Maternidade, paternidade, vida íntima.

Se há coisa que eu nunca mando boca é acerca dos filhos. Primeiro, nunca é nada comigo, e segundo, sabemos lá o que vai dentro de cada casa. Sabemos lá se estão fartos de tentar, inclusivamente com tratamentos, e o pessoal de fora a mandar bocas.
Verdade, tinha 4 casais no meu grupo de amigos com problemas desses e de vez em quando ouvia alguém a falar disso, é constrangedor.
Neste momento 1 deles já conseguiu e 3 continuam nessa luta ingloria.
 
É execrável essa conversa e insistência do "está na hora de terem filhos", "para quando o bebé?", etc.

Até porque há muitos casos em que é uma questão de saúde, com muitos pais que querem ter e não conseguem, e têm de passar por um grande trauma psicológico que são os tratamentos falhados.

Quando não se sabe o que se passa na vida dos outros, o melhor é mesmo estar calado.

Eu acho que nessas conversas há sempre uma inveja subjacente pelo facto de não apreciarem verem casais a aproveitarem uma vida sem filhos, com toda a liberdade que isso traz. Mas isso já é entrar em polémicas. [:D]

Há uns tempos alguém ("superior hierárquico") dirigiu-se para uma rapariga e perguntou:
  • Estás grávida?

Ao que ela responde:
  • Não, é mesmo barriga. :sh)[:D]

Não satisfeita, a mesma pessoa vira-se para outra e diz:
  • Ó xxxxxx, não me digas que tu estás?

E a xxxxx tinha perdido o marido devido a cancro há menos de 2 meses. :sh)
 
A questão dos filhos é sempre bicuda...têm de ser os dois a querer e a relação tem de ter um minimo de solidez, para não ir pelo cano nas dificuldades iniciais.

O quanto mais cedo melhor depende dos sacrificios que cada um queira assumir, pois se por um lado a estabilidade financeira é um objetivo a idade dos pais também relevante.

Não só pela maior paciencia quando somos mais novos mas também em questões de fertilidade de ambos os progenitores mas mais centrado na mulher.

mais que maternidade/paternidade é mais parentalidade...é um esforço combinado e um compromisso para vida...

O casal tem de ter maturidade suficiente para assumirem serem pais e ter a noção que em ultima instancia só podem contar um com o outro.

Quando me refiro quanto mais cedo melhor, será biologicamente. Como dizes e bem quando somos mais novos temos mais paciência para aturar as birras, as noites sem dormir, mais energia para acompanhar as brincadeiras que eles gostam, e mais disposição para fazer coisas parvas e estúpidas para poder sacar um sorriso á criança do que quando somos mais velhos, onde já não existe paciência para o que quer que seja, onde devido as nossas responsabilidades profissionais que tanto almejamos alcançar antes de virem os filhos nos retiram tudo aquilo que mencionei antes.

Claro que almejar em ter uma boa carreira profissional e estabilidade financeira antes de ter filhos nada tem de errado, no entanto pela minha experiência pessoal, tinha uma vida estável e confortável antes dos filhos e hoje posso dizer que como as coisas mudaram tanto nestes últimos três anos, que aquilo que pensávamos ter como garantido tudo muda de um momento para o outro, e a culpa não foi dos filhos. E o que dizer daqueles casais em que ganham o ordenado mínimo? quando é que poderiam ter filhos? Desde bem que não falte o que comer (mesmo que seja marca branca), o que vestir (nem que seja da Primark), e um tecto para morar (ai a coisa já fica mais preta que as casas hoje tem ouro) tudo se cria! Se estivesse a espera da altura e estabilidade certa para ter filhos estava bem tramado. Ainda hoje era eu,a mulher e os cães!

E claro que ter uma relação estruturada e sólida com o parceiro é de suma importância. Eu apenas tive o primeiro filho após 4 anos de casamento e mais 2 anos de namoro. Logo só após 6 anos decidimos ter o primeiro filho, tinha eu 27 anos. E foi mais para fazer a vontade a ela, porque lá está também esperava ter maior estabilidade, no entanto hoje dou-lhe razão. A segunda tive com 29 anos, e fui eu o principal impulsionador. Uma das minhas metas de vida era ter 2 filhos antes dos 30, e agora posso me focar que daqui a 4 anos tenho que expandir a casa, porque já somos 4, e daqui a 8 anos quero ter uma Autocaravana para poder começar a explorar o mundo. Aos 50 anos quero ver se os filhos já estão minimamente orientados para começar a gozar a pré-reforma. Mas olhando ao balanço que a sociedade leva estou bem lixado eu e a mulher ainda vou primeiro para a reforma e tenho filhos quarentões em casa ainda!


Curiosamente agora sinto que é a altura certa de apostar na minha carreira profissional. OS ultimos 5 anos aguentei um trabalho que já nada me dizia, e que nada me dava quer profissionalmente quer monetariamente com total estagnação, no entanto deu-me a tranquilidade e conforto de acompanhar mais de perto esta fase tão exigente dos filhos e ajudar a parceira. Sinto agora sim, que os meus intas são a altura certa para aceitar novos desafios profissionais sendo que o meu prisma de ver as coisas são diferentes da maioria da minha idade. E até recentemente numa entrevista que tive a minha prematuridade foi mencionada, sendo que ao invés dos outros candidatos que estão agora a iniciar a sua vida a dois, ou a sair da casa dos pais, eu já tenho a minha vida e rotinas estabelecidas a alguns anos, sendo eu ainda novo e já com um caderno de responsabilidades em cima dos ombros com algum peso, serei (segundo eles) uma boa aposta para evoluir.
Mas para isso acontecer também é preciso o parceiro estar disposto a fazer também alguns sacrifícios no que dita no campo profissional. Para um estar mais disponível profissionalmente o outro se calhar terá que fazer sacrifícios nesse sentido. O importante é os dois estarem bem com as decisões que tomem, tendo sempre plena consciência que essas decisões não afectaram dois mas sim 3 ou mais pessoas do agregado familiar, e aí é que o trabalho de equipa faz diferença.
E ainda relativamente aos opinanços, também não gosto de os fazer, mas também já não me importo quando os fazem para mim. Não rara a vez especialmente família achegada, que diz:" Não vos vejo só com dois, vocês ainda vão ao terceiro" e eu respondo "até nos podiam ver com 5 ou 6, a loja por nossa vontade está fechada!" Claro, se vier algum por acidente será criado com todo o amor que os irmãos tiveram direito, mas neste momento sentimos que a familia está completa. É altura para dar continuação aos desafios que já temos, e a novos desafios.

Isto tudo porque? Como o forum existe também devido as vivências de cada um, esta é a minha experiência e opinião, que não está certa nem é soberana para a maioria.
Por isso se o objectivo é não ter filhos e apostar numa carreira profissional, e viver só a dois ou sozinhos está tudo bem,
Se o objectivo é só fazer a vontade á mulher, pesem bem os prós e os contras,
Se o objectivo for ter filhos, não esperem pelo amanhã ou por melhores condições, se ainda assim decidirem esperar, está tudo bem também, até aos 40 e poucos anos nelas o forno ainda pega!
Para mim o que importa é poder chegar a noite e estar de bem com as decisões que se tomou durante o dia!
 
E até recentemente numa entrevista que tive a minha prematuridade foi mencionada, sendo que ao invés dos outros candidatos que estão agora a iniciar a sua vida a dois, ou a sair da casa dos pais, eu já tenho a minha vida e rotinas estabelecidas a alguns anos, sendo eu ainda novo e já com um caderno de responsabilidades em cima dos ombros com algum peso, serei (segundo eles) uma boa aposta para evoluir.

Traduzindo para português directo, o que eles te disseram é que lhes agrada teres 2 filhos para sustentar e uma casa para pagar. Assim, irás privilegiar a estabilidade, a saltar fora às 1a contrariedade.
 
Traduzindo para português directo, o que eles te disseram é que lhes agrada teres 2 filhos para sustentar e uma casa para pagar. Assim, irás privilegiar a estabilidade, a saltar fora às 1a contrariedade.

ou seja podem esmifrar o pittboxer à vontade pois ele tem um familia grande para sustentar e assim não tende a saltar fora do barco e procurar qq coisa melhor mas com mais risco.. agora é que estou a ver porque é que os meus patrões me vão aumentando o ordenado todos os anos...
 
ou seja podem esmifrar o pittboxer à vontade pois ele tem um familia grande para sustentar e assim não tende a saltar fora do barco e procurar qq coisa melhor mas com mais risco.. agora é que estou a ver porque é que os meus patrões me vão aumentando o ordenado todos os anos...
Não diria esmifrar, mas terá maior propensão a engolir sapos, em relação a alguém que não tenha dependentes e (tantas) contas a cair ao fim do mês.

Como precisa do seu posto de trabalho, será também potencialmente mais dedicado.

Basta ver como o Pitboxer tem encarado os últimos tempos na empresa actual. Saindo com cautela, tentando assegurar os seus rendimentos. E não abandonar de um dia para o outro.
 
Não diria esmifrar, mas terá maior propensão a engolir sapos, em relação a alguém que não tenha dependentes e (tantas) contas a cair ao fim do mês.

Como precisa do seu posto de trabalho, será também potencialmente mais dedicado.

Basta ver como o Pitboxer tem encarado os últimos tempos na empresa actual. Saindo com cautela, tentando assegurar os seus rendimentos. E não abandonar de um dia para o outro.

Como em tudo, quando temos grandes responsabilidades, principalmente para com outros dependentes, tem que ser tudo muito mais bem medido. E o que dizes é uma realidade, no entanto, também acontece que podem depositar confiança em ti porque ao invés de outros sem responsabilidades deste tipo que a esta hora já estão a pensar na bobadeira que vão apanhar, preferem alguém que sabe o que é responsabilidade para com o trabalho para que a empresa prospere de forma a garantir que no fim do mês haja dinheiro para pagar ordenados e essa pessoa possa meter comida na mesa.

No meu ramo não me acredito que isso aconteça, porque como já contei noutro tópico, demorei 1 mês a encontrar três propostas diferentes e no qual uma (dessa tal entrevista) o projecto me aliciou. Noutros ramos, onde não existe tanta escolha para caso se queira sair de um momento para o outro, aí sim os filhos e responsabilidades irão pesar e muito para a quantidade de sapos que vão ter que engolir.
 
nunca percebi bem esses arautos do não quero ter filhos mas que depois acabam a tê-los e adoram.

eu não tenho filhos, até ao momento não quis ter filhos, fazemos inclusive o esforço de não os ter porque era o que é “fácil” e até esperado de nós, mas isso não implica que não os queira ter. porque quero/queremos. e muito.

no tempo certo, ainda estamos a precisar de tempo para nós seja profissional seja pessoalmente e está a ser bom!

e olha que é socialmente reprovado isto sobretudo se estás numa relação mais que estável

se fosse contar as vezes que oiço a conversa do “mas vocês são tão fantásticos juntos…quando chega o bebé?” Ou o “mas há um problema?” Ou “agora já só faltam vocês no grupo a terem as vossas crianças” que já me dá vómitos…

aliás o surreal é ter uns pais que foram casados praticamente 5 anos e não tiveram filhos durante esse tempo por opção (e estamos a falar dos anos 80 onde isso era um autêntico tabu) e que agora não deixam de mandar as boquinhas que querem ser avós “novos” e nós nem há 2 anos estamos casados.

grrrrr [:)]

mas eu sou torto e ela também, vamos levar a nossa avante contra tudo e todos [:D] assim me iludo :) [:D]

hoje sou pai, fomos no momento que achámos correcto, mas passamos muito por isso do " quando é que ?" e muitas vezes chegou a ser bastante desagradável.

Mas desengana-te se achas que isso é algo isolado. É apenas um capitulo da saga do "quando é que?"

Vivemos eternamente numa corrida. Tu provavelmente nem foste pressionado noutras alturas da vida, mas frases como "quando é que acabas o curso?", "quando é que casas?" e seus derivados são muito comuns.

Quando fores pai vão-te perguntar se já anda, se já fala, se ja deixou a fralda, se já está na creche. Se falhares um timing desses és apontado. Quando essas conversas começam eu digo sempre que o meu está de sabatica ou que está arrependido da área e está a pensar mudar (tem 3 anos...).

Anda meio mundo sempre a correr e ninguém se lembra que isto da vida acaba tudo no mesmo local para todos. Deixem cada um seguir à sua velocidade e à sua maneira e com as suas escolhas.

Os Portugueses em particular precisam sempre de ver nos outros a confirmação que estão a fazer o correcto. Ficam sempre muito inseguros por ver alguém trilhar caminhos diferentes.
 
A questão dos filhos é facil dissecar, muitos homens dizem que não querem ou não estão preparados, só pergunto como foi a sua infância/relação com o pai, e aí percebe se onde está o problema.
 
Tenho uma filha, hoje adolescente, fruto do meu primeiro casamento. Nunca tive uma queda especial para crianças e ter filhos nunca foi um objetivo de vida. Hoje, sem duvida, é a pessoa mais importante da minha vida.

Estou no segundo casamento há 12 anos. Nunca tivemos filhos, por opção propria. A minha atual mulher trata a minha filha, quem conhece desde os 4 anos, como se fosse sua filha.

Dizer que ter filhos é a melhor coisa do mundo tem muito que se lhe diga. Não há NENHUM processo de parentalidade igual, mas uma coisa é certa... todo o processo de crescimento, de privações inerentes, tanto individuais como seja em casal ou em grupos da amigos, de preocupações, de cansaço, de organização diária, etc... é um ENORME desafio psicologico e fisico.

Ainda há dias em conversa com amigos um dos casais, que tem 2 filhos atualmente com 3 e 6 anos dizia "porque é que ninguem nos diz que isto iria ser assim??"... vive-se num mundo idilico onde tudo começa na pressão social para ter filhos.

Muita gente pura e simplesmente não tem apetencia/vocação para ter filhos mas, por pressão social, lá "cedem". Uma das consequencias? Vivem frutrados, desanimados, etc... e, embora (quase) nunca se coloque em causa o amor que se sente pelos filhos, esta frustração é projetada neles (filhos) o que acaba por ter uma enorme influencia na personalidade futura das crianças.
Porque somos uma sociedade hipócrita...
É tudo cor de rosa, seja nos testemunhos dos outros, seja na televisão ou livros.
Se alguém abre a boca e fala o contrário é tratado como um leproso...

Diria que ou é para continuar a pirâmide da Segurança Social, ou então aquele desejo íntimo do "ahh se eu perdi a minha vida boa quero que eles também a percam"
 
A questão dos filhos é facil dissecar, muitos homens dizem que não querem ou não estão preparados, só pergunto como foi a sua infância/relação com o pai, e aí percebe se onde está o problema.


tens de rever a matéria do teu curso de psicologia. Tenho uma excelente relação com o meu pai, andamos juntos para todo o lado. Tive uma infancia excelente... Durante anos disse que não queria ter filhos e agora mais velho, digo que é como o melhoral ( nem está bem nem mal).
Se a minha parceira não quiser filhos, eu não vou insistir.. Se ela quiser não lhe vou negar esse direito... Mas é daqueles assuntos que não me tira o sono..
 
tens de rever a matéria do teu curso de psicologia. Tenho uma excelente relação com o meu pai, andamos juntos para todo o lado. Tive uma infancia excelente... Durante anos disse que não queria ter filhos e agora mais velho, digo que é como o melhoral ( nem está bem nem mal).
Se a minha parceira não quiser filhos, eu não vou insistir.. Se ela quiser não lhe vou negar esse direito... Mas é daqueles assuntos que não me tira o sono..

O direito delas ter filhos é mesmo deles terem ou não... ora essa!
 
O direito delas ter filhos é mesmo deles terem ou não... ora essa![/QUOTE

não percebi muito bem a tua questão, mas a minha ideia era não privar a minha companheira de ter algo que gostasse mesmo só porque a mim não me diz grande coisa.
Não queria viver com a responsabilidade de saber que a minha companheira se privou de ter um filho para poder viver uma vida comigo, estás a perceber o meu ponto?
 
Ainda bem que criei este tópico...afinal é algo que muitos passam ou já passaram.
A intimidade a vida sexual as brincadeiras tudo isto fica muito para trás.
Na fase da gravidez... tesão não falta a elas mas ao pai as vezes a vontade misturada com tudo l que está a acontecer não é tanta e gera choque e ciúmes...
É terrível a mulher sentir desejo e achar que o marido está mais preocupado com a barriga que com ela e isso provoca efeitos.
Depois de nascer é o homem com mais desejo e a mulher com menos...
É sem dúvida um enorme desafio ao casal.
 
tens de rever a matéria do teu curso de psicologia. Tenho uma excelente relação com o meu pai, andamos juntos para todo o lado. Tive uma infancia excelente... Durante anos disse que não queria ter filhos e agora mais velho, digo que é como o melhoral ( nem está bem nem mal).
Se a minha parceira não quiser filhos, eu não vou insistir.. Se ela quiser não lhe vou negar esse direito... Mas é daqueles assuntos que não me tira o sono..
Vou ser muito directo: ou querem os 2 (e é querer mesmo, não é apenas peer pressure dos amigos já com filhos) ou dá barraca. É como diz o ditado: são precisos 2 para dançar o tango.
 
Porque somos uma sociedade hipócrita...
É tudo cor de rosa, seja nos testemunhos dos outros, seja na televisão ou livros.
Se alguém abre a boca e fala o contrário é tratado como um leproso...

Diria que ou é para continuar a pirâmide da Segurança Social, ou então aquele desejo íntimo do "ahh se eu perdi a minha vida boa quero que eles também a percam"

Como concordo contigo e ai do pai ou da mae que se queixe do cansaço, do esforço enorme...ouve logo a pergunta típica "Mas náo querias ser pai????"
 
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