Como pai de crianças em idade escolar, acho que acabamos sempre por pecar por excesso ou por defeito quando se fala em educação, pedagogia, ensino, mediante situaçóes que nos sao contadas e portanto, das quais conhecemos mal os contornos.
Antes de mais um reparo: o titulo do topico é um exagero e uma falta de educação. Há inumeras formas de apresentar os assuntos, mesmo que estejamos convencidos que temos toda a razão.
Ao contrário de mtos eu não defendo a epoca da "outra senhora"...acho que é um exagero dizer que antes é que as coisas funcionavam bem e que agora é uma pouca vergonha. Nao concordo. Eu "sou do tempo" dos castigos fisicos nas escolas, das regras quase militares da sala de aula, das metodologias de ensino que em nada privilegiavam a capacidade de aprendizagem dos alunos e a sua individualidade, antes os tentavam formatar todos da mesma forma. E ainda bem que esse tempo já lá vai. Nao me sinto dignificado nem acho que cresci e me fiz homem pelo numero de "bordoadas" que levei e não é certamente isso que pretendo para os meus filhos, enquanto alunos e enquanto pessoas.
E as generalidades, como sempre, enganam. Há por aí mto criminoso que teve certamente bons professores e levou umas valentes "castanhas" em miudo e nem por isso será um ser humano exemplar...
Por outro lado, a desresponsabilização e demissão do papel de pais como elementos fundamentais na educação e aprendizagem é algo que me choca. As crianças são incentivadas e ser individualistas, a conseguirem tudo com a lei do minimo esforço e não sao ensinadas a falhar. E quando falham, é-lhes incutido que falharam sempre por culpa de alguem, tenha sido um amigo "má companhia", um "professor parvalhão", um director iresponsavel, um colega baldas, enfim...desculpas nunca faltam, menos aquilo que é geralmente a realidade: os pais falham em toda a linha como exemplos e modelos.
Se eu coloco os meus filhos de castigo qd se comportam de forma incorrecta, tenho que aceitar que quem é responsavel por eles numa sala de aula tenha tambem esse papel disciplinador e orientador, se necessario. O que nao quer dizer que me demita de saber exactamente o que aconteceu e nao fale directamente com professor. E faço-o sempre que posso e nas reuniões destinadas para o efeito e não só quando há problemas...afinal, se eu tento medir bem a minha actuação antes de colocar um filho meu de castigo ou de o repreender, tenho que perceber as razões de outra pessoa, seja ela professor ou catequista, para repreender ou castigar. E mesmo que nao concordasse com a razão nunca confrontaria o professor diante do miudo...acho que se deve funcionar como em casa: se o pai diz que é assim, a mae nao deve contradizer ou desculpabilizar e o contrario tambem.
Em relação a esta situação concreta: não acho que a criança vá ficar traumatizada ou marcada para toda a vida, por ter sido colocada de castigo. Acho igualmente que o user deve tentar uma aproximação ao professor pq, por alguns posts, percebe-se já bastante desconfiança e desagrado. Perceber igualmente se o miudo confabulou (omitiu ou modificou a historia) dado que é frequente nestas idades.
Ao falar com o professor tentar perceber se a situação foi tao lesiva para a aula ou se o comportamento foi tao inadequado para a repreensão e o castigo em questão, dado que me parece (pessoalmente) efectivamente exagerado o "escrever 300 vezes no quadro" diante dos colegas. Náo sendo professor, duvido muito da sua utilidade e eficacia pedagógica e questiono-me se uma repreensao oral com um acrescimo de trabalho para casa com apresentação diante de toda a turma no dia seguinte nao teria o mesmo efeito dissuador de comportamento indisciplinado. Mas isso sou eu...e se me fosse explicada a importancia da metodologia, nao a questionaria, claro.