No meu percurso académico não fui praxado, não quis mas deveu-se em parte ao facto de ter de apanhar o comboio para Famalicão todos os dias, não aluguei quarto no Porto o que eventualmente me teria levado a fazer as tristes figuras a que os caloiros são sujeitos no primeiro ano de faculdade. Falta de experiência de vida, ânsia de novas experiências, medo de rejeição e demasiado tempo livre são os factores ideais para que não se recuse a praxe.
E tenham santa paciência quanto a essa de "só vai quem quer"... É verdade que teoricamente sim, só vai quem quer e ninguém vai arrombar a porta do quarto e arrancar-nos da cama para a praxe mas indo para a universidade todos os dias, a tal "integração" (grande LOL) não vai ser igual e há sempre ameaças, distinções e rótulos.
Que me recorde de ameaças ouvi apenas uma mais aberta de um tipo trajado a dizer que estávamos proibidos (eu e mais outro) de sair do Campus porque era praxe... Na altura ri-me na cara do fulano, não só porque alegadamente era "caloiro-estrangeiro" (outro grande LOL para essa designação de quem mudou de universidade no primeiro ano) e também porque a ameaça do "eu que vos apanhe em festas" não surtiu efeito.
O outro castiço que estava comigo, o verdadeiro Jorge Correia (dai o meu nickname), um comerciante de batatas da Areosa no Porto, ainda lhe ofereceu um tabefe ou dois mas o amargo de boca ficou por ali... [

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Quantos mais países têm esta "tradição"? (entre aspas porque sempre a houve mas em Coimbra)
Na Polónia - onde me encontro há mais de dez anos - não existe, nem nunca existiu, tal coisa e a par e passo as pessoas vão-se conhecendo e integrando mas em Portugal não, defende-se a praxe como se fosse uma vaca sagrada e ai de quem ousar enfrentar os pseudo-gangsters da tradição de integração no mundo universitário, da comissão de praxes, Dux, Papa e cabidos e outras designações institucionais e religiosas com odor aos "tempos da outra senhora"...
Se há imensos "doutores" (mais uma vez entre aspas porque ainda não o são) que não exageram e são impecáveis há também outros tantos que vêm na praxe a oportunidade para "comerem gajas" (bêbadas) que em estado ébrio provavelmente nunca se entregavam a eles e cometerem excessos com o álibi de ser "a tradição". Só não vê isto quem não quer e a discussão do assunto, como se lê neste
thread é, pelos vistos, de trato delicado...
A tradição parece-me estar enraizada no lado negro e menos romântico da História de Portugal, dos descobrimentos, da colonização e escravatura onde a falta de respeito por o semelhante era justificada pelo serviço prestado à Coroa e a Deus.
O que justifica então os excessos cometidos por a "tradição académica"? Quem pode ser responsabilizado quando a mesma implica humilhação, coação e morte?
Sinceras desculpas pelo "testamento". Parece que estou a escrever no meu blogue. [

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