fui arrumar a cozinha enquanto amadurecia as ideias, depois de ler os comentários até ao vsfce.
depois de ter visto, durante a tarde, uma ajuda da parte da nossa oprah portuguesa, a fátima lopes, que ajudou, a meias com o continente e mais uma ou duas entidades, uma senhora a ter uma casa para ela e para os dois filhos, foi com algum mal-estar que comecei a ver a reportagem. apesar de algo supérflua e de abordar apenas os pontos-chave da vida diária de um sem-abrigo e de não os aprofundar em demasia, toca numa das maiores e mais ignoradas feridas da nossa sociedade.
já estava à espera da indiferença das pessoas ao passarem na rua, habituadas a uma cidade grande, caótica e barulhenta. estava à espera das buscas aos caixotes do lixo, mas o que eu esperava mais, as histórias cruéis de vida das pessoas, essas acabaram por me marcar mais um pouco, apesar de eu já estar habituado a elas.
alguém prostituir-se para conseguir ter um luxo de uma noite, em que esse luxo consiste numa cama, alguém arranjar um sítio quente para dormir ou mais um cartão que possa não estar rasgado, uma única refeição quente diária ou um banho semanal, tudo isso acaba por ser conseguido a muito custo pelos desalojados.
vidas interrompidas por um simples despedimento, acidente ou algo do género e que dão origem a estas "tragédias" são mais que muitas, mas um dos casos apresentados era o de um homem que trabalhava em hotelaria e que vivia na rua, sem os colegas o saberem. vidas impensáveis até mesmo para os que trabalham diariamente com ele.
quanto a sermos cómodos, penso que não é o português que o é. cada vez mais penso que é mesmo típico do ser humano. eu sou cómodo e podia fazer mais, tal como o vsfce se consciencializa. sabemos sempre de casos na nossa cidade ou zona, mas muitas das vezes não fazemos nada. outras vezes queremos fazer, mas falta-nos o tal empurrãozinho, como disse a fátima lopes hoje de tarde. ela dizia isto em relação aos desfortúnios das pessoas e das suas más orientações, eu adapto isto em relação a nós.
eu falei de um caso
neste tópico (perdoem-me não escrever tudo de novo, mas assim o post fica também mais pequeno e perco menos tempo em explicações- lá está, comodismo) e vou ajudar. pouco, mas vou. ao menos a pessoa terá uns dias mais felizes, sempre que olhar para os armários a imaginar o que irá fazer para a próxima refeição e ter noção que os
50€ mensais que sobram poderão ser esticados para mais alguns dias. ajudo um caso, como foram 50 ajudados no ano passado. é uma gota no oceano, mas se conseguirmos encher meio copo com essas gotas podemos cantar vitória, ainda que seja uma vitória trémula e discreta...