TGV - Sim ou Não

Eu gosto muito de estar na UE, mas quando vejo que se metem na gestão alheia e induzem-nos em investimentos e em planos de crescimento económico, lembro-me sempre das politicas agricolas/pecuárias falhadas e incentivos de construção maciça de auto-estradas....fico sempre algo preocupado... Talvez porque Portugal é apenas um pequeno país periférico no qual os seus interesses económicos são muitas vezes postos de lado pelos interesses dos paises mais poderosos desta união...

Fico contente ao ler que cerca de 85% deste investimento é comparticipado, e fico também contente por saber que este investimentos se destina ao transporte de mercadorias, visto que como consumidores sabemos, que no transporte de passageiros, há opções bem mais acessiveis e céleres, logo este projecto torna-se-ia facilmente inviável.

Mas há muitas questões atrás deste tema. Quem vai ficar responsável pelos custos de manutenção deste investimento? Será que vão obrigar um país que está em processo de bancarrôta a assumir esta despesa?
Será mesmo eficiente esta linha em Lisboa, onde toda a gente sabe que nesta região exporta na maior parte serviços e não matérias acabadas e matérias-primas (que a maior percentagem vem do Norte de Portugal)

Não será este investimento, que está destinado a incentivar as exportações nacionais, vai em vez disso, incentivar importações vindas sobretudo de Espanha\França\Alemanha e nos vai agravar mais a dívida externa?

Álvaro Santos Pereira, Ministro da Economia e afins, referiu nos seus úlltimos livros que eram contra destas "obras faraónicas", pois há outras prioridades como o crescimento económico. Será que cedeu aos interesses da Europa?
 
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Não deves ter lido o que se escreveu anteriormente.

Trata-se de passar pelo porto de Sines grande parte do tráfego de mercadorias (e matérias primas) mundial de e para a Europa.

E transformar, acrescentando valor a alguns produtos.

Tal como se faz em Roterdão.

Basta ler no site deles.
 
Na minha opinião o principal interessado será sempre o tráfego de mercadorias e o aproveitamento enorme de potencial que tem o porto de Sines. Para isso terá que ser feita uma linha nova a sair de Sines e que venha ter para cima de Grândola logo, que a linha que hoje existe é muito condicionada em termos de carga pelas subidas que tem na zona de Santiago do Cacém e São Bartolomeu da Serra.

Depois é aproveitar a linha que tá feita até Évora que foi toda renovada e electrificada, e julgo que essa obra já foi feita com essa ideia por que não valia a pena andar a gastar dinheiro para andar a levar as poucas pessoas que se leva para Évora hoje em dia.

Tal operação, foi demorada (já a tínhamos abordado na altura [;)]) , se houver visão estratégica no país a prazo, uma distância pouco superior a uma centena de quilómetros entre a capital do país, e uma capital cultural e administrativa de uma região com enorme potencial económico, num dito distrito que regista um dos poucos crescimentos demográficos e de fixação de população jovem no Alto Alentejo, é um mero crasso não rentabilizar tal ligação ferroviária em quantidade e respectiva qualidade de serviço prestado.

No porto de Setúbal, o maior player europeu no ramo naval, situa aí a base logística, ou seja a ferrovia é obrigatória para maximizar as operações navais.
 
"(...)Noutra nota, esta do Ministério das Finanças enviada à TVI, o Governo confirmou um acordo entre a Parpública e um conjunto de bancos no montante de 600 milhões de euros, dinheiro inicialmente destinado para a alta velocidade.

O “Diário Económico” escreve em manchete, esta quarta-feira, que o dinheiro foi agora desviado para a própria Parpública, uma das questões colocadas esta terça-feira pela Renascença ao Governo, que não vai além do comunicado oficial do Ministério da Economia.

Segundo o jornal, o acordo para a transferência dos 600 milhões, de modo a reforçar as contas da empresa que gere as participações públicas, foi fechado com quatro bancos."Em Governo não prevê retomar projecto de alta velocidade até 2015 - Renascença [:D]
 
Tal operação, foi demorada (já a tínhamos abordado na altura [;)]) , se houver visão estratégica no país a prazo, uma distância pouco superior a uma centena de quilómetros entre a capital do país, e uma capital cultural e administrativa de uma região com enorme potencial económico, num dito distrito que regista um dos poucos crescimentos demográficos e de fixação de população jovem no Alto Alentejo, é um mero crasso não rentabilizar tal ligação ferroviária em quantidade e respectiva qualidade de serviço prestado.

No porto de Setúbal, o maior player europeu no ramo naval, situa aí a base logística, ou seja a ferrovia é obrigatória para maximizar as operações navais.

Estás a falar de que Europa? [:D] [:D]
 
E se tivermos bolas com tamanho suficiente, podemos 'roubar' tráfego a Roterdão (eles têm como objectivo de gerir o tráfego de mercadorias para a península Ibéria - olha os malandros...) e com parcerias de alto nível, tal como o porto de Singapura (está à frente do de Roterdão) na gestão do porto de Sines.

E é aproveitar que alguns armadores, tal como a Maersks que abandonaram alguns portos do norte da Europa por a cadência de manuseamento de contentores não corresponder aos seus parâmetros.

Além disso, não estamos só a falar de tráfego (cargas e descargas). Muitos produtos (matérias primas) podem ser transformados em Portugal e serem entregues no destino já com algum valor acrescentado. Significa centenas de empresas e muitos milhares de empregos bem remunerados.

E onde há barcos, há marinheiros (tripulação....). Hotelaria, restauração e meninas....

Ora cá está uma visão mais ampla da importância deste assunto!
 
Não deves ter lido o que se escreveu anteriormente.

Trata-se de passar pelo porto de Sines grande parte do tráfego de mercadorias (e matérias primas) mundial de e para a Europa.

E transformar, acrescentando valor a alguns produtos.

Tal como se faz em Roterdão.

Basta ler no site deles.

A ideia pode não parecer má, mas queres comparar a posição geográfica de Roterdão para Sines e ver quantos mercados\países cada um deles consegue abranger?
 
A ideia pode não parecer má, mas queres comparar a posição geográfica de Roterdão para Sines e ver quantos mercados\países cada um deles consegue abranger?

A vantagem de sines é precisamente a sua localização geográfica..........principalmente para quem vem do hemisfério sul, segundo me explicaram, ao que parece, navegar lá mais para cima não é lá muito fácil, nem barato!
 
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A ideia pode não parecer má, mas queres comparar a posição geográfica de Roterdão para Sines e ver quantos mercados\países cada um deles consegue abranger?
A distância de Sines a Roterdão hoje em dia é irrevelante, seja de barco ou camião. O camião é mais caro concerteza, mas dentro de uma perspectiva de Serviço - armazenamento, distribuição - (Logística), podemos ganhar vantagem.

Podemos não estar no centro da Europa, mas podemos arrasar com um excelente serviço e preço.

*****
Peço desculpa, mas faltou aqui a transporte ferroviário, tal como estamos a imaginar num futuro muito próximo.
 
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Continental, deduzo que o dito operador ainda a mantenha a sua base de operações, pelo que leio, a procura de armadores e respectiva frota oriundos da Ásia, Europa, é contínua, (a informação é uma peça importante, [:D]).

Comigo podes estar à vontade e abrir o teu discurso, falando de empresas e até de pessoas. [;)]
 
E se tivermos bolas com tamanho suficiente, podemos 'roubar' tráfego a Roterdão (eles têm como objectivo de gerir o tráfego de mercadorias para a península Ibéria - olha os malandros...) e com parcerias de alto nível, tal como o porto de Singapura (está à frente do de Roterdão) na gestão do porto de Sines.

E é aproveitar que alguns armadores, tal como a Maersks que abandonaram alguns portos do norte da Europa por a cadência de manuseamento de contentores não corresponder aos seus parâmetros.

Além disso, não estamos só a falar de tráfego (cargas e descargas). Muitos produtos (matérias primas) podem ser transformados em Portugal e serem entregues no destino já com algum valor acrescentado. Significa centenas de empresas e muitos milhares de empregos bem remunerados.

E onde há barcos, há marinheiros (tripulação....). Hotelaria, restauração e meninas....

Tanto mar

A política de Portugal relativamente ao mar é lídima seguidora da de Alípio Abranhos, o ministro da Marinha e do Ultramar que nasceu da pena de Eça de Queiroz. Este, quando alguém lhe disse que Moçambique não ficava ocidental de África, respondeu convicto: "Que fique na costa ocidental ou na costa oriental, nada tira a que seja a doutrina que estabeleço. Os regulamentos não mudam com as latitudes".

É verdade. Para a classe política é um fardo que Portugal tenha tanto mar por perto e que, para pesadelo, tenha uma das maiores ZEE do mundo. O mar é uma chatice. Se não tivesse mar Portugal poderia ter uma política mais concreta sobre ele. Assim distrai-se. É por ter mar que o poder passa a vida a discutir o TGV e é incapaz de lançar as bases de uma indústria naval que tenha a ver com a sua história e com o oceano que tem pela frente.

O absurdo que se está a passar com os Estaleiros de Viana do Castelo e, por simpatia, com os do Alfeite, mostram a incapacidade táctica e estratégica de quem decide neste país. Eles deveriam ser o coração de uma indústria naval como Michael Porter pôs em frente dos nossos olhos. Nós desprezámos a ideia. A Nova Zelândia aproveitou e olhe-se para os resultados. Temos mar. O poder desejaria não o ter para não ter problemas. Destruímos a frota pesqueira e comercial. A marinha de guerra sobrevive aos soluços, mesmo quando necessita de barcos rápidos de patrulha. Não se consegue criar e rentabilizar uma indústria que tem tanto mar pela frente. A política de mar de Portugal é desde há anos uma vergonha. Vasco da Gama nunca teria chegado à Índia com este poder político.

Basicamente é isto.

http://www.jornaldenegocios.pt/opiniao/detalhe/tanto_mar.html
 
A vantagem de sines é precisamente a sua localização geográfica..........principalmente para quem vem do hemisfério sul, segundo me explicaram, ao que parece, navegar lá mais para cima não é lá muito fácil, nem barato!

Então se o projecto Sines é tão bom, porque foi abandonado nos tempos revolucionários?
 
Então se o projecto Sines é tão bom, porque foi abandonado nos tempos revolucionários?

A Lisnave foi abandonada? Claro que não. Foi saqueada e quem estava à frente disso, não estava para se chatear.

A Lisnave era só um dos melhores projectos navais da Europa, de manutenção naval.
 
A linha de Sines para a Europa tem um grande condicionante...tem de ser construída com bitola europeia para ter alguma utilidade para Portugal, e para tal, Espanha teria de construir toda essa linha com bitola Europeia, algo que acho complicado de acontecer.
 
Então se o projecto Sines é tão bom, porque foi abandonado nos tempos revolucionários?
Já foste a Sines? Um projecto daqueles é sempre de longo prazo mas mesmo assim já está lá instalada muita indústria de diversos sectores.Não me parece que esteja abandonado, sobretudo nos últimos anos.
 
A linha de Sines para a Europa tem um grande condicionante(...)tem de ser construída com bitola europeia para ter alguma utilidade para Portugal, e para tal, Espanha teria de construir toda essa linha com bitola Europeia, algo que acho complicado de acontecer.

O facto, é que já está operacional a nova linha ferroviária de bitola europeia (que diz respeito à dita largura do carril ferroviário implementado) em território dito catalão, de transporte de mercadorias e/ou passageiros na ligação entre a cidade de Barcelona e o país de nome França, sendo esta ligação parte integrante do dito Corredor do Mediterrâneo ferroviário, [:D]
 
"O PS acusa o Governo de ter vacilado e prejudicado a economia nacional com a notícia do reforço de financiamento para o projecto de alta velocidade, mas apenas a partir de 2015.

O porta-voz do partido, Óscar Gaspar, não entende que tenha sido o Ministério das Finanças a anunciar o projecto quando depois a tutela da Economia o vem contradizer.

"O Governo recuou e finalmente ia avançar com o projecto de alta velocidade. Por outro lado, passado alguns minutos, tivemos o comunicado do Ministério da Economia a dizer que a alta velocidade e a ferrovia é importante, mas serão só para realizar em 2015", aponta o socialista.

"Ora, isto é inaceitável. O Governo, que é tão célere quando é para cortar e para impôr sacrifícios aos portugueses, depois, quando são projectos estruturantes, acaba por adiá-los durante anos. Portugal precisa de investimento e economia não em 2015, mas a partir de agora. o Governo deve assumir que este projecto é para avançar", defende Óscar Gaspar.

O Executivo terá negociado com Bruxelas o financiamento de uma linha de alta velocidade entre Lisboa e Madrid, mas o gabinete de Álvaro Santos Pereira emitiu um comunicado oficial onde garante que "não está previsto, para o período da actual legislatura, qualquer iniciativa por parte do Governo para que o projecto de alta velocidade seja retomado".

Noutra nota, do Ministério das Finanças, o Governo confirma um acordo entre a Parpública e um conjunto de bancos no montante de 600 milhões de euros, dinheiro inicialmente destinado para a alta velocidade.

O “Diário Económico” escreve em manchete, esta quarta-feira, que o dinheiro foi agora desviado para a própria Parpública."Em PS acusa Governo de prejudicar economia com adiamento do TGV - Renascença [;)]
 
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