos Rolling Stones e, sobretudo, dos U2.
O que deveria, ou pelo menos poderia, ter sido uma despedida (provisória) com nervo e sentimento tornou-se num desfile previsível de clássicos amealhados ao longo do tempo. Estes Pearl Jam sem sangue pareciam Cristiano Ronaldo a jogar com a camisola da selecção, pouco entregues e sem vontade de meter o pé.
Mesmo que verdadeira, a lenga-lenga de Eddie Vedder em torno dos surfistas portugueses já cansa. Os agradecimentos ao coro popular que acompanhou o vocalista do início ao fim eram esperados. E verdadeiramente só houve uma surpresa: a versão de «Public Image», dos PIL, recebida com indiferença.
O desinteresse suscitado no regresso de uns Pearl Jam novamente a deixar crescer o cabelo (quiçá para esconder a calvície de ideias), só tornou a vitória dos LCD Soundsystem. E não fosse o concerto do colectivo de James Murphy ser demasiado curto (menos de uma hora não é admissível num festival) e estaríamos a falar de uma goleada.
Acabou por ser um aperitivo para o regresso anunciado lá mais para o fim do ano pelo líder da banda. A riqueza rítmica dos LCD Soundsystem é proporcional à intensidade de canções como «Us Vs. Them», «Tribulations» e «All My Friends». Foi tudo tão bom que a duração reduzida do concerto se tornou ainda mais intrigante. Pedia-se uma sessão prolongada de sexo e não uma rapidinha.
Com o triunfo esperado dos LCD Sounsdsystem, o happening do festival acabou por se situar no Palco Super Bock e ao fim da noite. Na noite de sexta-feira, Bloody Beetrootz e Steve Aoki partiram literalmente tudo, já depois de um live act exemplar dos Booka Shade.
No último dia, o trio Simian Mobile Disco/Crookers/Boys Noize provou que o presente do rock`n`roll está na electrónica e não no cheiro a mofo vindo de Seattle. Felizmente, há uma subcultura crescente, pouco interessada nos estatutos e mais preocupada em aproveitar o momento. Com alguns excessos próprios da idade à mistura.
E porque o equilíbrio entre palcos marcou o festival (a propósito, é inevitável que o segundo maior espaço cresça na próxima edição), Legendary Tiger Man e o seu harém provaram que é possível trazer artistas portugueses para um cartaz de gabarito internacional, e tornar as suas presenças especiais.
Foi assim com a curadoria da Enchufada, primeiro, graças a uma selecção cuidada e coerente, reforçada pelos britânicos Benga e Laidback Luke. O efeito repetiu-se com o homem-tigre Paulo Furtado e restante galeria feminina a partilharem com ele e o palco e a terem também a sua oportunidade de actuar a solo.
Quem não caiu aos pés de Paulo Furtado foi Asia Argento que, segundo o próprio, ficou retida num aeroporto de Florença, provavelmente a rodar uma curta-metragem, acrescentamos. Destaque para a presetação da aniversariante e namorada Rita Redshoes, em «Hey, Sister Ray».
Contudo, houve mais farra e da grossa, primeiro com os Dropkick Murphys, uns Pogues californianos com gaita-de-foles, claro, a pedirem urgente regresso mediante determinadas condições (por exemplo, um recinto ao ar livre), e depois com os Gogol Bordello, eficazes dentro de uma fórmula detectável.
Sobram notas muito positivas para os Gomez, ressuscitados e em boa forma, Girls (uma escolha certeira para um festival como o Alive), Peaches (o ritual do habitual) e Miike Snow (uns Animal Collective vindos do frio). O festival registou entre 115 a 120 mil entradas e o balanço é globalmente muito positivo.