A Uminho deve ser das universidades que mais regras criou nos últimos anos, devido às muitas queixas de pais devido aos exageros que iam existindo, sendo que em 2011 (penso eu) tomou medidas mais restritivas, principalmente nos locais, períodos de praxes, indo até à linguagem utilizada (que foi o que levou ao caso do Professor praxado na semana passada).
Permite ainda assim praxe durante todo o ano desde que cumprindo as regras.
Mesmo assim os problemas mais ou menos conhecidos continuam e vão continuar porque fora da área da universidade nada podem fazer.
Uma pergunta simples a quem defende a praxe, se a mesma é para integração na universidade, qual o motivo de toda a gente estar vários dias durante 5, 6 7horas de cabeça para baixo e não se poder sequer dirigir a quem praxa (doutores dux, engenheiros, etc)?
O caso mais grave que conheci na praxe, foi no meu julgamento de curso em que uma caloira foi queimada com ferro de passar numa brincadeira estúpida. A pressão que sofreu para não apresentar queixa era digna de ser estudada, passou de vitima a quase criminosa, sofrendo várias ameaças.
O caso acabou conhecido porque ela vivia com uma cardeal que apresentou queixa no cabido de cardeais (órgão máximo da praxe), que no final deu em nada. Mesmo tendo saído nos jornais e sendo conhecido pela universidade nunca ninguém fez nada. A rapariga com 18 anos, deslocada centenas de quilometros com medo calou-se como seria de esperar, hoje arrepende-se.
Eu fui praxado, como já disse noutro tópico era um anti praxe na praxe, era o tipo que levava uma tshirt para a praxe com a frase " A liberdade não tem preço" que me fez encher centenas de flexões, recusei dezenas de praxes, fui insultado com as frases tipicas da praxe, insultei o Papa (que na UM é o órgão máximo e na altura era do meu curso, sendo que era um autentico animal e preconizava tudo aquilo que não deve ser um gajo que representa a praxe), fui ameaçado dezenas de vezes com cabido de cardeais, comissões, exclusão da praxe, etc. Mantive-me por lá até ao fim na minha onda.
Os que "facilitaram", principalmente raparigas, acabaram por sofrer alguns abusos, não foram raras as vezes que choraram por causa da praxe por exemplo. Vi várias serem obrigadas a beber quase até cair para o lado.
Quando chegou a minha vez de praxar usei traje, participei na praxe unicamente como assistente, tendo-me chateado várias vezes com outros doutores porque mandava os caloiros curtirem a praxe e mandarem dar uma volta os doutores que os insultavam e os punham a fazer cenas tristes, que era o que acontecia a maior parte das vezes. Criei alguns "inimigos" de praxe, mas fiz-lo de consciência tranquila.
Conheci centenas de pessoas durante a praxe, dos que me praxaram nenhum é meu amigo, apenas e só conhecidos.
Hoje não me arrependo de ter participado e provavelmente participaria novamente, mas a atitude seria ainda mais de recusa de maior parte das atitudes que me mandavam fazer.
Durante os anos que andei pela Universidade fiz várias denúnicas nos jornais da Universidade contra praxes que em minha opinião eram claros abusos, principalmente de LESI (curso onde as praxes são mais famosas por serem mais duras), sendo que quase sempre acabei seguido pelos engenheiros, praxantes e praxados, onde a única justificação que davam era que toda a gente participava de livre vontade e por isso podiam mandar fazer o que lhes apetecia... nada mudou como se vê.