Nuno, estou a comparar aqueles valências com as de um computador. Claro que para ver filmes é melhor uma TV que um tablet. Claro que para ler livros é melhor um livro de papel (já com as revistas acho mesmo que o tablet é a melhor experiência que podemos ter actualmente). A questão está em teres um único dispositivo cujas várias valências são suficientemente boas para te permitir prescindir da soma daquelas outras coisas ideiais, em muitas situações.
Um exemplo, no meio de muitos: é óptimo ver um filme em ecran gigante. Mas também é optimo ir ver um filme na espreguiçadeira do jardim numa noite fresca de verão. Ora, é mais conveniente e confortável levar uma prancha de 700 gr do que montar a TV no jardim.
Mas como único dispositivo, o ideal é um portátil. Senão tens que ter dois ou três... Um
portátil para aquilo que necessita de "rato" e teclado a sério, um smartphone para ter acesso
a "tudo" em todo o lado, e um tablet para "momentos de lazer" (porque, convenhamos, é
difícil "trabalhar" num teclado virtual).
Mesmo para o teu exemplo de ver um filme no jardim, o ideal seria um portátil (de preferência
de 17"), de modo a colocar numa mesa, em lugar de estar com um tablet ao colo para deixar
cair ao chão assim que se adormecesse a meio do filme (sim, já cheguei à idade em que é
frequente adormecer a meio dos filmes... até evito ir ao cinema para que o meu ressonar não
incomode os outros [

] [

] ).
Mas pronto, considero ver filmes no jardim como um caso de uso de um tablet. Não sei é se
justifica pagar o preço de um tablet para isso, quando se tem um portátil.
A qualidade da experiência de utilização de um bom tablet (um Ipad ou um Samsung Galaxy Tab) por exemplo é muito melhor que usar um netbook. Há qualquer coisa de profundamente orgânico e humano na interface touch, e de profundamente familiar no formato de um tablet.
Mas o problema é que o touch é uma excelente interface para certas coisas... para outras é
um desatino.
Pois eu acho precisamente que um dos grandes pontos a favor de um tablet é a utilização, e não a utilidade. A utililidade é de facto secundária. Aliás, eu até arriscaria dizer que a utilidade (no sentido mais estrito de capacidade para desempenhar tarefas de trabalho) de um tablet é pouca. Já a experiência de utilização, essa sim, é excelente.
Eu diria mesmo que a qualidade da experiência de utilização de um tablet não tem comparação com qualquer outro dispositivo. Só assim se percebe que os tablets tenham tanto sucesso e sejam tão facilmente compreendidos e manuseados por crianças de 2 anos, e por idosos de 90.
Eu penso que esse sucesso deriva mais da moda, do que da utilização que se possa fazer
dele. E não consigo conceber utilização sem utilidade. Utilidade sem utilização é possível
(ter funcionalidades cuja utilização não é prática, e que por isso acabam por não ser usadas),
mas não o contrário. Para ter utilização, é necessário que tenha utilidade (só é possível dar
uma utilização a algo que tenha utilidade... não se pode fazer uma utilização de um dispositivo
para ver e-mails, se essa utilidade / funcionalidade não estiver disponível).
Aliás, até acho o contrário. Acho que os tablets têm muita utilidade... duvido é que possam
ter muita utilização, por não serem práticos de usar (e não me refiro ao interface touch). Ou
seja, para usar em qualquer lado quando forem necessários, têm de ir connosco para qualquer
lado, e não é muito cómodo transportar algo com esse volume para qualquer lado, ao
contrário de um smartphone. E para usar em casa, por exemplo, temos o PC mesmo ali ao
lado com um teclado a sério e "rato".
Penso que a sua utilização fará sentido para quem se desloca de carro, ou com uma mochila
ou pasta, de modo a ter a possibilidade de transportar comodamente o aparelho, e cuja
utilidade principal a usar seja a consulta / consumo de informação, podendo usar as demais
funcionalidades complementarmente à que me parece fazer mais sentido (consulta).