O que é exactamente um doutorado?

Depois comparou-se indivíduos com PHD e outros que em vez terminar o percurso académico foram trabalhar. Contudo, e sem arriscar números porque não os conheço, tenho a noção que uma parte substancial dos estudantes de PHD acumulam funções laborais com os estudos!
É muito frequente estudantes de doutoramento darem aulas ou estarem em projectos de investigação (pagos) durante o doutoramento.

Quanto a certas opiniões [:vm)] Por os portugueses se estarem pouco marimbando para cultura e conhecimento é que estamos como estamos, um país de broncos (salvo uma pequena porção) que não sabe fazer nada de jeito e por isso só consegue sobreviver à custa de revender coisas importadas e pedir dinheiro à UE.

Eu não tenciono doutorar-me a curto-prazo (até porque prefiro tentar apostar numa carreira sólida a nível internacional) nem me vejo a precisar efectivamente disso para o meu trabalho, mas a longo prazo, quando houver tempo e dinheiro, gostaria de me doutorar até por uma questão de realização pessoal.

O que tenho observado continuamente ao longo da minha vida é que à passagem por cada nível de ensino (desde que se aproveite mesmo para aprender e não apenas "passar") a minha mentalidade e maneira de ver o mundo tem mudado sempre, para melhor. Não espero que seja diferente com um doutoramento.
 
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É muito frequente estudantes de doutoramento darem aulas ou estarem em projectos de investigação (pagos) durante o doutoramento.

Quanto a certas opiniões [:vm)] Por os portugueses se estarem pouco marimbando para cultura e conhecimento é que estamos como estamos, um país de broncos (salvo uma pequena porção) que não sabe fazer nada de jeito e por isso só consegue sobreviver à custa de revender coisas importadas e pedir dinheiro à UE.

Eu não tenciono doutorar-me a curto-prazo (até porque prefiro tentar apostar numa carreira sólida a nível internacional) nem me vejo a precisar efectivamente disso para o meu trabalho, mas a longo prazo, quando houver tempo e dinheiro, gostaria de me doutorar até por uma questão de realização pessoal.

O que tenho observado continuamente ao longo da minha vida é que à passagem por cada nível de ensino (desde que se aproveite mesmo para aprender e não apenas "passar") a minha mentalidade e maneira de ver o mundo tem mudado sempre, para melhor. Não espero que seja diferente com um doutoramento.

Penso de forma muito semelhante! Acrescento que só me vejo a ver a fazer um doutoramento que dê contributo directo a alguma empresa. Fazer um doutoramento que não tenha aplicação não me motivaria de forma alguma, embora a maior parte sejam desses. Muitos artigos em revistas e conferências (pois é o que dá CV para um lugar na faculdade) e pouco mais interessa.

Pessoas que conheci na Suíça a fazer doutoramento (neste caso até era na área farmacêutica) podia acabar o doutoramento sem nenhum artigo publicado, para publicar apenas em revistas da categoria da Science.
 
Um doutoramento é evidentemente sempre uma mais valia em qualquer circunstancia.
A relevância do doutoramento para o exercício de uma profissão é que é variável conforme a área de estudos.

Há profissões em que basicamente os requisitos de formação se esgotam com a licenciatura, em que um mestrado ou doutoramento essencialmente nada acrescentam ao exercício da profissão:
Enfermagem, Fisioterapia, restantes técnicos de diagnostico e terapêutica, contabilidade, e basicamente todos os cursos lecionados em politécnicos ou cujos requisitos profissionais eram os antigos bacharelatos, embora haja excepções.

Depois há profissões que com o mestrado já tem a formação suficiente para o exercício cabal da profissão, mas para as quais o doutoramento acrescenta algo para o seu exercício , não sendo essencial para o desempenho, embora seja útil em alguns casos.
Todas as Engenharias, se enquadram nesta categoria, entre outros exemplos.

E há as profissões para as quais o doutoramento é uma enorme mais valia, e uma necessidade para o exercício das mais altas competências que são requeridas pela profissão.
As tradicionais ciências clássicas e delas directamente derivadas são esse exemplo. Matemática, Física, Química, Biologia. È necessário um doutoramento para as funções de investigação autónoma e avalizada quer em ambiente académico, quer em ambiente profissional.
 
Um doutorado é alguém que vai a um sapateiro comprar formas para manter o cano das
botas direito, enquanto o sapateiro usa umas garrafas de plástico de 1,5L usadas e vazias.
 
E um doutoramento em Engenharia Informática? Sistemas de Informação? Vale a pena?

Edit: acho piada que nessa ilustração se ache que os doutorados só se interessam pela sua área de conhecimento!
 
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E um doutoramento em Engenharia Informática? Sistemas de Informação? Vale a pena?

Edit: acho piada que nessa ilustração se ache que os doutorados só se interessam pela sua área de conhecimento!

não é isso; mas o grau de especialização é tão grande (no pun intended!) que se torna muito difícil ser igualmente especializado em 2 áreas. há quem o seja, mas são muito poucos!
 
As pessoas que estudam e apostam na formação de qualidade, não ficam impedidas de ganhar experiência, ou ficam??

É que se fala com frequência da teoria versus prática e da prática versus teoria, como quem tivesse a teoria tivesse um chip impeditivo de ter também prática...não me parece que sejam antagónicos.
 
Faz lembrar um pouco aquela discussão do engenheiro das universidades contra o engenheiro do politécnicos, em que se defendia muitas vezes que o engenheiro dos politécnicos só estava preparado para a tecnologia actual e que o mais teórico tinha uma base de conhecimento mais superior e daí estar mais preparado para as evoluções tecnologia.
 
Faz lembrar um pouco aquela discussão do engenheiro das universidades contra o engenheiro do politécnicos, em que se defendia muitas vezes que o engenheiro dos politécnicos só estava preparado para a tecnologia actual e que o mais teórico tinha uma base de conhecimento mais superior e daí estar mais preparado para as evoluções tecnologia.
Não é bem o caso em questão.

O engenheiro da universidade tinha o mesmo grau de ensino que o engenheiro do politécnico. Doutoramento é um grau mais acima.
 
Vejo tanta estupidez (nem sei se é a melhor palavra ou se estou a ser brando) por aqui...
Parecem religiosos que mandaram matar e perseguir os que diziam que a Terra era redonda. O que só demonstra a falta de respeito por pessoas que dão muito prestigio ao país com meios muito curtos. Demonstra também a forma como a sociedade portuguesa vê os doutorados.
Efectivamente o link inicial é a unica coisa que se aproveita...

Um Doutorado é alguém que investigou e descobriu algo que não se sabia... Alguém que se especializou em investigar e que descobriu algo novo.
 
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Portanto é simples, um doutorado é alguém que aumentou o conhecimento de uma área específica através de investigação. Portanto um especialista em investigar.

O problema de Portugal é que muita gente tira doutoramento(nas áreas das quimicas,fisicas, biologias,letras e humanidades) porque pura e simplesmente não há emprego, e 980€ por mes não é muito mau. Mas experimentem ir a sites como o OLX e outros de classificados e também vêm PhDs desempregados a pedir emprego...O país no estado em que está, está cheio sem lugar pra mais ninguem.
 
Reduzir-se um doutoramento a uma mera especialização é errado e não podia estar mais longe da realidade. A menos que os doutoramentos de que alguns falam aqui sejam diferentes dos que eu conheço.
Um doutorado é alguém que está preparado para desenvolver um projecto de investigação acerca de um tema que não tem necessariamente de ser na mesma área da tese. O doutorado sabe como encarar um problema ou uma questão, sabe colocar hipóteses e sabe como desenhar uma estratégia experimental que lhe permita validar ou testar essas mesmas hipóteses. E esta capacidade é da maior importância para qualquer empresa a sério (claro que para a mercearia do Sr Alfredo é igual ao litro). Para além disso, um doutorado é/deve ser capaz de treinar/ensinar colegas mais juniores. Seja na academia ou no sector empresarial.
Várias empresas em Portugal dão muita importância a esta formação. Ainda não há muito tempo lembro-me que no aeroporto de Lisboa havia um cartaz da Hovione que dizia mais ou menos "Tens um Doutoramento? Vem trabalhar connosco"). Conheço também consultoras (de topo) que recrutam vários PhDs. Já para não referir as unidades de I&D que qualquer empresa a sério possui e onde a direcção dos projectos está entregue a PhDs.
Claro que há muita gente que se decide por um doutoramento porque não tem mais nada que fazer. E também há péssimos doutoramentos e doutorados que só o são no papel. Mas também há más licenciaturas e maus profissionais em todo o lado. Um BOM doutoramento é uma mais valia para quase toda a gente. Principalmente para alguém que ambicione uma carreira internacional em empresas/institutos/universidades de topo.
 
pelo menos na minha área (biotecnologia), é raríssima a empresa/indústria que emprega pessoas (full time, claro) que nao têm um PhD.
 
Reduzir-se um doutoramento a uma mera especialização é errado e não podia estar mais longe da realidade. A menos que os doutoramentos de que alguns falam aqui sejam diferentes dos que eu conheço.
Um doutorado é alguém que está preparado para desenvolver um projecto de investigação acerca de um tema que não tem necessariamente de ser na mesma área da tese. O doutorado sabe como encarar um problema ou uma questão, sabe colocar hipóteses e sabe como desenhar uma estratégia experimental que lhe permita validar ou testar essas mesmas hipóteses. E esta capacidade é da maior importância para qualquer empresa a sério (claro que para a mercearia do Sr Alfredo é igual ao litro). Para além disso, um doutorado é/deve ser capaz de treinar/ensinar colegas mais juniores. Seja na academia ou no sector empresarial.
Várias empresas em Portugal dão muita importância a esta formação. Ainda não há muito tempo lembro-me que no aeroporto de Lisboa havia um cartaz da Hovione que dizia mais ou menos "Tens um Doutoramento? Vem trabalhar connosco"). Conheço também consultoras (de topo) que recrutam vários PhDs. Já para não referir as unidades de I&D que qualquer empresa a sério possui e onde a direcção dos projectos está entregue a PhDs.
Claro que há muita gente que se decide por um doutoramento porque não tem mais nada que fazer. E também há péssimos doutoramentos e doutorados que só o são no papel. Mas também há más licenciaturas e maus profissionais em todo o lado. Um BOM doutoramento é uma mais valia para quase toda a gente. Principalmente para alguém que ambicione uma carreira internacional em empresas/institutos/universidades de topo.

Tenho de concordar.
Há a mania de, em Portugal, cinjir-se os cursos e formações às unicas coisas que sabem fazer. Ou seja, um Phd em vez de ser uma vantagem (e quando digo phg, msc, lic. ou outro) faz com que um gajo que tire um curso em X saiba fazer coisas na area Y.
Um curso não restringe mas abre mais! Só em Portugal é que restringe... ainda estou para perceber a origem desta logica.
 
Ando por cá com uns tiques mas, acho que não vou matar já o enredo... espero quando voltar o bolo já esteja fermentado...[:D]

Jonh F. Kennedy


Seria mais por esse lado que estava a tender...se compreendem o que digo.

Estou em julgar, que não se compreendeu bem a mensagem subliminar, que se queria passar como o exemplo dado...

Vocês falm sobre o conhecimento. Eu sobre o desconhecimento, é claro que não chegamos nenhum entendimento...



Não sei bem que ideia tinhas com o post inicial, ou com alguns comentários neste tópico, mas se queres posso comentar o desconhecimento, e a citação do kennedy.

"Quanto mais aumenta nosso conhecimento, mais evidente fica nossa ignorância"

Só se apercebe dos limites do seu conhecimento quem trabalha nos limites do conhecimento existente e entende as limitações que os limites existentes impõem, pelo que dá apreço a todas as tentativas que outros e ele próprio dão para os ultrapassar e estabelecer novas fronteiras do conhecimento.

Quanto mais sabemos, mais sabemos que ainda há mais para saber. É este o sentido da frase que postaste.

Quem não tem formação/conhecimento dos limites, quem vive longe deles, não tem a percepção do quão difícil é atingi-los, quanto mais ultrapassa-los, e no entanto é isto que todos os dias os Doutorados fazem.

Mas já agora, que creio que o tópico ficou mais "fermentado", gostaria de saber a tua opinião e quais os "tiques" e as mensagens "subliminares" que querias que fosse referidas no tópico que criaste.
 
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Se vissem o salário de alguns doutorados em algumas empresas em Portugal não diziam isso.

Hmmmpfff....isso é como argumentar "Se vissem o salário de alguns indivíduos com a 4ª classe não dizias isso...". Não faz sentido.

(...)
Efectivamente o link inicial é a unica coisa que se aproveita...

Um Doutorado é alguém que investigou e descobriu algo que não se sabia... Alguém que se especializou em investigar e que descobriu algo novo.

Bom, nem sempre. Na verdade grande parte dos doutoramentos não revela a descoberta de algo que não se sabia anteriormente. Alguns são até parecem-me até que apresentam resultados bastante previsíveis, mas lá está...eu não sou doutorado! [:D] (só considerarei tal coisa se um dia vir que trás mais valias óbvias para a minha actividade...tirar doutoramento porque não se sabe bem o que fazer depois de acabar o mestrado é uma perda de tempo na minha opinião).

Vejo muitos doutoramentos e publicações de artigos apenas e só para alimentar uma carreira académica, coisa que neste momento é "sete cães a um osso", por isso por vezes cai-se no ridículo...como dividir teses em partes infinitas para aumentar o número de publicações. Quantidade > Qualidade.
Conheço pessoalmente apenas um caso de uma pessoa que está a tirar o doutoramento com o objectivo de "fazer ciência" - quotando o próprio...
 
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Quanto mais sabemos, mais sabemos que ainda há mais para saber. É este o sentido da frase que postaste.


Eis o meu ponto. No tópico discutiu-se de tudo, mas interpretação que, para mim dá aso, a que essa professor dê esse exemplo é que, da minha ideia, as pessoas chegam a um doutoramento e acham-se já sabedoras de tudo, e se pensarmos bem ( e aí onde quero chegar) nós não sabemos se tanto um 1% do que há para saber, mas temos de achar que de tudo sabemos e este exemplo para mim pretende afincar os pés bem na terra.

Se te perguntar, conheces o mundo? Por certo um dia partes e nem conhecestes se calhar 1% do que digo ou tão menos o nosso pais como deveríamos.

Isto é como discutirmos a consciência (conhecimento) que tens bases para falar disso e é um tema fácil, do que ao contrário inconsciência (desconhecimento) que de nada nos podemos agarrar.

E aí está para mim, motiva-me mais o desconhecido que é isso que me faz procurar as respostas que o contrário.

Quanto à minha pequena picardia no processo de fermentação do tópico, tinha para mim um pequeno deja vu que iria tocar aqui num ponto...





O Ego de alguns.

Mas boas discussões...[;)]
 
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Artigo 28.o
Grau de doutor

1—O grau de doutor é conferido aos que demonstrem:

a) Capacidade de compreensão sistemática num domínio científico de estudo;

b) Competências, aptidões e métodos de investigação associados a um domínio científico;

c) Capacidade para conceber, projectar, adaptar e realizar uma investigação significativa respeitando as exigências impostas pelos padrões de qualidade e integridade académicas;

d) Ter realizado um conjunto significativo de trabalhos de investigação original que tenha contribuído para o alargamento das fronteiras do conhecimento, parte do qual mereça a divulgação nacional ou internacional em publicações com comité de selecção;

e) Ser capazes de analisar criticamente, avaliar e sintetizar ideias novas e complexas;

f) Ser capazes de comunicar com os seus pares, a restante comunidade académica e a sociedade em geral sobre a área em que são especializados;

g) Ser capazes de, numa sociedade baseada no conhecimento, promover, em contexto académico e ou profissional, o progresso tecnológico, social ou cultural.

Fonte: Decreto-Lei n.º 74/2006
 
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