transformar um carro em marca, ainda por cima tão icónico como foi o mini original, daria sempre problemas quando chegasse a altura de expandir a mesma.
Nos anos 90, quando apareciam nos salões concept's a mostrarem possiveis caminhos para o mini, fiquei bastante entusiasmado com a coisa.
Os spiritual e o acv30, mostravam duas faces do que foi o mini na sua essência
maravilha do packaging, e tomba-gigantes nos rallyes, sendo um dos mais improváveis e competentes "driver's car".
Quando saiu o novo mini, apesar de manter os traços caracteristicos que o identificavam como tal, não poderia ser mais representativo da antítese do original, desiludindo quem, como eu, ansiava por algo que realmente mostrasse o passo seguinte, tal como o original fez.
De maravilha do design, packaging e engenharia, passou para um exercicio de marketing (e brilhante nesse aspecto), nostalgia e show off .
Apesar de apelativo a diversos niveis (incluindo a componente dinâmica, ou não fosse um bmw), a essência do mini já se tinha ido à muito.
Basicamente, obtivemos um digno representante de uma abordagem kitsch.
Este coupé continua nessa temática.
Por um lado, o conceito, a ideia de um mini mais rasteirinho e focado agrada-me (pela componente da condução)
por outro, o que obtivemos, ao ver estas imagens, nem por isso.
Como já disseram, parece uma sandwich.
Temos a parte inferior, que é um mini, e a superior que é outra coisa qualquer.
Um tecto caracterizado por umas quantas linhas em arco que se intersectam num ponto, dando-lhe aquele look único e distinto, merecia estar noutro carro.
O desenho base do mini é algo de bastante simples. Um conjunto de linhas horizontais que definem o tecto e as janelas, numa abordagem quase bi-dimensional e bastante gráfica, apenas contrastando com a frente, bem mais modulada, derivando essa modulação dos faróis circulares.
Infelizmente, e apesar de ser um carro com perfil único, por alguma razão decidiram enchê-lo de pormenorzinhos decorativos que não fazem nada, senão diluir as linhas base, e acrescentar ruido visual desnecessário, mais uma vez, numa atitude, 100%... Kitsch. Isto é o equivalente ao naperon em cima da tv!
Outra questão, é o facto de apenas e só terem mudado o tecto.
Medida economicista?
Tendo em conta ao que se propõe, como uma proposta mais focada, rivalizando com outros pequenos sports cars, acho que merecia um pouco mais de atenção na diferenciação para o mini actual. A não ser que traga diferenças consideráveis ao nivel das entranhas, não encontro justificação para escolher este exemplar mais estranho de aparência, relativamente ao mini "normal".
Não foi à toa que mostrei o concept de 97, o acv30, que, a meu ver, interpreta melhor o que poderia ser uma variante mais focada do mini.
Apesar de não concordar com algumas coisas, como os mega alargamentos, é muito mais fiel ao que um mini deve ser, e suficientemente diferente do mini "normal", para representar a faceta mais hardcore da filosofia mini.
E repare-se como a carroçaria está sem adornos, apenas baseando-se nos elementos que caracterizam a identidade mini.
Tecto plano, faróis circulares e grelha tipica.
No entanto, no plano comercial, acredito que não desiludirá.
Brand lovers, tipos que querem marcar uma posição ao nivel de imagem, etc... Deverão aderir em massa ao conceito, apesar de isto ser uma proposta mais limitada que o próprio mini