Acho que tive a primeira conta como 1º (e único?) titular gerida por mim aos 12 anos. Na altura só o Totta permitia ou algo assim. Foi emocionante.
Aquilo era gestão altamente complexa com saldos crescentes, entradas de numerário após festividades e encontros em família, ausência de levantamentos para despesas. Um sonho.
Acho que só comecei a ter mesada regular aos 18 anos/entrada na faculdade (até aí, talvez recebesse uns 20€/semana no secundário, mas sinceramente acho que era mais à base do quando gastares os 20€ pedes de novo). Como permaneci em casa dos país à excepção do período ERASMUS (2 semestres no meu 5º ano), presumo que seja uma situação semelhante à dúvida que assiste o autor do tópico: o que dar a um filho para as suas despesas pessoais quando este vive connosco numa cidade grande se tivermos possibilidade para dar alguma coisa.
Recebia €200 (metade pelo pai, outra pela mãe), inalterado ao longo de 6 anos (só agora ao escrever este post é que me apercebo disso, os malandros! [

]). Despesas de alimentação na faculdade (almoço) não ultrapassavam os 50-70€ (cantina a variar entre os 2 e os 4.5€ consoante a dita) até porque almoçava algumas vezes em casa. Jantar/sair fora 1 ou, raramente, 2x/semana. Jantares de curso, de Natal e afins.
De despesas fixas: Passe (algo como 15€ durante o período dos passes 18-23 e uns 30€ depois), telemóvel (yorn extravaganza 5-7.5€ ou algo do género, lembro-me que aproveitava a altura das promos de carregamento do "receba o dobro" da Vodafone para encher o saldo e ficava meses sem lá por mais). Apesar de ter carro próprio só o usava nas saídas e/ou fim de semana ou quando fazia estágios fora de Lisboa cidade (mais frequente nos últimos anos) e, pecador me confesso, era o papá que enchia o depósito [

] Propinas (uns 1000€/ano) eram também pagas à parte pelos pais.
Portanto devia ter algo como uns 100€ de margem mensal que geria como queria. Era bastante bom, não me sentia apertado mas também não sentia que podia andar na loucura.
Chegava geralmente ao Verão com uns 700-800€ acumulados que usava para uma viagem com a namorada e/ou amigos (fiz 2 interrail a percorrer a Europa em hostels e a comer a bela da sande de queijo ou atum ao almoço (dia após dia após dia, até ao ponto em que chegas a casa após 4 semanas e pesas menos 5-7Kg do que no início da tua viagem...algo como quase 10% do teu peso corporal), pacote de leite 1L e cereais a dividir por vários marmanjos ao pequeno-almoço (era o que faltava andar a transportar leite!), jantar em comunity kitchen do hostel (corria sempre bem...not) ou fastfood na estação de comboios (saudável) um pouco antes de apanharmos o comboio nocturno para a próxima cidade aproveitando para dormir "à borla" nessa noite). E a fazer a pedantes e com muito pouco transporte público muita capital pelo Norte, Leste, Centro e Sul da Europa. Por um lado tenho saudades dessas viagens, mas agora a trabalhar, não me vejo a repetir tal grau de frugalidade e desconforto em viagem. Exagerávamos para ver o mais possível, tal era a vontade de conhecer mais e tentar não chular tanto os pais. Hoje já não conseguia ficar naquelas espeluncas e comer tão mal como o fiz nessas viagens. Só de me lembrar [

]:sh)
Em Paris/ERASMUS tinha uma bolsa/ordenado (pago pelo Estado Francês [

]) que quase chegava para a totalidade do pagamento da residência (RAG) mas vinha sempre atrasada ou, pelo menos, não coincidia com o vencimento da prestação. De qualquer modo era uma óptima (!) ajuda. Nesse período, a mesada começou por duplicar (€400) e mesmo assim andava afito e, após uma ou duas chamadas de emergência para Lisbonne a pedir fundos de resgate [

] acabámos por perceber que precisava do triplo para não estar em indigência completa por lá [

] Pais sofrem.
Desde que trabalho que me tornei muito menos poupado face ao rendimento disponível. Agora que penso nisso é estranho mas claramente tinha mais respeito e dava mais valor ao dinheiro quando não era meu.