Depois de ler muito do que aqui foi escrito devo confessar que em certa parte não me admira os comentários a favor ou contra as prestações do Miguel.
Até porque isto é sintomático com os media portugueses. Ninguém conhece o Miguel, nunca ninguém ouviu falar dele, entretanto está na luta pelo campeonato de Moto2 e já começa a aparecer nos noticiários, as pessoas começam a falar, já conhecem o piloto. Depois consegue contrato para o MotoGP, classe rainha do motociclismo onde populam maioritariamente espanhóis e italianos, e paira o espetro de que o Miguel vai conseguir bons resultados e um dia ser campeão. Entretanto percebem que afinal o Miguel não consegue grandes resultados, que afinal a mota dele não é grande coisa, que não será campeão, que deveria ter ido para outra equipa, e assim tal como apareceu desaparece dos media pois já não tem tanto interesse.
Isto é o reflexo de todas as pessoas que não acompanham o motociclismo, que não sabiam antes quem era o Miguel, e que agora assim do nada estavam à espera que ele fosse campeão ou surgisse no pódio corrida após corrida.
Isto não é nenhuma novidade, e quem estivesse a pensar que seria chegar lá ver e vencer estava muito enganado.
E podia colocar aqui inúmeros exemplos de pilotos que andaram anos na sombra até terem conseguido resultados satisfatórios e/ou conseguissem vencer uma corrida, como poderiam argumentar que o Quartararo tem consecutivamente andado lá na frente e ainda no ano passado estava no Moto2 atrás, bem atrás, do Miguel e do Bagnaia (só para recordar que é o atual campeão de Moto2 e um dos preferiti do Rossi).
Já por aqui abordámos a questão das limitações e dificuldades de conduzir a KTM (nem é preciso voltar a referir o nome do Zarco), e de como é uma das motas mais complicadas do pelotão, mas foi a escolha (dentro da possibilidade de escolha) que o Miguel fez, e, do que da para perceber, foi uma aposta da KTM, em virtude de tudo o que o Miguel tem feito em prol da marca e do feedback que proporciona à mesma.
Só um apontamento. Segundo consta este fim de semana o Miguel esteve a testar novos componentes/peças da KTM que apenas foram instalados na mota dele. Não foi sequer em nenhuma das motas de fábrica nem na do Hafiz (o hafiz é piloto da tech3 ao contrário do Miguel que tem contrato com a KTM). Foi na do Miguel pois as informações que ele dá à KTM são muito boas.
Segundo, desde o GP da Holanda um técnico da KTM está sempre junto do Miguel (será para obter feedback e dados).
Terceiro, e já abordei isto antes. Quer se queira quer não, o mercado tem grande influência. E não comecem novamente com a conversa da nossa mentalidade pequenina mas é um facto, somos um país pequeno e cujo interesse se centra no turismo (interesse para quem nos vê de fora). O mercado do Miguel não é o mesmo que o do Hafiz (que tem todo um mercado asiático gigante por trás). Por isso tem que ir lá com o talento. E certamente a KTM acredita nesse talento caso contrário existem por aí muitos pilotos com talento e mercados mais interessantes para a KTM e para a red bull.
Posto isto, apenas um aparte.
O Petrucci renovou para o ano de 2020 com a Ducati. E vai ganhar 600mil euros ano. O Dovizioso ganha 6 milhões!
A diferença de vencimento é brutal. A qualidade dos pilotos, atualmente, justifica essa diferença gigante?
Em relação à corrida do Miguel, foi de facto pena a queda até porque o arranque foi muito bom, como estava à espera, e os dados de volta foram bons (teremos que ter em consideração que tinha estrada livre à sua frente mas também que tinha uma das asas danificadas). Ficam mais dados para o desenvolvimento da KTM.
Em relação às corrida em si, o Márquez mais uma vez não deu qualquer hipótese e se dava ideia que o Quartararo (pelos treinos) e o Rins (pela corrida e distância que apresentava) ainda poderiam vir a dar luta, ambos caíram (a queda do Quartararo foi dum grande erro seu).
A luta pelo título, se é que poderia existir alguma luta, vai se tornar um passeio para o Márquez. Esperemos por uma luta interessante pelo segundo lugar, não mais do que isso.