Permitam-me que desenterre este tópico, cujo assunto é interessante.
De facto registei-me em Maio de 2015 mas, na altura, confesso que este tópico passou-me ao lado.
Tenho uma opinião um pouco ambígua em relação a esta temática, pois a distinção entre tratar alguém por TU ou por VOCÊ depende de inúmeras circunstâncias que já foram abordados, de uma forma ou de outra, ao longo destas 6 páginas.
No entanto é preciso ver uma coisa: essa distinção de tratar alguém na 2º ou na 3º pessoa já vem de tempos imemoriais, e só por isso, é justo dizer que isso é o que nos faz distinguir como povo, em termos educacionais (e por isso será correcto dizer que faz parte da nossa cultura)!
O que acontece é que, ao longo do tempo, essas formas de tratamento foram-se adaptando conforme o contexto, mas cujo princípio se mantém igual na sua raíz.
Nos tempos de hoje, o tratar alguém por TU ou VOCÊ resume-se basicamente nisto: na escola trata-se pela 2º pessoa (não é por acaso a velha expressão "não andei contigo à escola para me estares a tratar por TU"[

], e mais tarde já no mundo laboral, e principalmente quando ficamos mais velhos, o tratamento será na 3º pessoa.
Pessoalmente, e vou ser muito sincero, concordo que assim seja. Confesso que antigamente, à medida que ia ficando mais adulto, me deprimia um pouco quando as pessoas começavam-me a tratar mais por Você do que por Tu porque, precisamente, fazia-me sentir ainda mais velho. Preferia sempre o tratamento na 2º pessoa para ser igual como era na escola... mas agora, com uma outra maturidade (que é normal senão não evoluía) já vejo as coisas de outra maneira. Até já prefiro que me tratem mais na 3º pessoa, até mesmo para manter uma certa distância que acho que é inevitável não só nas relações profissionais mas também sociais!
Por isso, e dizendo isto de forma sucinta, aquilo que faz a pessoa tratar alguém na 3º pessoa, será: Idade (factor principal, uma pessoa que seja pelo menos 15 anos mais velha sou incapaz de tratar por tu); Posição da pessoa (chefe/subordinado; Cliente/Empregado

e o grau de confiança com a pessoa (permitir ou não que essa pessoa entre na esfera pessoal da outra ou não).
Conforme já foi dito ao longo deste tópico, estou plenamente de acordo quando se diz que o tratamento na 2º pessoa, dará mais azo a excesso de confiança.. e quando queremos manter uma relação mais distante, o tratamento por Você é o mais apropriado..até porque se houver alguma chatice, a ruptura até é muito mais acessível para ambas as partes pois a relação já era "fria" (isto aplica-se bastante no mundo laboral, principalmente na relação entre superior hierárquico e funcionário).
E depois há outra questão, não menos importante: o User que abriu este tópico referiu que deveríamos todos tratarmo-nos na 2º pessoa e que deveríamos deixar-nos dessas peneiras do passado..tudo muito bem, se realmente a
tendência fosse essa...mas não é, muito pelo contrário! E com isto quero dizer que acho que não há sensação pior do que aquela de sermos chamados à atenção quando começamos a tratar alguém por TU e a outra pessoa não gosta... a relação fica logo inquinada! E isso acabaria por fatalmente acontecer se usámos
sempre a abordagem do TU com as pessoas.
Para finalizar, a questão de tratar pelos títulos.. seja por senhor, Dr, Engº, Arq., o que for, é uma coisa que não me faz confusão nenhuma... até é bom que haja algum formalismo nisso sobretudo (uma vez mais) no mundo laboral. É verdade e eu concordo em absoluto que muitas vezes , quando se insiste em tratar alguém por Dr, é porque no fundo essa pessoa acha esse "Dr" um idiota...mas que diferença isso nos faz se a outra parte sentir o mesmo? Eu posso estar a tratar alguém por Sr.Dr. X (e ele de igual forma) e a nos desprezarmos mutuamente, que no final ninguém ficará a chorar com pena um do outro se as coisas não acabarem da melhor forma, pois o distanciamento já tinha sido criado. (a racionalidade e objectividade tem que imperar sobre a emotividade, sobretudo no mundo dos negócios). Portanto o tratar por Tu somente as pessoas de família, amigos muito próximos, e colegas de trabalho (na mesma hierarquia e que sem grande desfasamento na idade).
Just my 2 cents[

]