TGV - Sim ou Não

Com o dinheiro que se vai gastar no tgv,que no meu ponto de vista não faz falta alguma,devia investir-se em problemas reais do nosso país,mas para isso nunca existe nota[8b]
 
As (derrapagens nas) nossas obras públicas​
​
(adaptei esta anedota do original brasileiro para a nossa realidade… muito semelhante à do nosso país irmão, né?!)​
Um político queria construir uma ponte e chamou três empreiteiros:
um ucraniano, um alemão e um português...
- Faço por € 3 milhões - disse o ucraniano:
Um pela mão-de-obra;
Um pelo material;
E um para meu lucro.
- Faço por € 6 milhões – propôs o alemão:
Dois pela mão-de-obra;
Dois pelo material;
E dois para mim... mas o serviço é de primeira!
- Faço por € 9 milhões - disse o português.
- Nove paus? Espantou-se o político. É demais! Por quê? Ao que o português respondeu:
Três para mim.
Três para si.
E três para o ucraniano fazer a obra.


Embora isto seja apenas uma anedota, a sua semelhança com a realidade talvez não seja pura coincidência. Uma realidade que muitas vezes ultrapassa a própria ficção.
No fundo, a grande discussão à volta das grandes obras públicas como é o caso do TGV que têm gerado tanta controvérsia, talvez não seja mais do que a luta que cada um faz pelo seu quinhão do “bolo”: tanto políticos, como os grandes grupos económicos, os mesmos de sempre que costumam brincar com os dinheiros públicos.
Tanto no poder local como no nacional, o grande proveito que os políticos tiram dos cargos que desempenham não advém dos seus “modestos” salários, mas daquilo que conseguem desviar para os seus bolsos. Off-shores, contas secretas, contas em nome de terceiros, sinais exteriores de riqueza com bens muito acima das suas posses salariais, escândalos financeiros de diversa ordem a culminar com a descriminalização (ou se quiserem) a legalização do enriquecimento ilícito mediante o pagamento de uma percentagem, são sinais mais do que evidentes que justificam o atraso do nosso país, manifestado por um aumento do fosso entre ricos e pobres.
Depois temos um país onde abundam elefantes brancos e falta o essencial. O caso do Euro 2004 é um exemplo disso. Fizeram-se e ampliaram-se inúmeros estádios de futebol enquanto permanecemos com falta de hospitais e escolas. No Algarve, por exemplo, ficou um estádio ao abandono às moscas ao mesmo tempo que as populações ainda não dispõem sequer de um hospital central distrital com condições condignas de um país civilizado.

O povo quis o “circo” e os políticos deram-lhe aquilo que ele queria, e ficaram com o “pão”. Longe vão os tempos em que o ditado “O que o povo quer é pão e circo”, porque agora só lhe resta o circo. É que, infelizmente, se a populaça tem aquilo que merece, isso deve-se aos políticos que ajudou a criar.
Dito isto, se calhar ao fim e ao cabo, talvez a anedota sejamos nós (e no fim o nosso riso fique amarelo, enquanto alguém se ri na nossa cara). Ou então, o que nos resta não será mais do que rir para não chorar.
O TGV ainda não chegou, mas já estou a vê-lo a derrapar.
 
  • Gosto
Reações: eu
Óptimo post Bladerunner apr:)apr:)apr:)

No ponto.

De facto temos apenas a nós que nos queixar. E pelo que vejo ainda assim continuam a apoiar e querer tornar a votar neste mesmo governo...enfim, não se aprende.
 
TGV?Sim mas não com os traçados previstos,revelam uma mania das grandezas quando deveriamos ser racionais e gastar cada euro com cautela.De Lisboa a Madrid acho bem,mais do que isso,considerando a dimensão do nosso país e o estado actual da nossa economia,é deitar dinheiro(que não temos)à rua... :sh)
 
No fundo, a grande discussão à volta das grandes obras públicas como é o caso do TGV que têm gerado tanta controvérsia, talvez não seja mais do que a luta que cada um faz pelo seu quinhão do “bolo”: tanto políticos, como os grandes grupos económicos, os mesmos de sempre que costumam brincar com os dinheiros públicos.
apr:) É isso mesmo que está em causa [;)]

Uns e outros querem o seu quinhão e andam a vender o TGV aos Portugueses como se fosse um projecto estratégico para o País. Mentirosos !!!

E depois, cá ficam os mesmos de sempre a pagar as dívidas... [8b]
 
As negociatas do nosso sabio governo

As negociatas do nosso sabio governo

Considero que este nosso sabio governo vai fazer bastante mal ao nosso país ao avançar para o TGV e para as outras grandes obras.
Portugal mais parece aquele pedinte que anda a pedir esmola, mas que de repente compra um Ferrari a crédito. È claro que não vai ter dinheiro para o pagar, mas quando o pagamento for feito, os outros que estarão no governo que o paguem.
 
num pais que de norte a sul deve ter ai 800kms pensar num tgv é de loucos

fazer um tgv para lisboa e porto??? para demorar menos 10 minutos ou 20 que um alfa e custar 5 vezes mais???

é capaz de encher no 1º mes, porque nos portugueses temos de ir dizer ao vizinho que ja andamos no tgv


pelo pensamento de certos senhores, talvez seja preciso 1 tgv de santa apolonia a alverca , e de campanha a espinho

Se for como o governo anuncia, o TGV irá fazer Lisboa_Porto em 1h e 20 min.

Só que terá que ter uma linha própria para ele.....
 
E haverá mercado ? Há mesmo pessoas interessadas ?

Relembro que o Alfa Pendular anda quase às moscas...

Anda? Depende da hora e do dia. Fui num domingo à tarde para Aveiro em 1ª classe e ia vazio, mas depois na 2ª feira à tarde, a vir para Lisboa, a 1ª classe já vinha bem composta.
 

A ver passar comboios​

Devido ao estado calamitoso do país e ao excessivo endividamento externo, 28 conceituados economistas assinaram um manifesto a apelar à ponderação no avanço das grandes obras públicas. Já em 2005 tinha havido um manifesto de economistas contra as grandes obras públicas. Campos e Cunha, que na altura era ministro das Finanças, também se colocou ao lado desta posição face ao estado calamitoso da nossa economia. Mas como Sócrates se mostrou favorável ao avanço destas obras, o ministro teve de se demitir. É preciso dar a atenção devida a quem percebe na matéria, mas infelizmente pessoas que só têm gasto ou tentado despender dinheiro de forma e proveito duvidoso não sabem ouvir. Aconteceu com a co-incineração de Souselas (muito contestada), com o Freeport (suspeitas), com os aterros sanitários de Castelo Branco (parado e cheio de suspeitas), com o computador “Magalhães” (repreendido pela EU por não cumprir o concurso público), já para não falar do dinheiro injectado no BPN, e com as restantes obras previstas megalómanas não será de esperar outra coisa senão mais do mesmo.
A associação PME veio a público alertar que o TGV irá provocar um inevitável aumento de impostos. Mas isso não interessa, pois o governo já cedeu a lobbies.
Também não é verdade que se o país não fizer o TGV perderá 1.300 milhões de euros vindos da UE, pois dessa quantia, mais de 900 milhões provêem do CREN e podem ser canalizados para outros projectos. Além de que podem negociar com Bruxelas, pois também a ligação França-Espanha não se irá realizar e ambos os países devido à crise estão já a negociar o encaminhamento dos fundos para outras obras mais prementes.

As pequenas e médias empresas são o verdadeiro garante da maior parte da riqueza nacional revelada no PIB e são elas que efectivamente criam emprego. Mas estas, mais uma vez, irão ver o dinheiro beneficiar as grandes empresas nacionais e estrangeiras. Além disso, ao nível de custos para o utilizador, não é possível garantir que no futuro este meio de transporte terá vantagem face aos voos “low cost”.
A diferença custo/benefício não justifica a sua construção, pois o custo é demasiado alto para a pouca rentabilidade estimada. Também nenhum governo poderá hipotecar o presente com base num benefício que poderá chegar apenas daqui por 3 ou 4 décadas, sacrificando-se algumas gerações com encargos em proveito de algo que na altura até poderá pertencer a tecnologia já obsoleta.

Actualmente temos o Alfa Inter-Cidades com velocidade máxima de 200k/h que apenas demora 20 minutos mais do que iria demorar o TGV a percorrer a ligação Lisboa-Porto. Será, então, que se justifica um gasto tão grande para tão pouco beneficio?
A ligação Lisboa-Madrid que é prioritária para o transporte de mercadorias, passaria das actuais 6 horas para perto de 3. Será que essa diferença de tempo iria causar a degradação das mercadorias?

Durante o período de concessão, irão ser criados 56 mil postos de trabalho de mão-de-obra barata não qualificada proveniente da emigração. Por seu lado, a maior parte da tecnologia será importada, agravando ainda mais o desequilíbrio da nossa balança comercial não trazendo nenhum benefício tecnológico visível para o nosso país.
Os Estados Unidos, são um país muito maior e mais desenvolvido do que o nosso e não tem transporte de alta velocidade. Alguns dos países mais ricos e evoluídos da europa, como a Suécia, a Finlândia e a Noruega, não têm TGV e passam muito bem apenas com alfas pendulares que asseguram o seu desenvolvimento sustentado.
Mas nós que não temos onde cair mortos, vamos colocar-nos em bicos de pés e arruinarmo-nos como nação só para mostrarmos que também temos o tal meio de transporte. Não produzimos riqueza para o pagar, pois a nossa dívida pública está a aumentar cada vez mais, mas isso parece não interessar.

Se a CP já dá prejuízos de 5 milhões/mês, qual a necessidade de criar uma rede que avolumará o prejuízo de ambas em vez de rentabilizar a que já temos feita?
Como a rede de auto-estradas que temos é a mais densa da europa, a necessidade deste meio de transporte torna-se ainda mais desnecessário.

O PM assegurou que as gerações futuras iriam ser quem iria mais beneficiar com esta obra, mas não referiu que seria ela quem iria pagar o preço mais elevado por esta insensatez. Segundo estudos técnicos efectuados, para a ligação Lisboa-Madrid ser rentável, o número de passageiros a utilizá-la teria de ser equivalente a um avião cheio a sair a cada 10 minutos. E para quem tiver ainda alguma sanidade mental, facilmente poderá aperceber-se que isso é impossível
Segundo o estudo do governo, abarcando toda a actividade económica à volta da linha, o benefício económico a mais de 30 anos seria de 3,5%. Ora, segundo um custo de capital de cerca de 5% que iria colocar um ónus de juros de empréstimo superior ao lucro previsto, é muito fácil perceber o enorme desastre financeiro que este negócio iria ser para o país. Isto, sem contar com as já muito habituais derrapagens financeiras que enchem os bolsos de alguns. Daí o enorme interesse em redor desta obra, do aeroporto, da nova ponte sobre o Tejo e das novas auto-estradas (já temos poucas).

E mesmo que Portugal tenha de devolver os 89 milhões de euros já gastos em estudos, é muitíssimo menos do que o enorme prejuízo que esta obra irá custar a todos os portugueses: aos que podem e aos que não podem pagá-lo. Será uma âncora que arrastará o país definitivamente para o fundo.
As pequenas e médias empresas continuarão a fechar e o desemprego e o deficit a aumentar. Mas as nações mais poderosas da europa dão-nos auxílios económicos para comprarmos a tecnologia do TGV que produzem, assim como nos deram subsídios para apoiar as suas empresas que cá se implantaram, que depois de usufruir deles foram parasitar para os novos países integrados na UE onde irão repetir a receita. Dão com uma mão e recebem com a outra. Os grandes de cá desviaram algum para os seus bolsos em contrapartida de fecharem os olhos a tudo isto. E assim destruíram o nosso aparelho produtivo: agricultura, pescas e indústria. Com um mar imenso e rico e terras férteis, resta-nos agora importar “tudo” o que comemos.
Não é estranho, pois, que os governos não se tenham dado ao trabalho de ir buscar os apoios da União para estes sectores que estão em decadência. Não lhes davam lucros. Afinal, só assim se entende o facto dos cerca de 50 mil milhões que foram atribuídos desde que pertencemos à UE (incluindo privatizações) apenas 5 mil milhões terem efectivamente chegado ao seu destino. Enfim, perderam-se pelo caminho.

Conclusão: Acima de tudo, nesta nossa casa comum não temos sequer dinheiro para comer, o que por si só chega e sobra como argumento para nos opormos de momento ao endividamento para comprar este Rolls-Royce.
Tudo se deveria basear no princípio do “querer não é poder”. Somos governados por meninos mimados habituados a terem tudo o que querem seja a que preço for. O que acontece é que agora que são mais crescidos, quem paga as suas birras e teimosias megalómanas não são os seus pais mas sim todos nós, a sociedade portuguesa.
Assim, uns vão-se governando enquanto outros ficam a ver passar comboios.

Desculpem fazer um quote a um texto tão grande mas, do meu ponto de vista está genial e concordo com toda esta linha de pensamento.

Bladerunner, os meus parabéns, pois aparentemente o texto é da tua autoria, tens mt jeito p/ a escrita.

{OT: Acho é q andas a fazer concorrência ao nunomlopes! [:D] }


Cumps,
Edd :)
Valeu uns pontinhos verdes [;)]
 
Anda? Depende da hora e do dia. Fui num domingo à tarde para Aveiro em 1ª classe e ia vazio, mas depois na 2ª feira à tarde, a vir para Lisboa, a 1ª classe já vinha bem composta.

A ideia que tenho é que no início e no fim da semana, tem bastantes clientes, mas no resto da semana... está às moscas.

Mas devem existir números oficiais por aí...
 
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