Tópico das Casas

As situações de trabalhadores por contra de outrém são objetivamente as mais complicadas e nisso concordo totalmente com o MVA.

mas, como o MVA já explicou bem noutro tópico há outras alternativas para quem trabalha por conta própria.

e há naturalmente algumas excepções.
 
Herdar uma casa é das maiores ajudas que se pode ter..imaginar que não se tem um crédito durante grande parte da vida e ter esse valor canalizado para outras coisas é um luxo.

Confirmo. Herdei casa e carro. Posso dizer que sou um afortunado nesse aspecto e é um alivio brutal não ter uma prestação às costas (seja para a casa, seja para o carro). Cá em casa entram 17k por ano (líquidos) e tem de dar para sustentar dois adultos e uma crianças. Dá para uma vida relativamente folgada, mas se tivesse créditos ia ser muito complicado.

O facto de não herdar dívidas já é bem bom.

Eu herdei dividas e não foram poucas. Ainda foram uns largos milhares de euros em dividas (21 mil euros para ser mais preciso), mas tinha duas opções: ou repugnava as dividas e consequentemente o carro que também ia receber de herança ou pagava as dividas e recebia o carro. Como o carro (avaliado em 30 mil euros) valia mais que as dividas fui pela segunda opção.
 
Última edição:
Confirmo. Herdei casa e carro. Posso dizer que sou um afortunado nesse aspecto e é um alivio brutal não ter uma prestação às costas (seja para a casa, seja para o carro). Cá em casa entram 17k por ano (líquidos) e tem de dar para sustentar dois adultos e uma crianças. Dá para uma vida relativamente folgada, mas se tivesse créditos ia ser muito complicado.



Eu herdei dividas e não foram poucas. Ainda foram uns largos milhares de euros em dividas (21 mil euros para ser mais preciso), mas tinha duas opções: ou repugnava as dividas e consequentemente o carro que também ia receber de herança ou pagava as dividas e recebia o carro. Como o carro valia mais que as dividas fui pela segunda opção.
Opções que têm que ser tomadas e bem pensadas ;)
 
Às vezes nem é só herdar isso, é também ter as "costas quentes" para imprevistos [:D]

Conheço quem arrisque mais porque as costas estão bem protegidas, mas não é para todos.

Com casa paga estava mais que tranquilo, já podia repensar o número de putos que a maria gostava de ter [:D]
 
Há um aspecto que eu não deixo de referir n vezes...

Mais importante do que o salários interessam os bens acumulados na geração anterior para se definir o local de residência ( normalmente herdamentos de pais e avós).
Os meus filhos brincam com essa questão. A minha geração nem tanto, infelizmente em 74 ocorreu uma revolução que de certa forma fez um reset às fortunas e a maioria da malta teve de começar de novo. Uns porque estavam no ultramar e ficaram sem nada, outros porque estavam na metrópole e com as nacionalizações, ocupações e outros "ões" ficaram sem nada (também porque nesse tempo havia o habito incentivado pelo poder de então de manter o património no país).

Portanto por exemplo a minha geração na sua maior parte teve de começar de novo, não havia cá "bens acumulados". Mas havia uma coisa boa, havia muita esperança de que as coisas iam melhorar, porque tinha-se atingindo um ponto muito baixo e porque íamos entrar na CEE. Os anos 80 foram anos muito difíceis mas felizes, muito mais do que os tempos que agora se vivem.

Mas quando nos anos 80 eu mais uns amigos abrimos a nossa segunda loja no primeiro grande centro comercial do país, o meu pai por exemplo o único apoio que me deu foi dizer que nós não sabíamos o que estávamos a fazer e que aquilo não iria resultar. Foi portanto um excelente incentivo. [:D]
 
Última edição:
Eu sou do Norte e por isso tenho sido um pouco chato neste tópico, frisando a disparidade que há entre a nossa região e Lisboa

Vivi 11 anos no norte. Não é o melhor termo de comparação até porque pode-se considerar uma necessidade superflua, mas coisas tão básicas como levar a familia a lanchar é muito mais fácil no norte. Eu aí com 5 euros levo a familia (eu, a maria e o puto) a uma boa pastelaria com fabrico próprio. Em Lisboa nunca o consegui fazer por menos de 8 euros. Os preços dos restaurantes são ela por ela, mas tenho tantas saudades dos restaurantes do Porto, aqui em Lisboa apesar de haverem muitos mais restaurantes, a qualidade da comida não tem comparação. E as francesinhas, ai que saudades [br:)]
 
Às vezes nem é só herdar isso, é também ter as "costas quentes" para imprevistos [:D]

Conheço quem arrisque mais porque as costas estão bem protegidas, mas não é para todos.

Com casa paga estava mais que tranquilo, já podia repensar o número de putos que a maria gostava de ter [:D]
Nesse aspecto, para algum imprevisto tenho-me precavido (poupança mensal).
E embora os meus pais tenham posses, sempre me "obrigaram" a desbravar o meu caminho.
Desde o tempo de Escola em que não quis seguir para a Universidade porque queria ganhar o meu disseram, sim Sr. é isso que queres muito bem procura trabalho, vais com certeza ganhar o salário mínimo e como única ajuda nossa terás o valor de meio carro para te deslocares para o emprego.
Passado 2 anos fui para a Universidade (pós-laboral) privada e tudo pago por mim.
Nesse tempo até penei mas tive que o fazer porque apercebi que com o salário mínimo não ia longe...

P.S.: Tive mais uma ajuda, não monetária mas que sem ela não teria conseguido comprar a minha primeira casa.
Foram meus fiadores.
Felizmente passados 7 anos e com a vida orientada comprei a segunda casa e já não precisei dessa ajuda.
 
Vivi 11 anos no norte. Não é o melhor termo de comparação até porque pode-se considerar uma necessidade superflua, mas coisas tão básicas como levar a familia a lanchar é muito mais fácil no norte. Eu aí com 5 euros levo a familia (eu, a maria e o puto) a uma boa pastelaria com fabrico próprio. Em Lisboa nunca o consegui fazer por menos de 8 euros. Os preços dos restaurantes são ela por ela, mas tenho tantas saudades dos restaurantes do Porto, aqui em Lisboa apesar de haverem muitos mais restaurantes, a qualidade da comida não tem comparação. E as francesinhas, ai que saudades [br:)]
Ainda ontem foi isto o jantar:

IMG_20160505_203552.jpg


E não, não sou dos que tiram fotos à comida lol.
Esta foi tirada para gozar com um amigo que à última da hora não pode ir.
 
Mas também acho que a minha geração precisava de menos para viver do que a atual. Vem-me à memória a primeira casa de um amigo meu. O recheio era um colchão no chão, um sofá, uma tv em cima da caixa de cartão em que vinha e... Um frigorífico porque cerveja fresca não podia faltar. [:D]

E com isso ficavam asseguradas todas as necessidades de um jovem desse tempo. Para além disso alguns privilegiados tinham uma 4L ou um 127. Bons tempos, como a vida era simples. :)
 
Está muito bom o tópico! [kiss]


Sobre a taxa de esforço, e falo na minha opinião pessoal, serviu de ponto de partida para definir o orçamento global a gastar na compra de casa.

Feito isso, tentei calcular as despesas que iria ter (ainda viva com o meus pais, não tinha grande noção do que ia gastar por mês, ainda por cima iniciando a vida a dois longe da residência dos pais), mas saíram um pouco furadas. Incrível como subestimei as despesas.
A sorte foi ter algum dinheiro de parte, e aos poucos fui tentando esticar aqui e ali até que cheguei ao equilíbrio.

Faz-me confusão andar com taxas de esforço altas, para um salário grande, acredito que sobre bastante dinheiro, mas para a nossa média (1500€ líquidos por agregado, o que já +e bom nos dias que correm), é um sacrifício e tanto!

Sobre os rendimentos e salários, isso daria pano para mangas, mas sempre cresci a ouvir grandes salários e grandes coisas... Na minha terra(meio pequeno), as pessoas mais endinheiradas têm hoje a maioria do património penhorado por dividas, má gestão, etc. Pelo que acho que se viveu na década de 90/00 uma época de excessos de negócios pequenos que davam para tudo, mas que no final... pouco sobrou.


Sobre o tema da localização, temos um apartamento em Porto Salvo(dos Sogros), junto ao Lagoas Park, e passam-se meses sem irmos para lá. Irrita-me o transito, a confusão, a falta de espaço e de sossego. Pelo que prefiro uma cidade mais pacata para viver.
Actualmente vivo em Viseu, perto do centro, e adoro. É uma cidade pequena, calma, com espaços verdes, pouco transito e procuro essencialmente isso. Agora se me perguntarem:
- Preferes uma vivenda a 10km de Viseu, ou um apartamento perto do centro mas numa zona calma?
- Neste momento sem dúvida o apartamento na zona calma, quero ir aqui e acolá estou sempre perto e nesta fase da vida valorizo isso (a minha Maria já não), agora se for uma vivenda nesta localização, é óbvio a vivenda. Mas custa 5x mais.

Sempre vivi em vivenda, longe dos grandes meios, para ir a um supermercado eram 20minutos de carro, e apesar das vantagens, não encontro motivos para viver assim neste momento. Talvez daqui por uns anos dê valor a isso. Neste momento só daria valor se fosse para passar os fins de semana, e não todos.

Para quem compra a primeira casa que pense bem na decisão, uma casa nem sempre é para toda a vida, e por vezes se não temos 200 mil para um apartamento T3, ou se conseguimos financiamento mas é um valha-me Deus todos os meses, é preferível comprar uma casa mais barata, ter mais folga orçamental e no futuro trocar de casa mais cedo. Aquela ideia de que encontramos a casa dos nossos sonhos vai mudando ao longo da vida e se nos sujeitamos a prestações altas, casas dificilmente vendáveis, aí sim, temos um problema mais difícil de resolver. Depois nunca sabemos a evolução da vizinhança, da zona em si, se vai mudar para melhor ou pior. Isso só o futuro sabe. Da mesma forma que não sabemos se casamos para a vida. [:D]

Cumps.
Miguel.
 
Já disse aí num post atrás, a minha empresa (em Lisboa) tem 500 engenheiros com mestrado, todos com pelo menos 5 anos de experiência profissional a ganharem 800 euros brutos por mês e por cada vaga que abrimos recebemos mais de 100 candidaturas. Os tempos mudaram pessoal, apercebam-se disso.

do que vejo no mercado aqui por cima, das duas uma: ou o pessoal tem reais e boas perspectivas de evolução e por isso COMEÇA com essas condições ridículas, ou é tudo tapadinho e tens na empresa (sem ofensa) o creme de la creme (pela negativa)

you pay peanuts, you get monkeys
 
do que vejo no mercado aqui por cima, das duas uma: ou o pessoal tem reais e boas perspectivas de evolução e por isso COMEÇA com essas condições ridículas, ou é tudo tapadinho e tens na empresa (sem ofensa) o creme de la creme (pela negativa)

you pay peanuts, you get monkeys
Devido à falta de oferta de trabalho as pessoa sujeitam-se ganhar 500€ em vez 0€ é melhor que nada.
Não deveria de ser assim mas quando não há mais soluções as pessoas sujeitam-se, até porque sabem que se não forem elas a aceitar alguém o vai fazer.

A minha namorada, quando saiu do curso. Conseguiu trabalho num hospital publico mas em contrato de substituição. Esteve lá 4 meses, depois veio embora.
Esteve 6 meses sem conseguir nada até que aceitou trabalhar de graça (estágio não remunerado num privado).
Prometeram-lhe que era 3 meses e depois fazia um contrato.
Após os 3 meses, todos os meses lhe diziam que no mês seguinte é que era.
Passado 1 ano exigi que ela os mandasse às urtigas e viesse embora.
A verdade é que no dia seguinte já lá tinham outra nas mesmas condições.

Felizmente nem tudo foi mau.
Esse ano esteve no bloco, como instrumentista (especialidade um pouco rara para novos enfermeiros)
E isso acabou por lhe valer um lugar no público 2 meses depois de ter saído privado.

Infelizmente é o país onde vivemos e quem se sujeita a salários inferiores ao que deveria de ganhar não é por serem fracos. É por necessidade.
 
Há um aspecto que eu não deixo de referir n vezes...

Mais importante do que o salários interessam os bens acumulados na geração anterior para se definir o local de residência ( normalmente herdamentos de pais e avós).

Os meus filhos ainda não sabem sequer o que vão ser já têm um Ap em Lisboa... Até podem vir a trabalhar num call center ou serem um juizes, vai dar ao mesmo...

Há algumas pessoas que conseguem vingar a partir do zero e comprar boas casas e locais atractivos com todo o mérito mas a maioria dos que cantam de galo: esquecem muita vezes o valor que o berço lhes deixou. Ficam com amnésia, mesmo aqueles que ganham acima da média...

Tenho um colega que comprou recentemente uma moradia de 700K€ que faz quer e acontece. Porém, se não fosse o sogro a bancar metade: era o crl . É assim a vida... Não critico até pq a minha 1ª casa tb teve patrocínios (não destes valore [:D]) mas acho que não se deve ignorar este aspecto.

Acumulação de património é inter-geracional por mais que queiram pensar o contrário ou acreditar em romantismos. E uma das coisa que se deve ensinar aos putos em tenra idade é como se gere o património herdado.

Muito giro, mas em média com que idade se herdam os bens dos pais, 50/60 anos?

Até lá estás dependente de os pais quererem ou não ajudar...

Depois há casos, como o meu, que vim da província para a AML e cá não tenho ninguém de família nem casas nem nada. O mesmo para a Maria, também não tem aqui nem família nem casas.

Quanto ao ensinar aos putos desde novos como gerir as coisas, não podia concordar mais.

No meu caso sou mais eu a aconselhar os meus pais com, por exemplo, a compra de um apt no Algarve e o tempo tem-me dado razão.

Este apt no Algarve comprado em 2005 hoje vale pouco mais de metade e já na altura eu dizia que era muito caro para um T2 usado com 20 anos, mas a minha mãe bateu o pé. Mulheres... E se houver uma nova crise no setor acho que nem metade vale. De notar que em 2005 era um puto imberbe, simplesmente mesmo em puto já era atento a estas coisas.

Tal como podia dar outros exemplos como em compras de carros na relação custo/utilização.

Mais exemplos, tenho um familiar direto que já gastou uma pequena fortuna em arte (é aos largos milhares de cada vez) e tenho quase a certeza que quando ele bater a bota (já não vai para novo e tem vários problemas de saúde) se vai confirmar o que desconfio há muito, que foi enganado a vida toda e que o que ele tem não vale nada.

Tivesse eu tido estas oportunidades de vida e tinha entre cash e investimentos (imobiliário sobretudo) uma fortuna já bastante interessante. 1M aos 80/85 anos entre tudo não é sequer disparatado porque foram vidas de boas subidas na carreira de grandes reformas (em muitos casos mais de 30 anos a mamar) e de miminhos na vida como rendas fixas de dois tostões que permitiram uma vida muito desafogada. Coitados destes proprietários...

Assim também eu.

Mas a vida é assim e como jovem não só não tenho nem uma pequena parte da sorte como ainda vejo família direta a desbaratar tudo. Não dá para negar, custa bastante.

Já sei que vão dizer que cada um faz o que quer ao seu dinheiro, o que concordo, mas no meu caso tenho a certeza que a muita gente também lhes ia custar sentir estas coisas na pele.
 
do que vejo no mercado aqui por cima, das duas uma: ou o pessoal tem reais e boas perspectivas de evolução e por isso COMEÇA com essas condições ridículas, ou é tudo tapadinho e tens na empresa (sem ofensa) o creme de la creme (pela negativa)

you pay peanuts, you get monkeys

A minha empresa está cheia de engenheiros que entraram na década de 90 (tempo das vacas gordas) que actualmente estão a ganhar 30k por ano. Pararam completamente no tempo, acomodaram-se e estão super desactualizados e não têm qualquer interesse em aprender. Não os podemos despedir porque a lei não o permite sem uma brutal indeminização.

Por outro lado, temos uma série de engenheiros formados ainda nesta década ou na década passada que ganham 13k ao ano e sabem muito mais que os gajos que ganham 30k e trabalham muito melhor e com mais vontade que eles.

E porque é que estas pessoas se sujeitam a isto? Porque todas as outras empresas do sector pagam exactamente os mesmo 800 euros brutos por mês. De vez em quando há um ou outro engenheiro que baza para o estrangeiro, para a Holanda, Suiça ou Inglaterra, porque o estrangeiro é a unica alternativa para estes jovens engenheiros de aspirarem a um salário decente.

E já agora, é uma coisa que me tira do sério, ver pessoal a ganhar 30k que não faz um boi e não tem vontade nenhuma de aprender e ao lado estar um jovem a ganhar menos de metade a fazer um trabalho muito melhor e não se pode mandar embora o que ganha 30k porque tem muitos anos de casa, então tem de se deixá-los andar por aqui até à reforma.
 
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