O fenómeno do bullying

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Iuri

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Vem a propósito da notícia infra, que muito me chocou, a seguinte pergunta:

Foram, na idade escolar, vítimas deste fenómeno?
O fenómeno compreende agressões físicas ou verbais de carácter sistemático.



Criança que se lançou ao rio Tua era há algum tempo agredida verbal e fisicamente
04.03.2010 - 07:36 Por Ana Fragoso

1 de 10 notícias em Localseguinte »
Foi instaurado um inquérito sobre o caso de suicídio de uma criança de 12 anos em Mirandela. Colegas e familiares afirmam que o aluno era uma vítima de outros estudantes e até já identificaram os agressores.

Buscas no rio Tua (Joana Oliveira)

O conselho executivo da Escola Luciano Cordeiro, em Mirandela, recusa-se a fazer qualquer tipo de comentário ou a prestar declarações sobre a possibilidade de Leandro, a criança de 12 anos que anteontem se lançou ao rio Tua depois de ter sido agredido por colegas, ser vítima de bullying. "Não há ninguém disponível para falar com jornalistas", avisou uma funcionária da escola.

Foi o presidente da Associação de Pais, José António Ferreira, que informou que a escola e a própria Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) já tinham instaurado um inquérito para apurar o que aconteceu dentro daquele estabelecimento escolar e para averiguar a possibilidade do rapaz ser vítima de bullying, como alguns colegas e familiares afirmam.

A avó do Leandro, Zélia Morais, disse ao jornal A Voz do Nordeste que, com alguma frequência, o jovem era agredido verbal e fisicamente, relatando que há cerca de um ano chegou a ser hospitalizado, após ser agredido por colegas de escola, fora daquele estabelecimento. "Bateram-lhe ao pé da estação", conta, e como consequência ficou uma noite internado no Hospital de Mirandela.

José António Ferreira assegura que não há registo de casos de bullying naquela escola e que a criança em causa não está sinalizada. Mas Zélia Morais acrescenta que a mãe do Leandro chegou a ir várias vezes à escola. "Sempre a atendiam muito bem mas depois não faziam nada, como não fizeram", desabafou.

Nesta terça-feira um colega de turma presenciou a agressão: "Foi um rapaz e uma rapariga, namorados, bateram-lhe e ele ficou a chorar", disse, desconhecendo as razões que levaram "os grandes", com 14 ou 15 anos, a agredir o Leandro. "Batiam-lhe às vezes", continuou.

Agresssores identificados

Os supostos agressores já foram identificados e estão a ser acompanhados por um psicólogo na própria escola. Os colegas de turma ontem só tiveram aulas no período da manhã e alguns aproveitaram a tarde para ir espreitar ao rio, acompanhar as buscas e tentar saber se já tinham encontrado o amigo. Alguns não querem falar, outros, sem reservas, confirmam que há um grupo "de três ou quatro" estudantes mais velhos que gosta de se meter com os mais pequenos. Uma versão confirmada por um primo mais velho de Leandro. "É verdade que lhe batiam. Quando eu via, defendia-o", disse. Este jovem acompanhou os últimos momentos de ira do Leandro que, na terça-feira, faltou à aula de Inglês, a última da manhã, e saiu disparado da escola a anunciar que se ia atirar ao rio. "Já queria atirar-se da ponte, eu é que peguei nele", conta, enquanto mexia energicamente as mãos, mostrando algum nervosismo. "Depois desceu pelas escadas, foi ali para o parque de merendas e de repente tirou a roupa e meteu-se na água. Nós vimo-lo a levantar os braços e depois já ia lá em baixo", disse, explicando depois que a correnteza da água depressa afastou das margens o corpo frágil do rapaz.

Três primos e o irmão gémeo do Leandro assistiram a tudo, enquanto gritavam desesperadamente e algumas pessoas que passavam àquela hora na ponte chamaram de imediato os bombeiros.

Leandro frequentava o 6.º ano, o irmão gémeo frequenta o 5.º ano, razão pela qual nem sempre estavam juntos, o que deixava o Leandro, mais tímido e reservado, numa situação de maior fragilidade.

A Coordenadora do Programa de Saúde Escolar do distrito, Manuela Santos, diz que um estudo realizado em 2009, em coordenação com a Universidade do Minho, revela que o fenómeno do bullying existe em todas as escolas da região. "Fizemos inquéritos a 3891 crianças do 1.º ao 6.º ano. Na Luciano Cordeiro 11% das crianças inquiridas afirmaram que já tinham sido vítimas de agressão por parte dos colegas três ou mais vezes".

Graça Caldeiras, a mãe de uma criança de 10 anos que frequenta aquela escola confirmou esta realidade, queixando-se à agência Lusa que o filho está a ser vítima de agressões por parte de colegas, motivo pelo qual a criança se recusa a ir à escola e está a ser medicada e acompanhada por um psicólogo. Ontem mesmo Graça Caldeiras disse que não foi trabalhar para acompanhar o filho em mais uma consulta no psicólogo que conseguiu arranjar no centro de saúde, já que "a psicóloga da escola não tinha tempo para o atender".
 
Tenho um bocado de dificuldade em perceber se este fenómeno é mesmo algo novo ou se apenas tem outro nome. Do 5º ao 9º ano andei numa escola tida como dificil, onde vi alunos que dia sim dia não, ou dia sim dia sim eram "incomodados" de alguma maneira por outros alunos. Havia putos marcados que ora eram roubados ora iam ver o interior do contentor do lixo, etc etc.
Não estou com isto a tirar valor ao fenómeno, quero apenas perceber se será a mesma coisa ou se o bullying tem outros contornos.
 
Sempre houve Bullyng. Mas não era tão grave como hoje. Isto na minha opinião é fruto da globalização e da falta de tempo e paciência dos país.
 
Eu acho incrível como é que é possível os pais não saberem de nada, ou acharem que depois do filho ter sido internado no ano passado vítima de maus tratos na escola, incluindo pontapés na cabeça, como é que é possível não estarem atentos a uma situação desta gravidade, no sentido de resolverem este problema, nem que mudassem o filho de escola.
Acho também incrível como é que na escola, nem funcionários nem professores, se aperceberam de nada com esta criança.
Pior ainda é o que eu ouvi esta manhã na televisão. Uma miúda vítima de maus tratos na escola por parte de colegas, e escondia dos pais para "não os preocupar". Que tipo de vida ou que tipo de tratamento tem esta garota em casa, para dizer que não quer preocupar os pais... Que importância dão os pais desta miúda ao que ela diz, ou às queixas dela, para ela dizer estas coisas?
Eu também sou mãe, e embora a minha filha só ter entrado agora para a escola, para a 1ª classe, eu todos os dias lhe pergunto o que é que aprendeu, o que é que fez nos tempos livres, se comeu tudo ao almoço, enfim, coisas que para ela são importantes...
 
Creio que hoje, há um certo inconformismo social, apesar destas situações continuarem a ser sistematicamente ignoradas, seja por violação do dever de vigilância da escola, seja por negligência grosseira dos professores ou da direcção.
Antigamente (década de 80), e eu lembro-me bem, estas situações de bullying sucediam-se (se bem que predominantemente de agressões verbais ou violência psicológica) mas eram tidas como normais ou pelo menos como inconsequentes.
Daí que a vítima sofria e os agressores saíam impunes, seja pela conivência das testemunhas oculares, seja pela ausência de fiscalização eficaz, seja pelo conformismo de todos, por até, em certos casos, acharem piada...
 
Infelizmente constato esse fenómeno todos os dias na escola...

Mas, diga-se que todos nós já o experienciamos quando andávamos na escola.

Contudo, cada vez mais noto a maldade intencional nos miúdos do que a "simples" brincadeira de mal tratar o colega.[s)]

Não obstante esta situação, julgo que este triste acontecimento serve para nos alertar para o que se passa, pois muitas vezes fazemos de conta que não existe.

Mas entendo que actualmente os miúdos são mais fracos psicologicamente, ou seja, vão-se abaixo mais rapidamente e tendem a ter cada vez mais comportamentos anormais.

Para concluir, neste caso do Tua, desconhecendo o caso em si, deve haver mais qualquer coisa e não apenas o efeito do bullying... o miúdo já teria outros problemas, talvez ignorados pelos que lidavam com ele.
 
Tenho um bocado de dificuldade em perceber se este fenómeno é mesmo algo novo ou se apenas tem outro nome. Do 5º ao 9º ano andei numa escola tida como dificil, onde vi alunos que dia sim dia não, ou dia sim dia sim eram "incomodados" de alguma maneira por outros alunos. Havia putos marcados que ora eram roubados ora iam ver o interior do contentor do lixo, etc etc.
Não estou com isto a tirar valor ao fenómeno, quero apenas perceber se será a mesma coisa ou se o bullying tem outros contornos.

O problema do que me apercebo é que hoje há muitos "ganges" antigamente (á 15-20 anos) as coisas eram resolvidas mais mano a mano e ficavam basicamente ali resolvidas agora não. Sinais dos tempos, resta aos pais estarem atentos aos seus filhos.
 
Creio que hoje, há um certo inconformismo social, apesar destas situações continuarem a ser sistematicamente ignoradas, seja por violação do dever de vigilância da escola, seja por negligência grosseira dos professores ou da direcção.
Antigamente (década de 80), e eu lembro-me bem, estas situações de bullying sucediam-se (se bem que predominantemente de agressões verbais ou violência psicológica) mas eram tidas como normais ou pelo menos como inconsequentes.
Daí que a vítima sofria e os agressores saíam impunes, seja pela conivência das testemunhas oculares, seja pela ausência de fiscalização eficaz, seja pelo conformismo de todos, por até, em certos casos, acharem piada...

Eu andei na escola nos anos 80 e nessa altura pelo menos nos sitios que andei era tudo muito violento mais do que é hoje, ja havia grupos, havia muita droga e sem ninguem a controlar , havia violencia era raro o dia que nao havia porrada e por vezes com consequencias graves.

Mas tambem se tinha de abrir a pestana cedo.
 
Este fenómeno está cada vez com mais contornos, e nos últimos anos acho que tem crescido consideravelmente o numero de casos de Bullying . Só não vê quem não quer!

Com a agravante de uma grande parte dos pais investirem muito do seu tempo no trabalho e dando pouca atenção a estes problemas. Quantas e quantas crianças devem sofrer de Bullying, arrisco mesmo a dizer que entre 30 e 40% das crianças são vitimas de Bullying.

Parece que não existem funcionários nem professores :sh)

Todos querem dominar e ter fama na escola, como ? amedrontando os outros e agressões [8b]

Depois também existe o problema de as punições para este tipo de casos/agressores serem muito leves!

O caso do Tua não me admira, visto que um dos efeitos sobre a vitima pode ser a Auto-mutilação e mesmo suicídio
, dependendo da gravidade do caso.

Ou se tomam medidas ou não sei onde isto vai parar :sh):sh)
 
Isso é mesmo contra todas as leis...
Posso testemunhar que eu próprio fui vitima disso, fui muito gozado e rejeitado, mas uma súbita mudança de atitude da minha parte fez calar muita gente, e por isso, ser respeitado.
E vejo muitos hoje em dia na escola a passar pelo mesmo que eu passei infelizmente.
 
Já fui vitima há uns anos e denunciei TUDINHO. [;)] O gajo ficou completamente atascado... Haviam de ver no dia do Julgamento. [:D] Piava muito fininho. [:p]
 
E para completar o que disse em cima.
Por causa do bullying é dificil arranjar amizades, de nos integrarmos, porque os que nos troçam, conseguem fazer com que toda a gente nos olhe da maneira que nós nunca fomos.
Eu consegui ultrapassar essa situação com o apoio dos meus pais, e também com uma ou duas pessoas que tenho em muita consideração ainda nos dias de hoje para me tirarem da situação em que estive, a eles estou eternamente grato.
Hoje sou feliz, distante dos problemas que muitos anos estiveram em cima de mim, e tão pouco não os procuro.
 
Tipo... isso sempre existiu, e sempre existirá...

Mas quando lhe dão um nome oficial, passa a ser um problema... mesmo para as crianças... é essa a razão... [;)]

O puto lá não aguentou a pressão... não pode ser assim...
 
Eu fui vítima dos 6 aos 14.

Depois a coisa baixou muito de tom, felizmente.

Se alguma vez tive vontade de me suicidar? Não, mas tive várias ideias bastante estranhas. A minha vontade é, ainda hoje, a de enfiar um espeto na brasa em todos os que me infernizaram a vida.

Portanto, foi com muita tristeza que soube de tal acontecimento. Ninguém merece...ainda por cima, falamos de uma criança com imensa vida pela frente.
 
Ainda que os pais dos agressores tenham (directa ou indirectamente) alguma (maior ou menor) responsabilidade por alguns dos actos dos seus filhos, creio que, nestes casos, a responsabilidade recai inteira e totalmente na instituição à qual as crianças ou adolescentes estão entregues.
As escolas e as mentalidades têm que se adaptar a este tipo de fenómenos que existe e sempre existirá.
 
É triste, muito triste, mas também se torna incrível quando se sabe que ele já era vitima de agressões a bastante tempo na escola, tudo sabia o que se passava e nunca ninguém fez nada. Os pais não fizeram nada, não pressionaram a escola para fazer algo, pois era dentro do recinto escolar que tudo se passava. E agora, depois do menino ter morrido e como sempre neste triste país rico em gente pequenina e irresponsável, todos querem é fugir do problema, negando o conhecimento do caso. Até o director da escola o negou. Estamos em Portugal e mais uma vez ficará tudo igual e ninguém é responsabilizado.[8b]
 
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