"Eu preferiria ter uma mente aberta pela curiosidade, do que uma fechada pelas certezas." (Gerry Spence)
Eu acredito na Natureza como algo fabuloso que aprecio em todo o seu esplendor e magnificência.
Nós, humanos, não temos a humildade e o discernimento de nos assumirmos como parte integrante deste mundo mágico reconhecendo a insignificância que a nossa existência ocupa no imenso universo. A humanidade tem tido a presunção de achar que neste pequeno reduto esquecido no vasto cosmos onde nos encontramos, fomos especialmente bafejados pela graça dos deuses que nos explicaram o motivo pelo qual tudo existe – e assim ficámos felizes e satisfeitos com as respostas que encontrámos para as nossas incertezas.
Nós, que do universo, pouco ou nada conhecemos, acreditamos ser os sábios que já encontraram todas as respostas. O nível de primitivismo de que esta ideia está impregnada, só pode ser sustentado pela cegueira da fé. Uma fé que turva a razão das pessoas, que as cristaliza de tal forma que irreflectidamente acreditam sem questionar o que quer que seja. Aliás, é este o esteio de todas as religiões e doutrinas – NÃO QUESTIONAR.
As pessoas que acreditam cegamente nas religiões que reflictam não só em alguns dos seus comportamentos e afirmações, como em tantas verdades que elas defenderam ao longo dos tempos como sendo inquestionáveis e que mais tarde foram refutadas.
Um dos muitos exemplos dessas verdades foi a de que a terra era o centro do universo rodeada que estava pelos astros que giravam em nosso redor. Religiões que se têm enganado tanto, como poderão elas gozar de confiança incontestável?
Nós que nunca saímos daqui no nosso «quintalzinho» estelar, temos a presunção de achar que conhecemos todos os segredos do universo.
Se esta visão estreita da realidade deixa muita gente feliz, o mesmo não se aplica à minha pessoa.
Reconheço a minha pequinês perante um todo tão vasto que não terei oportunidade de compreender durante a minha vida e, certamente, nem o será entendido pelas próximas gerações.
Mas tenho a humildade de saber que aos poucos iremos descobrindo os segredos do universo para o compreendermos.
Eu sei que é mais fácil e psicologicamente confortável acreditar que somos conhecedores da verdade. Mas não foi esse caminho que eu escolhi. Não escolhi enganar-me a mim mesmo fechando os olhos ao conhecimento.
Talvez, por esse motivo, a ciência e a religião nunca possam andar de mãos dadas, pois enquanto a ciência busca uma verdade que ainda não conhece, a religião baseia a sua existência numa verdade que lhe pertence.