A igreja tem futuro?

A igreja tem futuro?

  • Sim, tenho.

    Votos: 37 33,9%
  • Não, sou ateu.

    Votos: 72 66,1%

  • Total de eleitores
    109
Citação de:

Paramahamsa Sri Nithyananda



Citação de:

Luis Buñuel


P.S. Não fiquem melindrados, apenas considero importante que se refiram os autores do "quote". [;)]

Não é questão de ficar melindrado...

O nome da minha citação não engana. Tu e eu sabemos que aquilo é um mundo muito serio e complexo para ser abordado de qualquer maneira.
É preciso ter uma abordagem muito cuidadosa para algo que realmente é uma espécie de tesouro arqueológico, que a ciência acompanha desde sempre e não faz intenções de revelar até ter o total compreensão.

Ok, quando Alanis Morrisette diz "Thank you India" não é por acaso ;)
 
Última edição:
Não é questão de ficar melindrado...

O nome da minha citação não engana. Tu e eu sabemos que aquilo é um mundo muito serio e complexo para ser abordado de qualquer maneira.
É preciso ter uma abordagem muito cuidadosa para algo que realmente é uma espécie de tesouro arqueológico, que a ciência acompanha desde sempre e não faz intenções de revelar até ter o total compreensão.

Ok, quando Alanis Morrisette diz "Thank you India" não é por acaso ;)

Compreendo perfeitamente mas no caso do Yogi em questão e apesar da sua indiscutível sabedoria a polémica estalou na Índia depois de revelarem certos aspectos da sua vida. Na Índia quem se veste de laranja e pretende ser um guru não pode calcar certas linhas limite. Isto foi-me dito por uma pessoa próxima que em tempos foi Hare Krishna. [;)]
 
Ás vezes sou emprenhado pelos ouvidos sobre este tema cá da terra, que, lá tropecei neste Blog...



Enfim, feito um rápido retrato socio-cultural, necessariamente incompleto, olhemos agora um pouco para a realidade pastoral. A Paróquia tinha na primeira metade do século XX uma série de irmandades e associações cristãs, que como na generalidade do país tiveram tendência a dissipar-se. A grande força espiritual de meados do século veio sem dúvida da Acção Católica, mas também esta perdeu a vitalidade após a Revolução de Abril. São os anos 80, com o Pe. Cosme, que trazem à Paróquia uma nova fisionomia com a implementação do projecto NIP (Nova Imagem de Paróquia) do Movimento por um Mundo Melhor. A divisão da freguesia em 13 zonas constituídas com Equipas responsáveis pela dinamização da pastoral localmente (nas áreas da Catequese, Liturgia, Social, Juvenil, etc.) veio dar um novo impulso à vida da comunidade. Muitas pessoas, até aí instaladas numa prática tradicional, despertaram para a missão da Igreja. Foi pena que esse projecto tenha sido abandonado nos anos 90, mas ainda hoje se colhem os frutos. A estrutura mantém-se e muito contribuiu também para a concretização recente de um sonho da Comunidade Paroquial, a construção de um grande Centro Pastoral que veio dar resposta às muitas exigências da pastoral moderna. Neste Centro estão todos os serviços administrativos da Paróquia, as salas de reunião e de catequese (temos mais de mil crianças e adolescentes em toda a freguesia), a sede dos escuteiros, o salão paroquial, espaços de convívio e de cultura e até uma capela para pequenas celebrações. São muitos os grupos e movimentos que dão vida a esta casa vulgarmente chamada de Centro Comunitário.



Vem de longe o casamento de conveniência entre a Igreja Católica e a Benedita. Numa vila em que se passou do trabalho do campo, e dos artesãos, para uma espécie de mini-revolução industrial, seria de esperar que a par do crescimento viesse desenvolvimento. E veio, mas não a todos os níveis.
A marca identitária da Benedita é dual: assenta, por um lado, num forte apego à religião, e por outro, no vazio, no que concerne às manifestações artístico-culturais. Haverá rebanho mais calmo do que aquele que não sabe que para lá dos montes há vales? A Cultura e a Arte, nas suas várias expressões, conduzem a algo de extremamente perigoso para o compêndio estanque da Igreja Católica - a capacidade de pensar. Ou seja, a capacidade de questionar.
A Benedita beneficiou, ao longo de décadas, dos diversos párocos que nela se instalaram. Bastou aos primeiros “fazerem o molde”, perceberem que estavam a braços com uma população iletrada, pacífica e profundamente rural, e imprimirem-lhe uma espécie de identidade religiosa enquanto expressão cultural. Religião enquanto Cultura. Arte enquanto Escritura. A Igreja proporcionava festa, partilha, envolvimento. E transformava os seus fiéis em agentes sociais – a este dinamismo cultivado se deve a própria igreja paroquial, o carácter regular das acções de angariação de fundos para os Bombeiros Voluntários, ou ainda, em parte, o nascimento do Lar e Centro de Dia.
Escreve-se, não raras vezes, que a Igreja não se instalou graciosamente na Benedita, mas antes que fundou a própria Benedita. O raciocínio não está completamente errado, mas esquecemo-nos frequentemente de que a Igreja, assim como congregou toda uma população, moldou-a, no seu estilo muito próprio de ditadura pela moral, privando-a, portanto, de outros pulsares e até de outros desígnios.
Numa vila onde floresce a micro-empresa (na maioria das vezes, familiar), onde a taxa de abandono escolar é elevadíssima (muitas vezes por culpa dos próprios pais), e onde estudam, diariamente, mais de 2000 crianças e jovens, a sua Igreja, agora e sempre, esquece o Cristo ressuscitado e prega-o constantemente à cruz. À condição de mártir, mas, sobretudo, de pecador.
A Benedita cresceu a dar graças pelo que tem. Pelo que as suas empresas, tal qual amibas, em nada ajudam o país, mas ajudam muito o ego de quem as tem.
A Benedita cresceu com uma Igreja que é uma festa, para a qual as senhoras vão ao cabeleireiro, mas não tem Música, não tem Teatro, não tem Dança, não tem NADA. Porque um livro, ou um filme, cuidado!!!, são formas de subversão. [Sim, refiro-me directamente a si, padre Armindo...]
As escolas, sobretudo o Externato, debatem-se com a falta de iniciativa dos jovens beneditenses para o que quer que seja. Mas, que fazer quando esses jovens ouvem, em sua casa, que não há mal algum em não acabar o 9º ano e ir trabalhar para uma fábrica? “O irmão desistiu, e hoje já tem o carro artilhado..., Para quê estudar, se se pode ajudar o pai?, A estudar, que ao menos seja em Leiria...”
Muitas vezes, o que os pais destes jovens querem é que eles não cheguem sequer a sair. Que fiquem na terra, e façam dinheiro, como eles! Nos porcos, nos coelhos, seja no que for. Muitas vezes, o que os licenciados querem é voltar, para gerir os porcos, ou os coelhos, seja o que for. Desde que seja micro, desde que seja na Benedita, desde que seja, no fundo, como se nunca se tivesse passado nada. As gerações diluem-se...
E depois, um bom filho a casa torna. E nem todos podem ser especialmente iluminados. Nem devem, diriam alguns clérigos.
Muitos dos filhos da Benedita e da sua Igreja já nascem formatados. E são poucos, aflitivamente poucos, os que conseguem, numa operação de distanciamento, ter consciência da engrenagem, e dar frutos, as sementes, “do diabo”, que os salvem.
A apologia da mediocridade humana, debitada pela esmagadora maioria dos párocos que passaram pela Benedita, ainda grassa, e, com o padre Armindo, a todo o vapor. (Os oásis não se repetem. E, justiça seja feita, chegam-me, a este respeito, cada vez mais ecos de apreensão e descontentamento.)
Nota breve sobre o referendo do dia 11...
Naturalmente pelo SIM, gostaria apenas de lembrar a muitos católicos, e ao pároco da Benedita em particular, que há, em Portugal, muitos “padrinhos”-párocos, muitas mães que, por não o desejarem ou conseguirem ser, batem, torturam e matam os filhos, e muitas outras que consideram que 4 ou 5 já chega...
Relembro ainda que: o preservativo rompe, a pílula pode falhar, e que a laqueação e a vasectomia podem, ainda que raramente, ser regressivas. Cristo pedia que deixassem ir a ele (perdão pela minúscula, o pronome não está no início da frase) as criancinhas. Deixemos, pois. Que não sofram, se não são desejadas. E não nos esqueçamos nunca, e na Benedita há-os todos, e todos, felizmente, praticantes – virgens, padres, homossexuais, hipócritas, não hipócritas, mulheres que abortam, mulheres que não abortam: somos todos filhos de Deus.
http://beneditaquemmedera.blogspot.com/2007/02/dos-rebanhos.html

Mas se ele assim o diz, será um segundo milagre de Nossa Senhora da Benedita...

Agora o desafio é continuar a formar cristãos para o futuro, numa terra apanhada pela globalização no que ela tem de bom e de mau. A prática dominical, que chegou a ultrapassar os famosos 100%, desce abruptamente desde as últimas 3 décadas, estando agora abaixo dos 30%, embora o crescimento da população atenue o impacto. A minha preocupação não está na quebra da quantidade, mas sim na qualidade de vida cristã daqueles que são praticantes. Os pais das crianças da nossa Catequese são, na sua maioria, muito débeis no testemunho cristão para com os filhos. A força da tradição que ainda os impulsiona vai-se esbatendo e só uma redescoberta profunda da fé os poderá salvar da aridez da incredulidade que paira por esta Europa. A Paróquia da Benedita poderá ter, a meus olhos, um futuro incerto, mas está nas mãos dos seus cristãos de hoje preparar o futuro, como os nossos antepassados fizeram para nós. Que Deus nos inspire novas formas de evangelizar e a fidelidade no testemunho.
http://umasemanacom.blogspot.com/search/label/Pe. Armindo Reis
 
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Realmente não sei pá! Até gostava de umas luzes, que ando, digamos, confuso! Sobre o senhor Páraco da minha freguesia, tive conhecimento de uma pessoa deficiente que quis ser madrinha, e que lhe foi negado sobre a justificação do dito por que, cabe ao padrinho cuidar do seu respectivo, mas por não reunir, pelas suas limitações e condições de mobilidade, não o pôde ser... E pergunto eu, pode a Igreja ser processada por discriminação, ou é ela superior tudo e às leis? Que Deus é este afinal!?
 
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Realmente não sei pá! Até gostava de umas luzes, que ando, digamos, confuso! Sobre o senhor Páraco da minha freguesia, tive conhecimento de uma pessoa deficiente que quis ser madrinha, e que lhe foi negado sobre a justificação do dito por que, cabe ao padrinho cuidar do seu respectivo, mas por não reunir, pelas suas limitações e condições de mobilidade, não o pôde ser... E pergunto eu, pode a Igreja ser processada por discriminação, ou é ela superior tudo e às leis? Que Deus é este afinal!?

A ideia apesar de pouco humanitária não estará de todo errada se atendermos às bases da "coisa". A "função" de um padrinho ou madrinha tem raízes muito antigas e a finalidade do cargo era precisamente o de "seguradora". Eram geralmente pessoas de um estatuto económico e social superior, traduzindo-se assim numa segurança para o apadrinhado. Daqui não podemos é depreender logo que uma pessoa deficiente não seria capaz de sustentar ou providenciar para o apadrinhado. Haverá casos em que pode outros em que não. Para além disso hoje em dia o papel de madrinha/padrinho já não é tanto nessa premissa mas sim numa função de carinho e estima pelo que não faz grande sentido seguir as regras originais e de forma rígida.
 
A ideia apesar de pouco humanitária não estará de todo errada se atendermos às bases da "coisa". A "função" de um padrinho ou madrinha tem raízes muito antigas e a finalidade do cargo era precisamente o de "seguradora". Eram geralmente pessoas de um estatuto económico e social superior, traduzindo-se assim numa segurança para o apadrinhado. Daqui não podemos é depreender logo que uma pessoa deficiente não seria capaz de sustentar ou providenciar para o apadrinhado. Haverá casos em que pode outros em que não. Para além disso hoje em dia o papel de madrinha/padrinho já não é tanto nessa premissa mas sim numa função de carinho e estima pelo que não faz grande sentido seguir as regras originais e de forma rígida.
É claro que pessoas com condições especias, para o seu projecto de vida terão de ponderar a forma como assegurar isso que exige mais de algum modo que uma pessoa normal, compreensível para mim, mas por outro lado inconcebível, de outra forma por exemplos um médico dizer a uma pessoa deficiente que não pode ter um filho por não se poder prestar ao papel comum. Mas isto é alguma justificação? Conheço casos em pessoas com limitações que são excelentes pais e se não com tanta dedicação que o comum das pessoas, e ainda acrescento até o apoio que os filhos dedicam a estes pais...

Por essa história que contei, peço desculpa mas não a aceito, tal como se uma pessoa dessas quisesse tirar um curso superior e negarem pela sua deficiência. Só que aqui tocamos no sagrado e ninguém quer colocar o dedo na ferida, ouse alguém por algum motivo processar a Igreja por motivos de descriminação. É simplesmente o que para mim se trata...

Eu bem podia ir ter com o senhor padre e ele ver que não falta uma perna, então Deus deve-me receber de braços abertos, mas depois confessasse-me que sofro de uma doença mental, como não mudaria o discurso (pelo seu preconceito...)... o que se aplica as aludências aparudem...
 
Religião e algo que não tem lugar neste mundo para mim , conseguem trazer o que a de pior no ser humano ao de cima em nome de um mito ,lenda ou que for .
Seu propósito a muito que se foi agora não passa de uma forma de puder usando a fé das pessoas , se aprendem-sem a viver do que realmente conseguem fazer e do que podem atingir pelo esforço viviam muito melhor em vez de esperar que a sorte caia do céu
 
É claro que pessoas com condições especias, para o seu projecto de vida terão de ponderar a forma como assegurar isso que exige mais de algum modo que uma pessoa normal, compreensível para mim, mas por outro lado inconcebível, de outra forma por exemplos um médico dizer a uma pessoa deficiente que não pode ter um filho por não se poder prestar ao papel comum. Mas isto é alguma justificação? Conheço casos em pessoas com limitações que são excelentes pais e se não com tanta dedicação que o comum das pessoas, e ainda acrescento até o apoio que os filhos dedicam a estes pais...

Por essa história que contei, peço desculpa mas não a aceito, tal como se uma pessoa dessas quisesse tirar um curso superior e negarem pela sua deficiência. Só que aqui tocamos no sagrado e ninguém quer colocar o dedo na ferida, ouse alguém por algum motivo processar a Igreja por motivos de descriminação. É simplesmente o que para mim se trata...

Eu bem podia ir ter com o senhor padre e ele ver que não falta uma perna, então Deus deve-me receber de braços abertos, mas depois confessasse-me que sofro de uma doença mental, como não mudaria o discurso (pelo seu preconceito...)... o que se aplica as aludências aparudem...

Não sei até que ponto é legalmente possível mover um processo à instituição Igreja por esses motivos. Se calhar até é mas se nos lembrarmos que até existe direito canónico, percebemos rapidamente a dimensão da "coisa".
 
Realmente não sei pá! Até gostava de umas luzes, que ando, digamos, confuso! Sobre o senhor Páraco da minha freguesia, tive conhecimento de uma pessoa deficiente que quis ser madrinha, e que lhe foi negado sobre a justificação do dito por que, cabe ao padrinho cuidar do seu respectivo, mas por não reunir, pelas suas limitações e condições de mobilidade, não o pôde ser... E pergunto eu, pode a Igreja ser processada por discriminação, ou é ela superior tudo e às leis? Que Deus é este afinal!?

Deficiente fisico ou mental ?
 
Já percebi que será fisico.

O padrinho/a madrinha tem apenas a responsabilidade de ajudar a educar a criança segundo os preceitos da igreja, isto na ausência (falecimento) dos pais.
Nestes casos, a nível da educação "pessoal" há sempre outros elementos da familia que se sobrepõem, nomeadamente tios, avós ...

É um baptizado ? Vão fazê-lo a outra freguesia.
 
Omega, é deficiente físico.

Quando a Igreja se propôe ajudar as pessoas, como com as suas mais variadas debilidades e limitações, achas, que isto é uma posição tanto moral como ética perante os preceitos que invoca?

Ou isto seja uma forma de integrar e aceitar na sua comunidade?

Pode um padre mediante as suas convicções estabelecer regras acima do que ela transmite?

Então uma freguesia prega uma coisa e outra prega outra e isto fica assim, à escolha do freguês?

Então uma pessoa deficiente não se poderá casar, pois se caso houver, a morte do conjugue e esta tiver de cá ficar a cuidar dos filhos, como é? É assim tão diferente, do caso que expus inicialmente?

Julgo que neste caso, o padrinho foi outro...[;)]
 
Omega, é deficiente físico.

Quando a Igreja se propôe ajudar as pessoas, como com as suas mais variadas debilidades e limitações, achas, que isto é uma posição tanto moral como ética perante os preceitos que invoca?

Ou isto seja uma forma de integrar e aceitar na sua comunidade?

Pode um padre mediante as suas convicções estabelecer regras acima do que ela transmite?

Então uma freguesia prega uma coisa e outra prega outra e isto fica assim, à escolha do freguês?

Então uma pessoa deficiente não se poderá casar, pois se caso houver, a morte do conjugue e esta tiver de cá ficar a cuidar dos filhos, como é? É assim tão diferente, do caso que expus inicialmente?

Julgo que neste caso, o padrinho foi outro...[;)]

Oh Nuno...Igreja e princípios morais e éticos? Só no papel, né?
Pode ser um bocado injusto porque existem imensas pessoas e instituições religiosas que ajudam pessoas e fazem um trabalho social extremamente positivo, mas todos sabemos que ao longo da sua existência foi sempre faz o que eu digo não faças o que eu faço e tudo o que fosse diferente ou opositor era para eliminar. Tudo contrário à doutrina defendida.
A meu ver a melhor solução que podes ter para o caso seria expor a situação ao superior hierarquico (bispo?) e esperar que ele considerasse ser algo merecedor de acção. Mesmo assim não o veria a desautorizar um pároco. O sistema eclesiástico ainda funciona mais ou menos ao estilo das cidades-estado.
 
Oh Nuno...Igreja e princípios morais e éticos? Só no papel, né?
Pode ser um bocado injusto porque existem imensas pessoas e instituições religiosas que ajudam pessoas e fazem um trabalho social extremamente positivo, mas todos sabemos que ao longo da sua existência foi sempre faz o que eu digo não faças o que eu faço e tudo o que fosse diferente ou opositor era para eliminar. Tudo contrário à doutrina defendida.
A meu ver a melhor solução que podes ter para o caso seria expor a situação ao superior hierarquico (bispo?) e esperar que ele considerasse ser algo merecedor de acção. Mesmo assim não o veria a desautorizar um pároco. O sistema eclesiástico ainda funciona mais ou menos ao estilo das cidades-estado.

Eu não me vou mexer por isso que o caso já foi arrumado e passado, mas reconheço a minha confusão em aceitar isto, e apenas é um caso entre alguns por aqui.

Na altura em que tive conhecimento e a conversa veio à baila, estava presente comigo um amigo, de um amigo meu, que conheço bastante bem, que é padre e uma pessoa bastante liberal, acho que também não não deve ter ficado melhor que eu...[:D]
 
- CITAÇÃO - :

A Igreja: obstáculo para a fé?

O título em forma interrogativa desta crónica foi sugerido por uma afirmação cuja autoria não pertence a nenhum teólogo perigoso, mas ao próprio Papa Bento XVI, quando era simplesmente Joseph Ratzinger: "Hoje, a Igreja converteu-se para muitos no principal obstáculo para a fé." Afinal, apenas uma constatação. É verdade que, sem a Igreja, como se teria ouvido falar de Jesus e do Deus de Jesus? Mas, por outro lado, lá está o teólogo J. I. González-Faus a dizer que a Cúria é responsável por mais ateus do que Marx, Nietzsche e Freud juntos.

Já aqui apresentei as ideias fundamentais da mais recente obra de Hans Küng: Ist die Kirche noch zu retten? (A Igreja ainda tem salvação?). Retomo a questão, partindo de uma entrevista sua à SWR2, a propósito do livro.

A quem o acusa de ressentimento responde: "Não. Julgo que continuo a ser capaz de falar muito bem com o Papa pessoalmente. Continuamos a manter correspondência e ele sabe que a minha preocupação é simplesmente a Igreja, mas que tenho uma concepção diametralmente oposta à sua no que se refere ao caminho a seguir. Interessa-me ressaltar que não chegámos a esta situação através do Papa Ratzinger, mas como evolução a partir do século XI." Aliás, enviou o livro a todos os bispos alemães, e as reacções foram "cordiais", e também a Bento XVI, com "uma carta cortês", na qual expunha como a sua intenção é ajudar a Igreja. E Ratzinger, num "gesto positivo", fez-lhe chegar o seu agradecimento.

Como exemplo da crise que atravessa a Igreja apresenta o caso da sua própria comunidade na Suíça. Havia quatro padres, hoje não há nenhum. Há um diácono fantástico, mas ele não pode presidir à Eucaristia por não ter sido ordenado sacerdote, e não pode sê-lo, porque é casado. "É completamente absurdo. Temos de abordar uma série de pontos muito concretos: 1. o celibato tem de ser opcional; 2. as mulheres têm de ter acesso aos cargos eclesiais; 3. é preciso permitir que os divorciados participem na Eucaristia; 4. deve estabelecer-se comunidades eucarísticas entre as diferentes confissões cristãs, sem se ter de esperar outros 400 anos."

Quando se faz o diagnóstico, vai-se ter inevitavelmente à reforma gregoriana. "A doença é o sistema romano", cujo gérmen foi introduzido com a chamada reforma gregoriana de Gregório VII, no século XI. Foi aí que se introduziu o papismo, o absolutismo papal, segundo o qual uma só pessoa na Igreja tem a última palavra. Isso produziu a cisão da Igreja Oriental. Aí radica o predomínio do clero sobre os leigos e o celibato obrigatório. A Reforma não teve êxito. O Vaticano II tentou lutar contra a situação, mas, com os dois últimos Papas, entrámos no restauracionismo.

O sistema de domínio romano faz com que se publiquem permanentemente documentos, sem perguntar ao episcopado nem consultar ninguém. É como se a Cúria tivesse o monopólio da verdade da Igreja. E por que é que os bispos mantêm o silêncio? "Porque já foram seleccionados no contexto de compromissos prévios, porque na ordenação prestaram juramento ao Papa, porque não podem falar livremente."

Mas quem vai admitir hoje que "uma só pessoa reclame para si o poder legislativo, executivo e judicial sobre uma comunidade de mais de mil milhões de pessoas?" A palavra "hierarquia" (poder sagrado) não se encontra no Novo Testamento; o que aparece é "diaconia" (serviço). "Hoje reina uma estrutura medieval que, em princípio, só se encontra nos países árabes. Recorda-nos o comunismo: baseia-se no secretário de um partido único que decide tudo. O resto foi escolhido em função da sua lealdade à linha papal. O mesmo se passa com os bispos. Mas já nem na Arábia se aceita os autocratas."

E a terapia? Faz falta, em primeiro lugar, "voltar às origens". "É impensável que Jesus de Nazaré comparecesse numa cerimónia do Papa; ele não teria lugar. É simplesmente uma manifestação de poder pomposa e imperial, onde todos aplaudem e os senhores deste mundo participam para serem vistos e ganhar votos."

A Igreja tem de regressar ao Evangelho. "Reclamo uma Glasnost e uma Perestroika."


- FIM DE CITAÇÃO -

A Igreja: obstáculo para a fé? - Opinião - DN Borges&tag=Opinião - Em Foco&page=-1
 
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