Processo Casa Pia

Sim, mas eu não sou advogado e não me parece bem ter de contratar um (€€€) para provar a minha inocência num caso destes.

E (mera curiosidade, porque este fórum também serve para esclarecer dúvidas [;)]), como é que qualquer advogado me resolvia isto?

Simples. No Auto apenas constava a matricula. São elementos insuficientes para fazer prova.


E aqui está um exemplo:

Por acaso fui multado pela Ecalma por estar estacionado num local para residentes (o sinal tinha sido colocado no dia anterior, mesmo em frente ao meu local de trabalho...).

Como escreveram Subaru em vez de Suzuki no "auto" da Ecalma, a multa ficou sem efeito, porque a matricula não coincidia com o carro.

Sou muito sincero: tinha pago a multa e não tinha reclamado se não tivessem multado logo no dia seguinte a terem metido o sinal no dito local, mesmo com o carro com a marca errada...

Mas, fez-se justiça por linhas tortas...
 

Que exagero!

O Habilus quando apareceu em 2001 foi uma autêntica revolução. A possibilidade de comunicação em rede entre quase todos os tribunais, a maior celeridade na prática de muitos actos foi e é uma ferramenta importantíssima para todos os agentes judiciários. Hoje é impensável imaginar um tribunal sem Citius, embora ainda os haja, como os tribunais administrativos e fiscais que têm uma aplicação muito mais obsoleta e sem actualizações de vulto. Actualmente o Citius (que é o Habilus, mas desde 2008 com a aplicação também para os magistrados) recebe como maior crítica a lentidão do programa.

Ora, isso tinha uma resolução fácil: aumentar largura de banda; para isso é preciso dinheiro que não há.
 
Que exagero!

O Habilus quando apareceu em 2001 foi uma autêntica revolução. A possibilidade de comunicação em rede entre quase todos os tribunais, a maior celeridade na prática de muitos actos foi e é uma ferramenta importantíssima para todos os agentes judiciários. Hoje é impensável imaginar um tribunal sem Citius, embora ainda os haja, como os tribunais administrativos e fiscais que têm uma aplicação muito mais obsoleta e sem actualizações de vulto. Actualmente o Citius (que é o Habilus, mas desde 2008 com a aplicação também para os magistrados) recebe como maior crítica a lentidão do programa.

Ora, isso tinha uma resolução fácil: aumentar largura de banda; para isso é preciso dinheiro que não há.

Tenho ouvido falar mais mal que bem...

É tipo o site das Finanças. Esse falo de experiência própria (profissional). Em altura de IMIs, IRS, etc nem valia a pena aceder... Agora só toco ocasionalmente nisso para o IUC e IRS...
 
Como dizem os americanos nos filmes: "Beyond reasonable doubt".

Exactamente.

Lagarto, aqui só está uma questão: se existem uma ou mais provas cabais da culpabilidade do Carlos Cruz, porque é que nunca nada foi ventilado para a comunicação social, de modo a acabar com este circo todo?

Porque enquanto o processo decorria estava em segredo de justiça. O circo anda o pedófilo Cruz a fazer e a alimentar, como que a atirar areia para os olhos do povo ou para desviar atenções do que é realmente verdade.

E se ele sabe que o circo está para acabar, porque é que continua com esta maluqueira toda?

Porque tem laivos de psicopatia.

E se ele não sabe, como é que se defendeu contra algo que não conhecia, em tribunal?

Pois, isso até dá vontade de rir. Como é que alguém está há 8 anos como arguido num processo, vai às audiências, tem acesso a todas as provas incriminatórias e a todos os testemunhos, contrata advogados de defesa e não sabe do que está a ser acusado? Mistério! [:D]

É só e unicamente isto que eu quero ver esclarecido. E mais, tenho direito a ser esclarecido pelo tribunal.

É claro e isso acontecerá quando o acórdão vier a publico.

Até porque, numa democracia, a justiça do tribunal tem de ser a justiça do povo. Por isso todos os processos têm de ser tornados públicos (com a honrosa excepção da não divulgação do nome das vítimas, por motivos óbvios...).

Nem mais. Não se pode é dar credibilidade ao que um pedófilo coloca no seu site pessoal, ainda mais quando se trata de uma infima parte do processo que o condenou.
 
Afinal o a Sá Fernandes tinha razão: o acórdão não estava terminado.
É apenas um facto e tem a relevância que tem.
 
Alguns artigos de opinião que eu acho que será interessante ler:

A frieza da dúvida
Por: Daniel Oliveira (Arrastão: Os suspeitos do costume.)
Por princípio duvido. Sempre. Não é cinismo, é apenas uma forma de me obrigar a pensar. A dúvida não pode paralisar. Tem de corresponder a um método que nos leve a algum lado. Mas precisamos sempre dela. E quando se trata de tirar a liberdade a alguém a colar-lhe para sempre a rótulo de pedófilo a dúvida é a única atitude aceitável.
Tudo no processo Casa Pia nos manda estar do lado certo. Trata-se de um crime que fere de forma profunda a sensibilidade de todos. Nem é preciso ser especialmente sensível ou sequer bem formado para sentir a revolta. E ainda por cima com crianças institucionalizadas. As mais desprotegidas. E sabendo-se que foram de facto repetidamente abusadas.
A trama não deixa espaço para meias-tintas. De um lado adultos, do outro crianças e adolescentes. De um lado ricos, do outro pobres. De um lado poderosos, do outro os mais desprotegidos dos desprotegidos. E isto num pais onde a impunidade se compra. Como duvidar?
Pelo contrário, é quando a emoção exige certezas que temos de nos impor a dúvida no nosso espírito.
Todas as investigações de abuso sexual são difíceis. Sobretudo quando acontecem, como a maior parte das vezes acontecem, em contexto familiar. É a palavra da criança, confusa, vulnerável, traumatizada e assustada, contra a do abusador, adulto, maduro, dominador e racional. E quando tudo aconteceu longe dos olhos de todos.
Não é bem o caso deste processo. São várias vítimas e vários abusadores. Gente que se tinha de contactar e de se deslocar. Neste tipo de crime, trata-se, apesar de tudo, de uma investigação mais fácil porque os abusadores estiveram mais expostos. Sobretudo os que são figuras publicas facilmente reconhecidas.
Infelizmente, sabemos quais foram as penas mas não temos ainda acesso à sentença (o que é absurdo, num caso com este grau de mediatização, depois de seis anos de julgamento e quando as últimas alegações foram ouvidas em Fevereiro de 2009) nem conhecemos a fundamentação para cada uma delas (coisa inaceitável num caso com este melindre público). Tudo só pode ser dito e escrito com uma reserva que não era suposto existir depois da condenação.
Sabemos que as provas contra os condenados, com a excepção de Carlos Silvino, se baseiam nos testemunhos das vítimas. Não há, pelo que percebi, provas circunstanciais.
Sempre com a reserva que a informação incompleta obriga, sabe-se que , com excepção de Manuel Abrantes e Carlos Silvino (um era motorista do outro) e de um telefonema do consultório de Ferreira Diniz para Rito, que terá tido outra origem, não há um registo de telefonema para Carlos Silvino, outro abusador ou vítimas de nenhum dos acusados. Isto apesar de milhões de registos de um período de dez anos investigados. Nada. Em dez anos, com tantos encontros e tanta gente nesta rede, nunca ninguém falou com ninguém. E sabemos que estes registos só foram incluidos no processo a pedido dos arguídos. O Ministério Público considerva uma não prova.
Apesar de serem seis abusadores e sete abusados (os outros 25 referem-se apenas a Silvino), nunca ninguém, a não ser os assistentes neste processo, viu os condenados próximo de nenhum dos doze lugares que tantas vezes terão visitado. A não ser a empregada de Ferreira Diniz que disse que terá visto Carlos Cruz sentado na sala de espera da sua clínica, coisa que não ficou muito clara em julgamento e que desconheço se estará sequer na fundamentação da sentença. Isto apesar de Carlos Cruz ser, à época, uma das figuras mais conhecidas deste País e de dificilmente escapar à atenção de qualquer pessoa. E não foi por não se procurar: foram ouvidas 900 testemunhas, cem só em Elvas. E nunca ninguém viu nada em nenhum dos doze locais.
Três dos doze locais chegaram a ser identificados com morada certa e deixaram de o ser quando se mostrou impossível que ali tivessem acontecido os crimes. Passaram então a ser identificados como um prédio nos números impares da Alameda Afonso Henriques, outro na Avenida da República perto da Feira Popular e uma moradia algures no Restelo, para lá de um outro que já era identificado como um lugar não determinado da Buraca. Como puderam, nestes casos, os arguidos defender-se quando nem é possível encontrar testemunhas?
A descrição da casa de Elvas feita pelas vítimas estava toda errada, sendo certo que não houve obras na casa até à prisão do acusado. Mais: uma das vítimas fora lá ainda antes, na companhia de uma jornalista da TVI. A jornalista depôs em tribunal e explicou que o queixoso estava à nora. E à casa de Elvas, descrita como centro de orgias, afinal só foi, segundo a sentença, Carlos Cruz.
Como se pôde ouvir na leitura da sentença, grande parte das datas é de uma enorme imprecisão. Há mesmo dois casos envolvendo Carlos Cruz em que se situa um crime algures num trimestre. Como é possível provar a inocência num espaço tão dilatado de tempo?
Sem provas circunstanciais, pequenas que sejam, restou a palavra das vítimas. Imprecisa, difusa e, neste processo, muitas vezes contraditória. Coisa natural, dado a distância temporal e o trauma, dirão e eu concordo. Mas como se podem defender os acusados quando a única coisa que sobra é essa imprecisão? Sem contar que algumas das vítimas acusaram pessoas de crimes que se vieram a provar sem fundamento.
Não conheço Carlos Cruz ou qualquer outro dos condenados. Não tenho por eles nem simpatia nem antipatia. Não tenho qualquer convicção em relação à sua culpa ou inocência. Sei que duvidar da palavra de vítimas de abuso sexual pode ser de uma enorme crueldade. Mas sei que noutros países já aconteceram processos destes que se vieram a provar infundados. Que sem nada que sustente a culpa a não ser a palavra das vítimas estaremos num terreno pantanoso.
Se acho que as vítimas mentiram? Nem sim, nem não. Não tenho como saber de uma forma rigorosa e racional. A emoção diz-me que não, mas a razão não me diz nada. Se acho que, não mentido, têm obrigação de se recordar com precisão de datas e de casas? Claro que não. Só têm obrigação de dizer a verdade com o rigor que lhes é possível.
Repito: não tenho qualquer convicção nesta matéria. Mas tenho muitas dúvidas, baseadas em factos e não em emoções (essas levar-me-iam para a condenação certa), sobre esta investigação e este julgamento, nos quais abundaram episódios caricatos. Por isso, não me junto ao coro de festejos populares. Porque ele resulta quase exclusivamente de julgamentos emocionais pouco informados (os poderosos tinham de ser culpados) e porque estas dúvidas não me deixam descansado. E se algum destes condenados for inocente? E se não tiveram, perante tanta imprecisão, forma de se defender? E se as vítimas não estivessem a dizer a verdade quando mais nada existe a não ser a sua palavra? Imaginam a monstruosidade?
Seria excelente estar do lado da certeza reconfortante: o poder mediático e económico não conseguiu calar a justiça e por uma vez as vítimas viram as suas vidas destruídas vingadas. Mas se não for assim? Se algum dos condenados não for abusador? A frieza sinistra da dúvida é lixada. Mas é a única coisa que nos salva da injustiça das verdades feitas. E os factos que conheço sobre esta investigação não me dão as certezas de que precisava.
Tanto faz
Por: Daniel Oliveira
O Mundo pode desabar que a maioria dos nossos juízes continuará imperturbável. Três juízes tiveram nas mãos, durante seis anos, o mais mediático dos casos que a justiça portuguesa já julgou. O assunto é sensível e acende paixões. As repercussões politicas, legislativas e mediáticas foram as que se conhecem. O julgamento demorou o tempo infinito que se sabe. Mas nada perturba a modorra em que vive justiça portuguesa.
Desde Fevereiro de 2009 que tudo o que tinha de ser dito em audiência foi dito. Depois foi esperar. A leitura seria a 5 de Agosto, depois de um adiamento em Julho. Mas foi de novo adiada para 3 de Setembro, que era preciso ainda mais tempo "para escrever o acórdão, que imediatamente a seguir à sua leitura tem de estar pronto e corrigido para ser depositado na secretaria do tribunal e consultado pelas partes".
Para espanto de todos, os arguidos, os advogados e o País conheceram as condenações e as penas mas ficaram no escuro quanto à sua fundamentação. Porque o Mundo não pára quando um juiz assim o decreta, o debate sobre a sentença aqueceu. Mas um acórdão que já tinha de estar escrito antes da sua leitura não podia ser entregue. Era preciso rever o que tinha sido apresentado apenas a 3 de Setembro porque tinha de ser revisto e, para além do mais, a coisa ainda não estava assinada.
Como se tratava de uma sexta-feira, seria entregue na próxima segunda-feira? Claro que não. Na quarta, que não há razões para pressas. Porquê? Ninguém sabe ao certo quanto dias são necessários para rever o que já tinha de estar revisto. Esperamos então até quarta. É que em nenhuma sentença os seus fundamentos são um pormenor. São, na realidade, o que mais conta para o escrutínio público a que os tribunais devem estar sujeitos. Ainda mais num caso como estes.
Chega a quarta-feira e nada. Explica o Conselho Superior da Magistratura: os nomes das vítimas têm de ser apagados, coisa de que, supomos, ninguém se terá lembrado nem na segunda, nem na terça. Até que se fica a saber que o advogados foram ao tribunal e voltaram de mãos a abanar. Também não o receberam ontem. E como esses recebem o acórdão original, a desculpa é outra: um "problema informático", esse álibi moderno para todas as incompetências.
Fosse mal intencionado e diria que afinal a dúvida do advogado Ricardo Sá Fernandes tinha pertinência: os fundamentos não estariam ainda escritos? Se assim fosse, seria de uma enorme gravidade. Porque as penas resultam de fundamentos e não o oposto. Porque não se podem fazer acertos conforme as reacções a uma sentença. Porque o caso é grave e quando se decide da liberdade dos outros não se improvisa.
Como todo eu sou boa vontade parece-me que a coisa é mais simples. A verdade é que nada perturba a nossa justiça. Ela é bem cega, mas é paralítica. Como não existe Mundo para além da secretária de um juíz, não se incomoda em exibir o seu laxismo. Nem mesmo quando, tratando-se de um caso que toda a gente está a acompanhar, é a sua imagem que se degrada aos olhos de todos. Tanto faz.
A entrega aos condenados dos fundamentos para uma sentença que lhes tira a liberdade com uma semana de atraso não é apenas um pormenor técnico. Não é apenas "papelada". A credibilidade da justiça depende do rigor absoluto dos seus procedimentos. Se nem mesmo quando todos estamos a olhar a coisa mais simples é feita com o mínimo de profissionalismo temos todas as razões para ficarmos assustados. É deste improviso que depende a nossa liberdade e a nossa segurança? Que medo.



Ou a opinião ( e nada mais do que a opinião ) de uma psicologa.
Sou psicóloga há muitos anos, muitos dos quais passados em investigação universitária (Univ. do Porto e Univ. René Descartes-Paris V). , e é por isso que lhe escrevo estas palavrinhas, rapidamente. Este seu caso judicial interessa-me muito, porque, infelizmente, por experiência própria de vários anos em que tenho estado envolvida em processos judiciais, embora de temas completamente diferentes deste, tenho verificado que a Justiça, ao nível das várias instâncias, se comporta comigo exactamente do mesmo modo que consigo:
a) MP não conhece a palavra investigação, inventa para justificar as suas decisões tomadas a priori, à partida, antes da investigação começar, e depois tudo o resto - provas fornecidas, testemunhos, etc., tudo é adulterado, suprimido e construído para chegar ao desfecho por si previamente determinado;
b) TIC a mesma coisa, até desaparecimento de provas dos processos permite;
c)Tribunal, ipsis verbis: as provas objectivas e testemunhais que não interessam para a decisão previamente também tomada, são totalmente desvalorizadas, não contam, só a dita "prova testemunhal" da parte contrária conta, nem que seja contraditória, de forma que, como imagina, a sentença que sai só dá como provados os factos que nunca se passaram na realidade, e todos os factos verdadeiros não são considerados provados pelo Tribunal... Pudera! E como eles se esforçam para justificar! Verá quando ler a sentença...
Conclusão: a Justiça funciona aqui dessa maneira, isto é corrente, banal, nos casos judiciais em geral e não apenas nos casos de abusos sexuais de menores. As excepções só confirmam a regra. É isso que me preocupa, tanto nos meus casos, como no seu. Já em 2009 me indignei com a Justiça no seu caso e até o escrevi no site do "Sapo", a propósito da notícia sobre a intervenção do Dr. Sá Fernandes "Os dez pecados mortais da investigação", identificada como "contra a corrente dos comentários"...
Bom, dito isto, passemos ao que interessa. Tenho seguido pela TV as suas declarações. Vi o Prós e Contras de 2ª feira passada. O Carlos Cruz tem estado muito bem, com muita força, serenidade e lucidez. Há uma coisa chocante para mim que são os depoimentos dos psiquiatras relativamente às crianças e que eu não posso deixar passar. Por isso lhe escrevo.
Muito rapidamente, trata-se, como sabe, da questão de saber se mentiram ou não podiam ter mentido. O psiquiatra (não me lembro do nome) na 2ª feira no Prós e Contras deixava claro que os jovens que ele acompanhou tinham um discurso coerente, para assegurar que não havia mentiras. E no programa ninguém desfez (você tentou, ao mencionar o Eça de Queiroz) a confusão entre as duas noções diferentes. Passou a ideia "científica" de que ter um discurso coerente é sinónimo de ser verdadeiro. Ora isso é totalmente mentira. Em próximas entrevistas, por favor desfaça este equívoco, porque este é um erro crasso que não se pode admitir nunca, muito menos em casos judiciais onde as provas objectivas (registos, locais, etc.) contradizem os testemunhos e onde os próprios testemunhos não coincidem entre si. Quanto mais não fosse, repare, se isso fosse verdade, então o comum dos mortais - que tem um discurso coerente, como sabe - não mentiria nunca!O que todos sabemos que também não é verdade!
Fico espantada (ou talvez não) que um psiquiatra possa fazer, como fez, essa confusão. Porque há inclusivamente quadros psicopatológicos, como, por exemplo, o da perturbação delirante, que se caracterizam precisamente pelo facto do indivíduo ter um discurso perfeitamente coerente, de contar coisas não bizarras, e ser difícil de detectar a priori que está a mentir dado o seu grau de coerência (leia-se ideias encadeadas logicamente, discurso fluido, normal, bem organizadas), embora sejam ideias falsas, factos falsos, que nunca se passaram, delirantes (sem correspondência com a realidade e desmentíveis pelas evidências em contrário), mas em que o sujeito insiste e que reitera, apesar disso. Aqui as ideias ou factos que ele passa não vêm dum juízo errado sobre uma situação qualquer que tenha vivido, ou duma percepção errada sobre um ambiente ou uma conversa. Não. Aqui vêm duma convicção. Sendo ideias ou factos pura e simplesmente não reais, irreais, de que ele está convicto, são construídas tendo em vista um objectivo (é intencional), nem que seja só psicológico (ex.: ser importante, ter a atenção de alguém, ser mais do que alguém, ter poder, ser desgraçado, ser superior aos outros, etc., etc., etc.), dependendo da situação em que ele está ou do que pretende obter com isso. Isto tem que ver com a personalidade do indivíduo, mais concretamente com o domínio afectivo, não com a inteligência ou com as competências cognitivas do sujeito. Mas estas, e a inteligência forçosamente, ajudam a construir fábulas. A memória ajuda a retê-las. Até que o sujeito se convence mesmo da situação que passa para ele a ser real.
Este é um dos quadros possíveis. Mas pode-se mentir sem ter este quadro psicopatológico, mesmo sem ter quadro psicopatológico algum. Há muitas maneiras de não dizer a verdade, ou seja, de mentir. O exemplo da comunicação social, como sabe, mas não só, é perfeito: omite o conjunto, que deturpa, e refere um aspecto particular dum todo, que passa a ser o todo para justificar a deturpação. Dizer coisas todas falsas com uma verdade ínfima à mistura dá a credibilidade total também a uma mentira construída. Quem é que não sabe isto?
Outra coisa, quanto à mentira das crianças (que também serve para os adultos), que seria bom referir: é mais frequente do que se pensa, mesmo em crianças equilibradas e com bons ambientes familiares. Isto não é sinónimo de que crianças desfavorecidas são mentirosas, atenção! Porque essencialmente - e isto tem que ver com dimensões que abrangem o funcionamento psicológico mas o ultrapassam também - a mentira toca, para além de tudo o mais, na formação de carácter, o interior de cada um, nomeadamente já nas crianças. Já reparou que mesmo muito pequeninos são tão diferentes também na tendência para a verdade ou para a mentira?
Outra coisa: o psiquiatra do Prós e Contras disse que foi terapeuta dos jovens já numa fase posterior a todos os abusos, mas que nunca falou com eles sobre essas experiências que relataram à Justiça, salvo erro. Disse também que no processo foi testemunha. Não disse de quê, nem de quem. Presume-se que foi testemunha das crianças para testemunhar que eles tinham um discurso coerente e portanto não mentiam. É importante desacreditar este testemunho pelas razões já ditas. Ele não pode cientificamente afirmar isso. Muito menos em Tribunal. E, portanto, o tribunal não pode aceitar o seu testemunho como garantia de credibilidade das crianças no que respeita aos factos relatados. (E é só por causa dos factos em questão que o tribunal se pode interessar pelas crianças, mais nada). O facto de serem psiquiatricamente seguidos no momento em que o foram - é preciso enfatizar isto - significa que estavam emocionalmente desequilibradas, caso contrário não precisariam de terapia psiquiátrica. É só isto que ele pode afirmar em tribunal, portanto, só isto o tribunal pode reter, para além do discurso coerente, e se quisermos estabelecer relações entre as características dos sujeitos e a veracidade dos factos que eles contam, então só podemos dizer que quando as pessoas estão desequilibradas emocionalmente podem sofrer alterações cognitivas (de memória, de coerência de discurso, de controlo das reacções emocionais - ex. agressividade, etc.), só isto é que pode ser dito por um psiquiatra. E nada de extrapolações de tempo (o psiquiatra não pode fazer extrapolações sobre o estado da criança, porque só viu o jovem e não a criança. Aqui o factor temporal é decisivo também). Muito há a dizer ainda. Já escrevi de mais, mas isto toca-me profundamente.
Como já percebeu, estou consigo. O seu processo é escandaloso. A justiça portuguesa é uma caricatura. Foi por já saber isso, por experiência própria, que estou consigo há muito tempo, mas agora ainda mais. O movimento que disse que ia fazer para credibilizar a justiça portuguesa é essencial, porque a maioria dos portugueses não sabe o quanto ela é perversa. Agradeça a Deus ter um advogado excepcional de coragem e competência, cada vez admiro mais o Dr. Ricardo Sá Fernandes.
 
Por aquilo que a comunicação diz, o texto deve ter sido escrito em Word e dá para ver todas as alterações que sofreu ao longo do tempo e quando.

Aparentemente passando para PDF e estava feito, mas como não sei como nem quero saber, parece que vão exporta-lo para novos ficheiros.
 
Para se ser solidario com os arguidos também se deveria mostrar o beneficio da dúvida para com as centenas de pequenos criminosos que tambem nao foram apanhados em flagrante mas ainda assim foram julgados e condenados a penas efectivas e hoje encontram-se na cadeia.


Se um "gandulo" é condenado e ninguem se queixa por ele, porque é que estes "senhores" ainda estão cá fora a promover livros enriquecendo com os seus crimes??

Foram dados como culpados e condenados , o que é que estão cá fora fazer?
A justiça não deveria ser igual para todos independentemente do seu "status" social?
 
No aspecto de estar terminado.

Eu qd andava na escola só terminava os trabalhos qd os entregava ao prof.

E tu?

Não te ponhas do lado do sr Sá Fernandes, a tentar descredibilizar a Juíza como se esta não tivesse feito os "TPC", que é o mesmo que dizer, que acusou os arguidos sem fundamentação para isso, pq só te fica mal pelo ridículo que é.
 
Para se ser solidario com os arguidos também se deveria mostrar o beneficio da dúvida para com as centenas de pequenos criminosos que tambem nao foram apanhados em flagrante mas ainda assim foram julgados e condenados a penas efectivas e hoje encontram-se na cadeia.


Se um "gandulo" é condenado e ninguem se queixa por ele, porque é que estes "senhores" ainda estão cá fora a promover livros enriquecendo com os seus crimes??

Foram dados como culpados e condenados , o que é que estão cá fora fazer?
A justiça não deveria ser igual para todos independentemente do seu "status" social?

Se bem me recordo aquela Srª que havia sido condenada a 1 ano de cadeia por ter sido apanhada a conduzir um sem nº de vezes sem carta, voltou a se-lo ja depois de condenada, ou seja durante o recurso, ou seja estava na rua mesmo depois de condenada
 
Vai ter de se bater a vidinha toda. A condenação maior é dada pelo povo e a maior parte das pessoas vai olhá-lo para o resto dos dias dele, como um bandalho de um pedófilo!

Devias ter em conta que esse povo é tão rápido a fazer julgamentos na praça pública como a conformar-se com os factos ou a perder a memória.
 
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