Solidão

A solidão pode ser um refugio ou pode ser forçada.

Mas, ainda assim, podemos aproveita-la e servir-nos dela para uma introspecção aprofundada.

Há uns anos, passei umas horas durante a noite completamente isolado, sozinho numa terra estranha, tive de aprender a tirar proveito da solidão e chegar a um "refugio".

É certo que umas horas não são dias, meses, de isolamento mas naquele local era melhor estar só do que mal acompanhado.

Dos muitos pensamentos que tive, um deles deu-me força para sair dali:

"O homem não nasceu para trabalhar, mas para criar"

E eu à data, só tinha criado batatas, ervilhas uns patos e algumas galinhas, tinha portanto ainda muito para criar [;)].
Bom testemunho Nthor[;)]
 
No teu texto inicial, tem uma parte sobre homens e mulheres, eu quanto a isto só consigo pensar numa coisa:

As pessoas relacionamentos não tem, mas sexo não lhes deve faltar.

Isto tem a ver com a máxima de comer gajas/os e nunca se prenderem a ninguém senão nao curtem a vida.
Depois estão sozinhos....
Mentalidades...
 
dizem que é melhor estar só do que mal acompanhado, mas infelizmente faz falta ter a companhia do outro, nomeadamente na divisão de tarefas ou mesmo em caso de doença.

Israel, deves sentir-te sozinho, afinal só tens inimigos à tua volta...
 
Última edição:
Mas que posições é que um gajo vai delinear quando está só? Não me parece que haja muito por onde escolher...[:D]
Pode-se estar só com intenção de reflectir, perspectivar sobre as demasiadas coisas e pode ser uma solidão sã e benéfica; o outro lado é que ver-se enredado de uma solidão profunda pode causar certos problemas, na vivência da própria pessoa a que poderá desencadear muitos factores, como interferir na convivência com as demais pessoas.[;)]
 
Entristece-me a insensabilidade sobre alguns temas, quando é notório aos dias de hoje e prementemente marcado, na nossa sociedade, nos tempos actuais, lidarmos e confrontar-mos com estas situações alheias, que por vezes e certas pessoas não lhe podem escapar. Claro que é mais facil ocultar e não querer saber, do que vermos as coisas realisticamente e debater-mo-nos sobre isso, e ganhar-mos a consciência e tirar uma boa interpretação á sociedade em que vivemos, mas mais vale ignorar isso.
Todos temos momentos de solidão, mais marcados ou não, e, lidar e comprender esses momentos fazem parte do existencialismo ou como prerrogativas da vivência humana, como nem sempre somos capazes de lhe fazer face ou escapar-lhes, como, também ignorar a sua presença.
 
Última edição:
E Nunomplopes, conhecendo o tópico da depressão, penso que este estará interligado.
Respeitando a tua liberdade de expressão, "Nunomplopes da Silva Parauta"[:)][:)]
Vou-te dar um conselho,[:)][:)]
Agora a sério, deixa de viver tanto as tuas temáticas como tu o dizes, vives demais certos temas e na minha opinião acaba por influenciar a tua forma de vida.
Não te massacres a ti próprio pah...
E Vive la Vita!! [;)]

Ora aqui está uma mensagem que já algum tempo ando a tentar transmitir(ou passar) ao Nunomplopes. Não o conheço pessoalmente, mas gosto dos topicos dele mas a ideia que fico (posso tar enganado)é que leva estes problemas mto a serio, tão a serio que corre o risco de sofrer com eles todos.
 
De facto é uma verdade que estes estados podem derivar a certas doenças como interligados, mas aqui quis-me centrar na solidão e tentando desvendar a palavra que está associada em muito aos dias de hoje.
Eu sou um curioso em abordar certas temáticas

Eu acho a curiosidade em mtos casos uma virtude para a aprendizagem e para a adrenalina do desafio...

Mas e que tal canalizares a tua curiosidade para outras coisas tambem? sei lá, algo que distraia , que dê prazer ou que sirva para distrair e ocupar a cabeça?
Uma vez tive uns dias com uns problema de sonos trocados nao conseguia dormir bem,,,á noite perdia o sono e nem havia net...dava-me na cabeça ia para a cozinha fazer bolos noite toda, uma vez acordei era umas 10h e tinha a cozinha cheia de pasteis de nata que tinha feito entra as 2 e as 4 da manhã...[:D] pelo menos deram para comer, distrair , ocupar o tempo e tar divertido...em vez de tar a atrofiar ás voltas na cama.
 
"Uma maior solidão
Lentamente se aproxima
Do meu triste coração.
Enevoa-se-me o ser
Como um olhar a cegar,
A cegar, a escurecer.
​


Jazo-me sem nexo, ou
fim...
Tanto nada quis de nada,
Que hoje nada o quer de mim."​
Fernando Pessoa, 23-10-19

Mais um excelente tópico Nuno ;)

Existem autores, como Perlman e Peplan, que definem a solidão como uma experiência desagradável que ocorre quando a rede de relações sociais de uma pessoa não é satisfatória. Assim, a experiência da solidão pode incluir a dor emocional e/ou um sentimento de exclusão ou de marginalidade de laços sociais.

Já os autores psicanalíticos e pós freudianos atribuem a solidão a diversas etiologias, nomeadamente à insatisfação das necessidades de relações afactivas de intimidade na primeira infância.

Uma coisa é certa: a solidão é muito mais que estar só. E não significa necessariamente estar só.
A solidão é uma diminuição, e em casos extremos uma perda, da capacidade de interacção com o outro, pois até no meio de uma multidão uma pessoa pode-se sentir só, excluída de um grupo. Mas isto só se aplica àquela solidão que nos é imposta, porque existe ainda a solidão desejada.

Muitas pessoas gostam de estar sós, afirmando que essa solidão desejada lhes proporciona uma liberdade, uma inspiração, uma calma interior.
Contudo, esta solidão já não implica perda. Todos os que procuram este sossego, estes momentos a sós consigo mesmos, são aqueles que possuem vínculos fortes e saudáveis com os outros, podendo assim desfrutar de momentos íntimos com o seu eu, sem que isso implique dor ou sentimento de exclusão.

​
 
Solidão para mim ás vezes é necessária...sempre tive que ter algumas horas por semana sem ninguem ao lado, faz bem para organizar as ideias, planear algo, ler qualquer coisa ou simplesmente não fazer completamente nada e esvaziar a cabeça...

Também acho interessante o facto de às vezes estarmos rodeados de pessoas e sentirmo-nos quase como se estivesse-mos sozinhos, isto porque estamos rodeados de pessoas que não temos nada em comum, logo não há ponta de conversa por onde se pegue...[8b] Isto acontece às vezes comigo com a minha familia (que só vejo pelo Natal) ou amigos que já não vejo há imenso tempo, alguns deles mudaram muito.... ou talvez tenha sido eu..[:p]
 
Eu acho a curiosidade em mtos casos uma virtude para a aprendizagem e para a adrenalina do desafio...

Mas e que tal canalizares a tua curiosidade para outras coisas tambem? sei lá, algo que distraia , que dê prazer ou que sirva para distrair e ocupar a cabeça?
Uma vez tive uns dias com uns problema de sonos trocados nao conseguia dormir bem,,,á noite perdia o sono e nem havia net...dava-me na cabeça ia para a cozinha fazer bolos noite toda, uma vez acordei era umas 10h e tinha a cozinha cheia de pasteis de nata que tinha feito entra as 2 e as 4 da manhã...[:D] pelo menos deram para comer, distrair , ocupar o tempo e tar divertido...em vez de tar a atrofiar ás voltas na cama.

Ora aqui está uma mensagem que já algum tempo ando a tentar transmitir(ou passar) ao Nunomplopes. Não o conheço pessoalmente, mas gosto dos topicos dele mas a ideia que fico (posso tar enganado)é que leva estes problemas mto a serio, tão a serio que corre o risco de sofrer com eles todos.
Não considero de todo as temáticas que abordo que influenciem de forma tão negativa que possa prejudicar as minhas vivência ao modo de serem contrárias ao positivismo que a vida nos proporciona. Considero aqui uma forma de aprendizagem e introspecção que nos molda a nossa maneira de pensar e viver a vida de uma forma mais aberta e com a noção de que o vivemos são momentos que de ambos os extremos (positivo/negativo) são comuns á vida e podermos saber lidar com eles, e neste caso a solidão não é só má por si só. Tenho uma maneira séria de ver as coisas, e desilude-me quando certas temáticas assim o exigem, existe uma certa descriminação social ou desvalorização por certas problemáticas que afectam uma camada de certas pessoas, nas mais variadas situações, mas que de modo algum prejudique a minha forma de pensar, de viver e sentir as coisas. Tenho compreendido o que queres dizer como demais certos users, mas acho que a minha forma de abordar estes temas faz-me sentir valorizável, mas de certa forma incompreendido como transparece.
Do modo como abordo faz prevalecer uma sériadade comum á minha pessoa que que caracteriza com a minha maneira de ser, como também tenho valorizado o meu optimismo e a forma positiva de ver as coisas que acho que não implica na nossa sériedade e a sua forma que possamos abordar temas de modo construtivo e consequentemente valorizar os temas quando assim o exigem. Sei que tenho ultimamente demonstrado uma abordagem de uma outra forma no conteúdo que tenho abordado, que embora não tenha tido uma participação muito fluente no fórum ultimamente e que vou directo aos assuntos que me interessão e quero discutir, sendo que mediante tudo sempre demonstrei sempre uma parte de sentido de humor tentando compensar o estado que vivo e valorizo isso de forma a poder compensar e não me enredar com certas problemáticas.
Está aqui presente o equilibrio que procuramos na nossa vida e aplicar-mos de modo com positivismo compensarmos o outro lado que estamos sujeitos.[;)]
Nephilim compreendo o que me queres transmitir, como tudo na vida existem momentos de sériedade ou de brincadeira o que não quer dizer, que não me dê na nóia e abra aí um tópico de pasteis de nata...[:D][:p]
 
Última edição:
Solidão para mim ás vezes é necessária...sempre tive que ter algumas horas por semana sem ninguem ao lado, faz bem para organizar as ideias, planear algo, ler qualquer coisa ou simplesmente não fazer completamente nada e esvaziar a cabeça...

Também acho interessante o facto de às vezes estarmos rodeados de pessoas e sentirmo-nos quase como se estivesse-mos sozinhos, isto porque estamos rodeados de pessoas que não temos nada em comum, logo não há ponta de conversa por onde se pegue...[8b] Isto acontece às vezes comigo com a minha familia (que só vejo pelo Natal) ou amigos que já não vejo há imenso tempo, alguns deles mudaram muito.... ou talvez tenha sido eu..[:p]

As vezes qto se está em familia ou com alguem onde nao há conversa nenhuma de jeito, sempre se pode falar de futebol(que cai sempre que nem ginjas) para estabelecer uma conversa divertida e quebrar o silencio.[:cool:]
 
"Uma maior solidão​

Lentamente se aproxima
Do meu triste coração.
Enevoa-se-me o ser
Como um olhar a cegar,
A cegar, a escurecer.​

Jazo-me sem nexo, ou
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​
fim...​

Tanto nada quis de nada,
Que hoje nada o quer de mim."​
​
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​
Fernando Pessoa, 23-10-19​


Mais um excelente tópico Nuno ;)​

Existem autores, como Perlman e Peplan, que definem a solidão como uma experiência desagradável que ocorre quando a rede de relações sociais de uma pessoa não é satisfatória. Assim, a experiência da solidão pode incluir a dor emocional e/ou um sentimento de exclusão ou de marginalidade de laços sociais.​

Já os autores psicanalíticos e pós freudianos atribuem a solidão a diversas etiologias, nomeadamente à insatisfação das necessidades de relações afactivas de intimidade na primeira infância.​

Uma coisa é certa: a solidão é muito mais que estar só. E não significa necessariamente estar só.
A solidão é uma diminuição, e em casos extremos uma perda, da capacidade de interacção com o outro, pois até no meio de uma multidão uma pessoa pode-se sentir só, excluída de um grupo. Mas isto só se aplica àquela solidão que nos é imposta, porque existe ainda a solidão desejada.​

Muitas pessoas gostam de estar sós, afirmando que essa solidão desejada lhes proporciona uma liberdade, uma inspiração, uma calma interior.
Contudo, esta solidão já não implica perda. Todos os que procuram este sossego, estes momentos a sós consigo mesmos, são aqueles que possuem vínculos fortes e saudáveis com os outros, podendo assim desfrutar de momentos íntimos com o seu eu, sem que isso implique dor ou sentimento de exclusão.​

Obrigado e contribuio com mais um excelente post teu. :)[;)]
Abordas aquilo que eu quero transmitir, a solidão que está presente na nossa vida e como certas pessoas tem abordado isto de uma forma mais teórica e como pode influenciar as nossas vivências. Considero que vivemos numa sociedade mais solitária que por vezes leva a um isolamento que não beneficia a relação e interacção entre as pessoas, sendo como já abordaram faz parte da classe humana o convivio e socialização que é imperativo a todos nós. Acho que isto vai implicar a situações como o egocentrismo e um certo narcisismo que prejudica o mundo relacional em que vivemos, como também, a incompreenção a pessoas que vivem no isolamento extremo não valorize as relações comuns a que são primordiais e essenciais a toda a existência humana.
Todos nós vivemos e movimentamos de um mundo social e interligação de relações aonde o isolamento prejudica as nossas vivências e essa ligação com a sociedade e uma vida activa e participativa. Reconheço e sei de nos confrontar-mos e rodearmo-nos na presença fisica, podermos sentir interiormente essa solidão e acho muito comum á própria pessoa como o ambiente que rodeia, sendo que também as pessoas que nos acompanham com a sua presença e nos envolvem podem involuntáriamente fazer com que isso se propicie. Como tenho demonstrado a solidão pode ter um aspecto positivo na própria pessoa no reconhecimento e encontro com nós proprios de modo de reflexão que considero natural e primordial na nossa existência e reconhecimento da procura de um equilibrio que possamos ter um reencontro pessoal (e interpessoal reflectindo-se nas pessoas com a convivência que aplicamos) que será benéfico á própria pessoa, como um recarregar de energias positivas.
 
As vezes qto se está em familia ou com alguem onde nao há conversa nenhuma de jeito, sempre se pode falar de futebol(que cai sempre que nem ginjas) para estabelecer uma conversa divertida e quebrar o silencio.[:cool:]

É curioso falares nisto, é uma ideia que me tinha cruzado a cabeça agora.

Há vários anos atrás saí de casa dos pais para ir estudar, havendo uma quebra radical nas minhas relações sociais: amigos longe, família longe, cidade estranha. Em suma: uma situação transitória de... solidão (que é o tema do tópico)! [;)]

Nessa altura costumava ver o Domingo Desportivo e ir acompanhando os resultados das jornadas de futebol. Ganhava assim um tema de conversa fácil que permitia quebrar o gelo com os novos amigos e colegas.

Note-se que este acompanhar do futebol era forçado, num esforço perfeitamente consciente de sociabilização com os pares e na busca do tal assunto que "cai que nem ginjas" quando não há nada para dizer e falar do tempo é tão óbvio como desajustado. E eu não gosto nada de futebol...
 
É curioso falares nisto, é uma ideia que me tinha cruzado a cabeça agora.

Há vários anos atrás saí de casa dos pais para ir estudar, havendo uma quebra radical nas minhas relações sociais: amigos longe, família longe, cidade estranha. Em suma: uma situação transitória de... solidão (que é o tema do tópico)! [;)]

Nessa altura costumava ver o Domingo Desportivo e ir acompanhando os resultados das jornadas de futebol. Ganhava assim um tema de conversa fácil que permitia quebrar o gelo com os novos amigos e colegas.

Note-se que este acompanhar do futebol era forçado, num esforço perfeitamente consciente de sociabilização com os pares e na busca do tal assunto que "cai que nem ginjas" quando não há nada para dizer e falar do tempo é tão óbvio como desajustado. E eu não gosto nada de futebol...

Sabes , eu tenho uma conversa "matriz" para cada pessoa, seja familiar , amigo ou conhecido. Quando o pessoal se reune seja pelo acaso mas ou aniversarios dos putos ou natal ou outra coisa qualquer , procuro a conversa adequada por tema adequada á pessoa.

Vou dar um exemplo...

Eu tenho a capacidade de ter uma boa amplitude de conversa de variados temas e bem distintos de coisas que sei e outras que gostava de saber e sou todo ouvidos para ouvir e apender.
Entao se tiver numa mesa com um familiar que tenho que prepara carros de corrida, a conversa vai sobre carros, é logo pano para mangas sobre carros e oficina etc e tal... nao discuto carros com mais ninguem da familia.[:cool:]

Se esse nao tiver mas tiver outra familiar que faz vinho, a conversa é sobre as vinhas e o vinho...
Com outro é sobre construção e coisas que quer fazer...mas esse é que me "pica" a mim para a conversa..se tiver as primas e os primos é de psicologia, enfermagem, etc etc,,,conforme as areas profissionais deles...

Qdo nao ha homens e é só as mulheres tias e tal...falo de culinária e ai elas falam de receitas e tao e eu tb gosto de falar sobre isso.[:cool:]

Se tiverem os putos dá para falar de jogos e jogar no pc...[kiss]

o meu avô infelizmente já morreu mas com ele aprendi mto , pois ele fazia tudo o que metia na cabeça, uma fez fez uma espingarda para ir á caça uma replica das espingardas da 1ªgrande guerra.

Se nao tiver com ninguem que fale de algum tema interessante existe o futebol[:p][:D]

o pior é se alguem nao souber falar de nada e nem d futebol...isso sim é o terror, felizmente na minha familia é tudo maluco por futebol[:D]
Com o meu pai , como nao falo com ele de construção, de arte, de animais, pouco me rest as vezes que falar imenso de futebol.
Mas pronto acaba por haver sempre conversa com as reuniões familiares, ainda no natal ultimo no dia 25, sem exagero nesse dia tive até as tantas sempre a falar e ouvir, devo ter falado de umas 6 ou 7 temas de conversa complectamente distintos mas tb acabei o dia ja tava um bocado era com os copos...é que isto de falar tb seca a garganta[:)]
 
Gostava de colocar aqui uma pequena reflexão que fiz no outro dia.

Quando era estudante (há +/- 10 anos) viajava muito de comboio entre o sítio onde estudava e a casa dos pais aos fins de semana.

Como eu, havia muitos outros estudantes que faziam o mesmo percurso. As caras iam-se repetindo, conhecendo. Entabulava-se conversa, e daí iam nascendo amizades. Costumávamos ir marcando hora e carruagem para nos encontrarmos para a viagem, ir conversando, contando anedotas ou jogando às cartas. Era vulgar irmos acrescentendo mais um ou outro rosto ao grupo ao longo dos tempos.

Entretanto deixei de andar de comboio regularmente.

Recentemente, por razões várias, tive de repetir essa viagem várias vezes e nos mesmos horários que fazia há 10 anos.

Toda a gente agora leva os seus gadjets: PC portátil no colo, leitor de MP3, telemóvel, etc. Toda a gente está em permanente comunicação: nos "chats" tipo MSN messenger com a conexão de banda larga móvel, ao telemóvel, a enviar e a receber SMS, a mudar as músicas no MP3.

Toda a gente está em comunicação com toda a gente... excepto com as pessoas num raio de 5 metros ao redor! Ninguém fala com ninguém, nem com o vizinho da frente ou do lado, olham circunstancialmente ao redor de viés com a cabeça entre os earphones e miram-nos como se fôssemos anormais se lhes dirigimos a palavra.

Com tanta comunicação à distância, pergunto-me se essas pessoas não estão de facto sozinhas. Todas elas.
 
Gostava de colocar aqui uma pequena reflexão que fiz no outro dia.

Quando era estudante (há +/- 10 anos) viajava muito de comboio entre o sítio onde estudava e a casa dos pais aos fins de semana.

Como eu, havia muitos outros estudantes que faziam o mesmo percurso. As caras iam-se repetindo, conhecendo. Entabulava-se conversa, e daí iam nascendo amizades. Costumávamos ir marcando hora e carruagem para nos encontrarmos para a viagem, ir conversando, contando anedotas ou jogando às cartas. Era vulgar irmos acrescentendo mais um ou outro rosto ao grupo ao longo dos tempos.

Entretanto deixei de andar de comboio regularmente.

Recentemente, por razões várias, tive de repetir essa viagem várias vezes e nos mesmos horários que fazia há 10 anos.

Toda a gente agora leva os seus gadjets: PC portátil no colo, leitor de MP3, telemóvel, etc. Toda a gente está em permanente comunicação: nos "chats" tipo MSN messenger com a conexão de banda larga móvel, ao telemóvel, a enviar e a receber SMS, a mudar as músicas no MP3.

Toda a gente está em comunicação com toda a gente... excepto com as pessoas num raio de 5 metros ao redor! Ninguém fala com ninguém, nem com o vizinho da frente ou do lado, olham circunstancialmente ao redor de viés com a cabeça entre os earphones e miram-nos como se fôssemos anormais se lhes dirigimos a palavra.

Com tanta comunicação à distância, pergunto-me se essas pessoas não estão de facto sozinhas. Todas elas.
Excelente analogia e um dos motivos que me fez abordar isto (e engraçado que que estou actualmente elaborar um trabalho sobre as novas tecnologias[:D]), e transparece que por esses motivos as pessoas demonstrem-se distantes e não haver o convivio interpessoal e uma relação humana o que dificulta essa mesmas relações. Estamos mais frios e estes meios que trazendo uma maior próximidade e comunição veio por outro lado distanciar o convivio humano, como propiciar a isolamento das próprias pessoas, não fortalecendo uma interacção necessária no mundo real. Aqui posso então intrometer um pouco a solidão que nós próprios criamos.
 
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