Um doutorado em Portugal está (quase) condenado ao desemprego. As faculdades estão lotadissimas em termos de pessoal docente (a maioria tem professores a mais) e apesar de existirem empresas em Portugal que contratam doutorados (Siemens, PT, etc.) estes representam menos de 0,1% do total de recursos humanos da empresa. Neste preciso momento tens dois tipos idênticos que acabaram um mestrado com 23 anos. Um deles vai trabalhar para uma empresa e o outro vai tirar um doutoramento, concluindo-o ao fim de 4 anos. Neste momento, ambos os tipos têm 27 anos e vão os dois à procura de trabalho: o doutorado vai ter muito mais dificuldades em arranjar emprego porque qualquer empresa valoriza mais os 4 anos de experiência profissional do seu colega do que o doutoramento. E durante aqueles 4 anos, o tipo que foi trabalhar ganhou dinheiro e o outro tipo não. Sinceramente, a não ser em termos de valorização pessoal um doutoramento é um perda de tempo (a nível profissional é uma perda de tempo, digam o que disserem, a não ser que consigam publicar 3 artigos na Science ou na Nature durante a tese).