Ensino

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Mas ainda não perceberam que dar negativas aos alunos em EF é óptimo e é um sinal de que EF é uma disciplina como as outras??? Eles até ficam desmotivados com a prática de desporto e tudo... Melhor na podia ser não é???

Miguel, apesar de EU não gostar de EF, não consigo sinceramente perceber o seu raciocínio.

Pelas suas palavras:

- Dar negativa a Química é desencorajar os alunos da Química;
- Dar negativa a Inglês é desencorajar os alunos de Inglês;
- Dar negativa a Informática é desencorajar os alunos de Informática;
- Etc...


O que é estranho é eu estar a ver um professor a defender aquilo que mais abomino correntemente nas políticas do Ministério da Educação:

- O facilitismo;
- O passar sem trabalho e sem esforço;
- O "não dêm negativas que os meninos, coitadinhos, ficam traumatizados";


Defende estes princípios para a SUA cadeira? E para a dos OUTROS?
 
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Não era isso que estava a dizer...

Pergunto-me a mim próprio o porquê de dar negativa a uma disciplina a um aluno que nunca mais vai utilizar conhecimentos aplicados nessas disciplinas!
E não estou a falar em dar positiva só por dar. E até porque há alunos que as merecem porque não fazem o mínimo de esforço para conseguir passar nos testes..

Agora pergunto-vos:
Um aluno que estuda em casa, mostra trabalho dentro da sala de aula, empenha-se, faz trabalhos extra-aula por sua própria vontade não merece uma recompensa??
Essa recompensa até pode não subir para o nível positivo mas o aluno sabe que foi compensado por fazer esses trabalhos todos...

Já me aconteceu um caso semelhante... Passo-vos a explicar.
Uma aluna estava no curso de ciências e tecnologias 10ºano.
A aluna, apesar de um excelente empenho por parte dela e pelo apoio dado por mim, não estava a conseguir acompanhar a matéria. No final do período, a sua média era negativa.
No final da aula, tivemos uma conversa onde lhe expliquei que a média dos seus testes era negativa e que, apesar de a sua média ter sido subida pelo excelente comportamento, participação e um interesse fora do normal, não era possível dar-lhe um 10.
Logo, sugeri-lhe que mudasse de curso pois a matéria de FQ iria mudar de grau de dificuldade, e, portanto, não iria ter bases.

Eu dei-lhe negativa, mas, como tive uma conversa com ela motivou-se ainda mais e, no período seguinte, consegui ter média de 14:):):):)

Fiquei muito contente com ela (coloquei isso em acta) e até lhe dei um beijinho no final do ano pelo trabalho feito ao longo do ano.

Isto é uma prova de que se deve valorizar o trabalho feito pelos alunos...
 
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O objectivo do Ensino Secundário, é dar formação de caracter geral aos alunos, conseguir também que eles ganhem competência a nível do trabalho desenvolvido, de trabalharem para conseguirem atingir resultados.

Portanto as negativas ou positivas, devem ser dadas, relativamente, nível que o aluno chegou na disciplina, conjuntamente com outros factores, como o empenho, a postura e atitude.

TODOS OS DOCENTES O FAZEM!!!!

Pela ordem de ideias, que alguns apresentam aqui, quem não tivesse mais Filosofia, tinha positiva, mesmo que a média fosse de 1, quem não tinha mais Matemática, também e por aí adiante.

Tenho 5 turmas, em todas ele ouve uma ou duas negativas, à excepção de uma em que não houve nenhuma, grosso modo penso que a média das minhas turmas andará pelo 14. Dei um 19, e pela primeira vez na minha vida acho que darei um 20.

A esta turma de 8ª ano dei 48% de negativas. Todos os professores se queixam. Foi descoberto, por mim, que no primeiro período, se embebedavam todos os dias. Um grupo de alunos foi parar à esquadra, porque foram apanhados, com droga e quando viram a polícia Segura deitaram a droga para o chao. O resultado foi os pais serem chamados à esquadra para resolverem o problema. Foram 12 alunos.
Não sendo DT, tenho telefonado a vários pais dizendo, que andam com companhias pouco adequadas, que saiem da escola sem autorização.
Informar que estes alunos têm entre 12 e 13 anos.

Claro que estes comportamentos têm que ser incentivados com notas excelentes, porque senão desmotivam-se e não vão para a faculdade e a culpa é da Educação Física.:sh)

Quando iniciei o ano com eles, aquilo era uma selva. Agora entram, sentam-se no grupo, que eu disse e esperam a informação. Não tinham regras de comportamento na aula, nem regras de conduta. Não chegam atrasados, nem faltam. Fazem a aula cumprindo as regras estabelecidas. Não mascam pastilhas, nem usam o telemóvel. Não usam objectos metálicos, e vem adequadamente equipados, as raparigas, com o cabelo apanhado. Trabalham, na tarefa que eu digo e, como eu digo. Quem não cumpre, sai.

Ajudá-los sempre, que precisem e que mostrarem que é merecido.

Iniciei o 1º período com esta panoramica, para não o acabar com uma percentagem bem superior. Tenho nesta turma, uma aluna com atestado médico, à qual fiz um plano de trabalho, nem um único me apresentou, depois de n recados na caderneta, depois de várias vezes, lhos pedir.
Claro é dar positiva, para ela no próximo período, me apresentar pelo menos um.

E para mostra que a minha postura é igual em todo o lado, deixo aqui uma declaração que fiz numa reunião:

"
Sempre que dou aula tenho verificado que o material se encontra desleixadamente arrumado, de qualquer maneira, sem o mínimo cuidado.
Considerando que o material adquirido deve ser manuseado com responsabilidade, de forma a ter mais durabilidade. Por outro lado devemos incutir no aluno o respeito e cuidado pelo “bem que é de todos”, que todos devemos estimar e cuidar. Esta atitude, serve inclusivamente o ganho de um bem educativo e cultural, que faz parte da cidadania, que é o respeito pelo que é de todos, e pelo que é do outro, tal como fosse nosso , o aceitar que a escola é nossa e deles, sua pertença, e também estimada e bem tratada, devendo tudo deve ser tratado com cuidado e carinho. Fazer ver que se o material durar mais tempo, temos possibilidade de comprar mais material, para podermos leccionar mais e melhor, proporcionar outras actividades e eles terem espaços e actividades cada vez mais diferentes e mais enriquecedoras.

Mas o que tenho observado, é que quem contribui, muitas vezes para esta situação são os professores. Tenho observado quem saia da aula antes dos alunos, há que os mande arrumar e que não fique a supervisionar essa arrumação. Considero que os alunos saem 5 minutos mais cedo para tomarem duche, mas parece que esse tempo serve para por vezes se sair mais cedo, pois se a arrumação ainda está em tempo de aula, não entendo o porque dos docentes saírem do espaço, não supervisionando os seus alunos na arrumação, como é da sua obrigação.

Observando os tapetes de Judo, como estão arrumados, sem cuidado a rasparem na parede de qualquer maneira, e colocados em cima de um dos cabos da barra fixa, alguns já a levantarem o plástico lateralmente. A equipa de professores que conseguiu que os tapetes ficassem cá como, uma mais valia, para ensinar mais uma actividade só pode olhar para isso com tristeza. Ressalvando que os tapetes são caríssimos, e que se se estragarem, não serão adquiridos outros. A rede de voleibol constantemente mal arrumada e embaraçada, sem consideração nenhuma por quem dá aula a seguir, as bolas de voleibol, esmagadas no armário de qualquer maneira.

Isto deve-se a falta de vigilância e supervisão dos alunos na arrumação do material. Solicito assim que seja aprovado, que o professor é que deve vigiar essa arrumação e nunca sair antes dos alunos do espaço de aula e que venha mesmo a fazer parte do regulamento interno. O objectivo dos cinco minutos de saída mais cedo, é para os alunos não para os docentes. "
 
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E todos os alunos da turma fazem portefólios?
Há um ano atrás quando deixei o secundário nunca tinha visto nada disso....

Quanto ao resto, por alguma razão os alunos têm mais aulas de Quimica/fisico-quimica que de educação fisica por semana...

Sim todos fazem, mas em grupo. Vai sendo feito ao longo do ano, conforme eu vou dando a matéria.

Por exemplo eu dei hoje a manchete, eles vão colocar no Portefólio:

Voleibol
-Colocam as características do jogo, do campo, e regras.

manchete:

- descrição
- A componentes críticas do gesto (aspectos importantes do gesto)
- principais erros
- Quando deve ser executada em jogo

fazem isso para tudo o que for dado.

Colocam também tudo o que encontrarem, artigos válidos, sobre a condição Física, Estilos de vida Saudável, doenças alimentares, etc.

Podem colocar artigos de jornais, revistas, enfim tudo aquilo que esteja relacionado com o que é dado.
A organização, e a apresentação pode valorizar o portefólio.

Eu até lhe colocava as minhas planificações anuais, e até um plano de aula, mas já tentei e não consegui, porque está em tabelas. Só para verificar, que não estou a falar de cor.:sh)
 
Sim todos fazem, mas em grupo. Vai sendo feito ao longo do ano, conforme eu vou dando a matéria.

Por exemplo eu dei hoje a manchete, eles vão colocar no Portefólio:

Voleibol
-Colocam as características do jogo, do campo, e regras.

manchete:

- descrição
- A componentes críticas do gesto (aspectos importantes do gesto)
- principais erros
- Quando deve ser executada em jogo

fazem isso para tudo o que for dado.

Colocam também tudo o que encontrarem, artigos válidos, sobre a condição Física, Estilos de vida Saudável, doenças alimentares, etc.

Podem colocar artigos de jornais, revistas, enfim tudo aquilo que esteja relacionado com o que é dado.
A organização, e a apresentação pode valorizar o portefólio.

Eu até lhe colocava as minhas planificações anuais, e até um plano de aula, mas já tentei e não consegui, porque está em tabelas. Só para verificar, que não estou a falar de cor.:sh)

Não duvido que está a dizer a verdade, mas como já disse, e pela recente experiência que tive no secundário, você e talvez a sua escola são excepções! todos os professores de EF que já tive queriam era ver em quanto tempo corriamos, quantas flexões faziamos e se jogavamos bem futebol...
 
...

Eu até lhe colocava as minhas planificações anuais, e até um plano de aula, mas já tentei e não consegui, porque está em tabelas. Só para verificar, que não estou a falar de cor.:sh)


Use o scribd que a malta das dúvidas vai lá tirar as teimas sobre as planificações.

Gostei desta troca de ideias e sobretudo dos argumentos da Helena.

Reparem que os professores não dão notas: os alunos é que as tiram![;)]
 
Estava a ler um bocado dos posts da Maria Helena e admiro nela a coragem de fazer diferente, para melhor.

Coisa que é rara em Portugal.

Daí o meu registo. [;)]
 
Helena, não precisamos disso.
Felizmente, cada um tem a sua opinião!!

Não vamos estar a discutir opiniões

Mikguel, uma pessoa com formação universitária, no mínimo, fundamenta as suas opiniões, em factos e estudos científicos, não no senso comum.


Outra coisa, nenhum homem manda em mim!! nem na Internet,...

Vou colocar vou, convido-o também a colocar as suas. :sh)
 
Estava a ler um bocado dos posts da Maria Helena e admiro nela a coragem de fazer diferente, para melhor.

Coisa que é rara em Portugal.

Daí o meu registo. [;)]

Não sou rara não, nem quero ser Carlos, há colegas meus de disciplina e de outras a trabalhar muito bem.

É pena é que não sejam valorizados, e entendidos, muitas vezes pelos colegas, ...

Não sei se faço melhor ou pior, o que sei é que tento fazer o melhor que sei, e melhorar todos os anos.
 
Realmente, que voltas dá este tópico. Agora com o interessante tema da avaliação em Educação Física, introduzido pelo Miguel Costa, dando mostras de nada ter percebido quando lhe aconselhei contenção e reflexão nos comentários que aqui faz.

Eu, como o Miguel Costa, sou professor de Física e Química. Mas, ao contrário do meu colega, parece-me que tenho outra (alguma) experiência. Lembro-me, ainda, de uma época em que a Educação Física nas escolas era pouco mais do que medíocre. Isto acontecia por várias razões mas a principal sempre foi a desconsideração que a comunidade escolar nutria pela disciplina. Não interessava para nada e, portanto, nada devia valer. A maioria dos professores da área não se ralava porque, bom ou mau trabalho, a valorização dos pares era a mesma. Pouca ou nenhuma. Por outro lado, caía o Carmo e a Trindade se alguém ousava avaliar negativamente um aluno nesta disciplina, mesmo se a criatura em causa se recusasse a trabalhar.

Desde então, muito mudou. Agora, a exigência é outra. O rigor aumentou. A avaliação é menos permeável a pressões exteriores. Embora continuem a existir professores que pouco se empenham no cumprimento dos seus objectivos, muitos outros têm desenvolvido uma cultura de rigor e excelência, tornando os seus alunos mais capazes nesta área essencial. A disciplina é já vista de outra forma nos conselhos de turma e, soubessem todos os professores de Educação Física trabalhar com a exigência de alguns, teria, certamente, o estatuto que merece, uma entre iguais.

Infelizmente, muitas vezes são os colegas de outras áreas curriculares que não partilham esse rigor. Para um Director de Turma é muito mais fácil maltratar o professor de Educação Física do que educar os encarregados de educação para a importância da disciplina. Faz um mau (péssimo) trabalho mas, naqueles breves momentos em que está a discutir um assunto desagradável - a avaliação negativa atribuída - sai incólume. Nada tem que explicar. Reflectir é para outros. Tudo se resolve assacando todas as culpas ao colega que cometeu o erro de ser exigente. Confesso que poucas situações me repugnam mais do que esta. A cultura da mediocridade imposta a quem ainda a não assumiu. O que nos tempos que correm não é tarefa simples.

PS - Não admira que esta tese defendida pelo Miguel Costa aqui, neste fórum, tenha tantos seguidores. Não é mais do que a confirmação de que o trabalho da Maria Helena está bem talhado à sua personalidade. Não deixa de ser triste, mas é apenas mais um sintoma do muito que nos separa do desenvolvimento cultural de outras bandas.
 
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Realmente, que voltas dá este tópico. Agora com o interessante tema da avaliação em Educação Física, introduzido pelo Miguel Costa, dando mostras de nada ter percebido quando lhe aconselhei contenção e reflexão nos comentários que aqui faz.

Eu, como o Miguel Costa, sou professor de Física e Química. Mas, ao contrário do meu colega, parece-me que tenho outra (alguma) experiência. Lembro-me, ainda, de uma época em que a Educação Física nas escolas era pouco mais do que medíocre. Isto acontecia por várias razões mas a principal sempre foi a desconsideração que a comunidade escolar nutria pela disciplina. Não interessava para nada e, portanto, nada devia valer. A maioria dos professores da área não se ralava porque, bom ou mau trabalho, a valorização dos pares era a mesma. Pouca ou nenhuma. Por outro lado, caía o Carmo e a Trindade se alguém ousava avaliar negativamente um aluno nesta disciplina, mesmo se a criatura em causa se recusasse a trabalhar.

Desde então, muito mudou. Agora, a exigência é outra. O rigor aumentou. A avaliação é menos permeável a pressões exteriores. Embora continuem a existir professores que pouco se empenham no cumprimento dos seus objectivos, muitos outros têm desenvolvido uma cultura de rigor e excelência, tornando os seus alunos mais capazes nesta área essencial. A disciplina é já vista de outra forma nos conselhos de turma e, soubessem todos os professores de Educação Física trabalhar com a exigência de alguns, teria, certamente, o estatuto que merece, uma entre iguais.

Infelizmente, muitas vezes são os colegas de outras áreas curriculares que não partilham esse rigor. Para um Director de Turma é muito mais fácil maltratar o professor de Educação Física do que educar os encarregados de educação para a importância da disciplina. Faz um mau (péssimo) trabalho mas, naqueles breves momentos em que está a discutir um assunto desagradável - a avaliação negativa atribuída - sai incólume. Nada tem que explicar. Reflectir é para outros. Tudo se resolve assacando todas as culpas ao colega que cometeu o erro de ser exigente. Confesso que poucas situações me repugnam mais do que esta. A cultura da mediocridade imposta a quem ainda a não assumiu. O que nos tempos que correm não é tarefa simples.


Estava a tentar fazer o que o Manoel me disse, quando vi o seu excelente post!! Não por ser a favor, mas sim pela excelência da sua argumentação. é destes post que estou à espra de um docente, obrigado por ter contribuído por aumentar o nível da discussão. [;)]

Obrigado colega pelo seu testemunho e opinião.
 
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