[Sociedade] Poliamor - Amor sem tabus

Se as pessoas se dão bem, partilham o mesmo sentimento, a mesma vontade, sem ciumes e sem tabus, então porque não hão-de viver assim?
Porque razão não se poderá viver num ambiente de de "free love", desde que assim vivem felizes?

Inveja tenho eu de quem tem hipótese de viver com duas mulheres num ambiente saudável e de paixão (e de sexo). [:D]
 
Julgo que de alguma forma é o que acontece nos países árabes em que se pode casar com mais do que uma mulher.

Apesar de acreditar que não se consegue ter o mesmo nível de profundidade numa relação, deve ser excelente jantar a pensar "hoje apetece-me um rabo grande vai ser a xxx ou então ficar simplesmente na cama enquanto tratam de mim e para isso é melhor a YYY ou então ir para a ZZZ que prometeu da próxima fazer uma coisa nova ......"

Agora eu na parte de partilhar é que não funcionava, teria que ser tudo só para mim. [:cool:]
 
Julgo que de alguma forma é o que acontece nos países árabes em que se pode casar com mais do que uma mulher.

Apesar de acreditar que não se consegue ter o mesmo nível de profundidade numa relação, deve ser excelente jantar a pensar "hoje apetece-me um rabo grande vai ser a xxx ou então ficar simplesmente na cama enquanto tratam de mim e para isso é melhor a YYY ou então ir para a ZZZ que prometeu da próxima fazer uma coisa nova ......"

Agora eu na parte de partilhar é que não funcionava, teria que ser tudo só para mim. [:cool:]


Pelo menos é síncero
 

Saída de um namoro de seis anos, Marta queria estar sozinha. Concentrar-se nos estudos, ter tempo para ela. Não esperava conhecê-lo e beijá-lo naquela noite. Começaram a estar juntos. Não estava preparada para uma relação e ele sabia-o. "Tudo às claras", sublinha, ao telefone com o P3. Em tudo. Disse-lhe, por isso, quando começou a interessar-se por ela. Disse-lhe que quando ela a tentou beijar, só conseguia pensar: "Como é que ele reagiria a isto?" "Vamos tentar", respondeu mais tarde.

Meses depois, Marta (nome fictício) vive em permanente tumulto. Não consegue escolher, não vai escolher. Agora que ele até aceita, ela, o outro vértice, não. "No ponto de vista dela, a exclusividade é o que define uma relação", conta Marta. Entende-a — há alguns anos também pensava assim. Noutro dia conseguiu uma pequena vitória. Estiveram os três numa festa e não houve problemas. É certo que passou a noite a saltar de um lado para o outro e não pôde mostrar afecto a nenhum dos dois, mas foi, ainda assim, um grande passo.

Não se considera poliamorosa. Acredita que numa relação uma pessoa não se deve "limitar" e, por isso, não se vê a voltar ao tradicional modelo monógamo. Também não é que "tenha de estar com outras pessoas". Neste caso, simplesmente "aconteceu" apaixonar-se por duas pessoas. "Se me encostarem à parede, eu não vou conseguir decidir. Se uma das relações acabar, vai ser muito difícil para a pessoa que ficar porque estarei de coração partido." É "difícil" explicar, por isso agarra-se a uma frase que se lembra de ter lido em "Memória das Minhas ***** Tristes" de Gabriel García Márquez: "O que [ela] já viveu não te tira nada". Ou seja: "Aquilo que eu sinto por um, não tira nada ao outro."

Não é poligamia
A história de Marta mostra que a vertigem pode estar logo ali ao lado. Amar várias pessoas é possível, o que não quer dizer que seja fácil. Não é uma palavra nova, esta, poliamor. Primeiro, alguns pontos de honra: poliamor não é poligamia; não é traição; não é sinónimo de promiscuidade. "Passava por ser um tabu sexual", começa Sílvia Ribeiro, terapeuta sexual e professora universitária. Nesta vivência, qualquer pessoa tem a liberdade para manter mais do que uma relação em simultâneo. "Aparece associado muitas vezes à poligamia, mas não tem nada a ver. No poliamor, a base é a ligação afectiva e a honestidade, não é o sexo", sublinha a sexóloga.

O poliamor "transforma a noção de traição porque transforma a noção de fidelidade". Daniel Cardoso, 25 anos, professor universitário, actualmente a fazer o doutoramento em Ciências da Comunicação, é poliamoroso. A sua tese de mestrado debruçou-se, aliás, sobre o tema (é a única em Portugal sobre poliamor). Tem, neste momento, duas relações em simultâneo — com Sofia C., há oito anos, e Inês Rôlo, há dois anos e meio. Elas, punaluas (termo que significa o "amor do meu amor", o "amante do meu amante"), são grandes amigas. Pertencem "à mesma família", referem-no, um sem número de vezes.

"A palavra fidelidade vem do latim 'fides' que significa dizer a verdade. Se eu disser a alguém com quem tenho uma relação que me poderei vir a interessar por outras pessoas, estou a dizer a verdade, estou a ser fiel", remata Daniel. Ou seja, no poliamor há uma base de honestidade que é essencial. "Os comportamentos de não-monogamia [na sociedade] são frequentes, só que são feitos de forma não ética", refere Daniel, em alusão às traições nos casais.

Pode não ser para toda a vida
Tal como em todas as relações, também há problemas. Inseguranças, tensões, conflitos. Pode ser mais difícil: somam-se mais pessoas à equação amorosa e há o peso de uma sociedade tipicamente “hetero-mono-normativa - e patriarcal, já agora”, refere Daniel. “Não estão enquadrados no puzzle que foi definido”, diz Sílvia. É, desde logo, uma recusa ao “curso intensivo” perpetuado pela Disney que Inês Rôlo tanto critica — “o ideal do príncipe encantado e da princesa” que leva “as pessoas a pensarem que não há outra maneira de fazerem as coisas”.

E há vantagens. “A possibilidade de explorar uma série de vivências emocionais, sexuais, íntimas que de outro modo não teria acesso”, destaca Daniel. “Mostrou-me que eu não tenho de ter um rótulo a definir-me para a vida toda, que não tenho de estar amarrada ou presa”, diz Inês. Sofia C. acrescenta: “A liberdade, a confiança. Não é que não possa haver mentiras, mas os motivos para a mentira diminuem.”

É o que faz sentido para eles, o que não quer dizer que o poliamor seja superior ou inferior a outros modos de relacionamento. “O que me importa é que as pessoas sejam criativas e inovem na maneira de responder aos problemas, que não presumam que sabem à partida qual é a melhor resposta, seja ela monogamia ou outra qualquer”, afirma, peremptório Daniel. “É uma vivência que pode não ser definitiva”, sublinha Sílvia, que, enquanto terapeuta, já escutou muita gente confidenciar a angústia de gostar muito de várias pessoas. “Pode estar ligado a diferentes momentos da vida. São equilíbrios e fazem as pessoas felizes.”

Aqui, “o amor não se divide, multiplica-se”, conclui Daniel. “Amamos esta pessoa e outra pessoa e há um efeito de 'loop', de 'feedback', em que o amor também nos é devolvido e temos aquela sensação de muito.”

Poliamor: o amor não se divide, multiplica-se | P3

Relações múltiplas, simultâneas e consentidas. Não é só sexo. Sexo e afecto. Amores múltiplos. Poliamor. Um conceito novo para uma prática que sempre terá existido e que desafia um dos tabus maiores da nossa sociedade: a monogamia.
Uma nova forma de conjugalidade, sem exclusividade afectiva e sexual e com igualdade de direitos. O que significa que não há lugar para traições, ilusões ou infidelidades. Porque ninguém é enganado.
Não se trata de apenas sexo, como acontece com o swinging ou a infidelidade sexual consentida, em que os envolvimentos emocionais estão proibidos. No poliamor (ou polyamory), a afectividade é a dimensão mais importante.
"O poliamor retira o peso excessivo ao sexo", defende Ana ou Antidote como é conhecida no activismo do poliamor ou da não monogamia responsável. E acrescenta: "O mandamento da monogamia, da exclusividade, é substituído pelo mandamento da honestidade: não pode haver ninguém enganado".
Difere também da poligamia - prática em que um dos cônjuges (normalmente o homem) tem vários parceiros - pela democratização dos direitos. "A não fidelidade masculina era socialmente aceite, enquanto a infidelidade feminina sempre foi, e ainda é nalgumas culturas, severamente punida. O poliamor é uma estratégia de democratização das relações íntimas", sublinha João Oliveira, sociólogo e docente do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (Lisboa).
Não se sabe quantos poliamorosos existem em Portugal. A introdução do conceito, no nosso país, é relativamente recente. A mailing list poly_portugal conta com cerca de 60 participantes, número que não traduz a real dimensão da comunidade de poliamorosos em Portugal, explica Ana, uma das moderadoras do fórum.
Lara criou, há cinco anos, o site poliamor.pt.to que recebe cerca de 170 visitas por mês. Mais recentemente, começaram a organizar-se, em Lisboa, encontros semanais de pessoas interessadas nesse estilo de vida.
O facto de agora começar a ser divulgado um conceito que traduz o que muitos já sentiam como sendo a sua forma de estar nos relacionamentos, mas não sabiam como designar, pode "facilitar a que apareçam mais pessoas que se identifiquem com essa prática", considera o sociólogo.
Neste modelo, não são os papéis de género que organizam a relação nem é a tradição que regula o que é ou não permitido. "É uma proposta com o objectivo de libertar as pessoas de formas de relacionamento que as limitam", sublinha o investigador.
Para Gabriela Moita, psicóloga clínica especializada em sexualidade e docente universitária, "o ser humano não é monogâmico ou polígamo por natureza". "É a socialização que nos ensina a forma de pensar e seleccionar os sentimentos, levando-nos a reprimir ou a permitir certo tipo de emoções", acrescenta.
"Quase todas as pessoas já sentiram emoções por várias pessoas ao mesmo tempo. Mas, o que normalmente acontece é a pessoa colocar-se em causa, considerando que há algo de errado consigo ou com a relação que tem. E, como é socialmente condenado, acaba por escolher um dos sentimentos", explica a psicóloga.
Este é o comportamento mais habitual, o que não significa que seja o mais saudável. "Tudo o que traga liberdade aumenta a saúde mental", frisa Gabriela Moita, acrescentando que o que causa problemas é o "amor dependente". Ou seja, "esperar que o outro nos complete e seja tudo para nós".
Trata-se, porém, de uma opção que não é fácil de assumir. À excepção de um caso, todas as pessoas que falaram ao JN solicitaram o anonimato. Por receio de sanções familiares, sociais e até profissionais. Colocar em causa a monogamia é encarado como um ataque à instituição do casamento e espoleta reacções extremas.
Mas será que as novas formas de conjugalidade são uma ameaça social? "O poliamor é uma alternativa de estilo de vida, um outro modelo de relacionamento. Não ameaça nem substitui o que já existe", defende o sociólogo João Oliveira.

Poliamor é um novo modelo de relação - JN

PolyPortugal - Poliamor em Português
 
É muito complicado quando nos colocamos numa situação destas.

Gosta-se das duas de igual modo, sente-se a falta das duas de igual modo, e apenas nos sentimos bem quando estamos na presença de uma ou de outra.

Conheço um caso assim.
 
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