Vem aí a vida artificial ?

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Cientistas fabricam de raiz o genoma de um organismo vivo
24.01.2008 - 20h00 Ana Gerschenfeld


Uma equipa do Instituto J. Craig Venter, nos EUA, revelou hoje que conseguiu dar mais um passo crucial para criar vida artificial no laboratório. No centro das atenções está uma minúscula bactéria, cujo ADN é formado apenas por um cromossoma.

Este é o mais pequeno genoma que se conhece capaz de se replicar de forma autónoma numa célula. Porque é que está no centro das atenções? Porque a totalidade do seu património genético acaba de ser quimicamente sintetizada no laboratório, de raiz, a partir dos seus componentes de base – e isso, apesar do diminuto tamanho deste genoma, é uma proeza sem paralelo. A partir daqui, poderá faltar muito pouca coisa – e pouco tempo – para ser possível criar vida artificial.

Daniel Gibson e colegas, investigadores do Instituto J. Craig Venter, em Rockville, no Maryland, criado pelo já célebre geneticista descodificador do genoma humano, publicam amanhã na revista “Science” os pormenores de um trabalho que descrevem como um “gigantesco desafio técnico”.

A molécula de ADN da bactéria em questão, “Mycoplasma genitallium” (responsável por uma infecção sexualmente transmitida) é uma cadeia com 582.970 tijolos de construção moleculares – os famosos “pares de bases” que entram na composição do ADN (a título comparativo, o ADN humano possui três mil milhões de pares de bases). Até agora, o maior ADN totalmente sintético que algum laboratório no mundo tinha conseguido fabricar continha só 32 mil pares de bases e era de origem viral, salientam os cientistas no artigo. Para mais, um vírus, ao contrário de uma bactéria, não é um organismo capaz de se reproduzir de forma autónoma. É apenas um pedacinho de ADN e precisa das células hospedeiras que infecta para se multiplicar. Uma bactéria é já algo de muito mais respeitável: é um organismo vivo na total acepção da palavra.

“O que fizemos representa um enorme feito tecnológico”, disse ao PÚBLICO Ham Smith, um dos autores do trabalho. “A molécula sintética que criámos é quase 20 vezes maior do que qualquer molécula de ADN sintetizada até agora e publicada por outros grupos.”

Chegar lá não foi fácil – e até implicou alterar o método utilizado até agora, passando a aproveitar a maquinaria celular de um outro “titã” microscópico – a vulgar levedura da cerveja – para conseguir juntar os pedaços do ADN e construir a grande molécula final.

Os cientistas começaram por fabricar quimicamente uma centena de segmentos do ADN da bactéria com cerca de cinco a sete mil pares de bases; a seguir, juntaram esses segmentos, utilizando a bacteria intestinal “Escherichia coli” (uma estrela dos laboratórios de biotecnologia) e obtiveram segmentos maiores, com 24 mil a 144 mil pares de bases.

Por último, utilizando a levedura, juntaram todos esses segmentos numa única molécula com os tais 582.970 pares de bases, criando assim uma cópia perfeita, mas artificial, do genoma de “Mycoplasma genitallium”.

Bom... a cópia não é exactamente perfeita. É que os cientistas introduziram deliberadamente duas diferenças no genoma artificial: por um lado, retiraram-lhe um gene, chamado MG408, que é responsável pelo carácter patogénico da “M. Genitallium”. Por outro, inseriram “marcas de água”, isto é, pequenas sequências genéticas sem qualquer efeito, no meio do ADN sintético, para conseguir distingui-lo do seu homólogo natural
 
Estamos a jogar a ser Deus.
goofy.gif
 
Acabei há dias de ler o livro Next de Michael Crichton.

As tangas são tantas que hoje não poderia ter uma conversa construtiva sobre o tema do tópico. [:D] [;)]
 
Estamos a jogar a ser Deus.
goofy.gif

e quando curamos pessoas doentes no hospital estamos a impedir que a evolução funcione.
quando permitimos que pessoas (que dantes morreriam bastante cedo) cresçam e se multipliquem, espalhando os seus defeitos genéticos... aumentamos o número de pessoas doentes, e invertemos o processo de selecção natural...

etc.
 
Acabei há dias de ler o livro Next de Michael Crichton.

As tangas são tantas que hoje não poderia ter uma conversa construtiva sobre o tema do tópico. [:D] [;)]

Quais tangas???
As que o livro publicita presumo[;)]?

É que Michael Crichton, apesar de escrever muito sobre temas do contexto cientifico, é ele próprio um céptico quanto aos reais avanços cientificos e as reais capacidades das novas tecnologias[;)]

Quanto ao tema do artigo em si, já tinha conhecimento, acompanhei o seu desenvolvimento á medida que eram fornecidas mais informações, e de facto trata-se de um real sério e importantíssimo avanço na área, não propriamente para a possível e eventual vida "artificial", mas sim pelo desenvolvimento nas técnicas de manipulação envolvidas, estas de enorme importância para a compreensão e utilização na vida "real"[br:)]
 
Bem me parecia que a cerveja era a chave... [:D]

A sério, esse é um passo no limiar da compreensão e domínio da vida, pelo ser humano, quiçá a Fonte da Juventude eterna... Como lado bom!

A partir daí a vida vai começar a ser um bem possivelmente transaccionável!... Como lado mau...
 
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1317625&idCanal=13

Cientistas fabricam de raiz o genoma de um organismo vivo
24.01.2008 - 20h00 Ana Gerschenfeld


(...)
“O que fizemos representa um enorme feito tecnológico”, disse ao PÚBLICO Ham Smith, um dos autores do trabalho. “A molécula sintética que criámos é quase 20 vezes maior do que qualquer molécula de ADN sintetizada até agora e publicada por outros grupos.”
(...)
É sem duvida e abre caminho a muitas inovações.

Estamos mais próximos do "parque jurássico" [;)].
 
Quais tangas???
As que o livro publicita presumo[;)]?

É que Michael Crichton, apesar de escrever muito sobre temas do contexto cientifico, é ele próprio um céptico quanto aos reais avanços cientificos e as reais capacidades das novas tecnologias[;)]
Sim, as do livro. [;)]

Mas Michael Crichton é um escritor curiosos, em alguns livros faz uma quase pedagogia sobre o tema tecnológico, justificando-o através das suas artes, mas neste, o homem é mesmo contra.

E no final tem lá os seus comentários para que ninguém fique iludido. [:cool:]


Mas como obra de ficção, é notável. Sabe escrever. [;)]
 
e quando curamos pessoas doentes no hospital estamos a impedir que a evolução funcione.
quando permitimos que pessoas (que dantes morreriam bastante cedo) cresçam e se multipliquem, espalhando os seus defeitos genéticos... aumentamos o número de pessoas doentes, e invertemos o processo de selecção natural...

etc.

Sim. Mas de curar a fabricar vai um passo GIGANTE!
Criar vida em laboratório para mim é contra todos os valores humanos. É ética 0. E as consequências podem ser devastadoras.
 
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