Em última instância, acho que não se podem virar as costas aos refugiados.
Que mundo é este em que se virão costas a seres humanos, homens e mulheres da carne e osso, que sangram, amam, comem... como nós... e nós como eles. Por detrás das crenças de cada um, da cor de cada um, da cultura de cada um, está, inegavelmente, um ser humano.
Por isso, e sem necessidade de mais justificações, que mundo é este em que se aceita virar as costas a quem foge da morte certa, das violações, da fome, da sede...
Não quer isto dizer que seja ingénuo ou não antecipe muitos perigos, ou que não estime o meu estilo de vida, europeu, ocidental, de liberdades muito marcadas quando comparados com o estilo dos países de origem dos refugiados.
Por isso é que propugno por instituições democráticas fortes, desempoeiradas e sem medos de acusações ridículas de xenofobias e racismos por dá cá aquela palha. O verdadeiro acolhimento não se faz com abnegação da nossa cultura - que até nem deve ser assim tão má, porque a Europa, a velha Europa, é o destino de eleição de refugiados de todo os cantos do planeta.
Não me choca que sejam referenciados, acompanhados, porque não me iludo quanto à possibilidade de terroristas infiltrados, de desordeiros e outros que tais... não me choca que os acolhamos e exijamos contrapartidas, desde trabalhos comunitários a outro tipo de colaborações, até como forma de se conseguir uma integração mais plena... o que só se consegue, lá está, com instituições democráticas, fortes e sem medos ideológicos.
Mas no fim da linha, não esqueçamos nunca que estamos a falar de seres humanos. Em definitivo, não fecharia as portas.
Cumpts,
Isso é tudo muito bonito Miss Mundo, mas grande parte do mundo vive pior que a Europa, por essa ordem de ideas, e sabendo nós que nem é possível distinguir refugiados de migrantes económicos nestes fluxos, a tua ideia é deixar entrar literalmente meio mundo (são pessoas), até teres tanta miséria extrema, revolta e extremismos que por algum lado tem que rebentar, não há outra hipótese.
Todos têm o dever de acolher até finda a capacidade de acolhimento com garantias de poder oferecer dignidade.
Tirar gente de situações horríveis para virem para cá viver e dormir na rua, e serem vitimas de maus tratos por grupos de extrema direita até o país colapsar não é bondade.
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