O que é exactamente um doutorado?

"Só sei que nada sei."

- citado por Platão in: "Apologia de Sócrates", o primeiro discurso, 21d

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Reduzir-se um doutoramento a uma mera especialização é errado e não podia estar mais longe da realidade. A menos que os doutoramentos de que alguns falam aqui sejam diferentes dos que eu conheço.
Um doutorado é alguém que está preparado para desenvolver um projecto de investigação acerca de um tema que não tem necessariamente de ser na mesma área da tese. O doutorado sabe como encarar um problema ou uma questão, sabe colocar hipóteses e sabe como desenhar uma estratégia experimental que lhe permita validar ou testar essas mesmas hipóteses. E esta capacidade é da maior importância para qualquer empresa a sério (claro que para a mercearia do Sr Alfredo é igual ao litro). Para além disso, um doutorado é/deve ser capaz de treinar/ensinar colegas mais juniores. Seja na academia ou no sector empresarial.
Várias empresas em Portugal dão muita importância a esta formação. Ainda não há muito tempo lembro-me que no aeroporto de Lisboa havia um cartaz da Hovione que dizia mais ou menos "Tens um Doutoramento? Vem trabalhar connosco"). Conheço também consultoras (de topo) que recrutam vários PhDs. Já para não referir as unidades de I&D que qualquer empresa a sério possui e onde a direcção dos projectos está entregue a PhDs.
Claro que há muita gente que se decide por um doutoramento porque não tem mais nada que fazer. E também há péssimos doutoramentos e doutorados que só o são no papel. Mas também há más licenciaturas e maus profissionais em todo o lado. Um BOM doutoramento é uma mais valia para quase toda a gente. Principalmente para alguém que ambicione uma carreira internacional em empresas/institutos/universidades de topo.

Resumindo e concluindo é um Lente, Catedrático ou Escolástico.
 
(...) as pessoas chegam a um doutoramento e acham-se já sabedoras de tudo, e se pensarmos bem ( e aí onde quero chegar) nós não sabemos se tanto um 1% do que há para saber, mas temos de achar que de tudo sabemos e este exemplo para mim pretende afincar os pés bem na terra.



Isto é como discutirmos a consciência (conhecimento) que tens bases para falar disso e é um tema fácil, do que ao contrário inconsciência (desconhecimento) que de nada nos podemos agarrar.

E aí está para mim, motiva-me mais o desconhecido que é isso que me faz procurar as respostas que o contrário.


Mas é precisamente o desconhecido que motiva a investigação. Não só motiva como obriga.
Um doutoramento é precisamente para inovar, para descobrir algo e explorar.
Quando o desconhecido passa a conhecido, revelando novas incógnitas, a investigação segue no sentido de as revelar.

Como é que achas que passamos da idade da pedra para idade do conhecimento em tempo real?
Foi por termos feito uma pequena descoberta e parar, ou foi precisamente por nunca parar de fazer descobertas?

Não há nada mais motivador do que a sensação de descoberta, de ver algo pela primeira vez, de provar algo, de inovar e de ser pioneiro. É uma sensação indescritível. É melhor que o reconhecimento pelos pares que advém de uma descoberta significativa.

Ainda me lembro da descoberta que levou ao meu primeiro artigo. Foi um novo mecanismo de defesa celular. Enquanto repeti a experiência com resultados sempre consistentes, quando tive os dados para demonstrar a veracidade dos factos, foi uma descarga de adrenalina que me manteve 24h com uma energia e um speed tal que não saí do laboratório enquanto não conclui o relatório.

Essa descoberta serviu para desenvolver um biofiltro com direito a patente.

Daí passamos para outras linhas de investigação testando a universalidade desse mecanismo no sentido de optimizar a produção da molécula, bem como identificar outras com um papel semelhante.


Pessoalmente não conheço nenhum investigador acomodado, que goste de rotina, nem que diga que sabe tudo, Nenhum!
Mas garanto que, daquilo que sabem e descobriram, ninguém sabe mais, pelo menos durante uns tempos até o próprio ou outro colega acrescentar algo.
 
Última edição:
Estás a dar-me razão, Portugal não usa os seus doutorados porque não há empresas preparadas para os receber. É isso que tem de ser trabalhado! Claro que uma "chafarica" prefere um tipo com 4 anos experiência em outra "chafarica", do que um doutorado. Agora uma empresa com departamento de I&D nem olha para o CV do que esteve na "chafarica", mas já fica entusiasmado com o doutorado.

Dito isto, concordo com o que tu dizes, é essa a realidade.

Sem duvida que existem certas áreas para as quais um doutoramento deveria ser pré-requisito para acesso à empresa. Refiro-me nomeadamente a empresas multinacionais farmaceuticas (bayer), empresas de aviação aeronáutica (boing), entre outras. Mas também existem áreas para as quais um doutoramento de pouco ou nada vale a não ser em termo académicos (doutoramento em marketing serve para quê, fora das faculdades?). Há que separar o trigo do joio. Como já disseram aqui, há doutoramentos que fazem muita falta ao mundo empresarial, como medicina, farmácia, biologia, bioquímica, algumas engenharias, física, etc. Mas existem muitos mais que apenas são úteis em termos académicos.
 
Sem duvida que existem certas áreas para as quais um doutoramento deveria ser pré-requisito para acesso à empresa. Refiro-me nomeadamente a empresas multinacionais farmaceuticas (bayer), empresas de aviação aeronáutica (boing), entre outras. Mas também existem áreas para as quais um doutoramento de pouco ou nada vale a não ser em termo académicos (doutoramento em marketing serve para quê, fora das faculdades?). Há que separar o trigo do joio. Como já disseram aqui, há doutoramentos que fazem muita falta ao mundo empresarial, como medicina, farmácia, biologia, bioquímica, algumas engenharias, física, etc. Mas existem muitos mais que apenas são úteis em termos académicos.
Não servirá para as empresas que trabalham em publicidade, etc...?
E os doutoramentos nas áreas das ciências sociais e humanas não deveriam ser válidos?
 
Eu sou doutorando.
Descarreguem o chumbo!

Pronto, se a 1ª afirmação ñ basta, eu dou + alguns motivos:

  • Acabei o curso (Mestrado Integrado) e entrei directamente p/Doutoramento, mas obviamente q ñ o ando a fazer de borla
  • Ñ posso dizer q saiba o q vou fazer daqui a 2 anos (já vou a meio)
  • Ñ me sinto a pessoa + sábia do Mundo, mas tenho noção q sei bastante da área à qual me dedico
  • Ñ se pode saber de tudo (embora algumas pessoas se acreditem possuidoras de tal mérito), mas tento ñ me restringir apenas a esse nicho de conhecimento
Resumindo... É tudo uma questão de conhecimento e de desconhecimento!
Se o objectivo era mostrar q o doutorado apenas domina uma pequena parte do conhecimento, está + q demonstrado.
Se, por outro lado, era p/levantar polémica...
Isto levanta sempre polémica, ainda + num país como Portugal q poucas condições tem, mas q por acaso investiu bastante nos últimos anos p/manter os seus cérebros.
A fuga ñ acabou, mas foram criadas algumas condições p/q + alguns possam ficar a ajudar o país.
Sim, a investigação científica, seja ela aplicada ou puramente académica, ajuda o país a andar p/a frente!
 
Eu sou doutorando.
Descarreguem o chumbo!

Pronto, se a 1ª afirmação ñ basta, eu dou + alguns motivos:

  • Acabei o curso (Mestrado Integrado) e entrei directamente p/Doutoramento, mas obviamente q ñ o ando a fazer de borla
  • Ñ posso dizer q saiba o q vou fazer daqui a 2 anos (já vou a meio)
  • Ñ me sinto a pessoa + sábia do Mundo, mas tenho noção q sei bastante da área à qual me dedico
  • Ñ se pode saber de tudo (embora algumas pessoas se acreditem possuidoras de tal mérito), mas tento ñ me restringir apenas a esse nicho de conhecimento
Resumindo... É tudo uma questão de conhecimento e de desconhecimento!
Se o objectivo era mostrar q o doutorado apenas domina uma pequena parte do conhecimento, está + q demonstrado.
Se, por outro lado, era p/levantar polémica...
Isto levanta sempre polémica, ainda + num país como Portugal q poucas condições tem, mas q por acaso investiu bastante nos últimos anos p/manter os seus cérebros.
A fuga ñ acabou, mas foram criadas algumas condições p/q + alguns possam ficar a ajudar o país.
Sim, a investigação científica, seja ela aplicada ou puramente académica, ajuda o país a andar p/a frente!

Totalmente de acordo. O que por aqui leio, noutros posts do tópico, parece-me uma dor profunda que por cá vai...
 
Com a escolaridade minima aos 12 anos profissional o doutoramento vai passar a ser obrigatório na escolaridade para depois não haver empregos para todos só os melhores serão escolhidos, depois só emigrando, ou seja cada vez vai haver mais doutorados, é por isso que o pais está no bom caminho na produção de riqueza para não dependermos da troika!
 
Última edição:
Totalmente de acordo. O que por aqui leio, noutros posts do tópico, parece-me uma dor profunda que por cá vai...
Não própriamente, acho e este é um excelente exemplo para para não se endeusar isto. Não tenho formação superior e isso para mim não me retira o facto de um dia não investir nisso. Claro que não será pela normalidade de muitos, em que se certificam antes dos 30 e ingressam no mercado de trabalho. Sinceramente gosto da minha área ( mais profissional, como claro que procuro novos saberes, mas isto em doutoramentos lhes vejo necessidades) o que acho que sou livre (quando muitos serão capazes de criticar (em dinheiro a despender que depois na prática não terá mais valia nenhuma) eu penso se lá chegar, com mais possibilidades financeiras, na minha aposentação dedicar-me alguma coisa, e investir nisso e considerar o que aprendi da vida e conjugar com a teoria que debitam, acho que aqui terei mais possibilidades de critica que quando ainda somos mais jovens. E se preocupam que eu vá gastar recursos que poderiam ser aplicados noutro lado relembro que ao longo da minha vida sustentarei para estes não faltassem com a minha contribuição e trabalho acho que me cabe um pouco o direito de investir nos mesmos desejos, mesmo que por idade for nem todos são agraciados com a mesma oportunidade.

[;)]
 
Não me referi ao criador do tópico [;)]

Eu não endeuso nada disso...e esclareço já que não sou doutorado. Entendo é que há quem o queira, e que o mesmo tem uma mais-valia diferente da minha na sua vida, profissional e não só. Não vejo é necessidade de medição de pilinhas
 
(em dinheiro a despender que depois na prática não terá mais valia nenhuma)

Nao necessariamente. Se conseguires uma bolsa da FCT ainda recebes a volta de 1000 euros por mes (bem mais se fores fazer o trabalho da tese para o estrangeiro. Para quem acaba de sair da universidade nao esta nada mal) e tens as propinas pagas. Para alem disso tens ainda um subsidio para impressao da tese, dinheiro para ires a um congresso internacional por ano e mais uma verba para bench fees que sao necessarias em algumas universidades.
(desculpem a falta de acentos...)
 
Se fores da área das ciencias, aconselho a procurares a secção Jobs da revista Nature. Só convém é ja teres publicações. As bolsas pra Noruega são +/- 4mil€ por mes, Suiça +/-2500€ mes, Dinamarca 3-4mil€ mes. Ou seja, um doutoramento é não só continuação de estudos mas principalmente um emprego.

Depois ha os casos de Italia, Espanha, Portugal e mais incrivel, Inglaterra onde se recebe 1-1200libras por mes, sendo que o custo de vida é maior que em Portugal.


Na minha área (Bioquimica) um doutoramento é essencial se se quiser um emprego. Mais ainda em Portugal, onde os licenciados e mestres não têm mais rendimento a não ser bolsas de investigação, que conduzem mais cedo ou mais tarde a doutoramento. Não estamos propriamente como os estados unidos onde um jovem com um bacharelato pode trabalhar como tecnico de laboratorio, part-time, a receber 20mil por ano.
 
Há aqui dois pontos nisto da educação que penso que passam ao lado de muita gente:

1) Ao adquirir-se novas habilitações não se perde as anteriores. Um técnico de informática (secundário/CET) não deixa de o ser por fazer um mestrado integrado em informática, se não arranjar emprego como engenheiro pode na mesma arranjar como técnico, a probabilidade de arranjar um emprego qualquer é maior do que seria se tivesse ficado pelo nível de técnico porque pode concorrer às duas coisas;

2) É verdade que se não se conseguir arranjar emprego como engenheiro foi, em termos puramente monetários, um desperdício (embora eu ache que o conhecimento por si só já tem valor) e não ganhou nada com o tempo e dinheiro que gastou. Mas há que ver as coisas em perspectiva: com um curso superior há a possibilidade de arranjar o tipo de emprego que sem ela não conseguiria, um emprego geralmente bem melhor, ou seja há sempre uma probabilidade de retorno, mais alta ou mais baixa dependendo da área, da classificação obtida, etc. Por outro lado as mesmas pessoas que criticam quem se mete num curso superior gastam rios de dinheiro noutras coisas - já que estamos neste fórum, coisas como carros novos que em meia dúzia de anos vão dar um prejuízo de dezenas de milhares de euros - em que não há retorno possível (tirando pontuais excepções de carros que possam valorizar, mas esses normalmente são comprados por pessoas que não têm preocupações com dinheiro). Ou seja, criticam quem faz um investimento mas por outro lado fartam-se de deitar dinheiro ao lixo [:D]

Eu actualmente estou a estudar, ando com um carro péssimo "emprestadado" e não tenciono comprar carro enquanto não terminar os estudos, por muito que adore carros e gostasse de ter uma coisa boa (e às vezes aparece-me cada negócio que a tentação torna-se muito difícil de resistir...). Podia ter comprado um carro invés de apostar nos estudos, como vejo muitos antigos colegas meus do básico e secundário a fazer, mas seria um carro relativamente barato, ou bem usado ou uma amostra. Mas depois lembro-me que estou a fazer um investimento e a apostar no meu futuro, porque se comprasse agora carro daqui a 10 anos estava a comprar um semelhante, e 10 anos depois provavelmente também, e da maneira que as coisas andam era capaz de passar a vida toda sem nunca ter um carro verdadeiramente bom porque a minha vida "estagnava" naquele patamar. Agora faço um esforço mas mais tarde estarei se tudo correr bem num patamar muito superior, e aí posso comprar um carro muito melhor do que provavelmente poderia se não apostasse em mais formação.

Sei que vêm já dar exemplos de pessoal com o 6º ano que abre empresa e ganha montes de dinheiro. Mas se tivessem mais formação ganhavam provavelmente ainda mais porque estariam melhor qualificados para gerir o negócio.

É tudo uma questão de probabilidades.
 
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