[Sociedade] O tabu do tu!

Paulinhonanet

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Qual é o problema de tratar-se alguem que se acaba de conhecer por tu?

Porquê essa formalidade em Portugal em que se tem de pedir licença ou pedir para tratar alguem por tu ou pelo primeiro nome?

Tratar alguem por tu não significa que esteja a desrespeitar a pessoa em causa. Posso ser educado e respeitador ao tratar a pessoa por tu.

Detesto comparar Portugal ao estrangeiro, mas a verdade é que os Ingleses, Americanos e Irlandeses são muito menos formais.
Aqui no UK, não interessa se é o homem das limpezas ou o CEO, toda a gente trata-se logo pelo primeiro nome.Até os meus clientes Espanhois tratam-me logo e vice-versa por tu.


Vamos deixar estas peneiras no passado!
 
Última edição:
eu trato as pessoas por tu, mas aqui tratam muitos por "você" e na tv os jornalistas é que correm todos por você, sejam velhos ou novos...
 
O que realmente invejo do UK é o facto de se tratarem pelo nome.

O presidente da câmara é o John, logo será por John que as pessoas o tratarão quando se cruzarem com ele.

Parecendo que não isso aproxima muito. Por cá é só clivagens e distanciamentos, o que não traz nada de bom.
 
eu trato as pessoas por tu, mas aqui tratam muitos por "você" e na tv os jornalistas é que correm todos por você, sejam velhos ou novos...

Abri este tópico porque estava há pouco a conversar com um potencial cliente em Lisboa.
Passado uns bons 20 minutos ele pergunta-me se me pode tratar por tu. Ao que eu respondi que sim, claro.

Acho que o você é algo importado do Brasil. Aliás é a forma de certas regioes do Brasil tratarem as pessoas informalmente. No sul do Brasil usam o tu, no Rio por exemplo o você.
 
O que realmente invejo do UK é o facto de se tratarem pelo nome.

O presidente da câmara é o John, logo será por John que as pessoas o tratarão quando se cruzarem com ele.

Parecendo que não isso aproxima muito. Por cá é só clivagens e distanciamentos, o que não traz nada de bom.

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O que realmente invejo do UK é o facto de se tratarem pelo nome.

O presidente da câmara é o John, logo será por John que as pessoas o tratarão quando se cruzarem com ele.

Parecendo que não isso aproxima muito. Por cá é só clivagens e distanciamentos, o que não traz nada de bom.

Exactamente, os titulos e as peneiras promovem o distanciamento e a separação entre classes.
Sempre que vou a Portugal a trabalho, sou varias vezes anunciado e referido como Dr, apenas pelo modo como me apresento e pelas pessoas que vou ver.
Eu digo logo para chamarem-me pelo nome e Dr é o que está no consultório.
 
Última edição:
Não podia concordar mais com este tópico. E acrescento, parem com os Sr engenheiro e Sr doutor. Que tristeza!
Parecemos uns tontinhos
 
Não se pode comparar essa situação com o inglês, pois não existem duas palavras diferentes como "tu" e "você" - é sempre "you".

Fora isso, aqui também se usa muito chamar uma pessoa pelo 1.º nome, mas continuar a tratar por "você". Para mim, os critérios entre tratar alguém por tu ou você é a posição que essa pessoa detém e a sua idade.
 
Vamos deixar estas peneiras no passado!

Se querem um conselho, não se deslumbrem demasiado com estas aparentes igualdades e fraternidades.

Todas as sociedades têm protocolos não escritos que governam as relações sociais. Na nossa, ainda há alguma formalidade que até serve para evitar fricções desnecessárias, mantendo alguma distância entre as "peças" em movimento.

Não julguem que as relações de autoridade se desvanecem pelo aparente tratamento igualitário. Estas coisas, quando expulsas pela porta, voltam a entrar pela janela. Tomam simplesmente outras formas, mais subtis, e das quais, numa cultura estrangeira, quase decerto não se apercebem - e são vistos, silenciosamente, como uns fulanos ingénuos e boçais de baixo estatuto.

Olhem, só por exemplo, o inglês: no inglês o que desapareceu foi o "tu" - dizia-se "thou" - e passou a usar-se o "vós" - "you". E são os ingleses que têm a frase "speak, so that I can see you", porque pela voz mais ou menos educada destrinçam bem a origem regional e social do indivíduo.
 
Não me choca particularmente essa diferenciação entre o tu e o você, e não é por uma questão de atraso cultural ou civilizacional, é uma questão puramente linguística. Os alemães também não se tratam todos por tu (du), usam muito o formal você (sie).

Parvo mesmo é dizer "o dr isto", "a dra aquilo", "como está sr. engenheiro?" e pior ainda, transpor isso para os cartões MB[:)]
 
Não se pode comparar essa situação com o inglês, pois não existem duas palavras diferentes como "tu" e "você" - é sempre "you".

No UK pode-se usar o "yourself", que acaba por ter um uso equivalente ao "você". No entanto é usado em raríssimas ocasiões, dado ser demasiado formal.

Eu pessoalmente também acho essa distinção que se faz em Portugal desnecessária, e um entrave à comunicação. É parecido com o ter de chamar as pessoas por "Doutor"[8b].
 
Olhem, só por exemplo, o inglês: no inglês o que desapareceu foi o "tu" - dizia-se "thou" - e passou a usar-se o "vós" - "you". E são os ingleses que têm a frase "speak, so that I can see you", porque pela voz mais ou menos educada destrinçam bem a origem regional e social do indivíduo.

É bem verdade. Aconselho o livro "Bifes mal passados" do grande João Magueijo onde essa dinâmica (que nos passa ao lado completamente) está bem explicada. Os britânicos usam quase um sistema de castas através dos sotaques... e estes são infinitos. O livro, apesar de hiperbólico, é obrigatório para quem se interessa pela língua ou cultura do Reino Unido. E é de morrer a rir do princípio ao fim.

Sobre os "salamaleques"... é um fenómeno complexo. Eu invejo um pouco os Nórdicos que ligam menos a essas coisas, mas não se irá acabar com isso de um dia para o outro, é cultural.

Sobre o facto de ser típico de países pobres, discordo. Os protocolos são típicos de sociedades antigas ou fechadas. Veja-se o caso dos orientais que introduzem prefixos antes do nome ("san") e mudam - quase em jeito de declinação - as frases conforme a idade das pessoas. E acrescentam um protocolo ainda mais complexo desde a dimensão da vénia, o entregar algo com as 2 mãos, tudo de acordo com hierarquias sociais - nomeadamente a idade.

Chineses, Britânicos, Portugueses, todos antigos e isolados. Todos com hierarquias sociais de uma ou outra forma. Já os Africanos pouco ligam a isso apesar de menos desenvolvidos economicamente.
 
Pois, aí no UK, aí nos USA, etc. Isto é Portugal e não o UK, para o bem e para o mal.

Não sei com que licenciados, mestres e doutores vocês lidam, mas 99 % dos que conheço e trabalho com muitos, sejam clientes ou colegas, não fazem a minima questão de serem tratados pelos títulos.

A sociedade já poucas regras tem, se continuamos a tirar o pouco que existe daqui a nada há-de ser bonito.

Além de que isto tem a ver com as linguagens e as culturas !
 
Não podia concordar mais com este tópico. E acrescento, parem com os Sr engenheiro e Sr doutor. Que tristeza!
Parecemos uns tontinhos

Essa para mim é ainda pior. Tanto Sr. Doutor que nem o 12º tem...e podia dar varios exemplos com os quais trato e são conhecidas figuras...mas que insistem nesses "adereços". Eu nunca gostei disso...mas existem certas pessoas que fazem questão de serem chamados assim...aí sim...apetece-me dizer..."eu pelo menos estudei...já TU..."
 
Não se pode comparar essa situação com o inglês, pois não existem duas palavras diferentes como "tu" e "você" - é sempre "you".

Fora isso, aqui também se usa muito chamar uma pessoa pelo 1.º nome, mas continuar a tratar por "você". Para mim, os critérios entre tratar alguém por tu ou você é a posição que essa pessoa detém e a sua idade.

No ingles, podes usar o Mr, Sir .. Isto se quiseres ser politicamente correcto
 
Essa para mim é ainda pior. Tanto Sr. Doutor que nem o 12º tem...e podia dar varios exemplos com os quais trato e são conhecidas figuras...mas que insistem nesses "adereços". Eu nunca gostei disso...mas existem certas pessoas que fazem questão de serem chamados assim...aí sim...apetece-me dizer..."eu pelo menos estudei...já TU..."

Aconteceu-me ainda esta semana isso, tive uma reunião de negócios com o presidente de uma empresa e a secretaria dele apresentou-me como "Sr Doutor Paulo chegou para reunião das 15".

Comecei a rir porque nunca cheguei a terminar a licenciatura e mesmo que tivesse todo o tipo de curso possível nunca gostaria de ser tratado por senhor doutor.
 
Não noto que em Espanha exista grande diferença de formalismo. O usted é muito usado.

A mim, tal como já o disse por aqui muitas vezes, faz-me confusão é porque tanto discutimos isto! Faz parte da nossa cultura, ninguém se magoa por isso, siga.
 
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