Carlos Costa, PRESIDENTE DA COMISSÃO DE GESTÃO DO VITÓRIA DE SETÚBAL
Existe um grande entusiasmo dos adeptos do Vitória de Setúbal sobre o projecto Vale da Ro-sa, que está em vias de passar à prática. O clube vai ter algum património seu no futuro complexo desportivo?
O Vitória não vai ter rigorosamente nada no Vale da Rosa. O promotor imobiliário (Pluripal) acede a construir um estádio e entrega-o à Câmara de Setúbal, que já contratualizou com o Vitória a utilização dessa infra-estrutura pelo clube. O importante para o Vitória é que liberta o Estádio do Bonfim.
E é esse o passo que falta para resolver os problemas financeiros do clube, já que vai representar uma receita anual de 750 mil euros?
É um passo que vai ajudar muito. Afinal, esta solução enquadra-se dentro das perspectivas e da estratégia que esta Comissão de Gestão tinha definido. Programámos uma actuação, cujo primeiro passo, para resolver a tesouraria, era dar seguimento ao contrato tripartido, entre a câmara, Vitória e Pluripal, libertando, tão cedo quanto possível, os terrenos do Estádio do Bonfim, para recebermos essa renda.
A sua continuidade à frente do Vitória dependia do projecto para o Vale da Rosa?
Eu tenho uma forma de estar na vida com alguma descrição e nunca quis ser presidente do Vitória, ainda que isso tivesse sido solicitado sempre que havia eleições. Mas como o meu Vitória corria sérios riscos de encerrar as portas tive de aceder aos pedidos dos vitorianos e da população. Decidi dar uma ajuda. Mas depois da casa estar arrumada e de tudo estar enquadrado de forma correcta, penso promover eleições para que se encontre uma equipa directiva.
Mas está disponível para ser o presidente?
Estarei sempre na primeira linha para ajudar o Vitória. Se me perguntarem se eu quero ser presidente, vou responder que não.
No entanto, face aos resultados desportivos desta época, não lhe parece natural que lhe peçam para prosseguir?
Talvez. Mas se está tudo a correr tão bem é fruto de um planeamento cuidadoso e de contratações sensatas, com uma política de contenção orçamental muito grande e com a seriedade do treinador Carlos Carvalhal.
Carlos Carvalhal diz que está em Setúbal para defender uma causa. Escolheu este técnico tendo em conta esta fase de transição do clube?
Ele já tinha sido contratado por mim quando há quatro anos fui presidente da Assembleia Geral. Nessa altura, saí de uma forma que não era a que eu desejaria, mas não estava de acordo com a direcção que o Vitória estava a tomar. O Carvalhal também saiu, mas assim que foi possível voltámos os dois. Diria que a nossa ligação é quase umbilical e os resultados estão à vista.|