Pelo que te conheço, sei que a expressão usada é sem intenção, mas já agora dizer uma coisa a ti e a todos os outros.
Cá fora, há um mundo que nos rodeia que é frequentado por muita gente. Não sei quantos deles pertencem ao segmento A, B, C, ...Y, X.
Mas fui educado a nunca me preocupar com aquilo que os outros têm ou ostentam. Mas há pessoas que se preocupam.
E creio que este fórum em particular, há um nível excessivo de pessoas preocupadas com o que os outros têm, em especial se têm mais e melhor. Ao ponto de já termos umas palavras secretas para nos identificarmos no meio da confusão...
Já chateia, convenhamos...
E pronto, já disse.
Voltanto à questão das bikes, a minha 1ª bike
cara foi uma Specialized Enduro em que por falta de informação minha, comprei o modelo mais acessível e acabei por gastar o dobro em costumizá-la.
Se tivesse comprado logo o modelo superior, tinha poupado 50% dessa 2ª verba.
E já agora, comprei para o descer colinas (down hill) uma Demo 8, que só o quadro custou o resgate de um rei. No total, falamos de mais de 5,000€.
E é engraçado, porque até que sou uma pessoa poupada. Há por aí pessoal que faz questão de ter sempre os últimos modelos e novidades.
Por vezes, até já me sinto desactualizado perante o pessoal.
E são aos montes.
Em qualquer evento, são às centenas a abarrotar do melhor material que o dinheiro pode comprar.
O que me faz desconfiar sempre que ouço a palavra
crise.
Ou que estou a frequentar o fórum errado. [

]
Claro que a expressão foi levada ao extremo, não tivesse eu dito que foi em tom de brincadeira.
Mas sei que não é preciso uma bicicleta cara para que se faça bom BTT. Seja ele com conforto, bom comportamento, ou durabilidade.
Recordo-me que no final de 1996, dei 320cts por uma bicicleta (em que o preço de tabela eram 380cts). Na época ainda não havia o boom do BTT como hoje, em que uma bicicleta de 3000€ é considerada "normal", por isso muitos se espantaram e criticaram a minha escolha. Ainda por cima sendo estudante, privei-me de muita coisa e poupei muito para a conseguir comprar.
A verdade, é que a tive anos fio sem problemas, sempre a levar pancada do monte. Vendi o quadro e forqueta anos mais tarde somente por duas razões: sempre foi demasiado grande para mim e já tinha arranjado um quadro do mesmo ano com a mesma geometria, tamanho abaixo e gama ligeiramente superior. Foi só trocar os componentes
Sempre fui fiel seguidor da Pro-flex, marca desaparecida há muito. Tanto, que após ter o novo quadro e nova forqueta (de dupla coroa, que nunca gostei), comprei mais duas forquetas em carbono (uma delas com um amortecedor "inteligente", ainda guardada), 3 braços em carbono para o quadro e um outro quadro "de reserva", já com a assinatura da K2.
Alguns componentes que comprei durante estes 12 anos (avanço, magura HS33, espigão, selim, guiador, rodas e umas coisitas pequenas mais), posso considerar como upgrades de gosto ou por necessidade de desgaste.
Portanto, podes ver que já gastei algum dinheiro em bicicletas, numa época em que era muito mais flagrante do que agora ter uma boa "jinga".
E se te sentes desactualizado com uma bicicleta de dois anos, imagina eu com uma de doze, quando vou a passeios ou encontros. A verdade é que faço tudo o que os outros fazem, embora sem o fulgor de outrora...
Nunca invejo as bicicletas dos outros. Antes, admiro-as porque há bicicletas que gosto muito
Acho que se deve ter coisas boas naquilo que realmente se gosta, e não trocar por trocar.
Como referes, e bem, há quem goste de ter sempre as últimas novidades.
Se há alguns que o fazem por gosto, também há quem o faça por cagança.
Quem utiliza muito uma determinada coisa, sente-se mais apto a trocá-la em menos tempo.
No meu caso, não sinto essa necessidade, talvez por andar menos do que gostaria.
Recordo-me que sempre que ia a uma casa de bicicletas no grande Porto, o dono dizia-me sempre: "Ainda andas nessa porcaria? Compra mas é algo de jeito". A verdade, é que por isso nunca lhe comprei nada de valor. Outros até me davam os parabéns pela bicicleta. E foi numa destas que há 3 anos acabei por comprar uma Specialized para a minha esposa (que diga-se de passagem, está nova das duas vezes que andou...).
Mas considero que há um tecto razoável para ter uma boa bicicleta. A partir de um certo patamar de preço, uns gramas a menos ou um "bling bling" a mais significam muitos euros na carteira. E as diferenças para o patamar superior são muito menos espectaculares do que para o patamar inferior.
Carlos, espero que não leves a mal a minha expressão, e que tenhas compreendido neste último parágrafo a "razoabilidade" a que me referia, isto para quem tem um gosto pela coisa, mas não levado ao extremo.
PS: desculpem o testamento....